segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

As 20 melhores cenas de 2019


É com muita empolgação que escrevo essa lista! Gosto sempre de fazer essas retrospectivas aqui no blog e venho agora relembrar as melhores cenas de 2019. Todo filme que assisti durante esses doze meses, criei o hábito de anotar meus momentos favoritos para que eu pudesse fazer uma lista que realmente fizesse sentido, citando instantes que, de alguma forma, me marcaram. 

Foi um ano muito bom para o cinema. Tivemos momentos realmente marcantes e espero que gostem dos selecionados. Lembrando que os filmes citados são aqueles lançados aqui no Brasil em 2019, independente do ano em que foram lançados em seus países de origem. 

por Fernando Labanca



20. O Strip de Ramona (As Golpistas)
dirigida por Lorene Scafaria
Diamond Films
Eu poderia, simplesmente, listar todos os momentos em que Jennifer Lopez aparece em "As Golpistas". Sua presença em cena é potente e ela consegue transformar cada pequeno evento em um show a ser admirado. Cito, então, sua fantástica introdução em que sua personagem, a espirituosa Ramona, sobe no palco na boate em que trabalha como stripper e faz sua belíssima e sensual apresentação. É hipnotizante todos os seus movimentos e, no auge de seus 50 anos, a atriz revela não apenas seu forte sex appeal como sua coragem em fazer um pole dance e o faz como se fizesse isso a vida toda, tamanha naturalidade.




19. Vanellope encontra as Princesas 
(WiFi Ralph - Quebrando a Internet)
dirigida por Rich Moore e Phil Johnston
Disney
Nada menos que um encontro memorável. "WiFi Ralph" nos proporcionou uma das cenas mais icônicas de 2019, que de tão icônica parece ter feito até mais sucesso que o próprio filme. Enquanto Vanellope e Ralph se aventuram pela internet, ela acaba parando em um quarto onde estão presentes todas as princesas da Disney. Poderia ser só um momento aleatório se não fossem os divertidos diálogos da cena, que fazem ótimas piadas com as características marcantes de cada uma delas. E poxa! É muito legal ver todas elas reunidas, super confortáveis de pijama, conversando como se fossem amigas.




18. Encontro Musical (Fora de Série)
dirigida por Olivia Wilde
Imagem Filmes
"Fora de Série" é um comédia cheia de momentos inventivos e, inclusive, merecia ser citado mais de uma vez aqui, mas vou comentar sobre esta cena que me fez abrir um sorriso largo e me fez admirar ainda mais a belíssima direção da atriz Olivia Wilde. Surge como uma bem-vinda ruptura, onde sua protagonista sai do plano real e imagina como seria seu grande encontro com o boy que tanto quer pegar na última festa do colégio. Molly (Beanie Feldstein), então, se lança aos braços de Nick (Mason Gooding) e os dois protagonizam um instante musical. Propositalmente forçado, mas divertido e gracioso de se ver.




17. Uma Rápida Visita (O Irlandês)
dirigida por Martin Scorsese
Netflix
Martin Scorsese sempre foi seco na hora de matar seus protagonistas. Parece não haver apego algum quando precisa eliminar um personagem importante na história. Em um dos momentos mais importante de "O Irlandês", Frank (Robert De Niro) faz uma rápida visita a seu amigo de longa data, Jimmy Hoffa (Al Pacino), a pedido do mafioso Russell (Joe Pesci). É um momento desconfortavelmente tenso de assistir, porque sabemos daquela relação e do laço que ambos construíram ao longo dos anos. Frank atira pelas costas assim que ambos entram na casa, sem problema algum, de forma fria e pouco calculada. Como um grande e rápido choque, Hoffa está morto.




