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quarta-feira, 1 de junho de 2011

2 em 1: Comédia

Antes de fazer um post especial sobre o gênero comédia na última década, resolvi comentar aqui duas comédias que assisti recentemente, aquelas que faltavam na lista das que eu mais queria ver. "Napoleão Dinamite" e "O Âncora - A Lenda de Ron Burgundy", ambos de 2004.

por Fernando Labanca


Napoleão Dinamite (Napoleon Dynamite, 2004)

Vencedor do MTV Movie Awards de Melhor Filme em 2005, o filme só chegou aqui no Brasil em 2006 e diretamente nas locadoras, e devido a isso, pouco se ouviu falar nesta obra. Dirigido por Jared Hess e tem Jon Heder como protagonista, no papel que marcou sua carreira. O longa foi baseado num curta-metragem do mesmo diretor "Peluca".

o filme acompanha o triste (e cômico) cotidiano de Napoleon Dynamite (Heder), um jovem que provavelmente sofre de 'asperger', que não consegue interagir com outras pessoas, tem dificuldade na fala, começa a falar com estranhos com xingamentos (you guys are idiot!). Vive com a avó e seu irmão mais velho, que não perde a chance de irritá-lo e humilhá-lo, mesmo sendo tão idiota quanto ele. Até que sua avó sofre um acidente e para ter um responsável na casa dos irmãos, chega o tio Rico, um metido a machão desempregado.

A vida começa a ter outro sentido pra Napoleon com a chegada de Pedro, um mexicano novo na escola que passa a ser seu único amigo no local. Até que Pedro se candidata à Presidente na Associação de Estudantes, e Napoleon passa a auxiliá-lo com divulgações mesmo não tendo nenhuma moral. Enquanto isso, tem que se preocupar em quem levar para o baile, logo que nunca percebe que Deb (Tina Majorino) sempre teve um certo interesse nele, mas que também nunca conseguiu tomar uma atitude.


Houve muita badalação quando estreiou nos EUA que logo pegou fama de 'cult' entre as comédias, venceu alguns prêmios, participou de importantes festivais, como o de 'Sundance', aquele para filmes independentes. Mas aqui no Brasil simplesmente fora ignorado. Depois de vê-lo entendi o porquê de ter sido deixado de lado, não é uma comédia convencional, segue uma linha muito diferente do que estamos acostumados a ver, não tem ritmo, nem uma trilha sonora muito interessante, tem um tom melancólico e devido a isso poucas vezes damos risadas, mas também esteve muito longe de conseguir emocionar, além das personagens e histórias estranhas, que aliás, tentam a todo tempo ser excêntricas, tendo assim como referência nítida as obras de Wes Anderson, o gênio por trás de "O Fantástico Sr. Raposo" de 2009 e o cult "Os Excêntricos Tenembaums" de 2001. Porque ser excêntrico é quase sinônimo de originalidade no cinema, mas poucos diretores conseguem ser assim como Anderson, e Jared Hess tenta, mas falha, e no resultado final, o que vimos é uma tentativa frustrada de querer ser algo novo se baseando na excentricidade, mas que só consegue ser algo estranho, sem criatividade e sem emoção.

As personagens aparecem na tela e pronunciam suas falas sem expressar algum tipo de sentimento, personagens que agem estranhamente e se vestem de maneira diferente, mais uma vez, querendo ser algo novo e despojado e até conseguiu ser visto por muitos dessa maneira, mas sinceramente, não me convenceu. Jon Heder está ótimo, ele é hilário e cria um personagem quase histórico, e somente por ele vale a pena ver o filme, é brilhante sua transformação em Napoleon Dynamite, encarna com convicção, não tenta ser idiota, age naturalmente com sua idiotice e por isso, merece e muito destaque. O restante do elenco é dispensável. O restanto de todo filme é. Pretencioso demais, querendo ser cult, mas não é, querendo ser excêntrico e original, mas só repete a fórmula de outras obras e constrói uma história vazia, sem graça, que vale somente pelo personagem título. O filme chega ao fim e percebemos que ele não foi a lugar algum, termina da mesma maneira que começou. Ah! E vale pelos créditos iniciais feito com comida e música de White Stripes.

