quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Os 50 melhores roteiros da década


Mais uma lista para celebrar o fim desta década. Dentre os anos 2010 até 2019, tivemos grandes ideias e roteiros incríveis e este é um ótimo momento para tentarmos reunir todos eles e destacar o que teve de mais interessante neste tempo. Claro, é impossível apontar o dedo para um filme e afirmar, com toda a certeza: este é o melhor roteiro que tivemos na década. Não tem como e este não é o objetivo da lista. Tento aqui, ao menos, reunir os filmes que, de alguma forma, me marcaram. Não necessariamente porque entregou uma grande história (afinal, um bom texto não é isso), mas porque, soube, durante seus minutos, entregar algo bem escrito, bem contado. 

Espero que gostem dos selecionados e caso lembrem de outros bons roteiros, deixem nos comentários!

por Fernando Labanca



50. A Chegada
2016 | Roteiro: Eric Heisserer
Sony Pictures
“A Chegada” foi uma das grandes ficções científicas que tivemos nesta década e não poderia deixar de citá-la aqui. Baseado no conto “História da sua vida” de Ted Chiang, temos aqui uma adaptação que é um verdadeiro milagre. São assuntos difíceis e é brilhante como a obra explora seus belos detalhes, usando a invasão alienígena como palco para grandes discussões, sempre de forma original, comovente e inteligente. 




49. Inside Llewyn Davis
2013 | Roteiro: Ethan e Joel Coen
Paris Filmes
O melancólico conto da derrota. “Llewyn Davis” é triste até mesmo quando abraça o musical. Os irmãos Coen são conhecidos por serem grandes roteiristas e eles deixaram a marca deles nesta década com esta belíssima obra. É um dos filmes mais diferentes que eles já realizaram e acredito que seja um dos melhores. O estudo que eles fazem do protagonista é profundo, o tornam humano, possível e desconfortavelmente cativante. Oscar Isaac é monstro e entrega vida a um personagem com ausência de tudo. Vale destacar, ainda, que todas as belíssimas canções foram escritas para o filme. 




48. O Que Fazemos nas Sombras
2014 | Roteiro: Jemaine Clement, Taika Waititi
Mares Filmes
Uma das comédias mais brilhantes desta década não poderia faltar nesta lista. Um roteiro brilhante que pretende desvendar, em um falso documentário, a vida atual dos vampiros. É simplesmente hilário cada saída encontrada por este texto, extremamente inteligente e bem-humorado, que coloca seus bons personagens discutindo sobre convivência e refletindo sobre inadequações sociais. É bom, é engraçado e muito bem conduzido. 




47. Sentidos do Amor
2011 | Roteiro: Kim Fupz Aakeson
California Filmes
“Sentidos do Amor” nos leva a conhecer a história de um casal que luta por se manter unido quando uma doença misteriosa se espalha pelo mundo e as pessoas passam a perder todos os sentidos. Inova ao colocar seus protagonistas vivendo uma paixão nesse universo distópico e impossível. Intriga por todas as suas soluções e em como este amor precisa sobreviver quando não mais se sente, cheira ou enxerga. Um filme brilhante, sensível e extremamente poético. 




46. Aquarius
2016 | Roteiro: Kleber Mendonça Filho
Vitrine Filmes
Enquanto assistia a “Aquarius”, me sentia inundado por diversas sensações. É uma experiência única e marcante dentro no cinema nacional, em uma obra que entrega um turbilhão de emoções. Há um ar de terror, de tensão e ainda assim consegue ser profundo, sensível em cada relato. A protagonista Clara, muito bem defendida por Sônia Braga, é grande. Uma mulher forte, que luta sozinha por impedir que o edifício em que viveu a vida toda seja demolido. O edifício Aquarius tem vida. É cheio de lembranças, de saudade e no meio desta guerra travada entre ela e a construtura, o roteiro entrega um texto crítico, inteligente, repleto de nuances e momentos intensos. É belo, é o melhor do Brasil nesta década. 




45. Boa Noite, Mamãe
2014 | Roteiro: Veronika Franz, Severin Fiala
Playarte Pictures
Coloco este filme na lista não apenas por ter um dos melhores plot twists da década, mas principalmente por conseguir construir uma atmosfera de tensão, nos guiando hipnotizados até sua grande reviravolta final. Cada pequeno detalhe desta história é fascinante e é brilhante como, ao fim, nos damos conta de que a revelação estava ali escancarada a nossa vista, só não estávamos olhando para pontos certos. Um grande exercício narrativo.




