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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Crítica: Segredos de Sangue (Stoker, 2013)

Chan-wook Park, diretor sul-coreano, ganhou notoriedade no cinema após o grande sucesso “Oldboy”, que hoje ganhou o status de cult. Não poderia ser diferente, seu notável talento o levou até Hollywood, e este é seu primeiro filme em solo norte-americano e devido a isso, vem carregado de boas expectativas. “Segredos de Sangue” merece respeito e admiração, é um grande exercício visual de Park, mas infelizmente não passa disso, uma bela direção tentando dar vida a um roteiro vazio.

Por Fernando Labanca

Em pleno dia de seu aniversário de dezoito anos, India Stoker (Mia Wasikowska) recebe a notícia da morte de seu pai. Ela mantém uma relação conturbada com sua mãe (Nicole Kidman), e a presença constante de parentes, devido ao velório, acaba agravando ainda mais o distanciamento das duas, principalmente com a chegada do misterioso Charlie (Matthew Goode), um tio desconhecido que nunca tiveram notícias, ele decide passar um tempo ao lado delas, é um aventureiro que passou anos viajando pela Europa e agora precisa resolver algumas pendências. Com Charlie na casa, India começa a sentir desejos que antes desconhecia, além de descobrir o passado sombrio de sua família.


Já em seus primeiros minutos, Chan-wook Park nos entrega e deixa claro isso, um suspense diferenciado, com seus interessantes cortes e sua fotografia impecável, ficamos vidrados assim que o filme começa, é tudo belo o que ele nos oferece, uma direção irretocável, e assim “Segredos de Sangue” segue com um clima pesado, misterioso, onde as personagens aparecem de forma fantasmagóricas, remetendo e muito a filmes sobre vampiros, não é toa que sua grande referência é a história de Drácula de Bram Stoker, aliás, Stoker é o nome da família em questão e título da própria obra, há muito de Drácula e sua obsessão por Mina Murray, mas evitarei spoillers. Aliás, referências não faltam para sua construção, Hitchcock também se faz presente, seja na clássica cena do chuveiro de “Psicose” ou nas relações das personagens, as obsessões e desejos proibidos de “Um Corpo Que Cai”, além da própria construção dos indivíduos, Evelyn, interpretada por Nicole Kidman, parece ter saído de seus filmes, seja por seu figurino, cabelo ou modo de agir, além da própria direção de arte que parece ter retirado os fundos de cores fortes e estampados de "Vertigo" para a construção de seus cenários. Como disse, o filme é um grande exercício visual do diretor, que mostra mais uma vez seu talento e sua habilidade em entregar ao público cenas marcantes e extremamente bem elaboradas.

Por outro lado, “Segredos de Sangue” carece de um roteiro mais trabalhado, onde ele nos dá a entender que algo grandioso está para acontecer, alguma revelação surpreendente que mudará drasticamente o rumo da trama. Mas nada acontece. Seu final, de fato, é muito interessante, confesso, mas a sensação que fica é que poderia ter sido muito melhor, que aliás, tudo poderia ter sido melhor. As revelações não são óbvias, mas também não surpreendem, o roteiro nos aponta desde o início o que poderia haver de errado, nos antecipa aonde está o mistério, e em nenhum momento ele guia para outro lado, é o que era para ser, o que parecia ser desde o início, não ousa, e apesar do bom suspense que nos prende ao decorrer do filme, bate aquela decepção, por nos criar aquela expectativa de que estamos diante de algo inovador, mas infelizmente, não. O que vemos é uma obra esteticamente muito bem trabalhada, no entanto, não é capaz de disfarçar ou amenizar suas fracas ideias.

No elenco vemos nomes interessantes. Mia Wasikowska trilhando brilhantemente sua carreira, escolhendo sempre bons projetos, sua grande atuação é notável, e com certeza, faz deste filme algo melhor do que ele teria sido sem ela. Não sou a melhor pessoa para avaliar Nicole Kidman, sou um fã, me dá sempre a impressão de que mesmo sem se esforçar tanto, ela é capaz de roubar a cena, aliás, é dela um dos melhores diálogos do filme, ao falar sobre suas fraquezas como mãe e do que espera para sua filha. Matthew Goode está muito bem também, é um papel difícil e se mostra bastante versátil em cena.

