domingo, 18 de julho de 2010

Crítica: Invictus (2009)

18 de julho, Nelson Mandela, representante do movimento anti-apartheid e ex-presidente da África do Sul, completa 92 anos. E no cinema, o líder, foi muito bem representado, com mais uma das obras-primas de Clint Eastwood, Invictus.

Um filme sobre um mestre, feito por um mestre.

por Fernando Labanca

Na década de 90, Nelson Mandela foi libertado após quase trinta anos preso, devido ao fato de ser um líder revolucionário que foi contra um dos mais injustos movimentos da história, o 'apartheid'. Saiu da prisão, e sentiu o que mais temia sentir, a África do Sul mudou, mas o sentimento das pessoas continua o mesmo, a de que existe em um só território duas raças, a dos brancos e a dos negros.

Decidido a mudar a história e fazer desse país um lugar mais justo, um lugar onde ele sempre sonhou viver, se candidatou a presidente, promovendo a paz em discursos comoventes, ele venceu e em 1994, Mandela mais uma vez se tornou líder, líder de um povo, do mesmo povo que há trinta anos lhe tinha colocado na prisão, os brancos.

Como primeira atitude, ele não manda embora os funcionários brancos de seu palácio, decide integrar as duas raças, logo que vários funcionários negros o seguiram. Até que, vendo a atual situação do 'rugbi', o esporte mais famoso do país e também o esporte mais branco da África, resolveu apostar no esporte, acreditando que essa poderia ser sua arma crucial para unir o povo, logo que a Copa Mundial de Rugbi estava prestes a chegar, entretanto, o time era fraco e muito criticado pela mídia.



Para isso, Mandela, vai atrás de Francois Pienaar (Matt Damon), o capitão do time, e passa a inspirá-lo, prova para o rapaz o quanto vencer um jogo é importante, e que precisa lutar e acreditar na vitória, e lhe entrega um poema, um poema que lhe deu força durante os anos de prisão. Mas nesses encontros, Nelson acaba ensinando muito mais ao capitão do time, como ter esperança, acreditar em coisas boas, ser otimista mesmo quando tudo ao seu redor lhe diz para não ser, e lhe fez refletir como era capaz um homem, mesmo depois de trinta anos, além de perdoar aqueles que lhe fizeram sofrer, ainda deseja o bem a eles e ainda luta para que isso aconteça.

O rugbi, cresce, ganha força, a África, enfim, ganha um time de verdade, e mais do que um time, ganham heróis, e os torcedores deixam de ter uma cor, e passam a ter algo em comum, como a esperança de ter a vitória, como a esperança de viverem em lugar melhor, onde não há mais divisões.

Uma história belíssima, baseada em fatos reais num período importante na vida de Mandela e que poucos conhecem, um exemplo raro de como o esporte pode interferir na política de uma forma positiva. E felizmente, a ótima ideia é transportada para o cinema de uma forma incrível pela mãos de Clint Eastwood. Ele simplesmente não erra, depois de uma brilhante sequência nas telas, como Sobre Meninos e Lobos, Menina de Ouro, A Troca e Gran Torino, o gênio do cinema, volta mais uma vez e com uma outra obra prima, um filme marcante.


A ideia não só é incrível, como também funciona bem nas telas. Poderia ter escorregado fácil, mas Clint consegue manter a tenção do público do início ao fim do longa, mesmo quando já sabemos do final, e a ideia principal já foi mostrada na primeira meia hora de filme. Mesmo assim, nos sentimos fisgados, hipnotizados por essa grande trajetória. É simplesmente, bem feito. Tudo parece surgir na hora certa e da forma certa. A trilha sonora, diga-se de passagem, muito diferente dos filmes de Eastwood e a fotografia ajudam bastante. É um dos filmes mais diferente que ele já ousou fazer, é mais alegre que os demais, nos sentimos esperançosos e não angustiados e deprimidos como os anteriores.

Morgan Freeman. O que dizer desse grande ator? Constrói uma personagem incrível, Nelson Mandela foi muito bem representado por ele, outro gênio do cinema. Foi uma das melhores atuações de Freeman nos últimos anos, logo que as semelhanças com outros personagens de sua carreira, são minímas. Matt Damon também merece destaque, mais uma vez está incrível na tela, e mais uma vez acerta no projeto em que se envolve, é interessante como ele aparece no filme, sua personagem é um capitão de rugbi e Damon encarna isso com perfeição, não surge como sendo um astro no campo do esporte, surge como um jogador qualquer, faz parte daquele time e durante os minutos do longa, acreditamos nisso.

Não é um filme tão empolgante quanto os demais da brilhante carreira de Clint Eastwood, ainda sim é incrível, mas não é como Menina de Ouro, por exemplo, que ficamos paralisados, sem respirar, e ficamos pensando horas e horas na história, uma marca de Clint. É um filme mais família, classificação livre, sem cenas marcantes de tirar o fôlego. Mas ainda vale muito a pena, com toda a certeza, como já disse anteriormente, o diretor acerta mais uma vez. Um filme que merece ser assistido, não só por ser um ótimo filme, mas pela trajetória de Nelson Mandela, que esse sim, deve ter se sentido orgulhoso.

NOTA: 9


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