NOTA: 3

OBS: O filme possui cenas depois dos créditos finais, mas foi só por curiosidade mesmo, não perca tempo assistindo, uma das cenas finais mais inúteis que vi na vida!

OBS 2: Em 2010, a Fox deu carta branca para o início de uma série animada, nos mesmos moldes de "Os Simpsons" e "Family Guy", se baseando neste mesmo filme. A série tem estréia marcada para início de 2012.




O Âncora - A Lenda de Ron Burgundy (Anchorman: The Legend of Ron Burgundy, 2004)

Dirigido por Adam McKey, o longa de comédia pastelão tem em seu elenco grandes astros do cinema que se manteram na tela e até hoje fazem sucesso, Will Ferrell, Christina Applegate, Paul Rudd e Steve Carell em começo de carreira. Ainda participações de Vince Vaughn, Ben Stiller, Jack Black, Tim Robbins, Luke Wilson e Seth Rogen.

O filme nos mostra a cidade de San Diego na década de 70, invadida por um telejornal, que os acorda todas as manhãs. Como âncora, está ele, o melhor de todos, o mais simpático e com o melhor corte de cabelo, Ron Burgundy (Ferrell). Com ele, está seus seguidores que também trabalham em outras matérias dentro do jornal, Brian Santana (Rudd), Champ Kind (David Koechner) e o homem do tempo Brick Tamland (Carell), juntos, levam as melhores notícias para a cidade e a noite festejam como amigos inseparáveis, e em uma dessas festas, Ron conhece Veronica (Applegate) e fica encantado, mas age como um idiota.

No dia seguinte, Veronica aparece na emissora como uma nova jornalista, fazendo matérias sobre cozinha e outras coisas nada importantes. Decidida a ser vista como uma profissional que pode ir muito mais além, que tem potencial para ocupar um lugar de destaque na TV. E devido a uma falta de Ron, ela comanda como âncora o programa, dando início a uma guerra entre sexos, onde ele irá provar para todos que só ele pode ocupar este lugar, enquanto ela tenta provar que San Diego precisa de uma nova cara para representá-los.


"O Âncora" tem passagens hilárias, de dar risada mesmo, é realmente divertido a guerra dos sexos apresentada, com boas sacadas, além de cenas que beiram o ridículo, mas que divertem pelo nonsense, como a cena em que os âncoras dos telejornais entram numa batalha à la "Gangues de Nova York". Enfim, humor escrachado, pastelão, mas que não é apelativo como muitas comédias de hoje, que apostam em coisas nojentas ou nudez para provocar risos, humor a base de constrangimento. Aqui, o humor surge fácil e com boas intenções.

Will Ferrell em um dos seus melhores momentos no cinema, fato. Ron Burgundy é hilário e um personagem muito interessante. Christina Applegate, a queridinha do começo da década de 90, onde o tempo ainda não apagou sua beleza, e como atriz de comédia, ela se sai muito bem, muito carismática, é ela quem vai guiando os acontecimentos do filme. Os coadjuvantes feitos por um elenco grandioso, alguns até fazendo ponta, mas se destacam, confesso que ria a cada fala de Steve Carell, já provando ali sua incrível veia cômica. O filme só não é tão incível assim, por ser uma história muito limitada, não tira o melhor proveito das situações ali apresentadas, poderia ser um filme que abordasse temas interessantes, mas chega ao fim e percebemos que seu propósito era só fazer comédia, e infelizmente, devido a isso, o filme não cresce como deveria, tinha atores competentes para fazer algo maior e uma base no roteiro para explorar situações mais interessantes. Mas não ocorreu. Entretanto, pelo elenco, pelo delicioso humor e por algumas cenas memoráveis, vale muito a pena. Se procura conteúdo, passe longe, se o que deseja é simplesmente rir de uma obra despretenciosa, o lugar é esse.

