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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Crítica: Eu Estava Justamente Pensando em Você (Comet, 2014)


"Me sinto como se eu estivesse no mundo errado. 
Porque não pertenço a um mundo onde não terminamos juntos. 
Existem universos paralelos onde isso não aconteceu. 
Onde eu estou com você e você está comigo. 
E seja qual for esse universo, é nele que meu coração vai estar."


Vendido como uma mistura de "500 Dias Com Ela" e "Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças", o longa é lançado com um atraso de um ano, aqui no Brasil, e marca a estreia do diretor Sam Esmail, atualmente conhecido por ser o criador da série-sensação "Mr.Robot". Simples e nitidamente produzido com baixo orçamento, "Comet" é apaixonante, aquele tipo de obra tão adorável que dá vontade de entrar na tela e desfrutar, por alguns minutos, um pouco de seu louco e delicioso universo.

por Fernando Labanca

Este atraso de lançamento pode ter causado alguma confusão no público, logo que muitos já o haviam assistido por meios ilegais e seu lançamento aqui no Brasil sempre foi incerto (como milhões de outros filmes, infelizmente). Por alguma razão, a distribuidora nacional Imovision o trouxe para os cinemas recentemente e sou eternamente grato por isso, é uma obra que merecia a tela grande. Realmente, acho desnecessário esta comparação com os trabalhos de Marc Webb e Michel Gondry, pois acaba criando uma expectativa que pode não ser alcançada. Fui ver ciente de que se tratava de algo diferente e não me decepcionai, pelo contrário, saí apaixonado, com um sorriso no rosto e com o coração batendo forte, uma sensação que há muito tempo um romance não me proporcionava.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Crítica: A Vida é Dura - A História de Dewey Cox (Walk Hard - The Dewey Cox Story, 2007)

Existem muitos filmes biográficos, aqueles que focam na vida e na obra de algum artista, já é quase um gênero a parte. Pensando nisso, Judd Apatow, o nome da comédia nos últimos anos, ao lado de Jake Kasdan, resolveram satirizar este tipo de filme, contando desde a infância, passando por todos os clichês possíveis de um indivíduo até se tornar famoso, passando por seu fracasso até sua redenção. Foi assim que surgiu Dewey Cox e é sobre este homem, um célebre cantor de blues, que eles resolveram contar.

por Fernando Labanca

Antes de realizar um esperado show, o retorno de sua carreira, Dewey Cox (John C.Reilly) reserva um precioso tempo, tempo suficiente para ele pensar em toda sua vida e como ele chegou até ali. Se lembrou de sua infância, quando matou sem querer seu talentoso e amado irmão, foi quando conheceu o blues e descobriu como é colocar para fora as perdas da vida, foi neste momento também que prometeu a si mesmo, ser duas vezes melhor que ele. Foi embora de casa, casou com Edith (Kristen Wiig) com quem teve diversos filhos e mesmo ninguém acreditando em seu talento para a música, resolveu arriscar tudo gravando uma canção, que foi um sucesso e logo ganhou notoriedade. Conheceu a fama, conheceu também as drogas, época que acabou se envolvendo com Darlene (Jenna Fischer), uma das cantoras de seu backing vocal. E aos poucos, Dewey Cox vai perdendo o controle de toda a sua conquista, sempre se abalando por seu coração frágil, por medo de não ser tão bom quanto seu irmão.


"A Vida é Dura" conseguiu reunir os clichês mais clássicos de qualquer filme biográfico, e mesmo que não tínhamos reparado que eles existiam, passamos a perceber aqui e como algumas situações estão sempre presentes. Uma grande perda na infância, relacionamento difícil com os pais, o primeiro sucesso e aquela edição padrão com recortes de jornais indicando o crescimento da fama, os flashs de fotógrafos e fãs que fazem de tudo para estar perto, as primeiras apresentações, o primeiro contato com as drogas, o vício, o abandono de pessoas que ama para se dedicar a carreira, a traição, o sexo, o fracasso, a redenção. É estranho, mas parece haver uma sequência de atos para todas as pessoas que tem suas vidas levadas para o cinema, o que este filme faz, é justamente denunciar todos eles, fazer ridículo de tudo isso, exagerar, tornar o clichê em algo extremamente exagerado, bizarro. A graça desta obra vem justamente disso, em conseguir satirizar de forma tão completa, dar vida a um ser "imaginário" e lhe entregar uma jornada tão extraordinária, com começo, meio e fim, impossível de se acreditar, impossível ser levado a sério, mas facilmente envolvente. Dewey Cox, tão falso ou tão real quanto qualquer outro indivíduo que tenha sua vida retratada num filme biográfico.