“Segredos de Sangue” merece ser visto e admirado, é um cinema de qualidade que vale como exercício visual, por pura contemplação cinéfila mesmo. Entretanto, ao seu término, me senti diante de algo vazio, tão belo, tão deslumbrante, mas vazio, com personagens que dizem palavras mas não expressam vida, com situações absurdas e mal desenvolvidas, longe de serem verossímeis e longe de causar qualquer empatia. Faltou vida, agressividade, causar impacto, tudo o que o trailer prometia e tudo o que se espera de Chan-wook Park. É um diretor talentoso que não deixarei de apostar minhas fichas, faz deste filme uma verdadeira obra de arte, vazio em sua essência, mas ainda assim, belo.

NOTA: 7


País de origem: EUA
Duração: 98 minutos
Elenco: Mia Wasikowska, Matthew Goode, Nicole Kidman, Dermot Mulroney, Jacki Weaver
Diretor: Chan-wook Park
Roteiro: Wentworth Miller




sábado, 18 de maio de 2013

Crítica: Inquietos (Restless, 2011)

Gus Van Sant é definitivamente um diretor imprevisível, enquanto consegue realizar obras como o polêmico "Elefante" ou o emocionante "Gênio Indomável", também é capaz de surgir na mídia mostrando seu grande esforço para ser o diretor da adaptação "50 Tons de Cinza". Realmente não dá para entender. E mesmo provando em alguns projetos sua ousadia como profissional, também é capaz de surgir com obras menores, sem criatividade e sem emoção, o que é o caso deste "Inquietos", tão distante da grande filmografia que ele realizou ao longo de sua carreira.

por Fernando Labanca

Conhecemos Enoch (Henry Hopper), um desajustado e solitário jovem, que vive com sua tia após perder seus pais em um acidente de carro, ainda quando era criança, e tem como melhor amigo, um fantasma de um piloto japonês, morto na Segunda Guerra Mundial. O acidente em sua infância foi trágico e ele precisou ficar um período em coma, o que o impediu de ver o velório de seus pais. Como compensação, ele cria uma rotina de assistir funerais de desconhecidos, e em uma dessas "visitas", ele conhece Annabel (Mia Wasikowska), uma garota tão desajustada quanto ele, com quem inicia uma relação amorosa. Porém, quando ela descobre que possui apenas três meses de vida, devido a um câncer, Enoch passa a ser parte essencial dessa sua nova descoberta, a morte. 


"Inquietos" mostra a morte de um ponto de vista diferente, sem ser melancólico, sem necessariamente ser o fim. A morte como parte da vida, como parte de qualquer trajetória, mais do que isso, a morte como recomeço. O personagem Enoch tem uma estranha relação com ela, perdeu os pais ainda pequeno e seu melhor amigo é um fantasma (Ok, essa última parte a gente ignora!), vai a funerais e se veste como alguém de outra época, um ser que definitivamente não vê muito sentido na vida, mas que entendeu e aceitou seu rumo. Annabel em nenhum momento se choca com sua dura realidade, mesmo quando finalmente encontra um motivo para querer viver descobre que pouco poderá desfrutar de toda sua felicidade. Felicidade que poderá ser resumida em um curto período de sua existência, no entanto, que já terá valido sua vida inteira. E ambos, juntos, enfrentam essa passagem, Annabel de entender a morte, de se desprender daquilo que a completa e Enoch de compreender a vida, mesmo quando aquilo que enfim lhe deu um sentido está prestes a partir.

Há muita beleza nesta obra, isso é inegável, o diretor Gus Van Sant entrega à morte, poesia. Figurinos, trilha sonora e fotografia, tudo em perfeito estado, prontos para entregar ao público uma obra para se lembrar. No entanto, isso não acontece e é no roteiro que se encontra sua grande falha. Escrito por alguém que provavelmente entende muito de morte, mas pouco da vida, onde seus conflitos e personagens parecem ter sido tirados de outro filme, não do mundo real. É tudo tão alienado e artificial a maneira como o casal vive e como tudo é explorado na trama, Annabel e Enoch que nasceram de um protótipo já criado para "jovens desajustados", com direito a nomes estranhos, conflitos familiares e manias bizarras como ler sobre insetos e Darwin e jogar pedras em trem (??), onde no fundo não passam de jovens normais, bonitos, com corte de cabelo moderno e um estilista de primeira. O roteiro tenta nos convencer de que eles não se encaixam na sociedade, mas a construção dos personagens é tão rasa, tão pobre que ficou bem difícil embarcar nesta jornada e acreditar em seus dramas.

