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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Crítica: Segredos de Sangue (Stoker, 2013)

Chan-wook Park, diretor sul-coreano, ganhou notoriedade no cinema após o grande sucesso “Oldboy”, que hoje ganhou o status de cult. Não poderia ser diferente, seu notável talento o levou até Hollywood, e este é seu primeiro filme em solo norte-americano e devido a isso, vem carregado de boas expectativas. “Segredos de Sangue” merece respeito e admiração, é um grande exercício visual de Park, mas infelizmente não passa disso, uma bela direção tentando dar vida a um roteiro vazio.

Por Fernando Labanca

Em pleno dia de seu aniversário de dezoito anos, India Stoker (Mia Wasikowska) recebe a notícia da morte de seu pai. Ela mantém uma relação conturbada com sua mãe (Nicole Kidman), e a presença constante de parentes, devido ao velório, acaba agravando ainda mais o distanciamento das duas, principalmente com a chegada do misterioso Charlie (Matthew Goode), um tio desconhecido que nunca tiveram notícias, ele decide passar um tempo ao lado delas, é um aventureiro que passou anos viajando pela Europa e agora precisa resolver algumas pendências. Com Charlie na casa, India começa a sentir desejos que antes desconhecia, além de descobrir o passado sombrio de sua família.


Já em seus primeiros minutos, Chan-wook Park nos entrega e deixa claro isso, um suspense diferenciado, com seus interessantes cortes e sua fotografia impecável, ficamos vidrados assim que o filme começa, é tudo belo o que ele nos oferece, uma direção irretocável, e assim “Segredos de Sangue” segue com um clima pesado, misterioso, onde as personagens aparecem de forma fantasmagóricas, remetendo e muito a filmes sobre vampiros, não é toa que sua grande referência é a história de Drácula de Bram Stoker, aliás, Stoker é o nome da família em questão e título da própria obra, há muito de Drácula e sua obsessão por Mina Murray, mas evitarei spoillers. Aliás, referências não faltam para sua construção, Hitchcock também se faz presente, seja na clássica cena do chuveiro de “Psicose” ou nas relações das personagens, as obsessões e desejos proibidos de “Um Corpo Que Cai”, além da própria construção dos indivíduos, Evelyn, interpretada por Nicole Kidman, parece ter saído de seus filmes, seja por seu figurino, cabelo ou modo de agir, além da própria direção de arte que parece ter retirado os fundos de cores fortes e estampados de "Vertigo" para a construção de seus cenários. Como disse, o filme é um grande exercício visual do diretor, que mostra mais uma vez seu talento e sua habilidade em entregar ao público cenas marcantes e extremamente bem elaboradas.

Por outro lado, “Segredos de Sangue” carece de um roteiro mais trabalhado, onde ele nos dá a entender que algo grandioso está para acontecer, alguma revelação surpreendente que mudará drasticamente o rumo da trama. Mas nada acontece. Seu final, de fato, é muito interessante, confesso, mas a sensação que fica é que poderia ter sido muito melhor, que aliás, tudo poderia ter sido melhor. As revelações não são óbvias, mas também não surpreendem, o roteiro nos aponta desde o início o que poderia haver de errado, nos antecipa aonde está o mistério, e em nenhum momento ele guia para outro lado, é o que era para ser, o que parecia ser desde o início, não ousa, e apesar do bom suspense que nos prende ao decorrer do filme, bate aquela decepção, por nos criar aquela expectativa de que estamos diante de algo inovador, mas infelizmente, não. O que vemos é uma obra esteticamente muito bem trabalhada, no entanto, não é capaz de disfarçar ou amenizar suas fracas ideias.

No elenco vemos nomes interessantes. Mia Wasikowska trilhando brilhantemente sua carreira, escolhendo sempre bons projetos, sua grande atuação é notável, e com certeza, faz deste filme algo melhor do que ele teria sido sem ela. Não sou a melhor pessoa para avaliar Nicole Kidman, sou um fã, me dá sempre a impressão de que mesmo sem se esforçar tanto, ela é capaz de roubar a cena, aliás, é dela um dos melhores diálogos do filme, ao falar sobre suas fraquezas como mãe e do que espera para sua filha. Matthew Goode está muito bem também, é um papel difícil e se mostra bastante versátil em cena.