Poderia ter sido só uma sátira, porém, os realizadores resolveram fazer mais. "A Vida é Dura" pode até não ser um filme tão fantástico, mas com certeza, pouquíssimas obras conseguiram ir tão longe mesmo se tratando de uma paródia, mesmo se tratando do gênero comédia, muitas vezes, tão limitado em seu formato. Aqui, tudo é muito grandioso, o que o torna um filme único, impossível de compará-lo a qualquer outro já feito. A maneira como guiam a vida de Dewey Cox, seja pela maravilhosa atuação de John C.Reilly, mas também pelo nítido esforço de toda a equipe, com um cuidado em representar cada época, através dos figurinos, maquiagem, as locações, e principalmente o cuidado com a criação das canções, que vão muito além de apenas uma satirizarão, elas representam cada momento da indústria fonográfica norte-americana, cada influência, cada referência, passando pelo blues, rock, folk, country, ele é quase como Bob Dylan e suas inúmeras fases, por mais que o roteiro se baseie, nitidamente, nos passos de Johnny Cash, revivido na obra "Johnny e June" em 2004. Ou seja, o que vemos é mais do que uma comédia, é um musical de grande qualidade, que nunca perde o humor, mas também nunca perde a intenção de se fazer o melhor. Uma raridade.

O elenco também surpreende, onde a cada nova cena, um rosto conhecido. Além de John C.Reilly que dá um belo show de interpretação, além de cantar muito bem. Vemos a adorável Jenna Fischer, da série "The Office" mandando bem na pele da sensual Darlene, além de outros nomes retirados do seriado como Ed Helms e Craig Robinson. Vemos ainda outros comediantes de peso, como Kristen Wiig, Paul Rudd, Jonah Hill, Jack Black, Justin Long, Jane Lynch, Jason Schwartzman, entre outros.Todos estão ótimos, mesmo que muitos tenham aparecido em pequenas participações, valendo ainda citar Jack White interpretando Elvis Presley, além de outras aparições surpresas, como Eddie Vedder. Só faltou Will Ferrell e Steve Carell pra completar. Percebe-se que "Walk Hard" foi a reunião de grandes nomes do humor, do cinema, da música, um grupo de amigos que se reuniu em prol de uma obra de qualidade, sem deixar, é claro, de ser um momento de grande descontração entre eles, uma longa e divertida piada no qual todos se envolveram e deram o seu melhor.

E mesmo sendo tão grandioso, "A Vida é Dura" é também uma obra despretensiosa, feita com um único intuito, divertir, mas sem ferir a inteligência de seu público, sem perder o bom senso, construindo um filme leve, que não fará ninguém dar longas gargalhadas, mas dificilmente receberá a indiferença, logo que provavelmente terão aqueles que o odiarão, é um humor diferente, bem ao estilo Judd Apatow. Não sairei recomendando para todos, é preciso apreciar este tipo de comédia para entrar nesta brincadeira. Tem lá sua falhas, acredito que por ser tão forçado e exagerado em determinadas situações acaba que afastando grande parte do público, ás vezes é difícil se envolver, justamente por ser tão distante da realidade, mas é complicado colocar isso como um erro, logo que era sua proposta desde o início. Vale e muito pelos atores e pelas ótimas canções, uma comédia rara e extremamente estilosa. 

