sábado, 2 de outubro de 2010

Crítica: Amor à Distância (Going the Distance, 2010)

Pelo menos uma vez ao ano, surgem comédias românticas, que valem a pena serem assistidas e admiradas, ano passado com o cult "500 Dias com Ela" e uma das surpresas "Ele Não Está Tão Afim de Você", este ano, fica para "Amor à Distância" como aquela que merece destaque, num gênero onde ninguém espera muita coisa, logo, quando apresentam novidades, surpreendem fácil.

por Fernando Labanca

No filme, Garret (Justin Long), vive em Nova York e trabalha numa gravadora, o que não lhe trás muita satisfação, logo que percebeu que o que lucra nem sempre é de qualidade. Essa satisfação ele encontra nas mulheres, e por isso, vive se relacionando com várias, sem se entregar verdadeiramente, só por passatempo e diversão. Até que conhece Erin (Drew Barrymore) num bar, os dois logo fazem amizade e percebem muita afinidade e na mesma noite...transam. Os dois começam a se encontrar é quando ele descobre que ela é de São Francisco, faz pós em jornalismo e está passando apenas seis meses na cidade para um estágio e logo voltaria.

Só lhes restavam seis semanas, os dois aproveitam ao máximo, e o que era apenas um "caso de verão" sem futuro, sem compromissos, acaba virando paixão. Ela vai embora, e ambos decidem continuar a relação mesmo distantes, enfrentando esta dificuldade que é muito comum na vida das pessoas. A partir de então, Erin e Garret mergulham no mais improvável relacionamento, mensagens de texto, ligações, e-mails, onde até mesmo o sexo é via telefone, mas as coisas ficam mais tensas quando eles começam a refletir sobre o futuro e se os dilemas e incertezas que vivem terão mesmo validade.


Assim como "Ele Não Está Tão Afim de Você", o filme aborda temas bastante atuais e que se encaixam perfeitamente na vida de muitas pessoas, portante, facilmente ganha a identificação do público. E a história de amor à distância é muito bem desenvolvida pelo roteiro, onde consegue tirar o máximo proveito das situações, na maioria das vezes com bastante humor, mas mostrando as dificuldades e conflitos que este tipo de relacionamento pode gerar, claro, que muitas vezes é tudo muito exagerado, mas é comédia, o exagero das situações é essencial.

"Amor à Distância" tem tudo para agradar o público e ser, talvez, a comédia romântica do ano. Atores competentes e extremamente carismáticos, humor afiado, boas sacadas, referências ao anos 80 como "Top Gun" e "Dirty Dancing", ou como os mais contemporâneos como "Um Sonho de Liberdade" e uma imitação impagável de Morgan Freeman, ou uma piadinha a Michael Bay e seu filme-desastre total "Transformers", belas e variadas locações e uma trilha sonora arrebatadora, que conta com The Cure e seu clássico "Just Like Heaven" e The Pretenders com "Don't Get me Wrong", além da banda indie mais atual "The Boxer Rebellion".

Drew Barrymore, da menina de ET a uma das atrizes mais lucrativas de Hollywood, carisma é seu forte, talvez se fortaleceu na indústria devido a ele. Vê-la em cena é algo surreal, sua atuação é ótima, nada tão surpreendente, mas há um brilho em sua atuação que nem todas as atrizes possuem, sabe ser divertida e exagerada com muita naturalidade. Justin Long também diverte em cena e junto com ela, fazem um dos casais mais agradáveis do ano, que torcemos de verdade. Os coadjuvantes agradam, os amigos de Garret, interpretados pelos comediantes Charlie Day e Jason Sudeikis, praticamente improvisando em cena, e ainda a bela e divertidíssima Christina Applegate, da série "Samantha Who?", como irmã de Erin, excelente como coadjuvante.

O erro, acredito, que seja pelas longas cenas desnecessárias, como as conversas de Garret e seus amigos, que nada somam na história, só pelo humor mesmo, e que muitas vezes, nem o humor funciona. Tirando isso, o resto é incrível. "Amor à Distância" é incrível por inovar em alguns elementos, como apimentar mais as comédias românticas, quebrando um pouco as regras, palavrões, cenas de sexo, isso pode pegar alguns de surpresa, e ser mal visto por muitos, porém, querendo ou não, é uma fuga daquilo que sempre é muito correto, além de criar o que podemos chamar de "anti-heróis" das comédias românticas, Erin e Garret são duas pessoas fracassadas profissionalmente e que se entregam um ao outro de forma mais radical e isto na tela, acaba sendo mais original, longe do convencional, enfim só assistindo pra entender o que quero dizer. Resumindo, assista, mesmo aqueles que tem preconceito com este gênero, pode se surpreender com esta pérola.

NOTA: 9

Um comentário:

  1. Último dia de inscrição para o curso de pós-graduação em Gestão e Produção em Jornalismo da PUC-Campinas http://www.puc-campinas.edu.br/pos/lato/curso.aspx?id=46

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