segunda-feira, 18 de abril de 2016

Crítica: Já Estou Com Saudades (Miss You Already, 2015)

Ótimo retorno da diretora Catherine Hardwicke (Aos Treze, Crepúsculo), que há anos não nos oferecia um bom filme. Doce e sem muitas novidades na trama, o longa se destaca por sua forte carga emocional e pela impecável atuação de Toni Collette. 

por Fernando Labanca

Conhecemos Milly (Collette) e Jess (Drew Barrymore). Amigas desde a infância, cada uma, porém, acabou seguindo um rumo diferente. Jess se casou e seguiu uma vida pacata ao lado do marido e depois de muitas tentativas, finalmente conseguiu engravidar. Enquanto isso, Milly também se casou, teve dois filhos e nada disso a impediu de viver loucamente cada segundo, até o instante em que é diagnosticada com câncer de mama e passa a reavaliar os excessos de sua intensa rotina. É neste momento, também, em que Jess prestes a ter seu primeiro filho, se coloca ao lado de sua melhor amiga, sendo o suporte que ela necessita. 


O cinema adora histórias com personagens com câncer, parece o caminho certo para conseguir emocionar o público. Em "Já Estou Com Saudades" há um apelo grande para isso, é aquele roteiro pronto para fazer as lágrimas escorrerem naqueles que assistem. A amizade entre duas mulheres é só um pano de fundo que esconde sua real intenção, mostrar a jornada árdua de uma mulher que precisa encarar um câncer de mama. Apesar de não trazer muitas novidades e sabemos desde o início o que vai acontecer (e que vamos nos emocionar com aquilo), é difícil não se impressionar com o decorrer do filme, com os diálogos e situações que são mostradas. É mais forte e muito mais intenso do que parece e do que foi vendido, longe de ser um mero água com açúcar, pode ser também um verdadeiro soco na cara, dependendo do seu humor. Acredito que quase nenhuma obra do ano passado conseguiu ser tão dramática e tão dura como esta. Sim, chorei. E fazia tempo em que não chorava tanto quanto aqui. É belo, sensível e surpreendentemente chocante. 

Existem alguns elementos interessantes na trama. Para começar, Milly é uma grande personagem. É devastador assistir sua passagem, ela que é tão vaidosa, que se preocupa tanto com sua imagem, vendo seu corpo se alterar, é triste vê-la abandonar aos poucos a vida de glamour e aventuras que construiu para si. É curioso o fato da doença não servir para um momento de redenção de Milly, o que de fato seria uma saída muito mais conveniente e menos arriscada, aqui ela enfrenta da sua forma, egoísta e algumas vezes bastante cruel com aqueles que a apoiam, ou seja, não foi escrita para ninguém sentir empatia por ela e o roteiro não facilita sua jornada e não tenta julgá-la. Toni Collette caiu como uma luva no papel. Que entrega, que atuação! Ela é, definitivamente, a melhor coisa do filme. A atriz não só rouba a cena, como se torna a razão da obra existir, onde há tanto para ela fazer frente à câmera que sobra pouco para o restante, inclusive para Drew Barrymore. No entanto, é gostoso ver as duas contracenando, acreditamos naquela amizade e este é outro elemento que salva a produção. Parece um presente de Hardwicke ao público, colocar duas atrizes tão queridas juntas, é aquele tipo de junção que nos perguntamos o porquê de não ter acontecido antes. Claro que teria sido mais interessante se a personagem de Drew fosse mais forte, que acaba, por fim, sempre agindo de acordo com as escolhas de Milly, mas não deixa de ser uma boa coadjuvante, assim como Paddy Considine e Dominic Cooper.

Fazia tempo em que Catherine Hardwicke não realizava um filme tão bom como este. Claro que existem suas falhas, mas é nítido o quão inspirada ela estava, principalmente quando entrega sequências belas como o momento onde as duas amigas fogem e cantam "Losing my Religion" em um penhasco. Assim como a cena, "Miss You Already" é um filme bonito, simpático, porém incrivelmente profundo, doloroso. É muito real e sincero esse olhar da obra para com a doença, não esperava por isso, não esperava pelos choques que receberia com a trama. É também sobre amizade, sobre sacrifícios, sobre a força de duas mulheres e o poder que uma exerce sobre a outra. E sim, o final é belíssimo e assim como todo o resto...emocionante! Preparem-se para muitas lágrimas. 

NOTA: 8,5





País de origem: Reino Unido
Duração: 112 minutos
Distribuidor: Imagem Filmes
Diretor: Catherine Hardwicke
Roteiro: Morwenna Banks
Elenco: Toni Collette, Drew Barrymore, Dominic Cooper, Paddy Considine





2 comentários:

  1. Filme maravilhoso! E o legal é que mesmo nas cenas mais carregadas de drama, também existe humor, o que o deixa mais emocionante.

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    1. Sim, verdade! As vezes queria rir, mas já estava tão emocionado que não conseguia! Filme maravilhoso mesmo

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