44. Buscando
2018 | Roteiro: Aneesh Chaganty
Sony Pictures
A grande genialidade de “Buscando” é que tudo o que vemos de sua mirabolante história nos é apresentado através de telas, sejam elas de smartphones, notebooks, câmeras de segurança. É um filme completamente imersivo, que constrói um suspense rico em detalhes e nos mantém atentos a suas brilhantes reviravoltas. Somos fisgados pela jornada de um pai (John Cho) que, após o desaparecimento de sua filha, mergulha nas redes sociais da jovem a procura de respostas. É genial. 




43. Relatos Selvagens
2014 | Roteiro: Damián Szifron
Warner Bros.
Dividido em seis episódios, o filme argentino chama a atenção pela intensidade de suas histórias e por seguirem caminhos imprevisíveis. Seja uma tragédia, uma traição, uma vingança...todas as suas tramas são temperadas com temas fortes e reviravoltas violentas, sempre saindo do lugar comum, sempre surpreendendo. “Relatos Selvagens” é um grande estudo da humanidade e essa linha tênue que existe entre a civilização da barbárie.




42. Whiplash
2014 | Roteiro: Damien Chazelle
Sony Pictures
Primeiro grande passo do cineasta Damien Chazelle no cinema, onde já entregou um produto potente e com ótimas ideias. O roteiro traça o intenso embate entre um baterista (Miles Teller) e seu professor de jazz (J.K.Simmons), excessivamente rigoroso. É hipnotizante como cada evento surge, intriga, nos envolve e nos faz roer as unhas, cena após cena. O protagonista é rico, com camadas complexas, que literalmente sangra em sua obsessiva busca pela perfeição. 




41. A Mentira
2010 | Roteiro: Bert V.Royal
Sony Pictures
Levemente inspirado em “A Letra Escarlate”, o filme conseguiu resgatar toda a nostalgia dos clássicos adolescente da década de 80 em um roteiro ágil, esperto e incrivelmente bem-humorado. Naturalmente subestimamos filmes adolescentes e é ótimo quando encontramos um texto que nos prove o contrário. “A Mentira” brinca com os estereótipos dos colégios norte-americanos e traz uma trama original e cheia de ótimas sacadas, onde uma adolescente, muito bem interpretada por Emma Stone, acaba se aproveitando de sua repentina fama de “vadia” para ajudar os excluídos. É bom, é inteligente e tudo o que não esperamos dele.  




40. O Abutre
2014 | Roteiro: Dan Gilroy
Diamond Films
“O Abutre” é uma daquelas obras que revelam o que há de pior na humanidade. É simplesmente assustador todos os acontecimentos e os paralelos que conseguimos traçar com nossa realidade. Acompanhamos a bizarra trajetória de um homem (Jake Gyllenhaal) que decide adentrar ao submundo do jornalismo criminal em Los Angeles, filmando acidentes e assassinatos de forma crua e tentando ganhar dinheiro em cima disso. Um filme bastante perturbador pela forma realista com que aborda seus assuntos e o roteiro surpreende, não apenas pela grande composição de seu protagonista, mas pelos rumos que a trama vai seguindo até seu final. 




39. Ilha do Medo
2010 | Roteiro: Laeta Kalogridis
Paramount Pictures
Um dos plot twists mais interessantes desses anos! No entanto, não apenas por isso o roteiro de “Ilha do Medo” se destaca. Toda a construção de sua atmosfera assombrosa, a introdução de seus protagonistas dentro de um hospital psiquiátrico e a procura hipnotizante deles para solucionar um desaparecimento no local. Somos guiados por um texto inteligente, que desenvolve bem o suspense e nos mantém atentos até seu glorioso final. 




38. Ruby Sparks
2012 | Roteiro: Zoe Kazan
Fox Film do Brasil
Escrito pela atriz Zoe Kazan, “Ruby Sparks” é uma comédia romântica bem original e inventiva. Na obra, uma personagem de um livro ganha vida e se apaixona pelo autor (Paul Dano) que a criou, que deslumbrado pelo milagre, passa a escrever a garota perfeita para ter um relacionamento que ele julga ser perfeito. Apesar do romance e do bom humor, temos aqui um filme que vai ganhando, cada vez mais, traços mais densos, mergulhando na complexidade de seu protagonista e tendo a ousadia de procurar caminhos longe da obviedade. 




