domingo, 16 de agosto de 2009

Crítica: O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married, 2008)


O Casamento de Rachel é um dos filmes mais interessantes que chegou na locadora recentemente, mais do que isso, um dos melhores filmes do ano, surpreendentemente emocionante, uma experiência única e inovadora.


por Fernando.

O filme, dirigido por Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes) conta uma história ocorrida em um final de semana, era para ser um final de semana belo e cheio de boas surpresas, até a chegada do elemento principal que destruiria toda a harmonia. É o casamento de Rachel (Rosemarie DeWitt), e para isso, ela convida toda os parentes para celebrar o dia mais perfeito de sua vida, todos se reunem na casa da família, grande e com um belo jardim, que seria palco da união. Porém, chamar toda a família, inclui em chamar Kym (Anne Hathaway), sua irmã, que tira uma folga da clínica de reabilitação para participar do casamento. Kym é símbolo de problemas, usava drogas e se embebedava na adolescência cheia de conflitos, hoje, tenta se recuperar nessa clínica.

Kym é hospedada na própria casa, com o maior desprezo da parte dos familiares, que praticamente ignoram sua chegada. Seu pai, Paul (Bill Irwin), extremamente atencioso, não tira os olhos dela, com medo de aprontar alguma na tão esperada festa. Seus pais são separados, e sua mãe, como sempre, atrasada. Reencontra com Rachel, e as duas tentam esquecer, ou fingir que esqueceram os problemas do passado, entretanto, evitar que brigas acontecem vai ser uma tarefa bem mais difícil que Kym imaginava, logo que se depara com sua prima mais detestável como sendo a madrinha do casamento. Briguinhas a parte, vamos ao casamento. Primos, primas, tios, tias de toda a parte, e a chegada do noivo só complementa essa diversão, trazendo toda sua família, fazendo não só a união com Rachel, mas prestigiando a celebração da união das famílias, além disso, comida a vontade e música ao vivo.

Porém, nada vai ser tão perfeito, Kym não perde a oportunidade, e com suas ironias e seu sarcasmo, sempre encontra um espaço para reviver as mágoas do passado e consequentemente, trazer a tona todas as fraquezas e manchas do passado que deveriam ter sido apagadas. Pais separados, nunca foi fácil para as irmãs aceitar isso, Kym se embriagava, porém elas tinham um irmão mais novo, e pela falta de responsabilidade de Kym, ele acaba morrendo em um acidente de carro, controlado por ela, e isso, a família nunca esquece. E a cada discussão que surge, sua morte sempre aparece, apontando Kym como a causadora de todos os problemas familiares. E como ela mesma diz na festa, ela já teve que pedir desculpas para tanta gente fora de casa, pessoas que foram afetadas pela sua má conduta, e precisava desse final de semana para pedir perdão para aquelas pessoas que realmente importam na sua vida, mas o modo como pretende fazer isso é que dificulta, optando sempre pelo sarcasmo, ela acaba fazendo não só uma tentativa de ser perdoada, mas revitalizar não só os seus erros, mas os erros de todos da família, tenta provar que ela não pode ser culpada por todos os problemas, pois todos erram, todos falham, e mostra para todos o quanto sofre por ter matado alguém, e que precisa do perdão para seguir em frente. E Rachel sempre vê sua postura como sendo uma tentativa de criar um campo de batalha, destruindo seu final de semana que deveria ter sido perfeito, tentando destruir o brilho e atenção que deveria ter sido toda sua nesses dias. Agora, Kym e Rachel terão que acertar as contas do passado, para manterem a harmonia do casamento, e mais além, se aceitarem como membros da mesma família, uma família como todas as outras, cheias de fraquezas, mágoas e medos, uma família que é capaz de perdoar não só para manter a postura, mas também para conseguirem seguir em frente, apagando de vez o passado, mesmo que cada um siga seu canto, mas pelo menos se amarão, mesmo distantes.


