sábado, 2 de maio de 2009

Crítica: Ensinando a Viver (Martian Children, 2007)


"Ensinando a Viver", filme que conta com John Cusack e Amanda Peet no elenco, surpreende por ser tão simples, mas ao mesmo tempo, objetivo e extremamente carismático.

por Fernando Labanca

Adoro filmes que me surpreendem. De longe, parecia ser um filme bobo e inofensivo, no entanto, vai muito além dessas expectativas. John Cusack interpreta David Gordon, um famoso escritor de ficção científica, que perdeu sua amada esposa há dois anos e vive sozinho ao lado de seu único companheiro, seu cachorro Somewhere. Teve uma infância um tanto quanto complicada, não conseguia se encaixar no mundo em que vivia, era diferente e por isso, rejeitado, acreditava que um dia os ET's iriam resgatá-lo. Para ele, só poderia pertencer a outro planeta, pois certamente desse ele não era.

Sua grande amiga é Harlee (Amanda Peet) e com seu grande apoio, ele decide adotar um garoto. É quando conhece Dennis (Bobby Coleman) em um orfanato. Um garoto problemático que acredita profundamente que é um marciano que está na Terra para cumprir uma missão. David era a pessoa certa para ficar com o garoto, podia tentar entendê-lo e fazer com que ele se sintisse parte de alguma coisa, nesse caso, de uma família. 

Nesta história sutil surge alguns elementos surpreendentes, fazendo com que a trama deixe de ser linear, conquistando no final, um excelente clímax. E o interessante, que por mais que a ideia seja simples, o roteiro não economiza nos bons diálogos e surpresas durante o filme, não deixando tudo para o final. Poderia até se encaixar no grupo da "sessão da tarde", mas o roteiro se torna brilhante aos poucos, criando situações onde questões complexas e muito bem pensadas são expostas.

John Cusack está ótimo, fazendo uma das personagens mais carismáticas de toda sua carreira. Os coadjuvantes conquistam fácil o público, logo que a trama faz bom proveito de cada um, focando sempre na história de David e Dennis mas sem apagar os demais elementos. Amanda Peet, como sempre, simpática, é bom vê-la em cena. Joan Cusack aparece como a irmã de David - sendo na vida real, irmã de John - os dois funcionam muito bem juntos, a química entre eles é fantástica, mais natural impossível. Ainda vemos os rostos de Sophie Okonedo, Oliver Platt e Angelica Huston. Mas a grande surpresa fica com o pequeno Bobby Coleman que faz com que o filme seja melhor do que realmente é. Uma atuação brilhante para uma criança, surpreende fácil, se encaixa perfeitamente na trama, emociona e diverte o público em algumas cenas do filme.

"Ensinando a Viver" também conta com a ótima direção do desconhecido Menno Meyjes, que trabalha muito bem e faz bom proveito do roteiro. Constrói cenas incríveis acompanhadas de excelentes diálogos, ótimas atuações e destaque também para a fantástica trilha sonora. O filme nos conta a história de um homem aprendendo a ser pai, aceitando os erros e dificuldades de seu novo filho e lhe entregando o amor que ele ainda possui e a de um garoto aprendendo a ser filho, e mais além, aprendendo a ser humano. Ser um humano não é uma tarefa fácil, aceitar os outros da maneira que são, se sentir a vontade em ambientes que não conhecemos, ajudar o próximo mesmo quando não se espera nada em troca. O filme ainda questiona até que ponto é bom sermos iguais aos outros e até que ponto é bom sermos diferentes dos demais. Se somos terráqueos, temos que aceitar as leis daqui, o modo como as coisas aqui funcionam, sejam elas difíceis ou não, somos humanos, somos da Terra e daqui não vamos sair, precisamos nos adaptar, ninguém disse que as coisas devem ser assim, mas se não forem, como conseguiremos viver?

NOTA: 9


3 comentários:

  1. O longa em si, não tem um destaque brilhante, mas fica longe de ser um daqueles filmes chatos que nunca são retirados de uma prateleira da locadora. Como dito, o roteiro é simples, no entanto a experiência do protagonista em adotar um filho, transmiti em certos momentos a experiencia de uma pessoa em comprar um cão e caso não de certo, devolver ao canil. Juntamente com o roteiro, vem a simples moral da história sobre ser original sendo você mesmo. Em relação a Cusack, se saira bem, mas nada que se sobresaia, demonstrando o carisma de sempre. Com exceçao ao garoto, os demais personagens não tiveram um comprometimento com o enredo, por isso não inferem com praticamente nada. Emocionante e previsível a certo ponto e não presunçoso são as principais características desse filme. Recomendo. nota: 7,5

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  2. Poxa que ler uma opinião. Valeu pela iniciativa Papai Urso, é sempre bom saber oq que os leitores concordam ou não concordam de nossas críticas!! Valeu...comente sempre!

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  3. pode dexa parcero, http://cineinterativo.blogspot.com/
    até mais!

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