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terça-feira, 17 de julho de 2012

Crítica: O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man, 2012)

Ignorando completamente a trilogia de Sam Raimi (2002 -2007), assistimos a um novo início do Homem Aranha, dessa vez na pele do ator Andrew Garfield e com a direção de Marc Webb (500 Dias Com Ela). O filme revela, a meu ver, a falta de criatividade em Hollywood, sem ter mais o que lançar de novo, acaba se perdendo em remakes e reboots, agindo como se a obra original jamais tivesse existido. Existem casos em que o original é ruim e o que eles tentam é refazer tentando melhorar as falhas do anterior, mas não é este o caso, a trilogia conquistou fãs e recebeu inúmeros elogios e de fato nunca haverá uma razão para ter sido ignorada dessa forma. O reboot é bom, entretenimento que vale a pena, mas infelizmente não cumpre sua premissa básica, ser melhor que o original e este acaba sendo seu maior defeito. 

por Fernando Labanca

Nesta nova versão, Peter Parker (Garfield) ainda é aquele nerd do colégio que não é bem visto pelos populares, sente uma forte atração pela bela Gwen Stacy (Emma Stone) que não demora muito tempo para notar a presença do jovem. Quando criança, Peter havia sido abandonado por seus pais e a razão disso nunca lhe fora explicada e desde então vive com seus tios Ben (Martin Sheen) e May (Sally Field). Eis que certo dia ele encontra alguns objetos de seu pai e através deles passa a verificar seu passado e seguindo algumas pistas descobre um antigo amigo, o cientista Curt Connors (Rhys Ifans) e através dele tenta descobrir um pouco mais sobre seu pai, e nisso acaba se envolvendo em sua pesquisa, um longo estudo sobre mistura de genes de diferentes animais. Como consequência, Peter é picado por uma aranha em uma das salas da Oscorp, a partir de então, passa a ter algumas novas e inusitadas características, e passa a usar seu novo "dom" para agir como herói nas ruas violentas de sua cidade. Para sua surpresa, porém, o experimento de Connors falha e o cientista se transforma em seu pior inimigo, o lagarto. 


"O Espetacular Homem Aranha" tem como principal função dar um novo início ao herói, partindo do zero, possibilitando uma nova trilogia e novos caminhos para os personagens. Neste ponto, o longa de Marc Webb acerta, consegue fugir do que Sam Raimi já havia feito, procura outras alternativas e como estrutura, o novo filme pouco se assemelha com o original. Vemos na tela, um outro Peter Parker, surge mais natural, mais engraçado, mais jovem e isso faz bem para a trama e o talento do expressivo Andrew Garfield contribui e muito. Por outro lado, por mais que a presença de Tobey Maguire não seja tão marcante quanto a de Garfield, a composição e o desenvolvimento de Peter Parker original se mostra superior, parece sofrer dilemas um pouco mais intensos e se depara com conflitos ainda maiores e toda a forma como o Homem Aranha compreende seus poderes e como tudo se inicia, ainda fico com a versão anterior, logo que dessa vez, tudo ocorre de forma muito rápida, parece não haver processos, uma cena ele não tem poderes, na próxima ele já sabe como lidar com eles, em uma cena ele se mostra interessado pela mocinha, na próxima ela já o convida para conhecer a família. Por falar na mocinha, ela ganha destaque simplesmente por ser Emma Stone, mas infelizmente pouco interage com a história, está presente somente para ser o par romântico e diga-se de passagem, as cenas do casal são bem feitas e são devido a elas que o filme acaba se aproximando ainda mais de seu público. Entretanto, Mary Jane de Kirsten Dunst parecer ter maior importância na trama, existe toda uma história da personagem que se desenvolve durante a trilogia. Já o vilão, o lagarto, está longe de ser tão bom quanto qualquer outro vilão da versão original, há algumas sequências lamentáveis como sua invasão no colégio e outras em que ele parece que vai destruir tudo, mas temos a impressão que ele não põe medo em ninguém e a cidade quase não se altera com sua presença, mesmo ele sendo um lagarto gigantesco e "aterrorizante".

