quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Crítica: Bem-vindo aos 40 (This is 40, 2012)


“Bem-vindo aos 40” é uma espécie de sequência/prequel da comédia de grande sucesso “Ligeiramente Grávidos” de 2007, que contava com os protagonistas Seth Rogen e Katherine Heigl. Dessa vez, ainda dirigido por Judd Apatow, o longo foca no casal de amigos que apareceram no primeiro, Pete e Debbie, interpretados Paul Rudd e Leslie Mann. Tinha tudo para dar certo, uma boa ideia, ótimos atores e um diretor competente, entretanto, as longas duas horas e meia deste filme só nos faz ter certeza de que foram horas perdidas de nossas vidas em uma obra que nada tem a contar.

Por Fernando Labanca

Vemos o casal na semana em que ambos completam quarenta anos. Para uns, a idade do sucesso, para outros, aquele momento da vida onde o ser passa a refletir sobre suas escolhas. Pete e Debbie, que vivem numa situação financeira complicada e que batalham diariamente para sustentar a casa, onde também moram as duas filhas, Sadie e Charlotte, que vivem brigando. Nesta semana, os dois decidem fazer as coisas diferentes, se alimentar melhor e se aproximarem mais um do outro.

Gostei muito de “Ligeiramente Grávidos”, gostei ainda mais de “Funny People” (2009), comédia desconhecida com Adam Sandler e Seth Rogen. E tudo o que vem com o selo de qualidade “Judd Apatow”, sempre acaba criando uma certa expectativa. Por isso, “Bem-vindo aos 40” é tão decepcionante, tem o mesmo clima dos filmes anteriores, aquela comédia sutil sobre pessoas comuns, com situações bem contadas, diálogos ágeis e inteligentes com pitadas de drama. Para minha surpresa, presenciei seu pior filme em anos. As fortes características de seu cinema continuam e a boa direção também, mas a originalidade e a inteligência não. 


O filme demora a decolar, mostrar a que veio, joga situações aleatórias na tela e não consegue convencer em nada. O problema é que esta impressão permanece até seu final e até lá ficamos na espera de acontecer algo, ficamos somando os diálogos tentando achar um sentido para tudo aquilo, mas não há. Os bons atores em cena contribuem para nossa expectativa de que ele vai melhorar, até porque conseguir colocar Melissa McCarthy, Jason Segel, Chris O’Dowd, John Lithgow, Albert Brooks e a revelação Lena Dunham no mesmo elenco, devia haver uma razão. A conclusão é que Judd Apatow apenas quis reunir seus amigos para fazer um filme, esqueceu o roteiro, esqueceu o público. 

O problema piora quando resolvem estender este imenso vazio por duas horas e meia. A duração não é um defeito quando se tem o que contar, o que é bem diferente deste caso. Todas as cenas de Megan Fox são descartáveis, não consegui entender o que ela faz ali, e todas as situações envolvendo ela, a loja de Debbie e os furtos realizado pela também descartável Charlyne Yi. Jason Segel, sem sal, também não acrescenta a trama. Além dos coadjuvantes inúteis que servem apenas para somar cenas desnecessárias que nem ao menos fazem rir, Judd Apatow resolveu inserir situações patéticas e concluí-las de forma ainda mais patética. O que dizer da insistente referência a “Lost”? Não contentes, resolveram contar o final da série também, fazendo uma bizarra ligação com a relação de Pete e Debbie. As filhas do casal é outro problema, onde o diretor as coloca em cena apenas por serem suas filhas na vida real, mas esquece de escrever algo decente a elas, que irritam em nível extremo, quando surgem ou estão brigando ou estão berrando, é chato e de péssimo gosto. 

“Bem-vindo aos 40” é, por fim, uma sequência de erros, tinha uma premissa interessante, mas o roteiro se perde em tantas tramas e situações desnecessárias, que não emocionam e não divertem, que ao seu final fica apenas a sensação de um tempo de nossa vida perdido. O filme parece a todo instante se esquivar em se aprofundar em algo, de tirar melhor proveito de seu tema, provando que tanto sua ideia inicial como se aproveitar dos personagens de “Ligeiramente Grávidos” foram apenas motivos furados para seu desenvolvimento. Vale por Paul Rudd e Leslie Mann, que não trazem nenhum atuação inovadora, mas pelo menos funcionam muito bem juntos, possuem uma bela sintonia, há certamente uma deliciosa naturalidade entre os dois e somente eles nos fazem aguentar até o final. 

NOTA: 5




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