quarta-feira, 17 de novembro de 2010

3 em 1: Comédia Romântica

Comédia Romantica, um gênero um pouco duvidoso, devido a falta de criatividade daqueles que as criam. Duas pessoas se conhecem de uma forma inusitada, durante o filme há alguns conflitos bobos para no final perceberem que se amam. Entretanto, confesso que ainda tenho esperanças no gênero pois sempre encontro algum com que me identifico, são raridades, mas sei ainda existem, citarei algumas que assisti nos últimos dias, que não são necessariamente os melhores exemplos para o estilo, mas que por determinados motivos, valem a pena serem conferidas, seja por algum ator ou atriz ou por alguma inovação.

por Fernando Labanca

Simplesmente Complicado (It's Complicated, 2009)

Com direção de Nancy Meyers, veterana nas comédias românticas, criadora de algumas das melhores do gênero, como "Alguém Tem que Ceder" e "O Amor Não Tira Férias", ela retorna no que a consagrou e como roteirista e diretora, inegavelmente na atualidade é uma das melhores. Para completar, ainda tem em mãos a protagonista de ouro, Maryl Streep.

Jane (Streep) é uma mulher madura e independente, mãe de três filhos, separada há dez anos e vive muito bem sózinha. Tem uma relação bastante amigável com seu ex, Jake (Alec Baldwin), que por sua vez, está casado com uma mulher bem mais nova. Até que quando um dos filhos está para se formar em outra cidade, a família faz uma viagem, o que faz com que todos se reúnem, porém, deste encontro, ocorre algo que ninguém imaginava, Jane e Jake depois de algumas bebidas acabam transando e passam a manter um relacionamento secreto, o que a torna amante de seu ex, a outra mulher, a mulher que ela sempre detestou e nunca imaginou ser.

Eis que em sua vida, surge Adam (Steve Martin), um arquiteto renomado, educado e inteligente, tudo o que Jake não é, e depois de alguns encontros, ela fica dividida entre começar do zero um relacionamento com quem admira e respeita ou voltar no tempo e retomar aquilo que não terminou no passado.

História interessante, uma brincadeira de Nancy Meyers com a inusitada hipótese daquela que um dia foi traída, tomar as rédeas do jogo, virar o mesa e se tornar a amante. E no roteiro, essa idéia flui bem, realmente divertido as situações, entretanto, nem tudo flui tão bem assim. Tudo ocorre bem no longa, eis que Meyers decide incluir determinados elementos completamente fora de contexto, como a personagem de John Krasinski (o Jim, da série The Office), com bastante destaque na trama, ele não altera nada e só piora, não pela atuação, que aliás está correto, mas pela personagem inútil mesmo. Outro problema é a patética sequência de Maryl Streep e Steve Martin fumando um "baseado", simplesmente essa foi a gota d'água, ou seja, o que já não estava indo tão bem, vai por água abaixo nessas cenas, deixando de ser um filme respeitável, até porque o modo como a sequência funciona é totalmente grotesca, sem graça, criada por alguém que não entende nada desses "negócios" mas quer bancar de "cool".

Maryl Streep está incrível, maravilhosa, adorei sua personagem e sua atuação. Steve Martin provando ser um ator mais versátil, deixando o humor escrachado de lado e encarnando um personagem mais sério e convense. Alec Baldwin, convense no humor e sua veia cômica só melhora o filme e sua química com Streep funciona, por outro lado, nas cenas mais sérias, deixa a desejar. Ou seja, "Simplesmente Complicado" é interessante até certo ponto, digamos, é algo assistível, porém, o pior de Nancy Meyers.

NOTA: 6






Maluca Paixão (All About Steve, 2009)

Vencedor do Framboesa de Ouro este ano de Pior Atriz para Sandra Bullock, que em contra partida ganhou o Oscar, o filme ainda trás Thomas Haden Church e Bradley Cooper no elenco. Sempre tive o pé atrás com este longa, pelo título, pela capa, pelo trailer e pelas indicações ao Framboesa de Ouro, por outro lado, tinha Sandra Bullock como protagonista, eis que tive a oportunidade de vê-lo e enfim formar minha própria opinião, então vamos lá.

Em "Maluca Paixão", Mary (Bullock) é uma mulher excêntrica, diferente na forma de ser, agir e se vestir, trabalha fazendo palavras cruzadas para um jornal e devido a isso é ótima em palavras. Num encontro às escuras, conhece Steve (Cooper), um cinegrafista da CNN. Ele, se assusta com a personalidade de Mary e ela tem a certeza absoluta que ele á homem de sua vida.

Decidido a nunca mais encontrá-la, Steve parte numa grande reportagem, num lugar muito distante, ao lado de seus colegas de trabalho, Angus (Ken Jeong) e o repórter narcisista Hartman (Church), o que ele não imaginava é que Mary vai atrás dele. Ela enfrenta milhões de obstáculos para encontrá-lo e provar que foram feitos um para o outro.

Não há muito mais para comentar da história, o resto é só palhaçada, o filme viaja muito, o que o torna algo nada previsível, pois nunca dá para saber o que vai acontecer, tudo de mais louco acontece, Mary enfrenta desde um tornado, até ficar presa num buraco com kilômetros de profundidade, tudo por amor! Engraçadinho, só isso, não há nenhuma cena em que a risada apareça, só um sorrisinho sem graça, até porque o roteiro se esforça mais no humor forçado em situações exageradas do que na comédia mesmo.

