terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Crítica: Apenas Uma Vez (Once, 2006)

Outra boa dica de DVD para as férias é Apenas Uma Vez, filme irlandês que mescla romance e boas canções. Talvez, romance não seja a palavra certa, um filme que nos mostra a relação entre duas pessoas que se aproximam devido a paixão que ambos tem por algo em comum, música!

por Fernando Labanca



Sem nomes. Assim são apresentadas as personagens principais, um homem e uma mulher (portanto, me desculpem o excesso de pronomes repetitivos). Ele, apaixonado por música, trabalha fazendo manutenção em aspiradores de pó junto com o pai (mais original impossível!!), nas horas vagas canta e toca nas ruas de Dublin, Irlanda, para ganhar alguns tocados. Ela, uma jovem mãe, vende flores nas mesmas ruas em que ele canta. O destino dos dois se une, quando a jovem percebe o talento que ele possui e pede para cantar uma canção e fica surpresa, pois assim como o rapaz, ela também é apaixonada por música. Até que a conversa surge e a moça pede para consertar seu aspirador de pó, nisso, surge uma inevitável amizade, principalmente quando ele descobre o talento dela em tocar piano.

Em alguns momentos de descontração, ele decide fazer alguns duetos com ela, ela toca piano, enquanto ele toca seu violão e canta suas belas canções sobre amor. Ela, curiosa, descobre que a inspiração dele em fazer músicas tão românticas e muitas vezes dramáticas vem de um passado que ele não consegue esquecer, foi abandonado pela mulher que mais amava. Com as confissões, há aproximade, logo, afinidade. Os dois se tornam inseparáveis, e entre canções, ambos vão descobrindo mais um do outro, e mais do que isso, um vai apoiando o outro a utilizar da melhor forma seus talentos. Até que ele pede para ela escrever uma música para ele, ele possui uma melodia, mas lhe falta criatividade, ela consegue, logo, eles percebem que um pode ser o complemento do outro. Até que a moça lhe prova que ele deve seguir seus sonhos, seus desejos e que deve batalhar por eles, entretanto, ele leva isso ao pé da letra e resolve, repentinamente, ir em busca da mulher que ama, mas antes de sua partida ele faz uma proposta com a garota, juntos com toda uma equipe de músicos, ele irão gravar um CD, oficialmente, com direito a gravadora e tudo mais, o último passo, a última chance. Grandes oportunidades nem sempre surgem com grande frequência, muito pelo contrário, ás vezes, elas surgem apenas uma vez.

Se apenas houvesse as canções do filme, e nada mais, nada de roteiro, nem cantores, nem atores, já valeria a pena. Mas além das incríveis canções, uma mais perfeita que a outra, o filme, dirigido por John Carney, nos trás uma maravilhosa, sincera e honesta história sobre duas pessoas que se unem para realizarem seus sonhos, há um envolvimento muito forte e profundo entre as duas personagens, mas há mais solidariedade do que paixão, mesmo que a relação que eles mantêm consiga ser muito mais verdadeira que muitos outros filmes de romance.

Um filme independente, muito bem conduzido, com filmagens estilo documentário, nos mostrando a simplicidade das ruas de Dublin, entre outras belas imagens da Irlanda, e nesse cenário, duas personagens sinceras, interpretadas por cantores, ou seja, não atores, mas que se dão muito bem frente as camêras, Glen Hansard e Markéta Inglová, com belas vozes, e é em suas canções que se situa todo o romantismo e sentimento do filme. Quando Glen solta sua voz, parace que suas notas entram fundo em nossas mentes e não consiguimos pensar em mais nada, ele arregassa. E nos poucos minutos de filme, respiramos música. Aliás, Apenas Uma Vez conquistou o Oscar em 2008 por melhor Canção (Falling Slowly) desbancando as três indicações do Hollywoodiano Encantada.

É simples, tocante, comovente, sincero. Já vale pelas canções, mas o filme em geral é um grande complemento.








NOTA: 8.5

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