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quinta-feira, 16 de março de 2017

Crítica: É Apenas o Fim do Mundo (Juste la Fin du Monde, 2016)

Apesar de não ter sido bem recebido pelos críticos de Cannes - Festival onde foi exibido ano passado - o longa saiu vitorioso com o Grande Prêmio do Júri. "É Apenas o Fim do Mundo" marca o retorno do jovem diretor Xavier Dolan e se destaca pelo belíssimo elenco que conseguiu reunir em seu tão controverso drama familiar. 

por Fernando Labanca

Baseado na peça de teatro de Jean-Luc Lagarce, o filme nos revela a conturbada relação de uma família disfuncional que precisa lidar com o retorno de um dos filhos. Louis (Gaspard Ulliel) é um escritor que depois de doze anos afastado resolveu voltar e reencontrar sua mãe (Nathalie Baye) e seus irmãos (vividos por Vincent Cassel e Léa Seydoux) para dizer que sofre de uma doença e está prestes a morrer. O retorno não é nada fácil e no meio a tanta brutalidade e palavras não ditas, Louis se vê cada vez mais distante de realizar o que pretendia.


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Crítica: Mommy (2014)

O vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2014, "Mommy" é mais um filme realizado pelo jovem diretor canadense Xavier Dolan (Amores Imaginários). Visualmente irretocável, o longa é, definitivamente, seu melhor trabalho até aqui.

por Fernando Labanca

Visto como um diretor promissor desde seus primeiros filmes, Xavier Dolan, apesar da pouca idade, é um profissional ambicioso, dono de um talento indiscutível. As altas apostas em cima de seu nome estavam certas, pelo menos, ele ainda não provou o contrário. Vejo "Mommy" como o ponto ápice de sua carreira, tanto como diretor tanto como roteirista. Tudo flui melhor aqui, seus personagens, diálogos, suas ideias e até mesmo seu humor. É mais completo, mais verdadeiro e talvez por ele não protagonizar desta vez, é também, menos egocêntrico, sem deixar de ser ainda uma obra bastante pessoal, autoral. Recuperando o tema de seu primeiro trabalho, "Eu Matei Minha Mãe" de 2009, a trama foca, novamente, no relacionamento conturbado de um jovem problemático com sua mãe, interpretada, mais uma vez por Anne Dorval. Antoine-Olivier Pilon interpreta Steve, um adolescente hiperativo que é expulso do reformatório em que estava devido sua má conduta e por isso, passa a morar novamente com sua mãe. Com a personalidade agressiva de ambos, a relação entre eles apenas encontra um certo equilíbrio com a chegada de uma vizinha à suas vidas, Kyla (Suzanne Clément).


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Crítica: Amores Imaginários (Les Amours Imaginaires, 2010)

Destaque na Mostra de Cinema de São Paulo e Rio de Janeiro em 2010, mas que estreiou recentemente em circuito aberto, "Amores Imaginários" é o segundo filme do jovem diretor Xavier Dolan, de apenas 21 anos, que também atua como protagonista desta obra canadense, que satiriza as relações modernas atravéz de imagens marcantes e uma plasticidade admirável.

por Fernando Labanca

A trama é bem simples. Conhecemos Francis (Xavier Dolan), homossexual assumido e melhor amigo de Marie (Monia Chokri), ambos são amigos inseparáveis e vivem na burguesia canadense, onde as preocupações da vida se limitam a qual roupa usar na próxima festa. Eis que em uma dessas festas, eles conhecem Nicolas (Niels Schneider), um rapaz do interior que passa a morar na cidade deles, devido seus estudos. Francis e Marie, logo se interessam pelo jovem e passam a fazer ele a se sentir "enturmado". O problema é que nenhum dos dois admite gostar dele, e cada um a seu modo, individualmente, passam a tentar conquistá-lo, até porque não sabem exatamente qual é a opção sexual de Nicolas, e assim, os dois acreditam ter uma chance, mas sem deixar na cara, tudo de forma sutil, mas ao mesmo tempo, de forma obsessiva, esquecendo da amizade entre eles, e sacrificando anos de relação pelo novo objeto de desejo.

Apesar de história simples, "Amores Imaginários" tem uma premissa interessante. Esse mistério ao redor de Nicolas, que nunca sabemos exatamente quem ele é, e essa dúvida que ronda a mente das personagens passa a ser a nossa também. A idéia de amor imaginário funciona bem na tela e é bem explorada pelo roteiro, onde nos mostra esse amor que de fato, nunca acontece, o romance, a paixão, a obsessão, se limita a mente de Francis e Marie, e assim como eles viam em Nicolas a personificação de um Deus Grego, muitas pessoas sofrem por idealizar um herói aquelas que amam, sendo que na verdade, aqueles que amamos são meros mortais e que podem nos decepcionar. 


"Amores Imaginários" é uma comédia romântica bem fora do comum, é até estranho taxá-lo neste gênero, simplesmente pela forma como a trama é mostrada, com poucos diálogos, e muitas imagens, de closes, câmera lenta, com fotografia impecável e perfeccionista. É comédia por fazer uma sátira sobre as relações amorosas da vida atual, sobre essa obsessão pela paixão, ironiza essa idealização que fazemos sobre outras pessoas e como o amor nos transforma em seres patéticos. E para mostrar isso, Xavier Dolan optou por explorar o exagero, excesso, os figurinos, os cenarios, as cores, tudo em excesso. Destaque extremamente positivo pela trilha sonora, com uma pegada indie, mesclando com uma batida mais eletrônica, passando pela repetição de "Bang Bang" de Dalida, Sting e a balada de The Knife, aparecem sempre de forma exagerada, mas que sem sombra de dúvida, transformam o filme num programa ainda mais interessante. 

Entretanto, o exagero nem sempre funciona tão bem. O excesso de câmera lenta e closes nos rostos das personagens, por muitas vezes, de forma desnecessária, cansam. Há inúmeras cenas que certamente poderiam ter sido cortadas, onde não há falas, somente assistimos as personagens pensando sobre a vida. Senti um certo egocentrismo de Xavier Dolan, não por protagonizar seu próprio filme, mas por se colocar em destaque na trama, mesmo quando não havia necessidade, excesso de closes em sua face, ele sempre fazendo caras e bocas, enfim, não gostei. Acho também um pouco pretencioso de sua parte encher o filme de referências cinematográficas ou referências artísticas, parece que tentando mostrar que seu filme é um filme de "arte", o que de fato, não é, como por exemplo colocar um livro da Bauhaus em destaque em uma determinada cena, sem motivo algum. Acredito também que por ter estado em Mostras de Cinema aqui no Brasil, acabou se criando uma imagem de filme artístico, não, não é, tem formato de um, mas não é.

As atuações são razoáveis, destaque somente para Monia Chokri, pela interpretação de Marie, consegiu mostrar de forma eficiente e convincente a obsessão e a loucura de sua personagem. Trilha sonora fantástica, talvez uma das melhores deste ano, e fotografia impecável, marcando um dos visuais mais fascinantes que vi nos últimos meses. Faltou um pouco mais de história, desenvolver melhor as personagens, principalmente Nicolas, onde tudo gira em torno dele, mas ele mesmo é fraco. É uma versão bem menos interessante de "Os Sonhadores" de Bertolucci, que não chega a ter sua complexidade e intensidade. "Amores Imaginários" só não é uma obra esquecível pela sua bela plasticidade.

NOTA: 6




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