sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Crítica: O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker's Guide to the Galaxy, 2005)

 

Algumas obras são atemporais, é o que podemos dizer de "O Guia do Mochileiro das Galáxias", a criação de Douglas Adams. Surgiu em 1978 como uma série na rádio BBC, acabou que ganhando fama e admiradores, Adams resolveu levar seus personagens para os livros, na hoje conhecida como "trilogia de quatro livros" (que na verdade, são cinco!), tendo como sequência "O Restaurante no Fim do Universo", "A Vida, O Universo e Tudo Mais", "Até Mais, e Obrigado Pelos Peixes" e "Praticamente Inofensiva".

Um marco na ficção ciêntífica, "O Guia" é uma referência forte na cultura nerd. De citação nas obras de Neil Gaiman, passando pelo álbum "Ok Computer" (de 1997) de Radiohead, que funciona quase como uma homenagem aos livros. Até mesmo o Google entrou na onda, onde o usuário tem como resposta "42" ao buscar a resposta para a vida, o universo e tudo mais. Além do conhecido Dia da Toalha, 25 de Maio, dia da morte de Douglas Adams, onde realmente os aficcionados pela obra carregam suas tolhas, como referência ao objeto indispensável na mochila de um viajante do espaço. Enfim, todo esse incrível universo não poderia passar despercebido pelo cinema, Adams escreveu o roteiro, e Garth Jennings (O Filho de Rambow) dirigiu. A obra fora dedicada ao gênio Douglas Adams que faleceu antes da finalização do longa.


por Fernando Labanca

O filme, apesar de ter sido escrito pelo próprio autor da obra, possui inúmeras modificações. Na trama, conhecemos Arthur Dent (Martin Freeman) que certo dia acorda e recebe a notícia de que sua casa precisava ser demolida pois fariam uma via espacial exatamente no território que sua casa ocupava, ironia do destino. Para piorar seu dia, seu amigo, Ford Prefect (Mos Def) se revela um alienígena e que a Terra está prestes a acabar. Para se salvarem, Ford consegue carona na nave daqueles que provocaram o fim do nosso Planeta, os Vogons, criaturas cruéis e de péssimo humor. Depois de serem torturados, eles conseguem pelos milagres da improbabilidade se salvarem mais uma vez e acabam parando na nave Coração de Ouro, que nela habitam Zaphod Beeblebrox (Sam Rockwell) e Trillian (Zooey Deschanel), para total surpresa de Arthur que conhecia a bela moça e que aliás, era apaixonado por ela, mas a omite algo muito importante, de que não podia mais retornar à Terra. Ah! E na nave também estava Marvin, o andróide paranóico, o robô maníaco depressivo.

E numa aventura cheia de improbabilidades, Trillian, Ford e Arthur embarcam nos estranhos planos de Beeblebrox, que pela fama resolver ir atrás da Pergunta Fundamental, a razão e o sentido da vida. Enquanto isso, Arthur tenta aos poucos compreender a loucura de viver longe de seu planeta, ao mesmo tempo em que vai se envolvendo com a outra única sobrevivente. Mas para ajudá-lo, seu amigo, Ford, possui o "O Guia do Mochileiro das Galáxias", uma obra com milhões de páginas capaz de responder todas as perguntas para aqueles que vivem no espaço, tudo sobre os Vogons, a Coração de Ouro, até mesmo do amor, só não é capaz de responder o sentido da vida, um mistério que envolve anos de pesquisa, computadores com inteligência avançada e...ratos!