37. Brooklyn
2015 | Roteiro: Nick Hornby
Paris Filmes
A grande prova de que um grande roteiro não precisa, necessariamente, de uma grande história. É possível fazer algo bom com muito pouco. Uma das razões por “Brooklyn” ser extremamente gostoso de assistir é porque ele é muito bem escrito. A forma como sua trama é desenvolvida, as personagens são construídas, como os dilemas são debatidos. É lindo como cada instante e cada pequeno detalhe flui naturalmente, com leveza e delicadeza. Cada peça está em seu devido lugar e encanta pela perfeição. A trama é simples mas muito bem desenhada pelo renomado autor britânico Nick Hornby, onde revela a sensível jornada de uma jovem irlandesa (Saoirse Ronan) que vai morar sozinha nos Estados Unidos. É sobre rompimentos, saudade, sobre renascer longe de casa. 




36. Kingsman: Serviço Secreto
2014 | Roteiro: Jane Goldman, Matthew Vaughn
Fox Film do Brasil
“Kingsman” trouxe de volta toda a elegância e agilidade dos bons filmes de espiões em um tempo em que ninguém mais falava sobre eles. O roteiro é daqueles especialmente redondos, que nos convida a todo momento a embarcar na jornada ao lado de seu carismático protagonista. Toda a introdução do problemático Eggsy (Taron Egerton) dentro de uma agência secreta, a relação dele com o mentor Harry (Colin Firth) e a aparição de um divertidíssimo vilão (Samuel L.Jackson). Todos os elementos funcionam perfeitamente bem em cena, graças a excelente direção de Matthew Vaughn e, principalmente, ao inteligente e dinâmico texto. 




35. Eu, Você e a Garota que Vai Morrer
2015 | Roteiro: Jesse Andrews
-
“Eu, Você a Garota que Vai Morrer” nega qualquer obviedade dos filmes adolescentes e entrega uma obra completamente original, espontânea e intensamente apaixonante. O protagonista (Thomas Mann) é ótimo e, justamente por ser bem escrito, é um enorme prazer adentrar a mente dele, rir de seus bloqueios sociais e enfrentar, ao seu lado, este processo de amadurecimento. O longa mostra a rotina deste jovem que, enquanto realiza uma série de filmes caseiros, é obrigado a fazer amizade com uma garota que está com leucemia (Olivia Cook). Este encontro dos dois é belo e cheio de boas nuances. Também é brilhante em como o roteiro consegue fluir naturalmente entre a comédia e o drama, emocionando com força em sua reta final. 




34. Poderia Me Perdoar?
2018 | Roteiro: Nicole Holofcener, Jeff Whitty
Fox Film do Brasil
Enquanto assistia a esse filme não conseguia parar de pensar: “que roteiro incrível!”. A forma como cada sequência flui, a evolução dos personagens, os diálogos brilhantemente bem escritos. Tudo parece estar no seu devido lugar e é lindo ver como cada pequeno detalhe funciona aqui. Além disso, a trama é ótima e revela a história real de uma mulher (Melissa McCarthy) que passa a ganhar a vida falsificando cartas de autores famosos. É divertida e sutilmente emocionante a jornada traçada pela protagonista. Melissa McCarthy engrandece ainda mais o belo texto que recebeu. 




33. Monsieur e Madame Adelman
2017 | Roteiro: Nicolas Bedos, Dora Tillier
Imovision
Quando assisti a este filme fiquei surpreso como eles conseguiram revelar a história inteira de um casal em apenas duas horas. É incrível como eles souberam aproveitar o tempo e desenvolver, com maestria, o começo, o meio e fim de um relacionamento (insanamente absurdo, diga-se de passagem). Tudo isso sem parecer apressado ou sem diminuir a complexidade de seus conflitos. Tudo flui maravilhosamente bem durante seus belos minutos e encanta tamanha a perfeição.




32. Cisne Negro
2010 | Roteiro: Mark Heyman, Andres Heinz, John McLaughlin
Fox Film do Brasil
Nasceu um clássico. Jogos de sedução, relacionamentos tóxicos e uma busca incansável pela perfeição são alguns dos ingredientes que tornaram “Cisne Negro” tão aclamado. A trama envolve a bailarina Nina (Natalie Portman) que, para se tornar protagonista de um grande espetáculo de dança, precisa enfrentar uma forte pressão de todos ao seu redor e principalmente de si mesma. O terror psicológico de Darren Aronofsky está presente em cada elemento e surpreende pelas saídas que encontra. Natalie Portman engrandece sua protagonista e o belíssimo texto que lhe deram. Simplesmente hipnotizante.  




