terça-feira, 22 de novembro de 2011

Tarde Demais (Beautiful Boy, 2011)

Massacres em escolas vem sendo bastante discutidos nos últimos anos, infelizmente, é algo que ainda vemos nos noticiários. Do famoso e assustador caso de Columbine em 1999 ao mais recente caso de Realengo, cidade do Rio de Janeiro, onde um rapaz de 23 anos, vítima de bullying na infância, mata 12 alunos antes de se matar. O que vemos em "Tarde Demais", filme de Shawn Ku, é uma visão diferente deste tipo de caso, o lado em que a mídia não nos mostra.

por Fernando Labanca

Parecia um dia normal, um dia como qualquer outro, para o casal Bill (Michael Sheen) e Kate (Maria Bello) que moravam num subúrbio norte-americano. Até que recebem a notícia de que a escola em que o filho deles, Sammy (Kyle Gallner) estudava sofrera um terrível massacre, onde um dos alunos atirara em outros e posteriormente se suicidara. Sammy estudava e morava fora, há alguns meses tinha pouco contato com a família, o que aumentava a preocupação dos pais. Eis que policiais batem a porta de Bill e Kate para uma terrível notícia, Sammy morrera, entretanto, esta não era a única notícia, ele foi quem cometera o massacre.

A partir de então, a mídia cai em cima do casal, que passam a ser perseguidos, além de serem acusados pelos pais das vítimas. Os dois embarcam, então, numa fase complicada, entram numa profunda depressão, passam a se questionar sobre o ocorrido, teriam sido bons pais? Onde erraram? Poderiam ter revertido essa situação? Faziam de Sammy um garoto feliz? E o pior...seria o filho deles tão bom quanto eles achavam? Passam a se cobrar como pais, a tentar compreender o que ocorrera, a achar respostas. 

"Tarde Demais" é um filme pesado, denso. A todo momento, nos faz refletir, nos faz pensar de uma maneira que a mídia sensacionalista não faz. Não tem um intuito de trazer respostas, mas sim, nos fazer imaginar na pele daqueles que passam por uma situação delicada como essa. Os diálogos são bastante sinceros, quem os escreveu soube demostrar com sensibilidade e verdade os sentimentos mais dolorosos, mais intensos e por algumas vezes até cruéis deste casal. É interessante analisar os dois, e ver que mesmo antes do ocorrido, não eram felizes, e depois da tragédia, passam a se encarar, a dizer o que sentiam. Shawn Ku optou por closes das personagens, quase que o filme inteiro, captando com precisão as expressõs, os olhares, cansa, mas são primordiais para a proposta do longa, entrar na alma dessas duas pessoas, e ao decorer do filme, vemos Kate e Bill indo para o fundo do poço, passando por uma árdua jornada, de choros, de descontrole, de pura depressão. Essa proposta, "Tarde Demais" consegue com muito êxito, parece que sentimos o que o casal sentia. 

O longa é bastente original por mostrar um novo ângulo de um tema já discutido outras vezes, o massacre aqui é completamente secundário, o que vemos na tela, o filme inteiro são as discussões e questionamentos do casal e a maneira como eles tentam superar a perda do filho. Me lembou um filme recente chamado "Reencontrando a Felicidade", com Nicole Kidman e Aaron Eckhart na pele dos pais que perderam um filho, o que de certa forma, foi ruim, pois comparando os dois, o longa de Kidman é superior. "Tarde Demais" por mais que levante questionamentos interessantes e bastante inteligentes, onde o roteiro consegue muito bem explorar as situações vividas pelo casal, o filme é muito cansativo, parece nunca se desenvolver de verdade, seu clímax ocorre nas primeras cenas e depois dela, vemos uma repetição de conversas, de cenas, que são, aliás, um tanto quanto claustrofóbicas. Mais uma vez, há bons questionamentos, mas faltou história para preencher os 100 minutos de filme.

Destaque para as atuações de Michael Sheen e Maria Bello, que são dois bons atores, mas que infelizmente sempre acabam se envolvendo com os projetos errados. É muito bom vê-los num filme que os explore, que permite que ambos mostrem seus talentos, e é o que acontece aqui. As cenas são difíceis, e os dois se envolvem de maneira admirável, sem a grande atuação desta dupla, o filme perderia e muito de sua força. Vale a pena conferir, pela boa ideia, pelas performances impecáveis e por conseguir emocionar, não tanto quanto eu esperava, mas emociona. Mas não espere muito, é um projeto independente, pequeno, não possui a intensidade que parecia ter, não há grandes acontecimentos e dá uma leve impressão de não sair do lugar, de acabar da mesma forma que começou.

NOTA: 6,5








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