Mostrando postagens com marcador Omar Sy. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Omar Sy. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Crítica: Pegando Fogo (Burnt, 2015)

Estrelado por Bradley Cooper e dirigido por John Wells (Álbum de Família), "Pegando Fogo" fala sobre um profissional em busca da perfeição enquanto faz um relato interessante sobre os chefs de cozinha em restaurantes da elite.

por Fernando Labanca

Na trama, conhecemos o arrogante Adam Jones (Bradley Cooper), chef de renome que devido aos seus excessos, tanto de álcool como de drogas, se viu obrigado a se afastar de sua carreira, perdendo toda a glória que havia conquistado. O longa começa quando, após um período de isolamento, ele decide voltar para Paris, se reerguer no meio de tantos concorrentes e provar para si mesmo que é tão capaz quanto imagina ser. E para conquistar sua tão almejada terceira estrela Michelin de restaurantes, Adam recruta um time de antigos companheiros. Entretanto, sua exagerada autoconfiança e sua obsessão pela perfeição o traem constantemente, tendo sempre que lidar com aquilo que o mais impede de seguir em frente...ele mesmo.


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Crítica: A Espuma dos Dias (L'écume des jours, 2013)

Baseado no livro de Boris Vian, importante obra da literatura francesa escrita no final da década de quarenta, “A Espuma dos Dias” conta com a direção de Michel Gondry (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças) que abusa do surrealismo, construindo algo bizarro, estranhamente encantador, uma espécie de fábula adulta onde tudo é possível. Simplesmente incapaz de ser comparado a qualquer outro filme já feito.

Por Fernando Labanca

Colin (Romain Duris) é um bom vivant, um homem que não trabalha e passa seu tempo com invenções futurísticas, como as mesas ondulares, um piano que produz bebidas de acordo com suas notas musicais, sapatos com vida própria, entre outras coisas. Divide sua casa com um antigo amigo e cozinheiro Nicolas (Omar Sy) e um pequeno rato que age como um humano. Recebe sempre a visita de outro amigo, Chick, que é obcecado pelos pensamentos de Jean Sol Partre e costuma gastar todo seu dinheiro em seus livros. Até que, percebendo que tanto Chick quanto Nicolas estavam se relacionando com uma mulher, Colin decide fazer o mesmo, é então que conhece Chloe (Audrey Tatou), uma bela e encantadora moça que fará ele se apaixonar perdidamente. Eles se casam com o pouco dinheiro que lhes restavam, eis que não demora muito até que Chloe descobre que sofre de uma doença rara, um nenúfar está crescendo em seus pulmões. Para salvá-la, Colin abandona seu modo de vida e se entrega aos mais absurdos trabalhos a fim de sustentar o caro tratamento, mesmo ela não indicando nenhuma melhora.


Desde a primeira cena, o filme já nos alerta, estamos diante de algo extremamente inovador, diferente de tudo que estamos acostumados a ver, um universo onde tudo é possível, onde não há lógica, pessoas voam para chegar mais rápido nos lugares, sombras e comida possuem vida, casais precisam correr de carrinho de brinquedo para conseguir se casarem, um mundo onde limusines são transparentes e existem carros em formato de nuvem. Esqueça o que você conhece sobre a realidade, Michel Gondry desconstrói a lógica do cinema, a lógica da própria vida e mesmo levando tudo isso consideração, “A Espuma dos Dias” pode ainda não ser compreendido, porque de fato, nada faz muito sentido, muitos até se esforçarão para encontrar alguma metáfora, mas talvez a graça seja realmente essa, não encontrar o sentido. Essa fuga de paradigmas e conceitos passa a ser uma experiência muito única e só por esta experiência, o filme já vale muito a pena.