31. Em Transe
2013 | Roteiro: Joe Ahearne, John Hodge
Fox Film do Brasil
“Em Transe” é uma obra surpreendente dirigida pelo mestre Danny Boyle, que mergulha na complexidade dos sonhos e da hipnose para construir uma trama mirabolante e bastante engenhosa. É um daqueles produtos que só fazem sentido ao final, quando enfim conseguimos juntar as tantas peças de seu quebra-cabeça. A história é sobre um homem (James McAvoy) que, após uma amnésia, precisa da ajuda de uma hipnoterapeuta (Rosario Dawson) para descobrir o esconderijo de uma valiosa obra roubada. Esta viagem em sua mente nos leva para caminhos inimagináveis e reviravoltas dignas de nossa atenção. 




30. Elle
2016 | Roteiro: David Birke
Sony Pictures
“Elle” é um daqueles filmes que vai completamente contra a qualquer expectativa, que a todo instante segue um novo rumo, está sempre a um passo à frente de seu público. Isabelle Huppert faz uma executiva que tem sua rotina abalada depois de ser atacada dentro da própria casa. Todo o filme gira em torno deste evento e todos os efeitos que causam na protagonista. Ela é uma das personagens femininas mais fortes desta década, por nunca sabermos exatamente o que sente, o que deseja e quanto mais adentramos em seus mistérios, mais assustador o filme se torna. É fantástico! 




29. Toy Story 3
2010 | Roteiro: Michael Arndt
Disney
O terceiro capítulo de uma das franquias mais amadas do cinema. É interessante notar a evolução da história e como tudo foi tão bem desenvolvido até chegar aqui, seu ápice. No filme, Woody e seus amigos vão parar em uma creche após Andy ir para a faculdade e abandonar de vez seus brinquedos. É o momento mais comovente da saga, onde nos identificamos com esses rompimentos da infância e desta dificuldade em crescer. A jornada dos personagens é bem escrita aqui, os diálogos, o bom-humor constante, além da sensibilidade com que trata seus temas.  




28. O Mestre
2012 | Roteiro: Paul Thomas Anderson
Paris Filmes
“O Mestre” é um filme assombroso, um drama denso com tons de terror psicológico. O cinema magistral de Paul Thomas Anderson sempre nos entregou experiências fora do comum e este é um marco em sua irreparável filmografia. O filme mergulha na complexa mente de um marinheiro que, traumatizado pelo horror da guerra, se une a uma organização religiosa, criando um forte envolvimento com seu líder espiritual. O embate entre os dois personagens, incrivelmente bem defendidos por Joaquin Phoenix e Phillip Seymour Hoffman, assusta e nos hipnotiza tamanha a perfeição dos diálogos e da construção de tudo aquilo. Anderson, além de um primoroso diretor é, também, um excelente roteirista. 




27. Garota Exemplar
2014 | Roteiro: Gyllian Flynn
Fox Film do Brasil
A história sobre o misterioso desaparecimento de Amy Dunne (Rosamund Pike) mexeu bastante com o público, que até hoje não superou a forte reviravolta que o filme entregou. Baseado em um best seller, temos aqui um roteiro que realizou uma adaptação muito rica, oferecendo uma trama mirabolante, que não espera até seu final para nos surpreender. A cada passo e a cada pista que nos é revelada, somos guiados para uma nova interpretação e uma nova forma de encarar seus complexos personagens. A maneira sábia como o humor é inserido aqui também se destaca, em como o roteiro compreende seus absurdos e nos carrega sempre para caminhos imprevisíveis. Um trabalho de mestre. 




26. A Criada
2016 | Roteiro: Park Chan-wook, Jeong Seo-kyeong
Mares Filmes
O conto sensual de Park Chan-wook sobre amor e libertação. A trama é mirabolante e envolve traições, uma herança cobiçada e uma criada. Toda a construção da história é bastante imprevisível e nunca sabemos exatamente onde a obra está nos levando, logo que o roteiro reserva algumas ótimas reviravoltas. Um filme repleto de boas ideias, que sempre se transforma sem subestimar a inteligência de seu público.  




25. Zootopia
2016 | Roteiro: Jared Bush, Phil Johnston
Disney
A Disney sempre capricha no roteiro de suas animações e “Zootopia” marca um belíssimo e inventivo momento do estúdio. Chega a ser inacreditável todas as criações deste amplo universo e é incrível como eles conseguem explorar com competência todas essas inúmeras possibilidades. A jornada da pequena coelha Judy é encantadora, sua ida para a cidade grande e a realização de seu grande sonho em ser policial. Tudo o que ocorre depois deste pequeno evento é grande, é bem pensado e surpreende por todas as saídas que encontra. Temos um texto maduro, que nos faz refletir sobre preconceito e sobre tantos outros problemas da sociedade atual. 




