segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Crítica: A Lenda dos Guardiões (Legend of The Guardians: The Owls of Ga'Hoole, 2010)


Baseado nos livros infantis de Kathryn Lasky, "A Lenda dos Guardiões" trás novamente a direção, Zack Snyder, o visionário que trouxe aos cinemas filmes como "300" e "Watchmen", e mais uma vez, o diretor inova no quesito visual, colocando nas telas, algumas das cenas mais belas do ano.


por Fernando Labanca

Na trama, conhecemos Soren e sua família "coruja", literalmente. Ele, um sonhador, mesmo acordado vive a vida cercado por suas ilusões, adora contar uma lenda antiga, onde um grupo de guardiões salvaram e libertaram as corujas anos atrás. Diferente dele, há seu irmão mais velho, Kludd, mais concentrado na realidade, e que se sente menosprezado pelos pais por não saber voar tão bem quanto o Soren. Numa tentativa de ensinar Kludd a voar, os dois acabam discutindo, caem do ninho e perdem o rumo de casa.

Porém, desse descuido, há consequências trágicas. Os dois são capturadas por um grupo de corujas chamadas de "Puros", eles capturam corujas iniciantes, as mais bravas, lhe são ensinadas o voo e se tornam espécies de "capangas", porém, as restantes, se tornam "escravas" e passam a coletar um elemento mágico que fará com que os "Puros" dominem o mundo. Os irmãos são separados, enquanto Kludd tem a chance de enfim ser grande e ter seus talentos recompensados, Soren, vira coletor. Desesperado, a pequena coruja consegue escapar, e parte em busca da Grande Árvore, o lar dos lendários Guardiões, logo que para ele, são os únicos que poderão salvá-los. E nesta jornada, Soren conhece alguns amigos e junto com eles, começa a fazer parte daquilo que nunca imaginou fazer, passa a fazer parte da lenda, seguindo caminhos de um herói, pronto para se tornar um mito.

Do início ao fim, "A Lenda dos Guardiões" segue uma linha de total conforto, sem sair desse caminho, o filme cai na mesmice, sem nenhuma ousadia no roteiro, o longa recheado de clichês não inova, e sabemos desde o início no que a história vai dar, completamente previsível e sem nenhuma, NENHUMA surpresa.


O filme é infantil, desde a construção da trama até o desenvolvimento dos personagens, nada de muito complexo e maduro. Entretanto, o tom mais pesado que Zack Snyder optou pode não agradar as crianças, logo que não há personagens carismáticos, muito menos marcantes, humor pouco aproveitado, onde a seriedade ganha maior espaço, porém, de uma trama fraca acaba que não chamando a atenção dos adultos, e nisso, o longa perde público e digamos também, a coerência. Hoje em dia, a animação ganhou proporções maiores, e os criadores sempre tem a preocupação de atingir o maior público possível, utilizando o humor e o carisma para conquistar as crianças e trabalhando forte nos roteiros para agradar não só os adolescentes e adultos como também os críticos, e muitos conseguem, em 2010 temos bons exemplos como "Toy Story 3" e "Como Treinar o Seu Dragão".



Por outro lado, "A Lenda dos Guardiões", assim como citei acima, trás as telas algumas das cenas mais belas do ano. Zack Snyder é um excelente diretor e sabe trabalhar com o visual melhor do que ninguém, isso é inegável. 300 e Watchmen foram sim uma revolução visual, e seu filme em cartaz não chega a ser diferente. Snyder constrói imagens surreais, fora do imaginável, a utilização da câmera lenta, acaba exaltando e deixando algumas sequências deslumbrantes e podemos assim perceber detalhes riquíssimos de animação, além da fazer nosso coração parar de bater. O 3D aqui é muito bem utilizado, acredito que tenha sido o melhor desde "Avatar". Portando, se ainda quiser ver este filme, que veja no cinema, o resultado é impressionante.



Resumindo, pela história, não vale a pena, nada de inovador, um filme que esquecemos segundos após sairmos da sala, entretanto, o que Zack Snyder nos proporciona é algo grandioso, fantástico, pelo visual vale a pena, pela equipe talentosa do estúdio que havia criado "Happy Feet" e que mais uma vez revoluciona a animação, atingindo o mais alto nível no gênero. Logo, juntando os prós e contras, vale a pena arriscar, até porque, por mais que a trama não traga nada de novo, não significa que não tem conteúdo, um filme acima de tudo, bem intencionado.


NOTA: 7

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