Por um lado, essas inovações mirabolantes de Michel Gondry são admiráveis, a cada nova cena, milhares de novos artefatos, engenhosidades de extrema criatividade, raros no cinema, é de chocar se pararmos para pensar todo o trabalho da produção. Entretanto, infelizmente Gondry não é capaz de dar a essas criações um motivo para estarem ali, não alteram a narrativa, não interferem em nada, por fim, acabam sendo meros objetos de cena, mas que erroneamente possuem um destaque muito grande na trama. Tenho a sensação que o diretor se perdeu em sua própria grandeza, deu tanta importância a essas engenhosidades que esqueceu os próprios personagens, havia uma bela história a ser contada, mas ela sempre acaba ficando em segundo plano.

“São as coisas que mudam, não as pessoas”. Esta frase é fundamental para toda a construção e compreensão deste universo. Enquanto Colin tenta sempre ver o copo meio cheio, jamais enxergando suas incapacidades, jamais pensando que poderá perder aquela mulher que mais ama, aquele universo em que ele mesmo criou vai perdendo a vida aos poucos, curiosamente sua casa vai diminuindo, e a fotografia, tão genial, expõe, visualmente, os sentimentos dos personagens, que perdem a cor ao decorrer da trama. Se ao início, o filme explodia em detalhes e cores, terminamos assistindo a uma obra em preto e branco. A fotografia, por sua vez, é bastante crua, deixando tudo muito real, por mais que haja este universo fantasioso, ele é muito crível, isso ocorre também, devido a maneira como são usados os efeitos especiais, com uma plasticidade retrô, apesar de futurístico, me lembrando, por vezes, programas infantis da década de noventa, é tudo bastante nostálgico. “A Espuma dos Dias” também apela para o humor, bem peculiar, mas que funciona, diverte, mas aos poucos, assim como suas cores, o humor e aquele romance delicado e gostoso de ver dá espaço para o pessimismo, a angústia, é, por fim, uma obra melancólica. 

“A Espuma dos Dias” é muito diferente daquilo que vendeu nos trailers, pode ser um choque para muitos, principalmente aqueles que desconhecem a obra de Michel Gondry. Faz diferença também conhecer um pouco do autor do livro, Boris Vian, que aliás, eu desconhecia, estudou engenharia, é um apreciador do Jazz e de Jean Paul Sartre, são apenas detalhes, mas que trás um pouco mais de sentido à história, pois são, nitidamente, a base para a construção da obra. Confesso que achei tudo muito interessante, mas ainda assim, este interesse causado pela criatividade de cada sequência não foi capaz de prender tanto a atenção, não se mantém num bom ritmo, chegando a ser tedioso, por algumas vezes. Ainda assim, é belo, a presença de Romain Duris e Audrey Tatou ajudam e muito, são extremamente incríveis e funcionam perfeitamente bem juntos, o que acaba sendo uma pena o roteiro e a direção não ter percebido a força deles, a força da história do casal principal, os conflitos, os dramas, sempre se distancia de tudo isso, focando em personagens sem o mesmo carisma e importância, focando nas criações de Michel Gondry que nada interferem na história. É bom, é inovador, encantador, mas faltou alma, faltou sentimento, teria sido perfeito se Gondry percebesse que esses elementos ele encontraria nos personagens e não em seu cenário. Gostei, apesar dos inúmeros e nítidos defeitos, só não superou minhas expectativas, não é tão bom quanto eu esperava e queria, mas ainda assim, recomendo.

NOTA: 7,5


País de origem: França
Duração: 125 minutos
Elenco: Romain Duris, Audrey Tautou, Omar Sy, Gad Elmaleh
Diretor: Michel Gondry
Roteiro: Luc Bossi, Michel Gondry





terça-feira, 25 de setembro de 2012

Crítica: Intocáveis (Intouchables, 2012)

Filme francês de maior sucesso (e bilheteria) da história e que teve recentemente a missão de representar o país no Oscar 2013, tem tudo para levar para casa grandes prêmios e a cada cena que vemos dele entendemos a razão de seu sucesso entre o público, não só por ser divertido e ter uma trama de fácil compreensão, mas também por simplesmente ser bom e assim como sua trama, que é sobre opostos, tem tudo para agradar dos mais aos menos exigentes.