NOTA: 8




sábado, 2 de outubro de 2010

Crítica: Amor à Distância (Going the Distance, 2010)

Pelo menos uma vez ao ano, surgem comédias românticas, que valem a pena serem assistidas e admiradas, ano passado com o cult "500 Dias com Ela" e uma das surpresas "Ele Não Está Tão Afim de Você", este ano, fica para "Amor à Distância" como aquela que merece destaque, num gênero onde ninguém espera muita coisa, logo, quando apresentam novidades, surpreendem fácil.

por Fernando Labanca

No filme, Garret (Justin Long), vive em Nova York e trabalha numa gravadora, o que não lhe trás muita satisfação, logo que percebeu que o que lucra nem sempre é de qualidade. Essa satisfação ele encontra nas mulheres, e por isso, vive se relacionando com várias, sem se entregar verdadeiramente, só por passatempo e diversão. Até que conhece Erin (Drew Barrymore) num bar, os dois logo fazem amizade e percebem muita afinidade e na mesma noite...transam. Os dois começam a se encontrar é quando ele descobre que ela é de São Francisco, faz pós em jornalismo e está passando apenas seis meses na cidade para um estágio e logo voltaria.

Só lhes restavam seis semanas, os dois aproveitam ao máximo, e o que era apenas um "caso de verão" sem futuro, sem compromissos, acaba virando paixão. Ela vai embora, e ambos decidem continuar a relação mesmo distantes, enfrentando esta dificuldade que é muito comum na vida das pessoas. A partir de então, Erin e Garret mergulham no mais improvável relacionamento, mensagens de texto, ligações, e-mails, onde até mesmo o sexo é via telefone, mas as coisas ficam mais tensas quando eles começam a refletir sobre o futuro e se os dilemas e incertezas que vivem terão mesmo validade.


Assim como "Ele Não Está Tão Afim de Você", o filme aborda temas bastante atuais e que se encaixam perfeitamente na vida de muitas pessoas, portante, facilmente ganha a identificação do público. E a história de amor à distância é muito bem desenvolvida pelo roteiro, onde consegue tirar o máximo proveito das situações, na maioria das vezes com bastante humor, mas mostrando as dificuldades e conflitos que este tipo de relacionamento pode gerar, claro, que muitas vezes é tudo muito exagerado, mas é comédia, o exagero das situações é essencial.

"Amor à Distância" tem tudo para agradar o público e ser, talvez, a comédia romântica do ano. Atores competentes e extremamente carismáticos, humor afiado, boas sacadas, referências ao anos 80 como "Top Gun" e "Dirty Dancing", ou como os mais contemporâneos como "Um Sonho de Liberdade" e uma imitação impagável de Morgan Freeman, ou uma piadinha a Michael Bay e seu filme-desastre total "Transformers", belas e variadas locações e uma trilha sonora arrebatadora, que conta com The Cure e seu clássico "Just Like Heaven" e The Pretenders com "Don't Get me Wrong", além da banda indie mais atual "The Boxer Rebellion".

Drew Barrymore, da menina de ET a uma das atrizes mais lucrativas de Hollywood, carisma é seu forte, talvez se fortaleceu na indústria devido a ele. Vê-la em cena é algo surreal, sua atuação é ótima, nada tão surpreendente, mas há um brilho em sua atuação que nem todas as atrizes possuem, sabe ser divertida e exagerada com muita naturalidade. Justin Long também diverte em cena e junto com ela, fazem um dos casais mais agradáveis do ano, que torcemos de verdade. Os coadjuvantes agradam, os amigos de Garret, interpretados pelos comediantes Charlie Day e Jason Sudeikis, praticamente improvisando em cena, e ainda a bela e divertidíssima Christina Applegate, da série "Samantha Who?", como irmã de Erin, excelente como coadjuvante.

O erro, acredito, que seja pelas longas cenas desnecessárias, como as conversas de Garret e seus amigos, que nada somam na história, só pelo humor mesmo, e que muitas vezes, nem o humor funciona. Tirando isso, o resto é incrível. "Amor à Distância" é incrível por inovar em alguns elementos, como apimentar mais as comédias românticas, quebrando um pouco as regras, palavrões, cenas de sexo, isso pode pegar alguns de surpresa, e ser mal visto por muitos, porém, querendo ou não, é uma fuga daquilo que sempre é muito correto, além de criar o que podemos chamar de "anti-heróis" das comédias românticas, Erin e Garret são duas pessoas fracassadas profissionalmente e que se entregam um ao outro de forma mais radical e isto na tela, acaba sendo mais original, longe do convencional, enfim só assistindo pra entender o que quero dizer. Resumindo, assista, mesmo aqueles que tem preconceito com este gênero, pode se surpreender com esta pérola.