Enoch e Annabel são os típicos personagens de filme "indie", são salvos, porém, pelas atuações, principalmente de Mia Wasikowska, que encanta facilmente e prova, mais uma vez, seu grande talento, apesar de jovem. Já Henry Hopper não decepciona, mas também não surpreende. "Inquietos" traz uma direção de Gus Van Sant morno, que não ousa, em um filme que possui uma boa premissa mas desperdiça o restante da trama com uma abordagem já retratada em outras obras. Confesso que tudo é muito bonito e bem feito, não deixa de ser adorável. No entanto, ironicamente, neste filme que fala sobre a morte, a única coisa que lhe faltou foi vida própria, resultando em algo sem personalidade, insosso. Fácil de gostar, fácil de esquecer.

NOTA: 7



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Crítica: Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right, 2010)

Comédia Dramática dirigida por Lisa Cholodenko e com atuações brilhantes de Julianne Moore, Annette Bening e Mark Ruffalo. Filme que há pouco tempo estava em cartaz nos cinemas, trouxe às telas a vida de uma família nada convencional, no melhor do estilo "indie".

por Fernando Labanca

Bem recebido em festivais de Cinema como o Sundance e o de Berlim, é a mais nova pérola do circuito independente. O longa nos mostra a vida de uma família bem fora dos padrões, Laser (Josh Hutcherson) e Joni (Mia Wasikowska) chegaram ao mundo por inseminação artificial, atualmente com 16 e 17 anos, respectivamente, vivem bem ao lado das mães Jules (Moore) e Nic (Bening), um casal homossexual que para terem filhos resolveram opitar pela inseminação. Há anos vivendo como família, os quatro já não vivem como se fossem uma minoria, uma raridade e juntos contruiram uma família de verdade.

Até que, Joni, prestes a completar 18 anos, decide realizar um pedido de seu irmão, ir atrás do "pai", ou melhor, o doador de espermas. Ela consegue contato com ele e junto com Laser, marcam um encontro e finalmente conhecem aquele que os concebeu ao mundo, Paul (Ruffalo), um cara sem muitas responsabilidades, sem família, é dono de um restaurante e não se prende emocionalmente a ninguém. Jules e Nic, ao descobrirem o ocorrido, decidem trazê-lo para um almoço em família e conhecê-lo, antes que cresça uma união entre o estranho e os filhos sem seus conhecimentos. Nic, é uma médica e profissionalmente bem resolvida e é quem realmente sustenta a todos, enquanto Jules não consegue encontrar sua função e se perde em vários "bicos", e o da vez é como paisagista, eis que Paul, pede para ela o ajudar na elaboração de um jardim no fundo de sua casa. Se sentindo , enfim, como alguém importante, decide ajudá-lo, é quando por trás de sua família, começa a ter um caso com ele, e aos poucos, a entrada do desconhecido na vida dessas pessoas, começa a desestruturar toda a base sólida que eles construíram.



Com título original "The Kids Are All Right", o filme nos mostra que realmente os filhos estão bem. Remetendo a idéia de que muitos acreditam que uma união entre homossexuais pode abalar a estrutura de uma família, e o longa nos dá um outro ponto de vista, onde os problemas está nos adultos, por mais que os jovens tenham lá seus problemas, como qualquer outro, nada tem a ver com a relação dos pais, mas sim com suas vidas pessoais fora de casa. O que abala a estrutura são as escolhas mal feitas pelo casal, pelos erros cometidos, e não por serem homossexuais, mas por serem humanos, erros que qualquer um comete, falhas que podem exitir em qualquer outra família. Já o título nacional, bom, enfim, acho que não precisamos nem comentar, só mais uma pérola de criatividade daqueles que criam esses nomes!!