16. Good Vibrations (Nós)
dirigida por Jordan Peele
Universal Pictures
"Nós" é um filme extremamente tenso e nunca sabemos exatamente o que vai acontecer. Após o mundo ser atacado pelos "duplos", assistimos a uma série de incontroláveis assassinatos. O momento em questão - e um dos melhores de todo o filme - é quando a mansão da família de Kitty (Elizabeth Moss) é invadida pela cópia da própria família e todos são brutalmente assassinados ao som otimista de "Good Vibrations" do The Beach Boys.




15. O Abraço (Selvagem)
dirigida por Camille Vidal-Naquet
-
Ao narrar a jornada do jovem que vive sua vida nas ruas se prostituindo, "Selvagem" acaba falando muito sobre essa solidão existente no mundo gay atual. Nesse descaso, nesse constante sentimento de abandono, que na ausência de amor nos deixam carentes de afeto, de algo mais real. A cena que cito é quando o protagonista, Léo (Félix Maritaud), visita uma médica e, em um ato quase que involuntário, ele a abraça. O abraço permanece por longos segundos e é belo de se ver. Parece um pedido um socorro, de alguém que apanha demais da vida e sente essa falta de um lar, de proteção.




14. Reencontro dos Amantes (Dor e Glória)
dirigida por Pedro Almodóvar
Universal Pictures
Provavelmente um dos trabalhos mais pessoais do mestre Pedro Almodóvar, onde ele coloca um diretor de cinema confrontando seu passado. Salvador Mallo (Antonio Banderas) deixou muitas histórias para trás, mas nunca se curou completamente de um romance que viveu com Federico (Leonardo Sbaraglia). Depois de longos anos sem se verem, eles decidem se reencontrar e conversar. É um momento doloroso porque vemos como o tempo separou aquilo que poderia ter dado tão certo. Existe uma paixão ardente e ela é nítida no olhar dos dois, nítida em cada palavra e no beijo caloroso que eles dão na despedida. É lindo.




13. O Ritual do Sexo (Midsommar)
dirigida por Ari Aster
Paris Filmes
Não há sequer uma cena em que não seja extremamente bizarra em "Midsommar". O filme de Ari Aster nos levou ao limite com suas provocações. Uma das sequências mais incômodas (e talvez, por isso, uma das melhores) foi o ritual de sexo protagonizado por Christian (Jack Reynor). Após um interminável jantar de coroação de sua namorada, ele se entrega aos seus desejos e vai atrás da jovem que demonstrava interesse por ele, culminando em uma esperada traição. O que ele não esperava, nem o público, é que teria que encarar um ritual bizarrissimo, onde cercado por mulheres nuas, é forçado a transar. Não há absolutamente nada de sensual ali, pelo contrário, é assustador. Um pouco cômico sim, mas intensamente desconfortável de assistir.




12. Piratas no Espaço (Ad Astra)
dirigida por James Gray
Fox Film do Brasil
James Gray não é um diretor comum e "Ad Astra" deixou isso bem claro. Mesmo quando ele usa cenários e situações já exploradas por outras ficções no Espaço, traz algo de muito único e especial em seu olhar, na maneira como ele filma e expõe o que na mão de outro diretor poderia ser só mais um evento ordinário. Durante o caminho do engenheiro espacial Roy (Brad Pitt), algo de muito inusitado ocorre. Enquanto ele e outros profissionais percorrem a Lua em direção à base, eles são atacados por Piratas. A cena em si é incrivelmente bem filmada e editada e toda a ideia de imaginar piratas atacando na Lua é tão absurdamente intrigante que torna aquele instante fascinante de assistir.




11. Última Conversa no Bar (Poderia Me Perdoar?)
dirigida por Marielle Heller
Fox Film do Brasil
Mais do que falar sobre as falcatruas reais da escritora Lee Isreal (Melissa McCarthy), "Poderia Me Perdoar?) é também um filme sobre amizade. É sempre muito agradável assistir os encontros entre Lee e seu parceiro do crime, Jack Hock (Richard E.Grant) e em um dos momentos mais especiais da obra, quando tudo de ruim e mais errado já havia acontecido, ambos se reencontram em um bar e abrem o coração. É uma das cenas mais lindas que tive o prazer de ver este ano, não apenas pela grande atuação dos dois ali, mas pelos diálogos, tão naturais e tão cheios de comoção. É um instante que nos faz chorar e rir ao mesmo tempo. Há muito sentimento presente e eu só queria poder entrar no filme e abraçar os dois personagens.




