segunda-feira, 28 de maio de 2012

Crítica: O Preço do Amanhã (In Time, 2011)

Andrew Niccol não é um nome muito forte em Hollywood, apesar disso, é um roteirista que já realizou trabalhos notáveis no cinema como "O Show de Truman" (1998) e "O Terminal" (2004). Como diretor trouxe para as telas filmes como "Simone" (2002) e "O Senhor das Armas" (2005). Em 2011, ele retornou como roteirista, produtor e diretor de "O Preço do Amanhã", já criando uma certa expectativa, pois seu nome é sinônimo de originalidade. Pois bem, a verdade é que sua originalidade retorna mais uma vez e o que vemos nesta ficção científica é uma obra inteligente, com sacadas que beiram a genialidade e que não se trata de um remake e nem uma adaptação de algum livro. Estamos numa época em que filmes como este parecem impossíveis de serem criados. Uma raridade.

por Fernando Labanca

Somos apresentados a este mundo futurístico. Onde cientistas descobriram uma forma de destruir o gene do envelhecimento. Todos os seres humanos vivem até os vinte e cinco anos, a partir deste momento, um relógio é ativado no corpo de cada um, é então que as pessoas precisam correr atrás de tempo. O tempo se tornou a nova moeda. O trabalho é pago com tempo, as compras são pagas com tempo. Existem os bancos que o armazenam para futuros empréstimos. Porém, acabou se criando uma intensa desigualdade social, onde os pobres não conseguiam tempo suficiente e os ricos esbanjavam e assim poderiam viver mais.

É neste cenário que Will Salas (Justin Timberlake) acaba perdendo sua mãe (Olivia Wilde), vitima desta desigualdade, que morreu por falta de tempo. Até que ele salva a vida de um milionário (Matt Bomer), que havia armazenado um século e antes deste homem se suicidar, por não mais aguentar viver, entrega todo seu tempo a Will. Com todas essas horas em suas mãos, ele passa a ir atrás de justiça, recuperar o tempo que os pobres jamais poderiam conquistar, porém quando ele percebe que está sendo perseguido pelos Guardiões do Tempo, acusado de matar o tal milionário, ele sequestra a filha de um poderoso magnata, Sylvia (Amanda Seyfried), como forma de se manter vivo. E ela, decidida a viver uma grande aventura, longe das regras da classe alta, passa a auxiliar Will em sua luta pela justiça, enquanto ambos vivem cada dia como se fosse o último, literalmente.


 
"Viva cada dia como se fosse o último". O cinema já nos mostrou este clichê clássico diversas vezes, mas a verdade é que ele nunca fez tanto sentido como neste filme. A intenção da obra é levar esta ideia para as telas de forma literal, onde o ser humano precisa conquistar o tempo a cada dia, caso contrário, ele morre. E assim, o roteiro inteligente de Niccol consegue explorar esta premissa muito bem, principalmente nos primeiros minutos de filme, onde este "novo universo" nos é apresentado. O longa ganha força justamente nesses momentos em que nos introduz a este mundo, nos revela uma nova cultura, uma nova forma de vida e é tudo muito original, muito bem pensado. Entretanto, perde sua força exatamente quando este mundo deixa de ser novidade a nossos olhos, pois é quando o filme sem mais espaço para expor sua criatividade, se revela um filme comum de ação, com vilões e mocinhos e perseguições que parecem não ter fim. A impressão que tive é que eles criaram uma situação incrível, extremamente bem elaborada para usar como cenário de um filme de perseguição sem grandes novidades, é como se o filme merecesse mais, tudo o que ocorre parece pequeno pela ótima premissa que eles desenvolveram no início

"In Time" conta com um elenco não tão poderoso. Justin Timberlake convence em seu papel, mas não surpreende, faz o que já se espera dele. Já Amanda Seyfried parece menor, em comparação com o que a atriz já realizou no cinema, sua performance deixa a desejar, num papel onde sua beleza é a única coisa que parece importar. No restante, nenhum grande destaque, Cillian Murphy fazendo mais uma vez um vilão, a bela Olivia Wilde, que confesso, realizou uma das mais incríveis cenas do filme, quando ela corre aos braços de seu filho, enfim, uma sequência um tanto quanto memorável. Ainda vemos alguns atores conhecidos do público por suas aparições em seriados, como Matt Bomer de "White Collar", Johnny Gallecki, o Leonard de "The Big Bang Theory" e Vincent Kartheiser da série "Mad Men". Enfim, coadjuvantes de luxo que surgem e logo desaparecem e ninguém além de Timberlake tem muito espaço para fazer algo de destaque.