NOTA: 9

sábado, 26 de setembro de 2009

Crítica: Arraste-me para o Inferno ( Drag Me to Hell )


Voltando às origens, Sam Raimi faz de Arraste-me para o Inferno, um bom filme. Porém,a falta de firmeza e de sustos convincentes faz dele também um exemplar fraco do gênero.

Por Bárbara

Sam Raimi, depois de fazer um estrondoso sucesso no comando da trilogia Homem-Aranha, voltou às suas raízes com Arraste-me para o Inferno. Um belo retorno, diga - se de passagem , do talentoso cineasta que deu as caras pela primeira vez no cinema com A Morte do Demônio (Evil Dead ,1981).

No entanto, o que poderia ser novamente uma pérola do gênero em tempos tão difíceis infelizmente não passa de uma mistura desequilibrada de comédia e horror, oscilando entre momentos de suspense e tensão com outros simplesmente risíveis. Quem sou eu para criticar Sam Raimi, mas ao meu ver,se "Arraste-me.." tivesse mantido a seriedade necessária para ser um bom e assustador filme de horror,seria uma experiência totalmente satisfatória para o espectador.

Mas também não sejamos tão exigentes. É claro que se tivesse seguido essa vertente,poderia ser uma boa pedida para os fãs mais ardorosos. Mas Sam é tão bom no que faz que "Arraste-me.." acaba por conquistar por ser um filme simples, entretanto muito bem feito, recheado de efeitos especiais, com boas atuações e um final digno de aplausos.

No longa, Alison Lohman é Christine Brown, uma esforçada analista de crédito de olho em uma promoção, pois percebe que seu chefe ainda não escolheu quem vai ocupar o cargo de vice-diretora da empresa.Além de ter um bom emprego e uma boa oportunidade de crescimento profissional, ela namora o apaixonado e dedicado Clay Dalton ( Justin Long ), que faz de tudo para ficar ao lado dela, mesmo não tendo a aprovação de sua mãe, Trudy Dalton ( Molly Cheek ), que prefere ver seu filho namorando uma advogada recém - formada com honras em Yale do que uma fazendeira que deu sorte na cidade grande.

Essa vida praticamente perfeita muda drasticamente com a chegada de uma anciã chamada Sylvia Ganush ( Lorna Raver ) , que estava prestes a perder sua casa pela falta de pagamento da hipoteca.Ela foi ao banco onde Christine trabalha para tentar uma renegociação de prazo da hipoteca, e assim, não perder sua casa.Sentindo dó da pobre idosa, Christine até pensa em renegociar o pagamento da dívida, mas para impressionar o seu chefe e conseguir a promoção, nega o pedido da Sra Ganush. Ela, que viu que estaria na rua da amargura, fica de joelhos e implora à Christine que a ajude e faz um verdadeiro carnaval no recinto.Assustada, Christine acaba por chamar os seguranças para retirar a velha do local. Quando estava indo para casa, Christine acaba sendo atacada pela insandecida senhora e luta com ela no seu carro.Dizendo que Christine a humilhou quando ela lhe implorou ajuda, Ganush lhe rouba um botão de seu suéter e lhe lança uma maldição terrível.Naquela mesma semana, Christine seria arrastada até o inferno pelo demônio Lâmia.

Christine, a princípio, não leva tudo aquilo muito a sério. Depois de sofrer com alucinações envolvendo a aterrorizante figura da velha,recorre a um médium, Rham Jas ( Dileep Rao ), para que se livre da terrível maldição. Até mata o seu amado gatinho de estimação para sobreviver deste inferno que se tornou a sua vida.