NOTA: 7,5

sábado, 2 de outubro de 2010

Crítica: Amor à Distância (Going the Distance, 2010)

Pelo menos uma vez ao ano, surgem comédias românticas, que valem a pena serem assistidas e admiradas, ano passado com o cult "500 Dias com Ela" e uma das surpresas "Ele Não Está Tão Afim de Você", este ano, fica para "Amor à Distância" como aquela que merece destaque, num gênero onde ninguém espera muita coisa, logo, quando apresentam novidades, surpreendem fácil.

por Fernando Labanca

No filme, Garret (Justin Long), vive em Nova York e trabalha numa gravadora, o que não lhe trás muita satisfação, logo que percebeu que o que lucra nem sempre é de qualidade. Essa satisfação ele encontra nas mulheres, e por isso, vive se relacionando com várias, sem se entregar verdadeiramente, só por passatempo e diversão. Até que conhece Erin (Drew Barrymore) num bar, os dois logo fazem amizade e percebem muita afinidade e na mesma noite...transam. Os dois começam a se encontrar é quando ele descobre que ela é de São Francisco, faz pós em jornalismo e está passando apenas seis meses na cidade para um estágio e logo voltaria.

Só lhes restavam seis semanas, os dois aproveitam ao máximo, e o que era apenas um "caso de verão" sem futuro, sem compromissos, acaba virando paixão. Ela vai embora, e ambos decidem continuar a relação mesmo distantes, enfrentando esta dificuldade que é muito comum na vida das pessoas. A partir de então, Erin e Garret mergulham no mais improvável relacionamento, mensagens de texto, ligações, e-mails, onde até mesmo o sexo é via telefone, mas as coisas ficam mais tensas quando eles começam a refletir sobre o futuro e se os dilemas e incertezas que vivem terão mesmo validade.


Assim como "Ele Não Está Tão Afim de Você", o filme aborda temas bastante atuais e que se encaixam perfeitamente na vida de muitas pessoas, portante, facilmente ganha a identificação do público. E a história de amor à distância é muito bem desenvolvida pelo roteiro, onde consegue tirar o máximo proveito das situações, na maioria das vezes com bastante humor, mas mostrando as dificuldades e conflitos que este tipo de relacionamento pode gerar, claro, que muitas vezes é tudo muito exagerado, mas é comédia, o exagero das situações é essencial.

"Amor à Distância" tem tudo para agradar o público e ser, talvez, a comédia romântica do ano. Atores competentes e extremamente carismáticos, humor afiado, boas sacadas, referências ao anos 80 como "Top Gun" e "Dirty Dancing", ou como os mais contemporâneos como "Um Sonho de Liberdade" e uma imitação impagável de Morgan Freeman, ou uma piadinha a Michael Bay e seu filme-desastre total "Transformers", belas e variadas locações e uma trilha sonora arrebatadora, que conta com The Cure e seu clássico "Just Like Heaven" e The Pretenders com "Don't Get me Wrong", além da banda indie mais atual "The Boxer Rebellion".

Drew Barrymore, da menina de ET a uma das atrizes mais lucrativas de Hollywood, carisma é seu forte, talvez se fortaleceu na indústria devido a ele. Vê-la em cena é algo surreal, sua atuação é ótima, nada tão surpreendente, mas há um brilho em sua atuação que nem todas as atrizes possuem, sabe ser divertida e exagerada com muita naturalidade. Justin Long também diverte em cena e junto com ela, fazem um dos casais mais agradáveis do ano, que torcemos de verdade. Os coadjuvantes agradam, os amigos de Garret, interpretados pelos comediantes Charlie Day e Jason Sudeikis, praticamente improvisando em cena, e ainda a bela e divertidíssima Christina Applegate, da série "Samantha Who?", como irmã de Erin, excelente como coadjuvante.

O erro, acredito, que seja pelas longas cenas desnecessárias, como as conversas de Garret e seus amigos, que nada somam na história, só pelo humor mesmo, e que muitas vezes, nem o humor funciona. Tirando isso, o resto é incrível. "Amor à Distância" é incrível por inovar em alguns elementos, como apimentar mais as comédias românticas, quebrando um pouco as regras, palavrões, cenas de sexo, isso pode pegar alguns de surpresa, e ser mal visto por muitos, porém, querendo ou não, é uma fuga daquilo que sempre é muito correto, além de criar o que podemos chamar de "anti-heróis" das comédias românticas, Erin e Garret são duas pessoas fracassadas profissionalmente e que se entregam um ao outro de forma mais radical e isto na tela, acaba sendo mais original, longe do convencional, enfim só assistindo pra entender o que quero dizer. Resumindo, assista, mesmo aqueles que tem preconceito com este gênero, pode se surpreender com esta pérola.

NOTA: 9

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