“Segredos de Sangue” merece ser visto e admirado, é um cinema de qualidade que vale como exercício visual, por pura contemplação cinéfila mesmo. Entretanto, ao seu término, me senti diante de algo vazio, tão belo, tão deslumbrante, mas vazio, com personagens que dizem palavras mas não expressam vida, com situações absurdas e mal desenvolvidas, longe de serem verossímeis e longe de causar qualquer empatia. Faltou vida, agressividade, causar impacto, tudo o que o trailer prometia e tudo o que se espera de Chan-wook Park. É um diretor talentoso que não deixarei de apostar minhas fichas, faz deste filme uma verdadeira obra de arte, vazio em sua essência, mas ainda assim, belo.

NOTA: 7


País de origem: EUA
Duração: 98 minutos
Elenco: Mia Wasikowska, Matthew Goode, Nicole Kidman, Dermot Mulroney, Jacki Weaver
Diretor: Chan-wook Park
Roteiro: Wentworth Miller




quarta-feira, 17 de novembro de 2010

3 em 1: Comédia Romântica

Comédia Romantica, um gênero um pouco duvidoso, devido a falta de criatividade daqueles que as criam. Duas pessoas se conhecem de uma forma inusitada, durante o filme há alguns conflitos bobos para no final perceberem que se amam. Entretanto, confesso que ainda tenho esperanças no gênero pois sempre encontro algum com que me identifico, são raridades, mas sei ainda existem, citarei algumas que assisti nos últimos dias, que não são necessariamente os melhores exemplos para o estilo, mas que por determinados motivos, valem a pena serem conferidas, seja por algum ator ou atriz ou por alguma inovação.

por Fernando Labanca

Simplesmente Complicado (It's Complicated, 2009)

Com direção de Nancy Meyers, veterana nas comédias românticas, criadora de algumas das melhores do gênero, como "Alguém Tem que Ceder" e "O Amor Não Tira Férias", ela retorna no que a consagrou e como roteirista e diretora, inegavelmente na atualidade é uma das melhores. Para completar, ainda tem em mãos a protagonista de ouro, Maryl Streep.

Jane (Streep) é uma mulher madura e independente, mãe de três filhos, separada há dez anos e vive muito bem sózinha. Tem uma relação bastante amigável com seu ex, Jake (Alec Baldwin), que por sua vez, está casado com uma mulher bem mais nova. Até que quando um dos filhos está para se formar em outra cidade, a família faz uma viagem, o que faz com que todos se reúnem, porém, deste encontro, ocorre algo que ninguém imaginava, Jane e Jake depois de algumas bebidas acabam transando e passam a manter um relacionamento secreto, o que a torna amante de seu ex, a outra mulher, a mulher que ela sempre detestou e nunca imaginou ser.

Eis que em sua vida, surge Adam (Steve Martin), um arquiteto renomado, educado e inteligente, tudo o que Jake não é, e depois de alguns encontros, ela fica dividida entre começar do zero um relacionamento com quem admira e respeita ou voltar no tempo e retomar aquilo que não terminou no passado.

História interessante, uma brincadeira de Nancy Meyers com a inusitada hipótese daquela que um dia foi traída, tomar as rédeas do jogo, virar o mesa e se tornar a amante. E no roteiro, essa idéia flui bem, realmente divertido as situações, entretanto, nem tudo flui tão bem assim. Tudo ocorre bem no longa, eis que Meyers decide incluir determinados elementos completamente fora de contexto, como a personagem de John Krasinski (o Jim, da série The Office), com bastante destaque na trama, ele não altera nada e só piora, não pela atuação, que aliás está correto, mas pela personagem inútil mesmo. Outro problema é a patética sequência de Maryl Streep e Steve Martin fumando um "baseado", simplesmente essa foi a gota d'água, ou seja, o que já não estava indo tão bem, vai por água abaixo nessas cenas, deixando de ser um filme respeitável, até porque o modo como a sequência funciona é totalmente grotesca, sem graça, criada por alguém que não entende nada desses "negócios" mas quer bancar de "cool".