No original, o autor não teve compromisso algum com a lógica, acontecimentos sem pé nem cabeça surgiam nas páginas e no final de cada livro percebíamos que a verdade é que nada fazia realmente muito sentido, e esta era a graça! Para o roteiro do filme, infelizmente, essa liberdade "poética" é perdida, tentam construir uma lógica para os estranhos acontecimentos, colocam um porque para quase tudo, mas ainda assim, como cinema, a obra parece ter pouco sentido, ainda que tenha, um começo, meio e fim, "O Guia" pode parecer muito mais estranho para aqueles que não leram os livros, as referências fortes do original passarão despercebidos, entretanto aqueles que as reconhecem dificilmente entrarão na "brincadeira" de Adams outra vez, que apesar de ter vários elementos do livro presentes em cena, personagens, e frases como "Toda resistência é inútil", "Não Entre em Pânico", a toalha, o humor escrachado, enfim, estão longe de agradar os admiradores. Seja pela correria do roteiro, as inúteis alterações ou as patéticas sequências que são somadas, como por exemplo, arranjarem um motivo para cortarem a cabeça de Beeblebrox!

Muito do que era bom no livro, aqui se perde pela fraqueza do roteiro. Há cenas que beiram o ridículo, construção de sequências tão fracas que não explicam o porquê de terem sido criadas, mais uma vez, pela tentativa frustrada de tentarem criar uma lógica, que obviamente, não funcionou. As personagens, por outro lado, até que possuem muito do que fora criado por Adams, e que por muitas vezes parecerem estar inseridas num contexto um pouco diferente, agem como as personagens originais agiriam em tais situações. O Arthur Dent de Martin Freeman é exatamente como eu o imaginava, sua composição é bastante fiel e convense como o britânico azarado. Mos Def manda bem como Ford e sua veia cômica ajuda bastante no desenvolvimento de algumas cenas, diferente de Sam Rockwell que constrói um Beeblebrox extremamente caricato e que infelizmente não possui a mesma força que o personagem original. Zooey Deschanel é Zooey Deschanel, linda e mais uma vez bastante cativante, trás brilho para o filme. Destaque para o robô Marvin, tão bom quanto o original. Ainda há a participação de grandes atores, como John Malkovich, Bill Nighy, Jason Schwartzman e dublagens de Alan Rickman e Helen Mirren.

Sempre vi "O Guia do Mochileiro das Galáxias" como uma obra inadaptável, ao ler Douglas Adams, percebemos a dificuldade que teriam para levar a trama para os cinemas, simplesmente não há como. O cinema, querendo ou não, necessita de certos padrões, o que foge completamente da trama criada, que não há lógica. Tentaram, muito do que há no original retorna, mas retorna com menos força, o humor lembra muito, ainda é engraçado, não tanto quanto, mas ainda é. Se mostra na tela, como uma ficção ciêntífica ainda assim muito original e criativa, mas perde muito da inteligência, daquela já citada liberdade que funciona como literatura. No geral, um filme fraco, com boa trilha sonora instrumental com direiro a uma canção original, a divertida "So Long, And Thanks For All The Fish", em referência ao quarto livro da série, com cenários simples que lembram uma sitcom, longe de serem comparadas com grandes produções hollywoodianas do mesmo gênero, o que por algumas vezes o torna interessante por não optar sempre para efeitos especiais. Fiquei decepcionado, sabia que não poderia ser tão bom quanto o livro, mas não imaginava que fosse tão inferior. 

NOTA: 5






4 comentários:

  1. É Fer, eu disse que não valia a pena assistir. Os livros são bem, bem melhores que o filme.

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  2. eeehh Nat!! Valeu pela sua boa intensão de me alertar..huahauhau
    mas como eu disse, tava mto curioso, ainda mais q a história tava fresca na memória...
    se tinha uma hora q era pra eu ver este filme, a hora era esta...hehe

    Não me arrenpendi d ter visto, mas tenho q admitir, porém, q fiquei bastante decepcionado!

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  3. Pessimo filme enfadonho e cansativo com algumas piadas intwligentes e sem graça. Nao li o livro, mad o filme é muito ruim. So mesmo para os amantes do livro.

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  4. Pessimo filme enfadonho e cansativo com algumas piadas intwligentes e sem graça. Nao li o livro, mad o filme é muito ruim. So mesmo para os amantes do livro.

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