10. A Escadaria (Coringa)
dirigida por Todd Phillips
Warner Bros.
Com cigarro na boca, maquiagem na cara e seu terno vermelho. É assim que Joaquin Phoenix e o diretor Todd Phillips entregam uma das sequências mais memoráveis deste ano. A escadaria de Shakespeare Avenue no Bronx, que serve como cenário, se tornou ponto turístico. Ao som de "Rock'n Roll Part 2" de Gary Glitter, Coringa desce a longa escada dançando, pela primeira vez, livre. Parece um instante de ruptura em sua jornada, quando o personagem finalmente entende quem é e quem pretende ser dali para frente. O palhaço que ri, o palhaço que dança.




09. Glasgow (As Loucuras de Rose)
dirigida por Tom Harper
Diamond Films
Uma sequência que me fez chorar e me fez sentir, por aquele breve instante, os profundos sentimentos da protagonista. Após compreender a importância de sua família e o peso que eles tem em sua escolhas, a cantora de country sobe ao palco e canta "Glasgow". Em um refrão que repete e frase "não há lugar como o lar", Rose finalmente encara sua mãe e naquele forte olhar há um pedido de desculpas e agradecimento. Jessie Buckley canta muito e sua voz vai direto em nossos corações. Sem muitas pretensões, é um momento intensamente emocionante.




08. Última Discussão (História de Um Casamento)
dirigida por Noah Baumbach
Netflix
Um dos últimos grandes lançamentos da Netflix nos presenteou com uma das melhores cenas do ano. "História de Um Casamento" fala com bastante honestidade sobre o processo de divórcio de um casal. Depois do estresse causado por diversos eventos, Nicole (Scarlett Johansson) vai até o apartamento de Charlie (Adam Driver) para que eles pudessem resolver os conflitos pacificamente. No entanto, ambos se descontrolam e acabam revelando verdades dolorosas um sobre o outro. Os diálogos são incríveis e Driver e Johansson dão um show de atuação ali.




07. Festa de Aniversário (Parasita)
dirigida por Bong Joon-ho
Pandora Filmes
"Parasita" é um filme bastante imprevisível, no entanto, a todo instante estamos prontos para que a bomba, finalmente, exploda. A cena em questão é justamente quando a merda é jogada no ventilador mesmo e tudo de pior acaba acontecendo. Tudo caminhava tranquilo na festa de aniversário do caçula da família Park, eis que as coisas começam a desandar e enquanto algumas máscaras são reveladas ali, a revolta guardada dentro dos personagens colocam seus planos por água abaixo, os levando a cometer atrocidades. É um choque atrás do outro e ficamos ali, simplesmente espantados e hipnotizados pelo caminhar da história.




06. Você Quer Viver ou Morrer? (Bacurau)
dirigida por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles
Vitrine Filmes
Nem Tarantino conseguiu ser tão violento e audacioso em 2019 quanto Kleber Mendonça Filho em "Bacurau". A cena é quando o filme dá uma belíssima e aguardada reviravolta, colocando os mocinhos em outra posição, deixando de ser a caça e virando os verdadeiros predadores. Sem roupas, dois moradores da cidade exterminada surgem armados e explodem a cabeça de um dos "caçadores", à que sobrevive com graves ferimentos resta a pergunta: "Você quer viver ou morrer?".