por Fernando Labanca

Baseado em fatos reais, conhecemos o empresário aristocrata e tetraplégico Philippe (François Cluzet) que em busca de um assistente para ser responsável por seu cuidado se vê diante de diversos engomadinhos dispostos a um novo emprego, mas decide contratar justamente aquele que menos se esforçou em conseguir a vaga, Driss (Omar Sy), negro, imigrante senegalês que tudo o que queria era um seguro desemprego para se manter após sair da prisão, no qual ficou por seis meses. Driss que pouco se importa com a deficiência de Philippe, passa a se divertir na mansão que agora tem por direito, além de dar em cima da bela secretária e assim, nasce uma inusitada amizade e simplesmente por um não colocar rótulos no outro, é nesta relação que eles se prendem para fugir da triste realidade que ambos enfrentam.

Apesar do que possa parecer de início, "Intocáveis" foge bastante do drama e acaba se firmando como comédia, quase que pastelão, por vezes. E assim, acaba surpreendendo. Quando esperávamos moralismos, discussões sociais e um final dramático, encontramos, na verdade, muito humor, tudo que poderia ter uma grande densidade é convertido em piada, mesmo quando se trata de assuntos que de fato, quase nunca são vistos como piada, é então que o roteiro encontra sua grande arma, o politicamente incorreto. É hilário o descaso de Driss para com o amigo ou também quando se surpreende pelo preço pago do empresário em uma obra de arte, entrando diálogos que todos tiverem vontade de um dia dizer, mas que tiveram medo de se mostraram "não cultos", o roteiro não veta nada nem ninguém, nem música clássica, nem mesmo programas televisivos destinados a deficiência infantil, tudo vira piada, de forma direta e sem receios.


É um filme sobre opostos, do real à fantasia, onde o roteiro se mostra livre em romantizar a trajetória dos amigos, forçando às vezes, mas tudo ocorre de forma agradável. Da comédia ao drama, onde também sabe lidar com a emoção. Colocando em cena, negro e branco, rico e pobre, a deficiência e a saúde em pessoa, dois pontos extremamente opostos mas que surgem de forma harmoniosa e o roteiro não perde tempo em refletir sobre eles e este, acredito eu, é seu maior trunfo, pois não há maneira mais digna de se falar sobre as diferenças as colocando no mesmo patamar, evitando discussões, não de forma alienada, afim de não de ser polêmico, mas de forma a compreender que as diferenças podem coexistir.

"Intocáveis" usa estas diferenças para seu bem, através de um roteiro bastante correto, é capaz de fazer grande parte do público se identificar com a trama, porque no fundo, o filme é bastante comercial, feito na medida para agradar, mas também agrada os mais exigentes, a dupla de diretores, Olivier Nakache e Eric Toledano realizam um belíssimo trabalho, fazendo bom uso das câmeras, além da incrível fotografia e sensível trilha sonora. Sabem, também, tirar bom proveito de seu elenco, Omar Sy tem tudo para o grande estrelato, carismático e excelente ator, rouba a cena na maior parte do tempo, é extremamente engraçado, suas falas parecem um grande improviso de tão naturais. François Cluzet tem seus momentos, convence e ao lado de Omar, a dupla parece se divertir na tela, e quem sai ganhando somos nós, pois as cenas cômicas, foram, com certeza, as que mais me fizeram rir este ano.

É sobre estes dois homens intocáveis, um com a sua deficiência, seja social ou física, mas que aprenderam uma das mais valiosas lições, a rir da própria desgraça. De trama fácil e bem resolvida, o cinema francês nunca esteve tão aberto a tantos públicos e isso de forma alguma é algo negativo, não deixa de ser bom, inteligente, que leva diversão e reflexão na mesma medida. Tocante e engraçado. Simplesmente imperdível.

NOTA: 9



Outras notícias