24. A Pele Que Habito
2011 | Roteiro: Pedro Almodóvar
Fox Film do Brasil
Um marco na carreira do veterano Pedro Almodóvar, que desde sempre se destacou por seus belíssimos roteiros. “A Pele Que Habito”, certamente, é seu trabalho mais aterrorizante e um dos mais ambiciosos que ele já realizou. A história de vingança de um cirurgião plástico contra aquele que acredita ter violentado sua filha é bizarra, desconfortavelmente criativa, que encontra soluções absurdas e intrigantes na mesma medida. É aquele tipo de filme insano, que nunca sabemos aonde pretende chegar ou até onde sua ousadia o levará. Suas revelações são surpreendentes, nos deixando em choque a cada novo passo que dá. 




23. Steve Jobs
2015 | Roteiro: Aaron Sorkin
Universal Pictures
Pouco se falou sobre esse filme e me espanta ele não ser mais valorizado. O roteiro é do renomado Aaron Sorkin que, para contar a trajetória nada convencional de um gênio inquieto, decidiu escrever do jeito menos convencional possível. O longa aborda três eventos importantes na carreira de Jobs (Michael Fassbender) e o roteiro aproveita, nesses rápidos instantes, revelar sua mente conturbada e seu relacionamento tóxico com as pessoas ao seu redor. Tudo funciona de forma ágil, onde seus personagens caminham por espaços limitados quase como uma peça de teatro. Com poucos cortes, os atores se entregam aos longos textos verborrágicos. É fascinante, uma aula de atuação, de roteiro e de direção. 




22. O Quarto de Jack
2015 | Roteiro: Emma Donoghue
Universal Pictures
Talvez por ter sido escrito pela própria autora do livro em que se baseia, temos aqui um texto impecável, provando que Emma Donoghue sabia muito bem como trilhar seu material. Sua familiaridade com os temas fortes e seus personagens é nítido em cada cena, tamanho o respeito e cuidado com que tudo é guiado. Trata-se de uma história de difícil digestão, pesada e que nunca trilha pelos caminhos mais fáceis. A trama envolve uma jovem (Brie Larson) que é mantida em cativeiro em um quarto junto com seu filho (Jacob Tremblay) e luta, diariamente, para que aquela realidade seja suportável para ele, que não faz ideia da verdade por trás de tudo aquilo. “O Quarto de Jack” é um evento catártico, um soco na alma, ao mesmo tempo em que encanta pela sensibilidade do texto e por esta belíssima relação existente entre os dois protagonistas. 




21. Frances Ha
2012 | Roteiro: Noah Baumbach, Greta Gerwig
Vitrine Filmes
Parceria entre os astros do cinema independente: Noah Baumbach e Greta Gerwig. Na obra, os dois fazem um relato intimista e bem-humorado sobre as frustrações da vida, sobre o cotidiano, sobre a história comum de pessoas como a gente. A protagonista Frances Ha é um retrato muito atual e crível sobre os adolescentes que cresceram e se veem perdidos agora na fase adulta. Seus receios e desilusões são bem tratados pelo brilhante texto, onde nos identificamos por cada diálogo e nos vemos ali em cena, constantemente. 




20. Precisamos Falar Sobre o Kevin
2011 | Lynne Ramsay, Rory Stewart Kinnear
Paris Filmes
“Precisamos Falar Sobre o Kevin” é um dos filmes mais densos e pesados que tivemos nesta década. É doloroso e desconfortável cada passo dado pela história e ficamos hipnotizados pela forma com que tratam seus fortes argumentos. Acompanhamos, ao longo de vários anos, a relação conturbada entre uma mulher (Tilda Swinton) e seu filho Kevin, que traz nítidos sinais de psicopatia. O roteiro é fascinante e consegue revelar com maestria toda a assustadora evolução do personagem.




19. Três Anúncios Para um Crime
2017 | Roteiro: Martin McDonagh
Fox Film do Brasil
A história de uma mulher (Frances McDormand) que, para denunciar a ineficácia da polícia com a morte brutal de sua filha, expõe o caso em três outdoors de uma estrada. O resultado deste evento é insano, intenso e explosivo, colidindo com força a vida de várias pessoas. Existem muitas nuances neste fantástico roteiro de “Três Anúncios Para um Crime”, em como ele revela o pior de seus personagens sem julgamento, em como ele arrasta cada um ao limite de suas ações e nunca sabemos ao certo o que cada um é capaz de fazer ou aonde pretendem chegar. É sempre um caminho imprevisível, trilhando com perfeição entre o drama e a comédia, onde encontra humor até mesmo nas situações mais caóticas. 




