quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Crítica: Em Transe (Trance, 2013)

Mais um brilhante trabalho de Danny Boyle (Extermínio, Quem Quer Ser Um Milionário?), onde mesmo sendo um projeto tão diferente dos que ele já realizou, ainda assim, é coerente com toda sua filmografia. Original e de uma inteligência extrema, vemos um dos filmes mais interessantes que passou pelos cinemas este ano. Um quebra-cabeça bem elaborado, com reviravoltas surpreendentes e cenas de grande impacto. Prepara-se para fundir sua mente.

Por Fernando Labanca

Já em seu início percebemos, há algo de errado ali, precisamos prestar atenção aos detalhes. E sim, é daqueles filmes que com um diálogo perdido, sua interpretação poderá ser alterada e sua compreensão se tornará mais difícil. Conhecemos Simon (James McAvoy) que trabalha em um leilão de pinturas clássicas, e certo dia presencia uma tentativa de roubo realizada por Franck (Vincent Cassel) e sua gangue. Simon, por sua vez, fica responsável por proteger o quadro, o levando até um cofre seguro, eis que ele é interditado por Franck que lhe dá um soco na cara e leva o quadro embora, logo percebendo, porém, que a pintura não estava mais lá e somente Simon saberia onde a escondeu. Ele e Franck, na verdade, trabalham juntos no furto, no entanto, aquele soco não planejado faz com que Simon tenha uma amnésia, o que o leva ao encontro de Elizabeth Lamb (Rosario Dawson), uma hipnoterapeuta que mergulhará em sua mente em busca do local que todos estão a procura, escondida na mais profunda lembrança deste homem, totalmente atordoado pelos atos do passado, mas que aos poucos seus segredos mais íntimos serão liberados, até mesmo aqueles que ele fez questão de esquecer, revivendo lembranças que nem mesmo ele sabia que havia vivido.


“O que nós somos é a soma de tudo que alguma vez dissemos, fizemos e sentimos, tudo envolvido num único encadeamento que é constantemente revisto e recordado. Então, para ser você mesmo, tem que, constantemente, se recordar de você. É um trabalho constante, mas é assim que funciona.”

A mente humana. Não há nada mais complexo que a mente humana. O roteiro faz uma viagem por dentro da cabeça de seu protagonista e expõe o que há de mais monstruoso e conturbado dentro dele. E assim como aqueles quadros valiosos mostrados ao início do filme, que diante de algum incidente, devem ser retirados e colocados num lugar seguro, assim também ocorreu com as lembranças de Simon. Um item valioso, um detalhe importante, que definiu quem ele era lhe foi retirado para sua segurança e desde o começo não sabemos exatamente qual a sua índole, qual é sua verdadeira identidade e aos poucos, quando sua mente vai sendo exposta e descoberta através da hipnose, vamos descobrindo quem ele é, e sensações vão sendo desencadeadas, como sua fúria, seu sentimento de traição. “Em Transe” é um suspense bem arquitetado, um jogo violento, agressivo e sensual, que coloca seus personagens em situações extremas, expondo o que há de pior e melhor em cada um, e vamos revisitando as recordações que os definem, que os tornaram mais fortes e as que os tornaram mais frágeis. E em cenários com bastante utilização de espelhos, vemos cada um desses personagens revirando o passado, seus reflexos, neste grande exercício da mente, onde o que eles precisam enfrentar de mais doloroso é olhar para si mesmos.

O que há de mais interessante em “Trance” são seus personagens. Simon, Elizabeth e Franck. Simplesmente não há como saber quem são os mocinhos ou vilões, quem é a vítima ou o espertão, o roteiro brilhante jamais deixa vestígios e com suas reviravoltas e surpresas constantes, sempre voltamos atrás sobre aquilo que achávamos acreditar. Nada é confiável nesta obra e até seu instante final, ficaremos rodeados de perguntas, tentando encaixar cada peça deste confuso e interessante quebra-cabeça, onde seus personagens vão crescendo, evoluindo a cada diálogo e a cada informação nova mudamos nossa opinião sobre cada um. E para isso funcionar tão bem, escalaram três grandes atores que se entregam com força, é o típico papel ideal para um ator mostrar seu talento, pois o roteiro lhes dá a chance de transmitir diversos sentimentos e todos trabalharam perfeitamente bem suas oscilações. Rosario Dawson, fazia tempo que não a via tão linda e irradiante em um filme, sem dúvida, um dos trabalhos mais memoráveis da atriz. James McAvoy, mais uma vez, incrível e Vincent Cassel também se esforça e se destaca, como sempre, um excelente coadjuvante.

“Em Transe” é, com certeza, um dos filmes mais geniais que vi este ano, me surpreende não ter feito sucesso nos cinemas, espero que o público o descubra, é uma obra de inteligência rara, que nos prende até seu final, com seus diálogos bem escritos e cenas tão bem montadas que nos obrigam a ficar vidrados a cada sequência, há tensão a todo o momento e sua fantástica trilha sonora nos faz ter diversas sensações. Aliás, o diretor Danny Boyle, mais uma vez, surpreendendo e depois de várias obras-primas em sua filmografia, ele retorna tão bom quanto antes em um dos filmes mais interessantes que ele já realizou. Um excelente diretor que nos entrega um filme belíssimo, impactante, poderoso. É daqueles para se ver, rever e ainda assim permitir que sua história fique remoendo em nossa cabeça. Genial, brilhante. Recomendo.  

NOTA: 9,5



País de origem: Reino Unido
Duração: 101 minutos
Elenco: James McAvoy, Rosario Dawson, Vincent Cassel
Diretor: Danny Boyle
Roteiro: Joe Ahearne, John Hodge



2 comentários:

  1. Devo dizer que Trance é um dos meus filmes favoritos têm dentro de sua atual trama hipnose. Tais produções agradar-me, por exemplo, a série agora eu vejo O Hipnotizador, uma história de irigen brasileiro, cheio de segredos e enigmas de vontade por hipnose. Ambos os títulos são interessantes

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  2. O filme tem alguns momentos interessantes, mas acho a nota 9,5 exagerada.

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