Depois de sofrer muito com as alucinações, que se tornam muito frequentes e assustadoras,ela descobre que há uma médium muito poderosa que pode salvá-la,expulsando Lâmia deste plano antes que ele consiga arrastar Christine para as profundezas do inferno.Mas como há um grande risco de vida, a tal médium cobrou 10.000 dólares para fazer o servicinho.O problema é que, mesmo vendendo todos os seus objetos de valor,Christine não consegue arrecadar nem a metade do dinheiro que precisa.Então, entra na jogada o seu querido namorado Clay, que a princípio é bastante cético, achando que a namorada estava sofrendo de estresse pós traumático ( é claro que ele não acerditaria nesta parafernalha de demônios, o cara é psicólogo ! ) por conta do ataque da idosa contra Christine, acaba por acreditar ( em parte ) nos lamúrios de sua amada, que ficava mais perturbada a cada dia,e lhe dá o dinheiro para fazer o ritual.

Como disse, o longa é uma mistura de gore, humor negro e elementos de horror. É uma pena que isso atrapalhe um pouco o andamento do filme, pois algumas sequencias são um tédio só!Outras são de rolar de rir, como exemplo, cito a cena em que um homem está possuido pelo Lâmia,ri e dança histericamente.Hilário!No entanto, há outras que são de gelar a espinha e proporcionam bons sustos, ainda que nem todos assustem de fato.Ainda há os efeitos especiais, que em alguns momentos incrementam a película e outros que, sinceramente, acabam por estragar e tirar o impacto das cenas.

Referente ás atuações, Alison Lohman está razoável como a protagonista. Como o filme, sua interpretação oscila, entre o ápice do desespero e os momentos totalmente inexpressivos. Justin Long está " no ponto" como Clay.Ele, apesar de ser cético, em nenhum momento é arrogante ou abandona Christine quando a situação fica insustentável. Muito pelo contrário, mesmo não acreditando em espíritos, demônios e afins,dá total apoio à namorada e Justin se encaixou perfeitamente neste papel,se mostrando como um perfeito cavalheiro. Lorna Raver, como a diabólica Sra Ganush está assustadora e repugnante ao extremo. Sinceramente, não sabia se sentia medo ou nojo dessa senhora.

Mesmo não sendo deveras assustador, Arraste-me para o Inferno é uma boa pedida para os fãs de cinema, não necessariamente de horror.É uma boa oportunidade de conferir que o talento de Sam Raimi não está restrito a franquia Homem - Aranha. É ver e tirar suas próprias conclusões, principalmente por causa do final ousado e bastante pessimista.

NOTA: 8

sábado, 4 de abril de 2009

Crítica: Ele Não Está Tão Afim de Você


Baseado no livro de Greg Behrendt e Liz Tuccilo (Ele Simplesmente Não Está Afim de Você), que por sua vez, foi inspirado em um episódio do seriado Sex and the City. O que esperar de um filme baseado na história de mulheres fúteis e consumistas?? Nada disso do que você pensou, o filme surpreende e se supera dentre tantas comédia românticas.

por Fernando

Ele Não Está Tão Afim de Você conta histórias de várias pessoas baseadas em situações amorosas que faz, que fez ou que um dia fará parte da vida de qualquer ser apaixonado.

E quem dá a partida inicial dessas histórias é Gigi, interpretada por Ginnifer Goodwin. Gigi vive na intensa procura de sua alma gêmea, sai com vários caras com o intuito de encontrar o homem certo para ela. O filme inicia quando ela conhece Conor (Kevin Connolly), ela dá seu telefone mas ele não liga no dia seguinte, o que faz com que ela crie em sua mente vários motivos para isso ter acontecido. Estaria ele doente, perdeu o telefone, está muito ocupado, não está preparado para iniciar uma vida amorosa ou acabou de sair de um relacionamento difícil e não está preparado para reiniciar um novo namoro?? Entre tantas questões, Gigi decide perder o orgulho e vai atrás dele, mas ele não estava no momento, e quem estava era o colega de quarto dele, Alex (Justin Long), que trabalha num sofisticado bar e atrai todos os tipos de mulheres e age como se conhecesse todas elas, todos os estilos, todas as neuroses do mundo feminino. Os dois se tornam amigos confidentes, logo que Gigi, desesperada para encontrar alguém, descobre em Alex uma enciclopédia das perguntas que ele sempre fez a si mesma mas nunca encontrava a resposta, mas a resposta para todas elas, é uma resposta simples, curta e grossa: ele não ligou porque simplesmente...ELE NÃO ESTÁ TÃO AFIM DE VOCÊ!!

