terça-feira, 3 de maio de 2016

Crítica: O Presente (The Gift, 2015)

"O Presente" é o primeiro longa-metragem dirigido pelo ator australiano Joel Edgerton, que também atua, escreve e produz. Com atuações marcantes de seus protagonistas e uma trama envolvente, é aquele tipo de suspense que prende a atenção e que não permite que o público saia ou pense em outra coisa até a chegada de seus créditos finais.

por Fernando Labanca

Simon (Jason Bateman) e Robyn (Rebecca Hall) estão de mudança para uma nova cidade em uma nova casa. É um momento de recomeço para o casal que acabara de enfrentar uma situação complicada e por isso tentam se adaptar em um outro local. Tudo flui perfeitamente até que um antigo colega de escola de Simon, Gordo (Joel Edgerton), surge em suas vidas e tenta. insistentemente, se reaproximar, revivendo uma amizade que nitidamente nunca existiu. Devido ao desconforto caudado por este inusitado encontro, o casal começa a se afastar do estranho, no entanto, alguns segredos do passado vem à tona e eles passam a compreender que esta relação não é tão simples assim e que existem certas contas a serem pagadas.


Não é fácil encontrar filmes como "O Presente". A verdade é que não há nada de revolucionário aqui, mas ele funciona bem dentro daquilo que conhecemos como suspense e simplesmente por isso, o torna em algo raro. Aliás, fazia tempo em que não via uma obra simples como esta, mas que prende tanto a atenção, que envolve, que causa uma inquietação, uma curiosidade, que instiga a ficar ali, de olho em cada diálogo e cada situação. Geralmente nesses thrillers é comum que algum elemento decepcione, principalmente o final e este ganha ainda mais pontos por construir, mérito do bom roteiro de Edgerton, uma trama tão redonda, que se mantém no bom nível do começo ao fim, entregando uma resolução inteligente e coerente com todo o resto.

Joel Edgerton realiza um excelente trabalho, principalmente porque ele foi corajoso para enfrentar diversas funções e não decepciona em nenhuma delas. Com seu roteiro brilhante, vemos boas ideias sendo desenvolvidas na tela, que se destaca ainda mais por conseguir inserir na trama personagens tão incríveis, cheio de dúvidas, receios e uma ambiguidade que torna a obra extremamente instigante, pois nunca é claro sobre quem realmente são essas pessoas e se existe uma razão para suas estranhas atitudes. Gordo é um personagem excêntrico, construído com cuidado por Edgerton, onde sua presença traz um certo incômodo, se tornando aos poucos, assustador e se o ator se mostra um excelente coadjuvante, ele ainda permite que Jason Bateman e Rebecca Hall brilhem em cena, e como diretor, consegue extrair o que há de melhor nos dois. E apenas por ver esses atores sendo tão incríveis já faz valer uma conferida. ainda mais por Bateman, já tão automático em suas comédias, finalmente entrega uma atuação notável, intensa e verdadeira.

"O Presente" é, acima de tudo, divertido. aquele já conhecido "entretenimento de qualidade", que envolve com sua trama, empolga com seus mistérios e ainda garante alguns bons sustos. Se trata de uma história de vingança, sobre algo pendente do passado e que precisa ser acertado, e a maneira como isso vai sendo construído é fantástico, longe de ser óbvio ou tolo. É interessante como a obra lança uma pequena ideia em seu início e lentamente, prova que estamos diante de algo muito maior do que parece, sem a necessidade de segurar um mistério para um grande plot twist, não manipula nem subestima a inteligência de ninguém e ainda assim entrega um final digno, surpreendente. É um dos raros filmes de suspense onde não consigo imaginar milhões de outros finais melhores, terminou da forma que precisava e merecia. Recomendo.

NOTA: 8,5






País de origem: EUA
Duração: 108 minutos
Distribuidor: Playarte Pictures
Diretor: Joel Edgerton
Roteiro: Joel Edgerton
Elenco: Jason Bateman, Rebecca Hall, Joel Edgerton, Allison Tolman

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