Maryl Streep está incrível, maravilhosa, adorei sua personagem e sua atuação. Steve Martin provando ser um ator mais versátil, deixando o humor escrachado de lado e encarnando um personagem mais sério e convense. Alec Baldwin, convense no humor e sua veia cômica só melhora o filme e sua química com Streep funciona, por outro lado, nas cenas mais sérias, deixa a desejar. Ou seja, "Simplesmente Complicado" é interessante até certo ponto, digamos, é algo assistível, porém, o pior de Nancy Meyers.

NOTA: 6






Maluca Paixão (All About Steve, 2009)

Vencedor do Framboesa de Ouro este ano de Pior Atriz para Sandra Bullock, que em contra partida ganhou o Oscar, o filme ainda trás Thomas Haden Church e Bradley Cooper no elenco. Sempre tive o pé atrás com este longa, pelo título, pela capa, pelo trailer e pelas indicações ao Framboesa de Ouro, por outro lado, tinha Sandra Bullock como protagonista, eis que tive a oportunidade de vê-lo e enfim formar minha própria opinião, então vamos lá.

Em "Maluca Paixão", Mary (Bullock) é uma mulher excêntrica, diferente na forma de ser, agir e se vestir, trabalha fazendo palavras cruzadas para um jornal e devido a isso é ótima em palavras. Num encontro às escuras, conhece Steve (Cooper), um cinegrafista da CNN. Ele, se assusta com a personalidade de Mary e ela tem a certeza absoluta que ele á homem de sua vida.

Decidido a nunca mais encontrá-la, Steve parte numa grande reportagem, num lugar muito distante, ao lado de seus colegas de trabalho, Angus (Ken Jeong) e o repórter narcisista Hartman (Church), o que ele não imaginava é que Mary vai atrás dele. Ela enfrenta milhões de obstáculos para encontrá-lo e provar que foram feitos um para o outro.

Não há muito mais para comentar da história, o resto é só palhaçada, o filme viaja muito, o que o torna algo nada previsível, pois nunca dá para saber o que vai acontecer, tudo de mais louco acontece, Mary enfrenta desde um tornado, até ficar presa num buraco com kilômetros de profundidade, tudo por amor! Engraçadinho, só isso, não há nenhuma cena em que a risada apareça, só um sorrisinho sem graça, até porque o roteiro se esforça mais no humor forçado em situações exageradas do que na comédia mesmo.

Sandra Bullock definitivamente não mereceu seu Framboesa, já fez coisas piores em sua carreira e sua Mary está longe de ser classificada como a pior. A atriz se esforça, constrói uma personagem estranha, mas carismática e sua atuação não está nada mal, muito pelo contrário, está simplesmente hilária. Thomas Haden Church está bom em cena, diferente de seu colega, Bradley Cooper, bem fraco.

Mas teve algo que me chamou muito a atenção em "Maluca Paixão" e por isso merece ser comentado, seu final. Que foi contra todos os "padrões" hollywoodianos em comédias românticas, foi algo inovador e surpreendente, e só pelo final, vale a pena conferir. A verdade é que vi o filme com expectativas tão baixas que a sensação que tive é que é algo muito melhor do que aparenta ser, que apesar dos exageros, no fim, percebemos que tudo teve um propósito para a mensagem final: não mude pelos outros! Com piadas sem graça, algumas até que funcionam, cenas forçadas e algumas sequências grotescas (nem todas), "Maluca Paixão" força a barra por uma boa intenção, e boas intenções é o que vale.

NOTA: 7






Casa Comigo? (Leap Year, 2010)

Lançado diretamente em DVD aqui no Brasil, "Casa Comigo?" é um delicioso filme com a queridíssima Amy Adams e Matthew Goode. E como tradição aqui no Cinameteca, deixo o melhor para o final.