Enquanto Gigi descobre o confuso mundo dos homens, surgem outras histórias. Anna (Scarlett Johansson) conhece por acaso Ben (Bradley Cooper) num mercado, ela é uma cantora iniciante e ele ajuda profissionais no ínico de carreira, uma espécie de caça telentos. Era para ser só uma ajuda profissional, mas acaba virando amizade, e da amizade surge algo a mais, não um romance, mas algo mais "carnal", entretanto, Ben é casado e Anna seria então sua amante, ela topa, aliás ela não queria nada mais sério, inclusive se espanta quando ele revela que está decidido a largar a esposa para ficar com ela. Anna é uma mulher as avessas, é a amante, não quer nada mais que isso, aliás, já estava com um caso com nada mais nada menos com Conor (aquele que conheceu Gigi mas não ligou no dia seguinte, por causa de Anna). Por sua vez, Ben é casado com Janine (Jennifer Connelly), uma neurótica esposa que só pensa na atual construção da casa deles, não liga para o sexo, algo que Ben encontra em Anna.

Em outros momentos, conhecemos a simpática Beth (Jennifer Aniston) que sonha em se casar com Neil (Ben Affleck) com quem namora há 7 anos. Ela vê suas amigas e irmãs se casando e se pergunta por que isso não acontece com ela e chega a triste conclusão de que talvez ele não a amasse tanto a ponto de querer se casar. Também conhecemos, Mary (Drew Barrymore) uma outra mulher a procura do cara perfeito, porém, seus relacionamentos se resumem a internet, e-mails, caixa postal, mensagem de voz, recado no my space, uma mulher ligada na modernidade que interage a todo momento com a globalização, mas nunca tem a chance de conhecer alguém cara a cara.

O filme conta um certo período na vida dessas pessoas e as atitudes que elas decidem tomar em relação a seus relacionamentos, sejam eles frustrantes, ou aqueles que nem chegaram a acontecer. Gigi se torna mais confiante em relação aos homens e decide agir como eles, usando a cabeça e não coração. Beth se separa de Ben e decide viver sua vida sózinha e aos poucos percebe o quanto isso é difícil depois de 7 anos ao lado dele e que talvez não se casar teria que ser seu sacrifício. Anna não quer nada mais profundo de um relacionamento, mesmo tendo dois amantes, entre o sexo e a diversão de Ben e responsabilidade, fidelidade e conforto de Conor. Mary se sente presa na modernidade (e na verdade, não sai disso) e Janine descobre a traição de Ben e decide salvar o casamento, uma atitude desesperada, com medo de ficar sózinha e perder o homem que tanto ama, mesmo quando a verdade estava estampada na cara dela, ele não estava mais afim dela.

Ele Não Está Tão Afim de Você poderia ter se perdido no meio do caminho, mas as situações que ele expõe são tão rotineiras e tão possíveis de acontecer, cada diálogo, cada momento é como se tivessemos visto em algum lugar, em histórias de algum amigo, ou familiar, ou até mesmo na nossa própria vivência. As desculpas dos homens, as neuroses e frustrações das mulheres, as complicações de um casamento ou de um simples relacionamento a dois nunca foram expostos de uma maneira tão direta e coesa, mas acima de tudo, de uma maneira sincera e fiel a realidade.

Provavelmente, alguma pergunta que você já fez sobre homens ou mulhres vai ser respondida em algum momento do filme, ele poderia até ser utilizado como um filme de auto-ajuda. Pode até parecer exagero, mas o longa responde e explica questões muitas vezes profundas demais para algumas pessoas que não compreendem as atitudes do parceiro. Questões que nunca são questionadas em comédias românticas que perdem o tempo mostrando vidas superficiais e situações inusitadas, sejam elas interessantes, engraçadas ou românticas, mas nunca compativeis com a verdade. Ele não está tão afim de você é uma frase difícil e arriscada, mas a verdade é que ela existe e não deve ser omitida e finalmente um filme decidiu expô-la, com bom humor, entre situações engraçadas e momentos marcantes.

