domingo, 14 de junho de 2009

Crítica: A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen, 2006)


Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro no ano de 2007, A Vida dos Outros é um filme de origem alemã, e para quem curte um cinema alternativo e que deseja ver algo fora de Hollywood ou para os admiradores de cinema europeu, esta, com certeza, é uma excelente opção.


por Fernando

A Vida dos Outros ocorre em 1984, na Alemanha, alguns anos antes de acontecer a queda do muro de Berlim, portando, a Alemanha ainda era dividida em Oriental e Ocidental. Neste caso, a história acontece no lado Oriental, também conhecida na época como RDA (República Democrática Alemã).

Neste época, as pessoas eram controladas por uma ditadura cruel e tinham suas vidas vigiadas caso demonstrassem algum tipo de ameaça ao governo. Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) é agente desse Serviço Secreto, é pago para vigiar essas pessoas. Georg Dreyman (Sebastian Koch) é o maior dramaturgo da RDA, um exemplo de cidadão para todos, expõe sua opinião sem ofender o Estado e o único que tem suas obras lidas no lado Ocidental, um homem que não apresenta nenhum tipo de ameaça ao governo, porém o Ministro Hempf tem dúvidas sobre o caráter corretamente político de Dreyman e pede para o Serviço Secreto vigiá-lo. Gerd, então, fica responsável por todo esse plano, desde as instalações de microfones no apartamento do dramaturgo até ficar vinte e quatro horas por dia o vigiando.

Georg vive com sua namorada, a bela atriz Christa-Maria (Martina Gedeck), ela sempre faz parte de sua peças e hoje vive o auge de sua carreira. Os dois são completamente apaixonados e vivem suas vidas tranquilamente sem imaginar que estão sendo vigiados o tempo todo.

Conforme o tempo passa, Gerd vai se envolvendo cada vez mais com o casal, cada suspiro, cada conflito que existe, ele passa sentir como se fizesse parte da vida deles. E aos poucos ele também vai descobrindo os segredos de Georg e Christa. Ela, é viciada em remédios e passa a ser chantageada pelo próprio ministro Hempf para que continue com sua carreira e continue pisando nos palcos em troca de favores sexuais. Por outro lado, Georg Dreyman, após descobrir que seu melhor amigo e também diretor de sua grande peça se suicidou, ele começa a refletir sobre o tanto de pessoas que se suicidam sob a ditadura do socialismo, o quão infelizes as pessoas estão e por isso, desistem de viver, nos papéis, apenas são expostos os números de pessoas mortas por acidente ou pela ditadura, mas as que se suicidam, são apenas esquecidas. Com esse pensamento, ele decide escrever um livro sobre personalidades que deixaram de viver por opção. Mas o plano dele é mais complexo, ele pretende enviar esse livro para o Oriente, para que as pessoas do outro lado descubram o que ocorre na RDA. E para isso, ele conta com a ajuda de alguns amigos que tem contato com o outro lado, inventa um outro nome para publicar o livro e omite o caso para sua namorada, para que ela esteja sempre a salvo, logo que é um risco de vida o que todos os envolvidos estão fazendo.

Pronto, o maior segredo de Dreyman está nas mão de um dos agentes do governo, o segredo que poderá destruir com sua vida, com sua carreira brilhante. Agora basta esperar o que Gerd vai decidir fazer com essas informações, logo que ele é pago para descobrir algum furo da vida do dramaturgo, mas não é mais fácil fazer isso, logo que ele passa a se envolver tanto com o casal que passa a tentar de todas a formas para que eles fiquem juntos e felizes, alterando o destino, e fazendo o possível para encontrar o humano que ainda existe dentro dele.


A vida dos Outros foi um filme muito prestigiado, com indicações e premiações nos mais importantes prêmios do cinema, dentro e fora da Europa. Todo esse sucesso da crítica não é para menos, logo de que se trata de um filme realmente bem feito, bem trabalhado.


O diretor Florian Henckel von Donnersmarck é sem sombra de dúvida, competente. A Vida dos Outros é um filme, digamos, lento, monótono na maioria das vezes, mas nunca chato e entendiante. Ele faz um thriller ber amarrado, com ótimas cenas que causam tensão e emoção também no final do filme. O roteiro é um brilho a parte, excelente, muito bem elaborado.

As atuações, infelizmente, assim como o diretor, não posso fazer comparações e nem comentar muito sobre, logo que nem os conheço, nunca vi nenhum outro trabalho com eles. Mas sobre A Vida dos Outros, estão todos muito bem direcionados e são todos competentes no que fazem. Ulrich Mühe, que interpreta Gerd, transmite mistério com facilidade, nunca sabemos que ele realmente é, o que traz mais tensão ao longa pois nunca sabemos ao certo qual vai ser a reação dele diante dos fatos, mas também nos emociona mesmo sem muito esforços. Sebastian Koch leva sua personagem adiante com muita força de vontade, parece que ele entra de cabeça e através de sua excelente atuação, sabemos o que passa em sua mente, mesmo sem ele dizer nada. A protagonista do longa Martina Gedeck, está bela, sofremos junto com ela e torcemos para ela, mesmo quando achamos que ela está errada, é uma ótima atriz e passa a ser a personagem chave de toda a trama e nos surpreendemos com suas atitudes.

A Vida dos Outros é recomendável para aqueles que curtem um cinema mais alternativo, diferente do convencional, se você espera um filme inteligente para se divertir num final de semana, esqueça. Espere um filme lento, monótono como eu já disse, esteja preparado para os longos minutos de projeção, mas garanto que no final tudo vale a pena.

NOTA:7



Um comentário:

  1. Opa..cinema alemão!Quero ver, onde vc descobriu esse filme?Curto cinema europeu desde Adeus Lenin, lembra que eu ficava falando desse filme o tempo inteiro???hauhau

    eeeehhh vc viu o ESPECIAL Christian Bale???vixeeeee, foram somente 12 filmes assistidos e quase um mes pra fazer todo o especial...deixei até o meu amado Watchmen de lado..to correndo atras das raridades..

    ate mais

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