domingo, 31 de maio de 2009

Crítica: Anjos & Demônios (Angels & Demons, 2009)


Ron Howard (Uma Mente Brilhante) volta na direção de mais uma adaptação da saga criada por Dan Brown, depois do criticado O Código da Vince, agora ele investe em Anjos e Demônios. E fez bem, ele mostra que dessa vez ele se empenhou de verdade e constrói um filme que vale a pena conferir, até mesmo aqueles que não leram o livro.

por Fernando Labanca

Não compensa contar a história do livro, porém, é necessário saber que houveram algumas mudanças e elas merecem ser ressaltadas. Esqueça o personagem Maxmilliam Kohler, o ciêntista do CERN, ele simplesmente foi tirado da trama. Assim como o Leonardo Vetra, em seu lugar, foi colocado Silvano, um mero cientista e colaborador de Vittoria que também foi assassinado pelo mesmo motivo do livro. Gunther e Chinita também são desprezados. Entretanto todas essas mudanças, felizmente são bem trabalhadas pelo roteiro do excelente Akiva Goldsman, que trabalhou ao lado de Hovard em Uma Mente Brilhante, O Código da Vince e Luta Pela Esperança, também trabalhou em Eu Sou a Lenda e Hancock. O roteiro é esperto e ágil e consegue trabalhar bem com as mudanças que foram feitas, em nenhum momento a falta de uma personagem ou de uma situação muda a história. Para quem leu, sente falta, mas como roteiro de filme, a história convence e aceitamos fácil as mudanças.

No longa de Hovard, tudo se inicia no CERN (incrível as cena dos laboratórios e a criação das partículas da antimatéria no início) onde um cientista é assassinado e uma partícula da antimatéria é roubada. Ela, por sua vez, foi levada para o Vaticano onde quatro cardeias foram sequestrados e tudo segue como no livro. Os futuros assassinatos relacionados com os elementos, o envolvimento de Robert Langdon, mais uma vez interpretado por Tom Hanks, para desvendar o esconderijo dos Illuminatus e o local onde está a antimatéria e impedir que a população seja exterminada por ameaça terrorista baseada numa antiga vingança contra a Igreja Católica.

Robert se une a Vittoria (Ayeler Zurer), a criadora da antimatéria e a responsável por tudo isso, para encontrar as pistas, contam com algumas ajudas, como o inspetor Olivetti (Pierfrancesco Favino) e Chartrand (Thure Lindhardt), assim como no livro. Também contam com a ajuda do conservador comandante Richter (Stellan Skarsgard) e do carmerlengo Patrick (Ewan McGregor) que trabalha no Vaticano a serviço da Igreja e auxilia no atual conclave e passa a liderar tomando a posição do antigo Papa, enquanto não é elegido um novo, porém a Igreja entra em crise com o sequestro dos cardeais que seriam os possíveis escolhidos.

Robert e Vittoria desvendam os mais inigmáticos mistérios, começam a traçar uma linha lógica sobre Roma para acharem o paradeiro dos Illuminattus e acabar de vez com esse terrível acontecimento. E eles tem até meia noite para acharem a antimatéria e até que essa hora chegue, os cardeis vão sendo assassinados de maneiras inimagináveis, assustando a todos que se envolvem no caso.

E com essa nova arma e esse mistério ao redor do Vaticano, voltam os fantasmas do passado que a Igreja tanto tentou esconder durante anos. E os religioso tem que encarar de frente a verdade, de que a Igreja perseguiu inocentes e os matou e agora isso está acontecendo com eles, o jogo inverteu. Mas seriam eles os verdadeiros vilões, logo que os Illiminatus estão os matando de maneira hedionda e terrorista? E as questões sobre religião e ciênci e essa antiga rivalidade voltam a tona.

Ron Howard é um dos diretores mais aclamados da atualidade, devido o seu elogiado Frost/Nixon, um dos melhores filmes entre os indicados ao Oscar esse ano segundo alguns críticos. Ele falhou em O Código da Vince, um filme fraco e totalmente fora do que foi mostrado por Dan Brown, acabou com a espertesa e o brilho da trama, uma adaptação muito mal feita, com uma parte técnica incrível mas roteiro falho. Howard ousa por voltar e praticamente clicar na mesma tecla, mas acerta em cheio dessa vez, pois Anjos e Demônios não é, e está longe de ser, uma adaptação fiel, mas como filme funciona.

Ron Howard tira as situações das páginas do livro de Brown com grande habilidade para as telas, chega a ser espantoso determinadas cenas, onde a maioria são externas e são feitas com tanta dedicação e competência. Quem leu livro vai adorar o que foi feito no filme, as cenas facilitam a compreensão do livro, tudo parece feito perfeitamente de acordo como foi descrito por Dan Brown. As igrejas, os quadros, o CERN, o vaticano, tudo reproduzido da melhor maneira possível, genial.

O elenco não surpreende muito. Tom Hanks está melhor, assim como sua personagem, Robert Langdon está mais parecido com o do livro, não fiscamente, mas os jeitos, a maneira como trabalha, o humor sutil e suas ironias. Vittoria Vetra é interpretada pela israelense Ayelet Zurer, logo nas primeiras cenas vemos que ele á uma grande atriz, mas infelizmente a trama não faz tão bom proveito dela, a Vittoria do livro é mais ágil, fala mais, aparece mais, no filme, eles a apagam, diminuindo o brilho que esta personagem tem sobre Anjos e Demonios, logo que no livro, ela é disparada, a melhor personagem. O maior destaque fica para Ewan McGregor e seu carmerlendo Patrick, que também é uma incrível personagem, ele não faz nada muito especial, mas num elenco mediano, ele se destaca.

Palmas para a parte técnica do filme. Trilha sonora de arrepiar, cada cena de suspense se torna mais tensa com a trilha mais que eficiente. Mas o destaque fica para os cenários que são perfeitos, vemos que tudo foi pensado e bem colocado no filme. Todas as cenas são tão bem feitas que surpreendem. Anjos e Demonios é um filme bem feito, bem trabalhado, diferente de O Código da Vince, vemos que foi um filme mais bem cuidado, planejado, não é uma trama corrida, eles apagam alguns fatos mas não acrescentam outros piores como foi feito no anterior, todas as mudanças são coerentes e bem trabalhadas. Muito melhor que o anterior, mais dinâmico, mais empolgante, mais surpeendente. Um suspense maravilhoso que faz você esquecer de tudo ao seu redor, você se prende fácil, e até que o filme acabe você não consegue desgrudar o olho da tela, hipnotizante! É um excelente filme, só não dou 10 por não ser uma adaptação tão fiel, mas bem que merece.

NOTA: 8,5

Um comentário:

  1. Olá
    Olhaaa..Anjos e Demônios!
    Falam que é melhor que o Código DaVinci,mas num to mut afim de ler o livro não...no final de O Código DaVinci tem o primeiro capítulo de Anjos e Demônios e achei os dois bem parecidos..só muda o lugar e os coadjuvantes...
    mas gostei da crítica!

    Ah,gostou do layout novo??

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