18. Missão Madrinha de Casamento
2011 | Roteiro: Kristen Wiig, Annie Mumolo
Universal Pictures
Há quem diga que não há mais espaço para boas comédias. “Missão Madrinha de Casamento” veio para dizer que ainda é possível quando se tem boas ideias, um roteiro que respeite seus personagens e saiba conduzir com inteligência sua trama. Além de ser hilário, temos aqui uma verdadeira aula de como se construir um filme cômico. Na trama, uma mulher (Kristen Wiig) que, depois de vários fracassos pessoais, aceita ser madrinha de sua melhor amiga, porém, claro, toda esta jornada pré-casamento dá bem errado. É um texto divertido, audacioso e com uma protagonista muito bem construída que ao mesmo tempo que nos faz rir de sua desgraça, nos faz torcer por suas vitórias. 




17. Lady Bird
2017 | Roteiro: Greta Gerwig
Universal Pictures
“Lady Bird” é um daqueles filmes que poderiam ser mais do mesmo se não fosse seu brilhante roteiro. A jornada de sua protagonista, a irreverente e adorável Lady Bird (Saoirse Ronan), é cativante, comovente e nos faz pensar um pouco em nossas vidas, em tudo o que precisamos enfrentar quando envelhecemos, em todos os laços quebrados, corações partidos. A forma como a trajetória dessa adolescente é desenvolvida na tela é fantástica e nos faz lembrar dessa nossa evolução constante. Encanta, também, a forte relação que existe entre a protagonista e sua mãe e este forte laço que vai se rompendo quando ela aprende a voar. 




16. A Separação
2011 | Roteiro: Asghar Farhadi
Imovision
“A Separação” entrega uma trama forte que mostra, em seus belos minutos, a complexidade entre as relações entre os indivíduos. Ao colocar em cena um casal iraniano que revela o desejo de se separar, uma série de acontecimentos imprevisíveis surgem em um embate profundo, intenso. Um roteiro fascinante, que trilha sempre com cuidado, dando alma a seus personagens e expondo a verdade dolorosa que cada um tem a contar. 




15. Django Livre
2012 | Roteiro: Quentin Tarantino
Sony Pictures
Os roteiros de Tarantino são sempre soberbos. Não há muito o que duvidar da qualidade de seus textos e o brilhantismo com que desenha suas histórias mirabolantes. “Django Livre” coloca em ação um escravo liberto (Jamie Foxx) e um caçador de recompensa (Christoph Waltz) dentro de uma jornada grandiosa de vingança, repleta de muito sangue e excelentes reviravoltas. O roteiro é ágil, inteligente, entregando bons personagens e diálogos memoráveis. 




14. Meia-Noite em Paris
2011 | Roteiro: Woody Allen
Paris Filmes
Antes de Woody Allen ser cancelado, ele entregou alguns bons roteiros e “Meia-Noite em Paris” marca seu ápice nesta década. É uma obra encantadora, inventiva e que nos transporta com facilidade para dentro de sua fantasia. Na trama, um roteirista (Owen Wilson) viaja no tempo e vai parar na década de 20, onde encontra com seus grandes ídolos da literatura e onde passa a desfrutar da época que sempre o fascinou. Um filme bem escrito, de intenções singelas e que provam a imensa inteligência deste veterano.




13. Ex Machina
2014 | Roteiro: Alex Garland
Universal Pictures
“Ex Machina” é uma surpresa em todos os aspectos. Uma ficção científica brilhante, inovadora e um respiro às grandes produções. Aquela prova de que é possível fazer muito com menos. Poucos personagens, cenários limitados e um texto fantástico, que revela uma história complexa e cenas que nos deixam hipnotizados. No filme, um jovem (Domhnall Gleeson) acaba virando cobaia de um experimento em uma empresa de tecnologia, o colocando frente a frente com uma inteligência artificial (Alicia Vikander). Os diálogos entre o protagonista e AVA são sensacionais, todo este jogo de sedução que ela cria e em como ele se vê indeciso sobre quem é e o que acreditar. 




