quinta-feira, 19 de maio de 2016

Crítica: Pegando Fogo (Burnt, 2015)

Estrelado por Bradley Cooper e dirigido por John Wells (Álbum de Família), "Pegando Fogo" fala sobre um profissional em busca da perfeição enquanto faz um relato interessante sobre os chefs de cozinha em restaurantes da elite.

por Fernando Labanca

Na trama, conhecemos o arrogante Adam Jones (Bradley Cooper), chef de renome que devido aos seus excessos, tanto de álcool como de drogas, se viu obrigado a se afastar de sua carreira, perdendo toda a glória que havia conquistado. O longa começa quando, após um período de isolamento, ele decide voltar para Paris, se reerguer no meio de tantos concorrentes e provar para si mesmo que é tão capaz quanto imagina ser. E para conquistar sua tão almejada terceira estrela Michelin de restaurantes, Adam recruta um time de antigos companheiros. Entretanto, sua exagerada autoconfiança e sua obsessão pela perfeição o traem constantemente, tendo sempre que lidar com aquilo que o mais impede de seguir em frente...ele mesmo.


Cinema e comida sempre foi uma boa combinação. "Sem Reservas" (2007), "Ratatouille" (2007) e "Chef" (2014) são alguns bons exemplos. "Pegando Fogo" é outro título que funciona, graças a excelente produção e a força dos personagens. Apesar da trama adotar tons mais obscuros, sem a felicidade e otimismo que praticamente fazem parte deste subgênero, ainda assim, é uma obra deliciosa de acompanhar, de apreciar, parece que sentimos cada textura, sentimos cada gosto, vivenciamos o interior de uma cozinha e a rotina sob pressão de seus profissionais. É muito convincente este universo proposto e é tão bem feito que ao menos eu, não consegui desgrudar o olho da tela. Seja pela fotografia, seja pela fantástica edição e a delicada trilha sonora, juntamente com a direção cuidadosa e ousada de John Wells, "Burnt" é digno de apreciação, é incrível como ele funciona 100% do tempo, como ele é coeso, objetivo, é uma sequência de elementos bem orquestrados que só não o faz ser tão genial por causa de sua trama, que é simplória demais, com fáceis resoluções. No mais, um filme para se ver e degustar como um bom cinéfilo ou para que apenas gosta de gastronomia.

Bradley Cooper encara mais um personagem forte na tela, longe da comédia, ele entrega alma ao protagonista. O ator devora seu texto, seus surtos, sua fúria, seu olhar, uma das melhores performances de sua carreira, com toda a certeza. É muito convincente esta sua busca pela perfeição e sua obsessão em ser o melhor, em não admitir o fracasso. O conflito nasce quando ele precisa dividir seu espaço com outros outsiders, seres que também precisam provar algo, se colocarem em uma situação melhor. A relação que nasce entre cada personagem ali na tela é o grande trunfo da obra, onde cada um tem sua função dentro da trama, enquanto um representa a força, outro representa o medo, o apoio, o passado e o futuro de Adam. Por alguma razão, reuniram um elenco grandioso de atores de diversas nacionalidades, do alemão Daniel Brühl, da irlandesa Alicia Vikander, a britânica Emma Thompson, o francês Omar Sy e o italiano Riccardo Scamarcio. Todos excelentes. E repetindo a parceria de "Sniper Americano", Cooper volta a contracenar com a belíssima Sienna Miller, muito bem em cena. 

"Burnt" surpreende, se mostrando, aos poucos, mais do que parece ser. Da comédia leve e descompromissada que nos é apresentado no início, vamos adentrando ao mundo caótico de Adam Jones, vamos sentindo o peso em suas costas, seu receio em fracassar. E dessa forma, o longa se torna um drama denso, delicado e sutilmente inspirador. Em suma, se trata daquelas obras simples, com ideias pequenas, mas é tudo tão bem executado que é difícil não se prender a tudo aquilo. Eu me prendi e saí fascinado. Belo filme! Recomendo.

NOTA: 8,5






País de origem: EUA
Duração: 101 minutos
Distribuidor: Paris Filmes
Diretor: John Wells
Roteiro: Steven Knight
Elenco: Bradley Cooper, Sienna Miller, Daniel Brühl, Omar Sy, Mathew Rhys, Riccardo Scamarcio, Emma Thompson, Alicia Vikander, Uma Thurman, Lily James






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