terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Crítica: Spotlight - Segredos Revelados (Spotlight, 2015)

Indicado ao Oscar de Melhor Filme, "Spotlight" reúne um grande elenco e uma direção segura de Tom McCarthy para mostrar os bastidores de um jornal, fazendo ainda, um relato interessante sobre uma investigação contra a Igreja Católica. Apesar de empolgante e bem escrito, é aquele típico bom filme que não será muito lembrado após o término da premiação.

por Fernando Labanca

Baseado em um caso real, onde nos anos 2000, alguns jornalistas iniciaram uma investigação para denunciar os inúmeros casos de pedofilia na Igreja Católica. Tal evento teve grande repercussão na época, levando-os  a vencer o Prêmio Pulitzer. Na tela, somos apresentados aos escritórios do Boston Globe, quando o novo editor-chefe (Liev Schreiber) decide entregar este polêmico caso a um grupo de jornalistas especializados em investigação, a repartição chamada "Spotlight", comandada por Walter (Michael Keaton), Michael (Mark Ruffalo), Sacha (Rachel McAdams) e Matt (Brian d'Arcy James). A partir de então, todos eles passam a reunir documentos capazes de provar os diversos casos de abusos de crianças e tentar entender porque tantos padres continuam impunes mesmo depois de tantas evidências e acusações.


O tema do filme é bem interessante e acompanhar as investigações é realmente envolvente. E todos os dados e números que as pesquisas feitas por eles denunciam é chocante, ficamos ali desacreditados, reflexivos sobre como as coisas chegaram a este ponto, sobre como vemos ali uma realidade infelizmente muito atual, onde a impunidade e o silêncio são os mesmos. A surpresa que os personagens sentem quando percebem que o tudo é maior do que imaginavam, tanto com o número de vítimas tanto com o número de padres acusados e ainda livres, é a mesma que a nossa. E da mesma forma que eles, temos este sentimento de revolta, de nojo, de descrença. Por isso é bem fascinante a forma como a obra mostra a profissão destes jornalistas, a luta deles por justiça, por expor aquilo que todos sabem mas fingem não ver.

Me admira, também, o fato da produção ter deixado de lado o glamour da profissão e ter mostrado de forma um pouco mais realista esta investigação. Pecam, porém, nesta necessidade insaciável desses personagens, onde dá a entender que eles não fazem mais nada além disso, não dormem, não pausam nem por um segundo, a vida deles é pesquisar e fazer deste mundo um lugar melhor. Apesar disso, vejo um grande acerto quando eles não entregam um "filme de atuação" e que apesar de ter um belo elenco, eles colocam a trama em primeiro lugar, os indivíduos ali presentes e não os atores que os representam. O que por fim, soa estranho suas indicações ao Oscar justamente nessas categorias e que, infelizmente, acaba diminuindo sua força, porque premiações levam às altas expectativas. Indicar Rachel McAdams não faz o menor sentido, ela é ótima, mas não era o papel para isso, enquanto que Mark Ruffalo se destaca no meio de todos, principalmente por ter um personagem mais diferente, no entanto, acredito que ele forçou um pouco em seus inúmeros trejeitos. O restante dos atores estão ótimos, mas como disse, felizmente, eles não são o destaque.

Apesar de "Spotlight" ser bom e funcionar ao que ele propõe, foi impossível não sentir uma leve decepção. E este é o lado ruim do Oscar, por às vezes, colocar em evidência obras que simplesmente foram lançadas na época certa e não necessariamente por merecimento. Tenho certeza que se o filme tivesse estreado no meio do ano passado, por exemplo, não teria conquistado a Academia e provavelmente não ganharia fama pelo boca a boca. É um filme bem realizado, sem dúvidas, mas no fundo é como um bom episódio estendido de alguma série sobre investigações, é envolvente, te faz pensar mas que cairá no esquecimento assim que um episódio melhor chegar.

NOTA: 7,5






País de origem: EUA
Duração: 128 minutos
Distribuidor: Sony Pictures
Diretor: Tom McCarthy
Roteiro: Josh Singer, Tom McCarthy
Elenco: Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Brian d'Arcy James, John Slattery, Liev Schreiber, Billy Crudup, Stanley Tucci



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