12. A Rede Social
2010 | Roteiro: Aaron Sorkin
Sony Pictures
“A Rede Social” nasceu como clássico. A obra de David Fincher acerta em cheio ao compor seu protagonista e toda a jornada de sucesso que ele construiu. Existia a possibilidade de construir aqui um herói ou glorificar sua genialidade que deu início ao facebook e como ele redefiniu as relações em nossa nova sociedade. O brilhantismo vem pela decisão de narrar um julgamento e traçar, através disso, uma profunda investigação sobre seus atos, sobre sua solidão. O filme, logo, propõe um estudo inteligente, atual e definitivo sobre os novos valores e necessidades que nasceram no novo milênio. É um produto que precisava existir porque diz muito sobre o que nos tornamos. O roteiro é preciso e incrivelmente bem escrito.  




11. Divertida Mente
2015 | Roteiro: Pete Docter, Meg LeFauve, Josh Cooley
Disney
Chega a ser absurdo as tantas criações de “Divertida Mente”, no quão longe a Pixar chegou aqui. É um nível extremo de originalidade, inteligência e maturidade. A obra invade a mente de uma criança e revela as diferentes emoções que vivem lá: a alegria, a tristeza, o medo, a raiva e a nojinho. Nos primeiros minutos de filme já chegamos a conclusão de que estamos diante de algo novo, de imensa criatividade. Aquele tipo de produto raro, pois vai além do que nossa imaginação pode alcançar. É lindo este momento tão inventivo do estúdio, que fala sobre amadurecimento e sobre como alegria e tristeza coexistem em nossa formação. 




10. Antes da Meia-Noite
2013 | Roteiro: Richard Linklater, Julie Delpy, Ethan Hawke
Diamond Films
O encontro de Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy), nove anos após “Antes do Pôr-do-Sol”. Temos o prazer de ver como a vida do casal seguiu, em como o tempo os moldou e o que essas mudanças alteraram neste relacionamento duradouro. É um momento especial no cinema, que nos deu a chance de conhecer esses dois ao longo de vários anos e Richard Linklater entrega um final digno de espera. Um texto sensível, honesto em cada discussão e que humaniza seus personagens, os tornando críveis, possíveis de existir.  




09. Corra!
2017 | Roteiro: Jordan Peele
Universal Pictures
Precisamos admitir que ninguém estava esperando por “Corra!”. Seja terror, seja uma comédia disfarçada, a verdade é que o filme, que foge de qualquer rotulação, é fantástico. A história do jovem negro (Daniel Kaluuya) que vai visitar a família da namorada branca surpreende pela coragem e ousadia com que trata seus temas. Jordan Peele foi uma revelação e entregou um texto primoroso que satiriza com bastante inteligência o racismo velado dentro de nossa sociedade. É assustador sim, porque é atual e porque dentro de suas fantasias nos faz pensar em nossa realidade. A sacada do final e todas as suas reviravoltas são geniais e só provam a grandiosidade dessa obra. 




08. O Lobo de Wall Street
2013 | Roteiro: Terence Winter
Paris Filmes
Quando Martin Scorsese consegue entregar mais um clássico dentro de sua filmografia é porque algo deu muito certo. “O Lobo de Wall Street” é um furacão. É extraordinário. Ao contar sobre a peculiar trajetória de Jordan Belfort (Leonardo Dicaprio) e como ele se tornou milionário através de suas falcatruas, o filme investiga, em uma riqueza de detalhes, esta vida de excessos de seu protagonista. É brilhante cada instante, cada construção e cada diálogo ali em cena. São 3 horas de duração muito bem preenchidas com uma trama revigorante, intensa e imprevisível. Um marco. 




07. Coherence
2013 | Roteiro: James Ward Byrkit
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Uma das ficções científicas mais brilhantes e criativas desta década. Aqui não existem laboratórios ou viagem espacial. Toda sua ação ocorre dentro de uma casa, durante um jantar que reunia alguns amigos. É brilhante toda sua dinâmica, a relação existente entre os personagens e a paranoia que se instaura diante de acontecimentos bizarros que os fazem questionar a realidade. Um produto raro, de uma inteligência inquestionável e soluções absurdamente bem elaboradoras. 




06. Birdman (ou a Inesperada Virtude da Ignorância)
2014 | Roteiro: Alejandro G.Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris, Armando Bo
Fox Film do Brasil
Uma montagem ousada de planos sequências requer um roteiro impecável, calculado e milimetricamente bem desenhado. Essa é a genialidade de “Birdman”, que demonstra uma atenção a cada pequeno detalhe e a cada passo dado por seus atores neste brilhante teatro filmado. A história do ator frustrado (Michael Keaton) que busca reerguer sua carreira é repleta de metalinguagens e decisões sábias. O elenco é perfeito e todos acertam ao compor seus personagens em diálogos cheios de rancor, fúria e intensidade.




