quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Crítica: Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro (2010)

Entrando para a lista dos filmes mais esperados e mais importantes de 2010, a sequência de "Tropa de Elite" bate recordes, como a melhor estréia do ano e a maior bilheteria de um filme nacional da década, com mais de 6,2 milhões de espectadores.

por Fernando Labanca

São poucas as sequências que fazem sentido, e "Tropa de Elite 2" se encaixa no grupo das que fazem. O primeiro, fantástico, chamou a atenção da população, não só pelos problemas de pirataria, mas também pelo conteúdo e esta sequência merecia acontecer, até porque conseguiram a proeza de mostrar uma outra face do crime, utilizando outras fórmulas, construindo uma história completamente nova, mas sem afastar o público que aplaudiu a obra original.

Na sequência, ocorre uma rebelião num perigoso presídio, o Bope toma as responsabilidades e sob o comando do capitão Nascimento (Wagner Moura), o líder André Matias (André Ramiro) acaba que prejudicando toda a equipe por uma ação não calculada, levando todo o grupo parar na justiça e acabar com sua carreira. Afastado, Nascimento é promovido a subsecretário de Segurança Pública, perdendo a confiança de seu amigo Matias e para piorar, seu filho está crescendo e separado de sua mulher, os dois entram em conflito na hora de revelar a verdadeira função do pai, logo que o garoto não entende o porquê dele ter que matar tantas pessoas. O problema ainda é que sua mulher o largou para ficar com Fraga (Irandhir Santos), um defendor dos Direitos Humanos e inimigo mortal de Nascimento.



Entretanto, o inimigo agora é outro, o que antes eram as drogas e a violência nas favelas do Rio, o buraco agora é muito mais embaixo, como subsecretário, Nascimento agora tenta combater as milícias, porém, quanto mais trabalha, mais percebe que está cercado de inimigos, e quão podre é o sistema o qual antes defendia, e em sua função ele terá que ir contra tudo e contra todos para desmascarar a corrupção, e percebe que até aqueles que acreditava que "lutavam" para segurança da sociedade, são aqueles que mais estão envolvidos com a sujeira deste país.

Uma outra história, novos personagens, novos conflitos, enfim, uma sequência bem diferenciada, logo que consegue com bastante competência dar continuidade aquilo que já estava perfeito e conseguir ser melhor, e isto é uma grande surpresa. "Tropa de Elite 2" é por bem pouco superior ao anterior, o clima é mais pesado, é mais tenso, o humor é menor e o "romance" também é deixado de lado. Ainda vemos cenas fortes de assassinato, mas o contexto agora é outro e portanto pouco se lembra do primeiro, porém as pessoas que gostaram do original dificilmente se desapontarão com este. José Padilha como diretor, impecável, constrói um filme sério e digno de sucesso.

Wagner Moura ainda incrível. Capitão Nascimento cresce e sua brilhante interpretação deixa isto visível, se torna mais complexo e definitivamente deixa a marca na história como um dos personagens mais marcantes dos últimos tempos. O elenco de coadjuvantes também não escorregam, destaque para Iranghir Santos como Fraga, com bastante destaque na trama ele surpreende e facilmente nos identificamos com ele. Ainda vemos Milhem Cortaz, Maria Ribeiro, André Ramiro, André Mattos e a mocinha, mas pouco aproveitada Tainá Muller.

O filme obrigatório do ano, definitivamente. O longa termina, e eu assim como qualquer brasileiro me senti mal. "Tropa de Elite 2" é um tapa na cara não só nos políticos corruptos mas também na sociedade brasileira, e assim o longa tem uma função social importantíssima que muda visões, abre a mente de muita gente, toca na ferida do país e vai fundo, sem medo, com ousadia. Um filme que precisa ser visto, jamais ignorado.

NOTA: 8,5

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