O bom elenco não apaga o brilho do roteiro, mas é impossível não deixar de prestar a atenção num cast dificilmente reunido. Scarlett Johansson tem bastante destaque no longa e ela por si só já se destaca, sua persogem é doce e carismática mas ao mesmo tempo possui caráter duvidoso, mas no final, suas atitudes são compreensíveis. Drew Barrymore fez o que já havia feito antes em vários filmes, mas sua presença é sempre indispensável, seu sorriso enche a tela, mas infelizmente o longa não exige muito dela que aparece pouco. Jennifer Aniston anda surpreendendo bastante em seus novos filmes, depois de sua mais que excelente atuação em Marley e Eu, ela volta a se destacar, sua Beth é uma daquelas personagens que torcemos bastante para que seu final seje feliz. O Elenco masculino é normal, nada de surpresas, temos a volta de Ben Affleck na frente das camêras, Kevin Connolly e Bradley Cooper, são simpáticos e bons atores, mas não chamam tanto a atanção. O destaque dentre os homens, fica para Justin Long, com a personagem masculina de maior destaque, ele segura as pontas, tem presença e carisma suficiente para um quase protagonista.

Todos estão ótimos, mas palmas para Jennifer Connelly, que depois de sua personagem no fiaco O Dia em Que a Terra Parou, voltou com grande estilo em uma boa projeção Hollywoodiana. Janine sem dúvidas é a personagem mais interessante, com um lado psicológico mais profundo que as demais. É uma esposa, e tem dificuldades em ser a mulher, não faz sexo com o marido e não sabe o satisfazer como homem. Torcemos tanto para ela, principalmente quando descobrimos que ela está sendo traída, é triste ver ela se matando para ser um boa esposa e se quebrando com as responsabilidades do lar, enquanto seu marido está se divertindo. Mas suas atitudes são surpreendentes, a sua reação diante das situações que a envolvem nesse pequeno período, marca algum dos melhores momentos do longa. Outro destaque fica com Ginnifer Goodwin, uma excelente atriz que já fez parte de alguns filmes como Johnny e June e O Sorriso de Monalisa, mas nunca teve sua atuação valorizada, espero que dessa vez, Hollywood veja a pérola que estava escondida. Ele é divertida, carismática, simpática e meiga, constrói uma personagem que é difícil não se envolver, ela praticamente é a protaginista e mesmo com um nome e um rosto desconhecido no meio de tantas beldades, ela consegue brilhar.

Ele não Está Tão Afim de Você surpreende, pelo seu roteiro, não que seje ousado ou profundo, mas contrói o filme utilizando a melhor ferramenta, a realidade. O diretor Ken Kwapis não inova, mas tem seu mérito por conseguir equilibrar, um filme comercial, com um elenco de peso com uma história inteligente, sem ofuscar o brilho de nenhum deles.

A trilha sonora é bacana e ajuda em alguns momentos do filme, do rock de R.E.M ao romantismo de James Morrison. E uma ponta de Somewhere only we know do Keane, que aparece mais uma vez na trilha sonora de um filme, mas até isso o filme trabalha bem, a música parece ser diferente e é fundamental, pois aparece numa das melhores cenas do filme.

Não é um filme revolucionário que vai mudar a história do cinema, mas merece ser visto e ser reconhecido pelos tantos pontos positivos que o filme carrega. Assista, nem que seje pelo elenco, mas assista. Não é uma comédia romântica fútil ou banal, é inteligente e tem seu propósito. Além do fato, do filme não ser totalmente previsível, nunca sabemos ao certo o que irá acontecer com cada pessoa, nem sempre acontece aquilo que imaginamos. Resumindo, vale a pena. E não esqueça...Ele pode não estar tão afim de você. A verdade muitas vezes dói, mas ela deve ser encarada uma hora ou outra.

NOTA: 9

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