No filme, Anna (Adams) é uma mulher extremamente romântica que se decepciona por não ganhar um anel de noivado no aniversário de quatro anos de namoro com Jeremy (Adam Scott). Decidida a não ficar de mãos vazias toma uma grande decisão, e quando Jeremy viaja para Dublin a trabalho, vem em sua mente o pretexto perfeito. Numa antiga tradição irlandesa, as mulheres pediam seus namorados em casamento nos anos bissextos, e Anna, então, decidi viajar a Irlanda para pedí-lo exatamente no dia 29 de fevereiro.

Porém, nesta viagem, ela acaba parando no lado errado do país, parando especificamente numa cidadezinha bem sem graça, bem interiorrrr mesmo. Lá, ela conhece Declan (Goode), um irlandês arrogante e taxista e promete levá-la até seu destino correto. Até que, devido a um incidente, ele perde seu carro, mas como parte de sua promessa, ele passa a guiá-la, o problema é que ambos não se suportam devido a personalidades completamente destintas e por se desintederem em vários aspectos. E nessa viagem em busca de ter seu casamento, ela acaba percebendo que o que procura não é exatamente o que precisa.

Parece bobo, mas "Casa Comigo" surpreende fácil. Nesta viagem, muitas coisas interessantes acontecem e o filme nunca derrapa, muito pelo contrário, ele vai crescendo e evoluindo, isso devido ao ótimo roteiro que permitiu que muitas coisas acontecessem, e nisto temos o privilégio de vermos diversas locações, belas, por sinal, e facilmente entramos na história e nos identificamos e viajamos juntos e é tudo muito belo, bem feito, divertido e algumas vezes comovente. Poucas comédias românticas se preocupam em levar o público a um universo novo, a história não é tão inovadora, mas a forma como ela é mostrada é o grande diferencial.

Amy Adams é sempre bela, divertida e carismática ao extremo, parece que ela nem existe de tantas coisas boas que ela consegue transmitir na tela, sua ótima interpretação só aumenta o nível do longa que por si só é alto. Matthew Goode também agrada e juntos tem uma ótima química, simplesmente delicioso ver os dois juntos, se o filme tivesse quatro horas, ficaria lá sem cansar, de tão interessante e delioso que é o longa, bem diferente do que se espera não só de uma comédia romântica, mas também de um filme que foi direto para locadora, que aliás, algumas vezes surgem algumas pérolas, e este com certeza é uma delas. Simplesmente surpreendente.

NOTA: 9,5

sábado, 11 de julho de 2009

Especial Watchmen - Parte 13/13

Especial Watchmen


Crítica: Watchmen - O Filme



Por Bárbara


Depois de 20 longos anos, foi a vez de Watchmen ganhar sua adaptação cinematográfica.Dirigido por Zack Snyder, que também dirigiu 300, outra adaptação de quadrinhos, é o típico caso de "ame ou odeie".Para a maioria dos fãs, foi uma boa adaptação.Mas para quem sequer havia lido uma página da história de Alan Moore ilustrada por Dave Gibbons, o longa não passa de um filminho de ação que falhou em seu propósito: divertir e entreter.


Considerada a melhor obra de histórias em quadrinhos do mundo e presente na lista das 100 maiores obras literárias,até que demorou muito para que Watchmen ganhasse sua adaptação cinematográfica.Para ser exata,foram 20 longos anos para os milhares de fãs dessa obra fantástica.Criar uma história de super-heróis não é uma tarefa tão difícil de realizar.Basta criar uma história e por os estereótipos que fazem parte desse universo.O herói bonzinho, altruísta e idealista.A namorada que nem suspeita da sua outra identidade ou o interesse amoroso que o herói insiste em mantê-la longe de si para que não prejudique a vida dela.Os parentes velhinhos que precisam de ajuda para se sustentarem.A população carente de alguém que os proteja incondicionalmente.Vários e vários outros estereótipos mais.Ah, e não podia faltar o típico vilão:ou ele sofreu um acidente que o desfigurou e quer se vingar da sociedade por isso,ou perdeu as pessoas que amava e enlouqueceu ou é um bandido mau mesmo.