Uma idéia incrível desperdiçada em um mero filme de ação. Sim, ainda temos a boa direção de Andrew Niccol, as sequências ainda são boas e a ação funciona grande parte da obra, boas perseguições que prendem a atenção, auxiliada pela ótima fotografia e com a construção de um cenário bem interessante, ilustrando muito bem este universo apresentado, desde a arquitetura dos prédios ao novo design dos automóveis, além do belíssimo figurino realizado pela vencedora do Oscar, Colleen Atwood (Alice no País das Maravilhas). Entretanto, não deixa de ser só mais um filme de ação, onde a grande idéia lançada no início se perde em função de uma obra para a grande massa, com conflitos fáceis, perseguições vazias, correria, onde no final já nem mais nos lembramos o porquê dos protagonistas estarem fugindo, tudo o que Hollywood gosta de vender. No entanto, eu ainda o recomendo,  por mais que possua seus defeitos, não deixa de ser original, com direito a boas sacadas, e discussões válidas sobre desigualdade social e reflexões sobre a estranha obsessão de algunas pela vida eterna e o que ser humano é capaz de fazer por ela, e no meio de tantos filmes do gênero, esse acaba se destacando por suas grandes idéias. 

NOTA: 7


5 comentários:

  1. Ainda não vi, mas parece interessante. Apenas a presença de Amanda Seyfred me desanima um pouco.

    http://eaicinefilocadevoce.blogspot.com.br/

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  2. Valeu, Rafael, pelo comentário.

    Amanda Seyfried até acho uma atriz interessante, mas neste filme ela está bem fraca msm, não por sua atuação, mas por infelizmente não ter tido mto espaço na trama para desenvolver melhor sua personagem.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Meu nome é Tony Briano (tonybriano@gmail.com)
    (não tenho url com um nome de host por isso não aparece meu nome aí do lado)

    Fernando Labanca vc disse "o que vemos nesta ficção científica é uma obra inteligente, com sacadas que beiram a genialidade e que não se trata de um remake e nem uma adaptação de algum livro". Com o devido respeito eu discordo de vc. Acho que esse filme é baseado no conto de Lee Falk (criador dos quadrinhos do “Fantasma” e do “Mandrake”) "Tempo é dinheiro" (Publicado originalmente na revista Playboy americana em dezembro de 1975). Ou então temos aquele caso em q duas pessoas imaginam uma mesma história, que não é tão impossível assim de acontecer mas que pelo menos o diretor do filme ou a crítica deveriam mencionar esse conto (esse sim pra mim é genial).
    Obrigado de qq forma pela indicação do filme!! Abraço!!

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    1. Tony, valeu comentário...é sempre válido receber esses "toques" ou sugestões. Escrevi esse texto, na verdade, há 3 anos atrás e talvez tenha sido descuido meu não ter feito uma pesquisa mais ampla.

      Dei uma pesquisada novamente sobre "In Time" para tentar descobrir se ele havia sido uma adaptação e a afirmação mais próxima que cheguei disso foi do site Adoro Cinema, que eles citam que o longa não chega a ser uma adaptação, mas que ele foi inspirado no filme "Fuga do Século 23", que por sua vez, fora baseado no livro "Logan's Run" de William F.Nolan e George Clayton Johnson, publicado em 1967.

      Quanto ao conto de Lee Falk que você citou, não consegui encontrar nenhuma informação segura sobre se existe ou não uma relação entre as obras. Realmente pode existir sim, mas como você disse, pode ser que seja apenas uma ideia parecida.

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