Sandra Bullock definitivamente não mereceu seu Framboesa, já fez coisas piores em sua carreira e sua Mary está longe de ser classificada como a pior. A atriz se esforça, constrói uma personagem estranha, mas carismática e sua atuação não está nada mal, muito pelo contrário, está simplesmente hilária. Thomas Haden Church está bom em cena, diferente de seu colega, Bradley Cooper, bem fraco.

Mas teve algo que me chamou muito a atenção em "Maluca Paixão" e por isso merece ser comentado, seu final. Que foi contra todos os "padrões" hollywoodianos em comédias românticas, foi algo inovador e surpreendente, e só pelo final, vale a pena conferir. A verdade é que vi o filme com expectativas tão baixas que a sensação que tive é que é algo muito melhor do que aparenta ser, que apesar dos exageros, no fim, percebemos que tudo teve um propósito para a mensagem final: não mude pelos outros! Com piadas sem graça, algumas até que funcionam, cenas forçadas e algumas sequências grotescas (nem todas), "Maluca Paixão" força a barra por uma boa intenção, e boas intenções é o que vale.

NOTA: 7






Casa Comigo? (Leap Year, 2010)

Lançado diretamente em DVD aqui no Brasil, "Casa Comigo?" é um delicioso filme com a queridíssima Amy Adams e Matthew Goode. E como tradição aqui no Cinameteca, deixo o melhor para o final.

No filme, Anna (Adams) é uma mulher extremamente romântica que se decepciona por não ganhar um anel de noivado no aniversário de quatro anos de namoro com Jeremy (Adam Scott). Decidida a não ficar de mãos vazias toma uma grande decisão, e quando Jeremy viaja para Dublin a trabalho, vem em sua mente o pretexto perfeito. Numa antiga tradição irlandesa, as mulheres pediam seus namorados em casamento nos anos bissextos, e Anna, então, decidi viajar a Irlanda para pedí-lo exatamente no dia 29 de fevereiro.

Porém, nesta viagem, ela acaba parando no lado errado do país, parando especificamente numa cidadezinha bem sem graça, bem interiorrrr mesmo. Lá, ela conhece Declan (Goode), um irlandês arrogante e taxista e promete levá-la até seu destino correto. Até que, devido a um incidente, ele perde seu carro, mas como parte de sua promessa, ele passa a guiá-la, o problema é que ambos não se suportam devido a personalidades completamente destintas e por se desintederem em vários aspectos. E nessa viagem em busca de ter seu casamento, ela acaba percebendo que o que procura não é exatamente o que precisa.

Parece bobo, mas "Casa Comigo" surpreende fácil. Nesta viagem, muitas coisas interessantes acontecem e o filme nunca derrapa, muito pelo contrário, ele vai crescendo e evoluindo, isso devido ao ótimo roteiro que permitiu que muitas coisas acontecessem, e nisto temos o privilégio de vermos diversas locações, belas, por sinal, e facilmente entramos na história e nos identificamos e viajamos juntos e é tudo muito belo, bem feito, divertido e algumas vezes comovente. Poucas comédias românticas se preocupam em levar o público a um universo novo, a história não é tão inovadora, mas a forma como ela é mostrada é o grande diferencial.

Amy Adams é sempre bela, divertida e carismática ao extremo, parece que ela nem existe de tantas coisas boas que ela consegue transmitir na tela, sua ótima interpretação só aumenta o nível do longa que por si só é alto. Matthew Goode também agrada e juntos tem uma ótima química, simplesmente delicioso ver os dois juntos, se o filme tivesse quatro horas, ficaria lá sem cansar, de tão interessante e delioso que é o longa, bem diferente do que se espera não só de uma comédia romântica, mas também de um filme que foi direto para locadora, que aliás, algumas vezes surgem algumas pérolas, e este com certeza é uma delas. Simplesmente surpreendente.

NOTA: 9,5

3 comentários:

  1. Por isso que eu não gosto de comédias românticas...elas são super-criativas!O cara conhece uma mulher, que é diferente dele, os dois não se suportam, ela já tem um namorado, mas no final..ve que o amor da vida dela é o cara que mais implica com ela..
    Na boa, eu passo!

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  2. (Sobre "Casa Comigo?") Assisti esse filme hoje mesmo na Universal. Adorei. Claro que antes do Declan aparecer eu já sabia que eles ficariam juntos (hello, comédia românnntica!) mas há muito tempo que eu já desencanei de criticar a fórmula, porque as vezes os "ingredientes" realmente impressionam. Você definiu perfeitamente "a história não é tão inovadora, mas a forma como ela é mostrada é o grande diferencial".
    Então pra esse gênero eu dou uma chance pra saber como os personagens vão "chegar lá", no seu final feliz, porque convenhamos, todos sabem que é esse o final que os aguarda, mas, sinceramente, qual o problema nisso? It's fiction, e esse filme foi uma agradável e criativa surpresa, gostei mesmo!

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  3. Casa Comigo realmente é um filme delicioso de assistir! Tenho o DVD e assisto sempre e parece ser a primeira vez! Ah....eles são divertidos, lindos, que química! Amo!

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