05. Como um foguete (Rocketman)
dirigida por Dexter Fletcher
Paramount Pictures
Essa cena é tão poderosa que faltam palavras para descrevê-la. É potente, fantasiosa e cheia de sentimentos. No ápice de seus excessos e desespero, o astro Elton John (Taron Egerton) tenta cometer um suicídio na piscina de sua mansão enquanto ocorre uma festa para amigos e familiares. Ao mergulhar, ele se encontra com sua versão criança, vestido de astronauta cantando "Rocketman". Quando, enfim, é socorrido pelos convidados, ele se recupera, vai para o hospital em um energético e empolgante musical e termina seu ato milagroso em um show, voando como um foguete.




04. A Dança Inicial (Climax)
dirigida por Gaspar Noé
Imovision
Antes de nos levar para o inferno, Gaspar Noé encontra um jeito bem peculiar de apresentar seus tantos personagens. Sua câmera, então, percorre entre os movimentos de um grupo de dançarinos talentosos. É um deleite para os olhos acompanhar tamanha expressão corporal e ficamos vidrados por cada passo dado por eles. É um instante revigorante, energético e quando termina, nos deixa querendo por muito mais.




03. A Carta (A Vida Invisível)
dirigida por Karim Aïnouz
Vitrine Filmes
Ao longo de "A Vida Invisível", ouvimos cartas não entregues entre duas irmãs. O grande momento do filme, então, é quando a que nunca recebeu as cartas, Eurídice (magistralmente interpretada por Fernanda Montenegro), finalmente tem acesso aos textos deixados pela irmã Guida (Julia Stockler). É um instante potente, hipnotizante e profundamente emocionante. É muito doloroso toda a jornada das duas e naquele momento, depois de longos anos uma sem informação da outra, elas se encontram naquelas palavras salvas no papel. É simplesmente impossível segurar as lágrimas ali.




02. A Foto (Cafarnaum)
dirigida por Nadine Labaki
Sony
Os últimos minutos de "Cafarnaum" vem como um grande soco. É uma história pesada, contada por um olhar realista e que nos emociona fortemente. O corte final, então, vem como um grande alívio. O protagonista Zain, de apenas 12 anos, que após processar os pais por negligências e abusos, é colocado à frente de uma parede. Nós, como público, somos o olhar de um fotógrafo desconhecido que pede para que ele sorria para a câmera. Zain sorri. Ele é um garoto pobre a abandonado no Líbano e terá, finalmente, seu primeiro documento. A primeira prova de que ele realmente existiu. É triste sim, mas impossível não sorrir junto com ele, pela esperança deixada ao final.




01. Ao Vivo (Coringa)
dirigida por Todd Phillips
Warner Bros.
Uma das razões por "Coringa" ser um filme tão assustador é a forma realista com que o diretor Todd Phillips realizou suas sequências. É cru, seco e sua violência causa um enorme desconforto. No ápice da loucura, Arthur Fleck (Joaquin Phoenix) é convidado a participar de um programa de TV, comandado por Murray (Robert De Niro), que claramente o chama para ridicularizá-lo ao vivo diante de sua platéia. Maquiado e pronto para assumir sua nova identidade, Arthur compreende a humilhação que aquele homem procura e decide dar início a um jogo perturbador, que termina com tiro no rosto do apresentador. É uma cena pesada, desconfortável de assistir e que choca pela coragem da obra em seguir tal caminho. Toda a conversa dos personagens é hipnotizante e sentimos, desde o início que ela não terminaria bem. Joaquin Phoenix está monstruoso e, definitivamente, me fez esquecer que era uma atuação ali.



E para você? Qual foi a melhor cena de 2019?

3 comentários:

  1. Bacana e inteligente, parabéns !
    Gostei desta publicação e mais cultura para os amantes da sétima arte.
    Obrigado e abraço !
    Fabiano.

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  2. Gostei da sua seleção, concordo com todas q eu TB vi...uma cena q me marcou foi o final de Era uma vez em Hollywood, pois a escolha por mudar o final oficial da história por outro ficcional nos remetia ao horror do final real da história do mesmo jeito...bela escolha do Tarantino...

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  3. Gostei da sua seleção, parabéns

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