O filme tenta se apegar também ao passado do pai de Peter Parker e usa isso como "aquilo que a trilogia não havia mostrado", se firma nisso como se fosse sua grande revelação, o que acaba sendo decepcionante. Naquela velha história onde nada é revelado para se poder fazer um segundo filme essa trama fica vazia e sem respostas e pouco que descobrimos sobre ela não é nada surpreendente e nada que nos faça querer saber sobre ela. Como já havia dito, o pior defeito do longa é a existência da trilogia original, onde consegue superá-la em pequenos pontos, como seu humor, as boas cenas de ação e de romance, mas no geral, fica devendo, se mostra um filme de ação como qualquer outro de herói, com direito aos velhos clichês, como o herói observando a cidade pela ponta de um prédio, ele tirando a máscara para dizer algo importante, aliás ele faz isso demais como se não entendesse o lance de ser um herói mascarado, além do vilão que nasce de um experimento malsucedido. Enfim, pouco inova como cinema, tenta fugir da versão anterior, mas não consegue fugir dos velhos hábitos do gênero ação.

No entanto, "O Espetacular Homem Aranha" tem como grande ponto positivo a escolha de seu elenco. Andrew Garfield já havia provado ser um grande ator em filmes como "A Rede Social" e "O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus" e aqui ele se mostra a vontade na pele do herói. Já Emma Stone mostra mais uma vez seu enorme carisma e convence na pele da mocinha, que aliás, não é tão indefesa quanto o de costume. Destaque também para os tios de Peter, Martin Sheen está incrível na pele do Tio Ben, assim como Sally Field, que para minha grande surpresa, consegue fugir de seus trejeitos da série "Brothers and Sisters". O vilão de Rhys Ifans está normal, não decepciona, mas também não surpreende. 

Os efeitos especiais estão bons, apesar da composição do vilão por vezes parecer um pouco bizarra, mas no geral, agrada. O 3D faz sua parte, faz diferença em determinadas cenas. Um filme que diverte pelo bom humor e por seus personagens interpretados por grandes atores, tenta focar a trama mais na história de Peter e não tanto no vilão, mas acaba falhando neste quesito, pois o roteiro não consegue criar nada de tão interessante. Aliás, o roteiro é bem óbvio, não vai além dos caminhos já percorridos por outros filmes e é quase que impossível não compará-lo ao original, que a meu ver, não o supera. Um filme, de certa forma pretencioso, que pretende ser melhor que o primeiro, mas não consegue. Que pretende revelar uma grande novidade jamais revelada sobre o herói, mas falha em sua premissa. Que pretende ser mais emocionante, mas também não consegue, os dramas de Peter nunca aparecem de forma palpável, se tornando um mero filme de ação que tenta trazer uma carga psicológica ao personagem e não consegue devido ao razoável roteiro e nisso a trilogia de Sam Raimi teve mais êxito, sem a intenção de emocionar, emocionava mais e sem a intenção de ser tão grandioso, conseguiu ser mais memorável. Muito aquém de um diretor que um dia realizou "(500) Dias com Ela. Vale a pena, mas infelizmente não foge do rótulo..."mais um filme de herói". 
  
 NOTA: 6,5




domingo, 6 de dezembro de 2009

Crítica: (500) Dias Com Ela ((500) Days of Summer, 2009)

Uma raridade, inesquecíveis minutos que nos levam a uma verdadeira viagem, com boa música e grandes momentos, em um caminho divertidíssimo que chega a um destino, mais que original, surpreendente!

por Fernando

Quando vamos ao cinema, encontramos de tudo um pouco, desde bizarrices que nos fazer querer fugir da sala até aqueles filmes tão incríveis que deixam um gostinho de quero mais! Filmes que vão muito além de qualquer expectativa. Ás vezes, esses filmes surgem, pérolas, raridades, este é "500 Dias Com Ela", filme de Marc Webb, que mesmo tão simples, chega a ser um exagero, exagero de inteligência, de criatividade e originalidade. O longa foi a abertura do Festival de Sundance esse ano e já foi indicado a três Independet Spirit Award, o Oscar do cinema independente.