É disso que Watchmen se desfaz desde o seu início.Aqui não há altruísmo.Nem heróis totalmente bonzinhos que só se fantasiaram para conbater o crime e proteger os cidadãos inocentes.Muitos deles fizeram por puro sadismo,por dinheiro e fama ou por não terem mais nada de interessante para fazer.Aqui não tem um órfão que busca fazer justiça com as próprias mãos, e que gasta sua fortuna para tal, ou um alienígena que foi enviado à Terra antes da destruição de seu planeta natal ,e que foi criado por um casal de fazendeiros bonzinhos que ensinaram ao filho adotivo valores éticos e morais, e depois de bem-criado foi ser jornalista e um super-homem nas horas em que a cidade precisasse dele.

Em Watchmen há um homem sádico, amoral ,que matou uma mulher grávida de um filho dele mesmo e tentou estuprar outra.Ele é o protetor da sociedade, ele é um dos heróis.

Outro herói tenta seguir os passos de Alexandre, o Grande e faz um enorme sacrifício para instaurar a paz na Terra, e que lucra com a venda de bonecos baseados nos seus colegas e inimigos do passado.

Ah, tem outra que não se importa com os outros, mas que se tornou uma heroína por que a mãe era no passado e a treinou desde pequena para continuar seu legado.Ela detesta,mas vai por que a mãe quer.

E como não podia faltar alguém com super poderes, há também o cientista que por causa de um acidente,se transforma num semi-deus,que tem poderes sobre a matéria, espaço e tempo.E que esqueceu que a humanidade tem seu valor, apesar de tudo, e que não se importa com o planeta Terra.



Justamente por causa dessa desconstrução dos típicos heróis de quadrinhos,adaptar Watchmen não foi uma tarefa fácil.O que funciona em uma mídia talvez não funcione em outra totalmente diferente.E é isso que também ocorre em adaptações literárias.O público das mídias são totalmente diferentes e os estúdios, que não são nem um pouco bestas,sabem o que a grande massa procura quando vai ao cinema.

E é por isso que Watchmen demorou para ganhar sua adaptação.Além do problema referente aos elementos que funcionaram numa HQ também funcionar em tela grande, ainda houve a saída e entrada de vários diretores e roteiristas diferentes, como Darren Aronofsky e Paul Greengrass, atualizando, modificando e consequentemente engavetando o projeto por falta de investimentos por parte do estúdio,que não estava nem um pouco satisfeito com os resultados.



Depois de um certo Zack Snyder ter obtido sucesso em sua empreitada na adaptação de outra HQ, Os 300 de Esparta, de Frank Miller, finalmente houve uma luz no fim do túnel para Watchmen.Retomaram o projeto, Snyder na direção, David Hayter e Alex Tse como roteiristas.Porém, a adaptação esbarra em outro obstáculo: o elenco.Nomes consagrados do cinema foram sondados, como Denzel Washington, Tom Cruise e Jude Law.No entanto,atores praticamente desconhecidos ficaram com os papéis.Para completar,pouco antes da estreia do filme, teve um problema com os direitos de exibição do longa, lucros com a bilheteria e com produtos relacionados à marca, entre a 20th Century Fox e a Warner.Sem falar no pai da criatura, Alan Moore, que não quis ser creditado e deixou que somente Dave Gibbons fosse creditado, como co-criador da HQ.Assim, em 06/03/2009, Watchmen estreou nos cinemas.



Depois dessa "retrospectiva", finalmente começo a falar do filme propriamente dito.

Watchmen - O Filme, tem duas faces.A primeira é uma adaptação tão fiel a sua fonte, e feita com tanto carinho de um fã para outros fãs da HQ, que não tem como admirar a obra.Tudo é feito com um cuidado, com um zelo e seria injustiça falar que o filme não foi bem feito.Para quem é fã ou está familiarizado com a história, o longa é tão fiel que não só há referências dos quadrinhos no filme, ele é os quadrinhos.Os mínimos detalhes, as cenas e até os diálogos estão lá como estavam na HQ.Para os fãs, foi um adaptação digna de aplausos, mesmo que algumas coisas tiveram que ser omitidas por causa da duração do filme, que tem quase 3 horas.