05. O Grande Hotel Budapeste
2014 | Roteiro: Wes Anderson
Fox Film do Brasil
Existem tantas possibilidades e dificuldades por de trás de “O Grande Hotel Budapeste” que chega a ser comovente vê-lo nascer e dar tão certo. São inúmeras histórias, tempos, espaços e personagens que se mesclam e se transformam. Um ciclo que nasce e logo dá início a outro. É um conto sobre contos. Camadas e camadas que vão sendo descobertas por um texto elegante, criativo e inteligente. É cômico, clássico e muito bem interpretado por um time invejável de atores. Wes Anderson é um artista completo, que se atenta aos detalhes de sua produção enquanto diretor, mas jamais esquece de que o que torna seus produtos tão fascinantes é a escrita.




04. Manchester à Beira-Mar
2016 | Roteiro: Kenneth Lonergan
Sony Pictures
Quando terminei de ver “Manchester”, senti que fazia um tempo que não via um dramão completo como este. É intenso, verdadeiro e nos faz sentir o peso e a dor que seus grandes personagens carregam. Trata-se daqueles roteiros raros, que surgem de tempos em tempos, que nos levam para dentro da tela e nos fazem apreciar os ricos detalhes de sua complexa e profunda trama. O filme constrói uma investigação sobre a solidão do misterioso protagonista Lee Chandler (Casey Affleck) e, aos poucos, vamos compreendendo os fantasmas que seu passado o deixou. Há uma cena, em especial, em que ele confronta sua esposa e aquele diálogo, tão honesto e tão sensível, me fez compreender a beleza e a grandeza deste roteiro. Memorável. 



03. A Origem
2010 | Roteiro: Christopher Nolan
Warner Bros.
Poucos filmes exploraram o universo dos sonhos de forma tão interessante como aqui. Christopher Nolan constrói uma de suas obras mais engenhosas, valendo sempre uma revisita, logo que sempre haverá um detalhe despercebido ali no meio. São inúmeras ideias brilhantes, bem encaixadas e incrivelmente bem executadas. No filme, conhecemos um time de especialistas em invadir o inconsciente das pessoas e roubá-las segredos valiosos. Trata-se de uma trama inventiva, complexa e muito bem construída em seus belos minutos, alcançando um final que até hoje nos deixa com a pulga atrás da orelha. 




02. O Lagosta
2015 | Roteiro: Yorgos Lanthimos, Efthymis Filippou
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O futuro distópico do grego Yorgos Lanthimos é o que houve de mais insano, criativo e bizarro nesta década. A história acontece em um tempo em que não é mais permitido ser solteiro e quem não achasse a “outra metade”, deveria se hospedar em um hotel, sendo obrigado a se envolver amorosamente com alguém em 45 dias e, caso isso não acontecesse, esta pessoa seria transformada em um animal. É a trama mais inusitada que tivemos nesses anos e assusta por suas tantas ideias, pelo absurdo e pela coragem em ser tão inteligente e nonsense ao mesmo tempo. Existem muitos detalhes no roteiro, nos deixando reflexivos sobre suas tantas intenções e remoendo seus acontecimentos, construindo, em nossa mente, inúmeras teorias sobre a loucura que acabamos de ver. 




01. Her
2013 | Roteiro: Spike Jonze
Sony Pictures
Como disse lá na introdução, é impossível selecionar “o melhor roteiro” da década. Tivemos ótimos trabalhos nesses anos e seria injusto destacar apenas uma produção. Coloco “Her” aqui, apenas por manter uma ordem e porque, de fato, foi um filme que marcou demais por sua história e por tudo o que nos disse. Pelo impacto que teve, pela marca que nos deixou. O conto de amor incomum, entre um solitário homem (Joaquin Phoenix) e uma inteligência artificial (Scarlett Johansson). É doloroso, sentimental e imensamente sensível ao contar a trajetória deste protagonista e todo o amor que ele acaba depositando em algo que não existe, mas que o torna vivo, de alguma forma. É realista ao falar sobre amor nos tempos modernos, na dificuldade que temos em nos relacionar, em dividir, em nos entregar. É honesto ao falar sobre solidão, sobre estar cercado de tanta gente e tanta opção, mas estar vazio na maior parte do tempo. Foi brilhante a forma como Spike Jonze ilustrou todas essas ideias, em como ele construiu, de maneira tão delicada, esta história de amor tão improvável. 


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