Vamos ao que interessa. Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt) é um jovem que sonha em ser arquiteto, nas horas vagas, fica desenhando seus projetos, aqueles que nunva irão se concretizar, logo que sua vida se resume a casa-trabalho, trabalho-casa, o problema é que seu trabalho está bem longe de sua verdadeira vocação, ele faz cartões, cartões que são vendidos em datas comemorativas, e ele usa sua criatividade escrevendo frases que pessoas não tem coragem de dizer e acabam comprando suas idéias. Tudo muda quando uma nova auxiliar é contratada, seu nome era Summer Finn (Zooey Deschanel) , a garota dos sonhos de qualquer um, Tom rapidamente se encanta por ela, mas a moça era do tipo, inalcançável.

Tom conhece finalmente Summer, eles começam a namorar, ficam juntos vários dias, aliás, para ser mais específico, 500 dias, mas de repente...tudo acaba! Todos os bons momentos ficam para trás, todas as histórias incríveis que eles vivenciaram se tornam meras lembranças. Tom entra em uma terrível depressão e com a ajuda de sua irmã e de seus amigos pirados, ele tenta retomar tudo o que viveu com Summer, buscar nos mais pequenos detalhes o motivo pelo qual tudo acabou. Pois vamos lá...500 dias antes, Tom conhece Summer no trabalho pois descobrem algo em comum, ambos curtem The Smiths, até que por sorte do destino acaba ocorrendo um karaokê para o pessoal do escritório, e Tom vê nessa noite a chance para dizer o que sente a bela moça, mas é nessa mesma noite que ele descobre algo que podia dar tudo a perder, Summer revela que não acredita no amor, que não consegue se imaginar sendo propriedade de alguém, e Tom meio que dá uma indireta dizendo que ela não pode saber se não acredita no amor se ela nunca o sentir. E naquele mesma noite, Summer dá uma chance ao rapaz, não por estar apaixonada, mas por viver assim, faz tudo o que quer, sem medo do que os outros pensam e sem pensar duaz vezes, faz as coisas por vontade, por se sentir feliz fazendo aquilo, e assim, fica com Tom.

A partir de então, Tom Hansen embarca numa divertida e inesquecível viagem, tudo melhora em sua vida, Summer quebra sua rotina, rompe com seus conceitos sobre como viver e o que fazer para se sentir feliz, ela o faz refletir sobre o que faz da vida e o prova o quanto ele é talentoso e que é preciso realizar suas vontades, pois tudo uma hora acaba. Ele simplesmente descobre...a vida, tudo aquilo que estava ao seu redor, fora das paredes do trabalho, o ar, os parques, as músicas, saem sem saber o que realmente vão fazer sem se importarem se os outros estão olhando, como quando ela o faz grita "pênis" em um lugar público, ou quando fingem morar em uma loja de móveis, satirizando o cotidiano dos casais. Entretanto, Summer deixa claro que não está apaixonada por ele e desde sempre ela pede para ele não se envolver, pois ela não o ama! O motivo estava ali, o tempo todo, ela simplesmente não o amava, a equação é simples, trágica, difícil de se compreender, mas era a verdade, e Tom nunca desistiu, viveu com medo de perdê-la a qualquer instante, dela simplesmente se cansar de usar ele por diversão, mas tinha esperança, desde o início queria provar que ela poderia se apaixonar também.