Jonathan Demme é incrível como diretor, conduz o filme com tanta delicadeza, sensibilidade, e ao mesmo tempo, com intensidade, é forte, maduro. Constrói um belo filme através do ótimo roteiro, assinado por Jenny Lumet, uma história inteligente que se fortalece pela maneira como é reproduzida. E esse é o diferencial do filme, como ele é conduzido, do início ao fim, uma camêra na mão, uma espécie de video caseiro, o que se encaixa perfeitamente no contexto, dando mais realidade na trama, intensificando cada cena, entrando no particular de cada indivíduo, penetrando a alma da cada um, e isso ocorre também, graças a ótima e surpreendente atuação de todos, sim, isso mesmo, de todos em cena, sem exceção, não só pela maravilhosa atuação da protagonista, mas os coadjuvantes estão perfeitos também, estão extremamente naturais. E por esses pontos que fazem O Casamento de Rachel ser tão natural e real, nos coloca dentro da história, participamos de cada conflito, e nesses minutos de projeção, é como se fizéssemos parte da família mostrada.


Anne Hathaway merece um parágrafo inteiro. Sua atuação é surreal, esqueça a garota bobinha de Diário de uma Princesa, agora a menina cresceu, evidentemente se tornando uma excelente e grandiosa atriz. Teve uma ótima performance em O Diabo Veste Prada, seu melhor trabalho até então, mas ela conseguiu evoluir mais, chegando ao ápice, daqui para frente, já não sei que caminho a atriz irá seguir, mas O Casamento de Rachel, registra sua mais incrível aparição na tela. Hathaway eleva o nível do filme, a cada momento em que surge, surpreende, quando está em cena, o filme se torna hipnotizante, empolga em cada fala, é carismática, e até mesmo engraçada, assim como revelou seu lado cômico em seus trabalhos anteriores, mas aqui prevalece seu lado mais dramático, é tão verdadeira, intensa, sensível,sincera, cada palavra que pronuncia, é um sentimento novo que produz, ela sente cada dor de Kym, dando a personagem, uma realidade inquestionável. A atriz consegue oscilar com facilidade, entre o drama e o cômico, entre a tristeza e sua felicidade sarcástica, entre a alegria e a angústia, entre a vitalidade e a melancolia.


"O Casamento de Rachel" é um filme surpreendentemente agradável. Maravilhoso, emocionante, incrível. Anne Hathaway melhor do que nunca, além de coadjuvantes de peso, como Rachel, interpretada verdadeiramente por Rosemarie DeWitt, além de todo o fortíssimo e desconhecido elenco. Um filme inovador, criativo, inteligente, hipnotizante, cheio de surpresas, tanto na história quanto na produção. Uma bela fotografia e uma ótima trilha sonora embalada pelas músicas tocadas no casamento, tudo muito real. Pode ser um filme chato para quem não curte dramas familiares, mas o diretor não exagera no dramalhão e não se rende aos clichês, construindo um verdadeiro e sincero filme sobre família e as dificuldades em manter relações com as outras pessoas, aceitar cada erro, perdoar o próximo, amar e ser amado.


NOTA: 9,5

3 comentários:

  1. Puts! Sério que o filme é tão bom assim???
    Li em alguns portais de cinema o povo esculachando o filme ( não foram os críticos, claro...foram os visitantes dos sites ) falando que ele era chato, monótono e eu não tava acreditando muito nessa hipótese...antes eu queria assistir..agora to com muita vontade!

    Parabéns pela crítica..adorei!

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  2. Pois eh...tbm achava q seria um filme bem chato...já cheguei ateh ouvir na rádio, criticos falando mal do filme! E realmente, falaram q eh monotono, e q nada mais eh do q um video caseiro d um casamento qualquer!! Mas o filme me surpreendeu..foi bem além das minhas expectativas!! Acredito q num seje o tipo d filme q agrade todo mundo, mas a mim, agradou e mto!!

    Fernando

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  3. Sem dúvida alguma um dos filmes mais chatos e antipáticos já perpetrados. Tudo muito politicamente correto, um mix de culturas aborrecido que só... Para quem já fez o Silencio dos Inocentes, J. Demme ficou devendo.

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