quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Crítica: Círculo de Fogo (Pacific Rim, 2013)


Com tantas falsas promessas que tivemos este ano no cinemão de Hollywood, onde trailers foram tão mais interessantes que as obras em si, “Homem de Ferro 3”, “Além da Escuridão – Star Trek” e “Guerra Mundial Z” foram alguns deles, finalmente me deparo com um blockbuster honesto, encontrei justamente o que fui atrás ver, sem enganação. Diversão fácil, efeitos especiais espantosos, robôs gigantes lutando contra monstros. Pode até parecer bizarro para alguns, mas “Círculo de Fogo” é extremamente interessante, vai muito além, vemos uma narrativa bem pensada, um universo fantasioso sólido, que convence, que faz jus a boa carreira deste incrível diretor, Guillermo del Toro. 

Por Fernando Labanca

Por trás da alta tecnologia nesta obra futurística, “Círculo de Fogo” é de fato, um filme nostálgico, que aposta justamente na memória daquele que assiste. É como um sonho de qualquer garoto, que sentava no chão e juntava seus brinquedos, imaginando que eles fossem enormes, lutando entre si, sem nenhum motivo aparente, pelo simples ato de destruir um ao outro. Imagina se existisse um filme assim? Pois bem, Guillermo del Toro fez, e fez muito bem.  E muito mais do que só colocar robôs e criaturas gigantes lutando e usando uma cidade inteira como arena, construíram um universo para tudo aquilo, uma trama bem pensada. E bebendo de diversas referências, seja do anime “Evangelion”, do filme "Godzilla" ou dos antigos seriados japoneses, se baseando sempre nesta cultura pop nipônica, “Círculo de Fogo” é como uma versão bem feita de Power Rangers ou Jaspion, é também tudo o que “Transformers” de Michael Bay tentou ser um dia, mas não conseguiu em três filmes, este consegue nos primeiros minutos. 

Na trama, a Terra passa a ser invadida por monstros gigantescos, os Kaijus, que surgem das profundezas do Oceano Pacífico, após a formação de rachaduras nas placas tectônicas. Para os deterem, o governo passa a investir no programa Jaeger, construindo robôs enormes e os colocando para lutar contra os monstros. Para isso, são necessários dois pilotos para haver uma conexão neural, quanto maior a conexão entre essas pessoas melhor será o combate. Raleigh (Charlie Hunnam) é um piloto, que após perder seu irmão em uma luta, é chamado pelo Comandante Stacker (Idris Elba), anos depois, para pilotar sua máquina em Hong Kong. Lá, ele passa a dividir sua consciência com Mako (Rinko Kikuchi), uma mulher que tem motivos de sobra para querer destruir as criaturas.


O mais interessante em “Pacific Rim” são as soluções que o roteiro encontrou para tornar aquele universo em algo acreditável. São pequenos detalhes que fazem da obra um blockbuster completo, longe de ser vazio ou aleatório, construindo uma trama sólida, com bons personagens e razões convincentes para tudo aquilo estar acontecendo, elementos raríssimos quando se trata de filmes do gênero. E através de diálogos ou até mesmo de cenas mostradas em noticiários, acreditamos naquele mundo, naquelas possibilidades, seja pelo piloto de Jaeger que virou rockstar, dos monstros que viraram brinquedos, dos traficantes que se sustentam pela venda dos restos das criaturas, enfim, detalhes bem pensados que melhoram a trama e que fazem as falhas de diversas sequências, bizarrices ou acontecimentos totalmente distante de qualquer lógica serem desculpadas. Afinal, “Círculo de Fogo” foi feito para diversão, e pela primeira vez este ano, não me senti incomodado de não ficar o analisando, vendo seu roteiro ou profundidade em seus personagens, justamente pelo fato de que o que ele me oferece é tão mais do que eu esperava, porque ele consegue divertir de forma pura, uma aventura ingênua até, daqueles para se ver com a família, se divertir com as cenas, com as lutas, com direito a personagens secundários cômicos, diálogos simples, ótimas e variadas locações, história redonda, típicos daquelas aventuras antigas, um cinema feito para diversão, mas que se difere de qualquer blockbuster com o mesmo objetivo lançado este ano, simplesmente porque este foi bem pensado, bem realizado. 

Se no trailer o que víamos eram apenas robôs e monstros, nos surpreendemos ao nos deparar com sua história, mesmo que limitada e extremamente simples, os personagens estão ali e não foram esquecidos pelo roteiro. Seu elenco, praticamente todo desconhecido não faz feio. Charlie Hunnam como protagonista não é nenhum grande ator, mas não decepciona, e divide a cena com a sempre interessante Rinko Kikuchi, mas acaba sendo ofuscada principalmente quando a trama volta no tempo e vemos sua personagem criança, e nisso conhecemos uma pequena atriz, assustadoramente talentosa. Idris “we’re cancelling the apocalypse” Elba também se destaca, apesar de alguns diálogos sofríveis. O alívio cômico, para minha surpresa, funciona, Charlie Day e Ron Perlman estão ótimos e nos fazem ficar ainda mais vidrados no filme. 

Em suma “Círculo de Fogo” pode até não ser um grande sucesso neste ano, há rumores  que sua sequência possa não existir devido seu faturamento abaixo do esperado. Não importa, a verdade é que o filme conquistou grande parte daqueles que assistiram, e entendi o porquê assim que comecei a vê-lo. Me senti como uma criança vendo um filme de robôs, me senti totalmente preso as boas sequências de ação e deslumbrado pelos excelentes efeitos especiais e sonoros. Uma obra para os nerds, uma obra para as crianças ou para os adultos que ainda não se esquecerem de como ser uma. Finalmente um blockbuster que respeita seu público, que é honesto, é a prova de que não precisa muito para divertir aqueles que assistem, basta fazer bem feito. Guillermo del Toro conseguiu isso e em grande escala. Recomendo.

NOTA: 8,5








2 comentários:

  1. Sem uma das melhores críticas que eu vi do filme, muito coerente e sensata, diferente do cara desse blog aqui http://tudo-em-cima.blogspot.com.br/2013/08/filmes-circulo-de-fogo.html
    Não concordo apenas em uma parte, o filme pode sim ter uma sequencia, custou 190 milhões e já arrecadou 397 milhões, se isso não é lucro não sei mais o que é...
    O mais preocupanete é que ao meu ver o filme tem começo, meio e fim, não é realmente necessário uma sequencia, Guilhermo del toro terá que nós convencer com uma uma excelente historia num possível Pacific Rim 2.0 ou corremos o risco de vermos um "O mundo perdido - Jurassic Park 2"

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    1. Muito obrigado, Eduardo! Q bom q curtiu a crítica.

      E sobre sua sequência, concordo com vc, a história neste filme já é bem fechada...não haveria razão para uma segunda obra. Porém, cheguei a ler algumas notícias d q havia uma possibilidade de não haver esta sequência, parece q o filme lucrou bastante, assim como vc comentou, porém, não lucrou o tanto q o estúdio esperava. Agora é esperar para ver!

      Valeu pelo comentário!

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