"Um cara conhece uma garota. Ele se apaixona. Ela não". Juntando a frase de exposição do filme com seu próprio título, já percebemos do que se trata, um cara fica com uma garota por apenas 500 dias, mas ela não é apaixonada por ele e tudo acaba, porém não é tão fácil encarar isso quando se está assistindo o filme, a verdade é que esquecemos que tudo aquilo que Summer e Tom vivenciam dura apenas 500 dias, que uma hora ou outra vai acabar. E nem tudo é tão simples assim, o final não é contado só com o título, nada é previsível. E mesmo que saibamos do final, não queremos acreditar, aliás, o caminho é tão mais interessante e mais importante que o destino, que mesmo que tudo esteja escrito, queremos presenciar os encantadores 500 dias, independente de como vai terminar. Além disso, o filme nos trás uma narrativa diferente do usual, intercalando momentos felizes, tristes, divertidos e angustiantes do casal, seja do início, do meio ou do final do relacionamento , dando mais charme ainda ao longa.

E este é maior milagre de 500 Dias Com Ela, por nos mostrar o desfecho antes de acontecer. Como não seguir uma linha cronológica coerente num filme de comédia romântica? É um gênero pronto, a mocinha conhece o mocinho, acontecem alguns desencontros, alguns conflitos, mas tudo bem, tudo se resolve no final, e todos ficam juntos e felizes. E como encarar uma história de amor já sabendo que tudo vai terminar? Até esse filme, isso era impossível, mas Marc Webb, diretor iniciante em longas, prova que além de possível, também é encantador. Não há como não se envolver com Tom e Summer, e daí que tudo vai acabar? É perfeito mesmo assim.

Palmas para o roteirista que não deixou a trama desandar nem por um segundo apenas. Palmas também ao diretor, que construiu não só um ambiente fantástico para a história, mas um dos filmes mais encantadores do ano, mesclando uma trilha sonora arrebatadora, com músicas até mesmo de She & Him, banda de Zooey Deschanel, que também canta no longa, como clássicos do rock, e até mesmo músicas antigas que fortalecem o clima meio nostálgico do filme. Cenas incrivelmente construídas, com diferentes movimentações de câmeras, criando um jeito original do filme, com uma boa mescla de música, cultura indie e que nos remete a filmes clássicos de Woody Allen e Cameron Crowe.

Joseph Gordon-Levitt está fantástico! Uma das melhores atuações, em relação aos atores de sua geração que vi ultimamente. Para quem não lembra do rapaz, ele nada mais é que um dos coadjuvantes de destaque em 10 Coisas Que Eu Odeio Em Você, lembra do cara que paga Heath Ledger para ficar com Julie Styles para ele poder, enfim, ficar com a irmã mais nova da garota? Pois é, ele ainda está jovem, mais jovem do que nunca, e mostra sua versatilidade frente as câmeras, suas expressões, seu humor, tudo caminha perfeitamente com a harmonia criada pelo filme. Outro destaque é para nova musa do cinema independente, Zooey Deschanel, mais encantadora e carismática, impossível. Ela está simplesmente incrível, se encaixa perfeitamente em Summer Finn, seu melhor desempenho em toda sua carreira, sem sombra de dúvida, seu melhor momento no cinema. Ela se entrega de uma forma tão divina, que ás vezes é difícil prestar atenção na cena em que ela está presente, ela dá um charme, um brilho único, tem uma performance original e inesquecível.

Não deixe de ver esse filme, por nenhum pretexto. É sim, um dos melhores do ano, por sua originalidade num gênero já banalizado, por sua criatividade, inteligencia. É um filme único, que nos trás um sorriso ao rosto do primeiro ao último minuto, só nos faz pensar em coisas boas. Há muito tempo não via um filme tão encantador como esse, tão cheio de harmonia. Nos faz sentir a felicidade que a vida pode nos trazer por estar ao lado da pessoa que amamos, mas ao mesmo tempo, nos mostra a realidade, que nem tudo é para sempre, que aquela pessoa que hoje é nossa amiga, amanha pode nos dar as costas, sem mais nem menos, simplesmente, nos abandona, e essa é a vida, um dia acordamos e acreditamos. Nos faz sentir a felicidade de quem ama e a tristeza e raiva de quem é abandonado. Mais que isso, nos lembra as coisas boas que o cinema ainda tem a nos proporcionar. Belo, fantástico, perfeito!

NOTA: 10





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