terça-feira, 20 de julho de 2010

Crítica: A Caixa (The Box, 2009)

Richard Kelly. Um nome que para muitos é desconhecido, para aqueles que o conhecem, sabem que é sinônimo de uma grande surpresa, de algo ousado e inovador. Sua carreira no cinema é curta, porém cheia de mistérios, seus filmes são recheados de críticas, sejam elas positivas ou negativas, mas a verdade que ele nunca passa despercebido. Ou amam seus trabalhos, ou odeiam.

Diretor de Donnie Darko, filme 'cult' de 2001, e que hoje é visto como uma das obras-primas do cinema independente. Em 2006, o indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes, Southland Tales: O Fim do Mundo, que não encontrou seu público e foi um verdadeiro fracasso. Em 2009, ele retornou com A Caixa, suspense baseado no conto de Richard Matheson, "Button, button", que escreveu na década de 80 e que posteriormente foi filmado para a série Além da Imaginação.

por Fernando Labanca

No ano de 1976, Norma (Cameron Diaz) e Arthur Lewis (James Marsden) moram no subúrbio de Virgínia e juntos tem um filho. Ele, um ambicioso engenheiro da Nasa, que está prestes a ganhar sua promoção. Ela, uma professora, que dá aula na mesma escola onde seu filho estuda, que devido ao seu trabalho, ele ganhou uma bolsa de estudo. Até que algumas normas da escola mudam, e ele perde essa bolsa, já Arthur não ganha a promoção que sempre lutou. Até que eles e seus problemas financeiros recebem um presente nada convencional.

Uma caixa com um botão e um cartão dizendo que ás 17 horas do próximo dia, o dono da caixa, Arlington Steward (Frank Langella) lhes faria uma visita. No horário prometido, o senhor chega, com um lado de sua face queimada, dizendo que se apertarem o botão, eles ficariam milionários, por outro lado, matariam alguém que não conheciam. Detalhe, teriam 24 horas para fazer a escolha. Desesperados e preocupados com as consequências, começam a refletir sobre "o que é conhecer alguém", "será que eles se conhecem?", uma questão importante que poderia definir quem poderia ser a vítima. Até que Norma aperta. O senhor misterioso volta, pega a caixa de volta e lhes entrega o dinheiro, dizendo que a caixa seria reconfigurada e entregue a alguém que eles não conheciam.

A partir então suas vidas mudam drasticamente, as concequências desse ato começam a invadir suas vidas, e entram num jogo perigoso cheio de mistérios, que envolvem uma sequência de mortes, estudos da Nasa e poderes sobrenaturais.


Um filme diferente. Os toques de Richard Kelly são visíveis, é nítido que é feito pelo mesmo diretor de Donnie Darko, tem a mesma tensão, um clima nostálgico e pesado, cheio de elementos misteriosos, sequências que não fazem o menor sentido e frases de efeito. A Caixa surpreende, por ser, definitivamente, um filme de suspense superior a muitos do mesmo gênero, por não ser apelativo, o diretor aposta em algo que é completamente descartável no cinema atual, é perigoso usar esta arma, ele utiliza do pensar, raciocinar para a compreensão da história, onde nem tudo que é preciso para o entendimento da trama está na tela, é preciso reflexão.

Acredito que esse seja o motivo pelo filme não ter feito sucesso, foge do convencional. O longa utiliza uma série de estudos, sejam eles científicos ou filosóficos para criar uma teia de acontecimentos que no exato momento não fazer sentido algum, mas se pensado talvez possa fazer. Confesso que não entendi 100% do filme, é quase impossível, até pelo fato de A Caixa utilizar nomes técnicos e termos completamente desconhecidos do grande público. O que não deixa de ser um grande defeito, logo que o filme se torna extremamente confuso por não facilitar, já basta a história ser difícil de entender, eles ainda colocam termos ciêntíficos que nunca ouvi falar? Ignorância da minha parte, sim, eu sei, mas sei também que não sou o único que fiquei 'viajando'.

A reflexão do filme fica, acredito, no egoísmo da humanidade. Onde uma sociedade não avança quando cada indívidou só pensa no seu lado, nos seus problemas, quando aquelas pessoas que o cercam são apenas pessoas, e que seus problemas não importam. E os seres continuam seguindo em frente mesmo quando suas atitudes prejudicam a vida dos outros. Além da utilização da famosa frase de Sartre: "o inferno são os outros", chegando até ter uma interpretação literal no longa.

Cameron Diaz está surpreendentemente fantástica. Muitas vezes parece estar desconfortável com sua personagem, entretanto, em determinadas cenas se entrega com tanta profundidade que chega a ser comovente sua atuação, principalmente no final. James Marsden se encaixa bem em seu papel, e digo que foi um ponto alto em sua carreira. Os dois juntos funcionam bem, provando que mesmo num filme de suspense, a atuação é fundamental, e com eles, presenciamos cenas marcantes, chegando a ser memoráveis, logo que em filmes do gênero nunca vemos atores se entregarem tanto a seus personagens, e que personagens!

A Caixa falha pela confusão que acaba criando na trama. É tudo muito, extremamente confuso. A história contada nas pequenas sinopses (inclusive aqui) nada contam sobre o longa, pois tudo o que foi exposto sobre o filme se resolve em trinta minutos e o resto é preenchido por figuras sinistras que surgem do nada, frases que não fazem sentido, idéias completamente fora do normal. Além do trailer que nos apresenta uma trama ágil e dinâmica, bem diferente do que realmente é. A Caixa é criativo, original, com uma direção notável e atuações marcantes. Um filme inteligente feito para aqueles que gostam de pensar e não buscam uma história pronta. E para finalizar, ainda tem um comovente e surpreendente final.

NOTA: 8,5

Um comentário:

  1. DETONARAM DE TODAS AS FORMAS POSSÍVEIS SOUTHLAND TALES, O FILME ANTECESSOR DESTE E DE RICHARD KELLY. EU ASSISTI APENAS UMA VEZ E, APESAR DOS EXCESSOS NO VISUAL COLORIDO E NÚMEROS MUSICAIS, COMPREENDI MUITA COISA DAQUELE FILME E GOSTO MUITO, EM SUMA, SOU DA MINORIA QUE ADORA O FILME. A OBRA-PRIMA AINDA É – DONNIE DARKO – INSUPERÁVEL E MEU FILME PREFERIDO. A CAIXA É SIM O PROJETO MAIS ACESSÍVEL DE RICHARD KELLY, MAS, UMA OU DUAS FALHAS NO ROTEIRO NÃO DESMERECE E NEM DENIGRE O FILME. É PARA SER REVISTO E PENSANDO NOVAMENTE. SE ESTE FILME É PÉSSIMO, O QUE SOBRA PARA – MULHOLLAND DRIVE E INLAND EMPIRE – AMBOS DO DAVID LYNCH, EL TOPO E MONTAÑA SAGRADA DE ALEJANDRO JODOROWSKI, SOLARIS DO TARKOWSKI OU O SOBERANO DA BIZARRICE E DO NON-SENSE - POSSESSION DE ANDRZEJ ZULAWSKI - TODOS SÃO LOUCURA EM ESTADO BRUTO (E SÃO MEUS PREFERIDOS)- DANIEL BRASIL

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