A segunda face é de um projeto que ignorou quase que totalmente o restante do público.Pessoas que nunca tiveram contato com a HQ e que foram ao cinema buscando um filme interessante se decepcionaram com o ritmo arrastado do longa em determinados momentos, com monólogos que pareciam não ter mais fim e com personagens que apareciam e desapareciam do nada.
Portanto, Watchmen é uma bela adaptação.Mas como obra cinematográfica, ele falha em muitos aspectos, entre eles, o descaso com os "não-fãs" da obra original.



Mas, falando como uma nova fã,mesmo não ter conseguido ler todos os 12 capítulos, fui ao cinema e não me decepcionei em momento algum.Pra mim, funcionou como adaptação e como cinema.Tudo se encaixou perfeitamente, o elenco, o roteiro ( que modificou pouca coisa, mas que foi essencial ), a direção, o figurino, a trilha sonora, ou seja, o conjunto me encantou.Personagens humanos, somente humanos com seus defeitos e qualidades, envolvidos numa conspiração que poderia ter como consequências um holocausto nuclear e com um possível assassino à solta me envolveram totalmente, que nem vi as 2:41 de duração.

A história se passa numa realidade alternativa em 1985.No auge da Guerra Fria, o presidente Nixon altera a constituição e consegue se candidatar a um terceiro mandato e se elege.O mundo vive sob a ameaça da Terceira Guerra Mundial. Nova York está num verdadeiro caos, depois que baniu os vigilantes, que eram uma parcela ativa da sociedade,através da Lei Keene, em 1977.Neste contexto, acontece o assasinato de Edward Morgan Blake, um antigo vigilante,chamado de Comediante, que trabalhava para o governo.
Um vigilante clandestino chamado Rorschach decide investigar o motivo do assassinato.Quando descobre que o falecido também era um vigilante, ele acha que um assassino de mascarados está à solta.Então, decide avisar seus antigos colegas de vigilância, os Watchmen ( nome usado somente no filme ): Laurie Juspeczyk ( Espectral II ), Dan Dreiberg ( Coruja II) e Jon Osterman ( Dr. Manhattan ) sobre esse possível perigo.
Ele fica mais evidente depois de um atentado contra um outro "Watchmen", Adrian Veidt ( Ozymandias ) no seu escritório e quando o Dr.Manhattan é acusado de causar câncer às pessoas próximas dele.,causando o seu exílio em Marte.A partir daí, Rorschach,Coruja II e Espectral II terão que voltar à ativa para descobrirem o que ou quem está por trás dessa conspiração.
Um dos méritos do filme é o seu prólogo impecável, que mostra o assassinato de Edward Blake e que em seguida, nos créditos iniciais , conta a história de uma geração de vigilantes anterior à dos "Watchmen " , os Minutemen.Com a canção de Bob Dylan "The Times They Are A-Changing" ao fundo, sabemos do destino dos vigilantes dos anos 40, como Coruja I , que depois de se aposentar escreveu um livro narrando suas aventuras,Silhouette , que foi assassinada por ser lésbica, junto com a sua namorada,o Homem-Mariposa, que enlouqueceu e foi internado em um hospício no Maine e Sally Júpiter, a Espectral I, que casou com o seu agente e teve uma filha,Laurie, que fez questão de treiná-la para seguir os seus passos.

Outro ponto de destaque é o figurino, que remete totalmente às ilustrações de Gibbons, quase todos iguais aos quadrinhos, falhando apenas no uniforme de Ozymandias, que mais parece o uniforme do Robin nos dois filmes do Batman dirigidos por Joel Schumacher, com direito à mamilos e tudo !!!
A trilha sonora tem seus altos e baixos, sendo os altos as músicas de Bob Dylan ( uma interpretada por My Chemical Romance que tocou nos créditos finais e eu particularmente achei bem legal )Billie Holiday, Paul Simon & Garfunkel ( com The Sound of Silence , no enterro do Comediante ) e Leonard Cohen, com Hallelujah, ironizando uma cena em particular, o que eu achei bastante inteligente da parte de Snyder,apesar das várias críticas negativas que essa cena teve por conta disso.
Os baixos são as músicas instrumentais, que quebram o clima de vez em quando, deixando o filme monótono ás vezes.
O roteiro, apesar de ser inconsistente em alguns momentos,foi bem escrito por David Hayter e Alex Tse, que conseguiram a proeza de compactar 12 capítulos da HQ em um roteiro que manteve o tronco principal da trama, que é a conspiração por trás da morte do Comediante.
O roteiro também conseguiu manter a essência das personagens, principalmente a paranóia e a sociopatia de Rorschach, a personagem mais complexa da história e magistralmente interpretada por Jackie Earle Haley.Outro que também merece destaque é Edward Blake, o Comediante.Seu sadismo, sarcasmo e cinismo são tão bem transpostos para a tela que dificilmente não sentiremos raiva dele, mas ao mesmo tempo gostamos de sua presença.
Referente ao elenco, foi até bom que atores pouco conhecidos tenham encarnado as personagens, para dar mais veracidade ao longa.Imaginem se, no lugar de Billy Crudup,Denzel Washington fosse o Dr.Manhattan??Ficaria estranho,seria como o Alonzo Harris de Dia de Treinamento, só que todo azul.
E mesmo sendo pouco conhecidos, todos deram conta do recado.Jeffrey Dean Morgan e o já citado Jackie Earle Haley deram um show de interpretação nos seus respcetivos papéis, duas pessoas com condutas morais suspeitas e com um passado violento,mas no fim, são as únicas que morrem por seus ideais.
Matthew Goode como Ozymandias/Veidt também se saiu muito bem, tanto na aparência física, mesmo que não lembre tanto o Veidt dos quadrinhos,que era muito mais musculosoquanto na interpretação, que transmitiu o jeito refinado do vigilante e a sua paixão por um mundo em paz.
Patrick Wilson caiu como uma luva para Dreiberg, o sujeito quarentão, pacato e gentil,mas que se sente acuado pela ameaça da Terceira Guerra e por ter vontade de vestir o seu uniforme mais uma vez.
Malin Akerman até que tem química com seus colegas, Patrick,Billy e com Carla Gugino, que interpreta sua mãe, contudo nas cenas com mais carga dramática,como a cena de Marte, que ela descobre fatos importantes da sua vida, ela não segura a onda, resultando numa interpretação fraca.
Billy Crudup, como Jon Osterman antes do acidente, tem pouco tempo em cena para mostrar o seu talento,comprovado em Quase Famosos, porém ele consegue passar a personalidade vaga e distante da humanidade de Jon quando ele se transforma no Dr.Manhattan, sempre mantendo a voz calma.
Stephen McHattie(Hollis Mason) e Carla Gugino( Sally Júpiter), como os vigilantes mascarados dos anos 40 são fundamentais à história, pois dão um tom de paternidade em algumas cenas, como os dois Corujas,Dreiberg e Hollis Mason conversando na oficina,mantendo uma amizade como a de um pai com seu filho e acontece a mesma coisa com Malin e Carla.Até brigando as duas se amam e isso é refletido na interpretação das duas.Carla também capricha no tom cômico que Sally possui..Pena que ambos tem pouco tempo em cena.
Todavia, como tudo que é bom dura pouco,Watchmen também derrapa em alguns momentos.
O ritmo do filme não é constante, sendo bastante monótono algumas vezes, embasado somente nos diálogos das personagens, principalmente para a pessoa que não conhece a história, e que não vê a hora de aquilo acabar.Como exemplo, tem a já citada cena de Marte, nos instantes finais, que o diálogo entre Laurie e Jon parece interminável,realmente muito parado e que perde a atenção do espectador que queria ver mais ação.
Um ponto bastante comentado entre os fãs foi a mudança do final, que ficou bem mais coerente, dando mais credibilidade à trama.
Em suma,somando prós e contras, Watchmen como já disse, é uma ótima adaptação, para quem não gosta de ler e prefere assistir o filme para conhecer a obra original, mas como cinema é um filme mediano que impressiona com as ótimas cenas de ação e que em contra-partida,entedia o público com cenas arrastadas nos momentos errados e ignora os leigos no universo complexo escrito por Alan Moore.De qualquer modo, é satisfatório.
Nota:8

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