"Minhas Mães e Meu Pai" é interessante exatamente por isso, por mostrar conflitos bastante comuns, mas não como clichê ou falta de criatividade do roteiro, mas como forma de dizer: "Vejam, eles são normais!". Outro lado positivo é o fato de não ser mais um filme independente, aqueles com o carimbo "Sundance" e que não fogem da zona de conforto, geralmente comédias dramáticas, aclamadas por filme como "Pequena Miss Sunchine" e "Juno" e só por esses terem feito sucesso, os realizadores desse estilo, acharam a fórmula certa e não fogem dela. "Minhas Mães e Meu Pai", enfim, foge, dessa área de conforto, bebe em outra fonte, com um roteiro mais ousado e cenas, digamos, mais picantes, e atuações memoráveis. Claro, não chega a ser o novo "Miss Sunshine", mas é uma outra pérola do gênero, também digna de elogios.

O que mais marca no filme são definitivamente as atuações. Annette Bening retorna numa boa personagem, que adimito, não vi mais nada de sua carreira desde "Beleza Americana", e mais uma vez ela surpreende, com uma atuação notável e está sendo vista como possível indicada ao Oscar. Apesar do foco da mídia ter virado mais para Bening, ao meu ver, o destaque do longa fica para Julianne Moore, em mais uma atuação memorável da atriz, uma das mais competentes de sua geração, devido a ela, vemos cenas belíssimas e muito comoventes. Mark Ruffalo, impecável, uma de sua melhores performances. Mia Wasikowska, muito superior ao seu desempenho em Alice no País das Maravilhas, aqui ela reage as situações, consegue demostrar sentimentos e se sai muito bem, assim como Josh Hutcherson.

Um filme divertido, com um humor bastente sutil, mas que funciona, e um drama bem guiado pelas mãos de Lisa Cholodenko, comovente e emocionante em determinadas cenas. Vale mesmo pelas atuações, que foram uma das melhores esse ano, pela ótima química entre Julianne Moore e Annette Bening, que brilham na tela, num roteiro simples, mas que consegue passar sua mensagem. Recomendo.


NOTA: 9


sexta-feira, 30 de abril de 2010

Crítica: Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010)


Tanto na literatura, na televisão ou no cinema, Alice, obra de Lewis Carroll, já foi alvo de milhares de adaptações. Em 2010, o visionário diretor Tim Burton lançou nos cinemas sua visão do conto, e levou tanto seus fãs quanto os fãs da história infantil, ao delírio. Entretanto, criaram tantas expectativas em cima deste longa, que o que restou no final do filme, foram apenas decepções!

por Fernando Labanca

Lewis Carroll escreveu dois livros sobre Alice, além de "No País das Maravilhas", o autor escreveu "Alice Através do Espelho", o que Tim Burton fez, foi uma mescla dessas duas obras, além do fato de renovar a história colocando Alice em seu mundo imaginário muitos anos depois. Foi algo como: "O que aconteceria se Alice voltasse ao país das maravilhas?", e Burton fez sua visão, contando um pouco do mesmo, além de criar muitos outros elementos, é mais do que apenas uma outra adaptação, é como se fosse uma nova sequência.

No filme, Alice, aos 17 anos, quase entrando na fase adulta nunca deixou seu lado infantil totalmente de lado, desde sempre teve uma visão um tanto quanto imatura sobre sua vida e quando estava prestes a se casar forçadamente com um estranho, ela encontra uma maneira de fugir, indo atrás de um coelho em plena festa de noivado. Um coelho misterioso e muito apressado, e a jovem, em sua busca acaba caindo em um buraco que a leva em um mundo cheio de maravilhas e encantos. 

Chegando no País das Maravilhas, Alice se depara com várias criaturas, animais que falam, gêmeos que vivem brigando e uma lagarta que sabe sobre tudo, e todos dizem uma única coisa: "Ela não é Alice". Confusa e completamente perdida, ela chega a conclusão de que há muitos anos atrás uma garota chamada Alice esteve por ali e desde então todas as criaturas esperavam seu retorno, mas acabaram pegando a jovem errada. A bela moça sempre se defende dizendo que não é o que eles procuram, principalmente quando lhe mostram um calendário que mostra o que vai acontecer nos próximos dias, e no último deles, há o "Gloria Day", onde Alice mataria uma criatura monstruosa que atormenta a todos. Esta criatura é comandado pela poderosa Rainha Vermelha, que o usou para tirar a coroa da Rainha Branca, o matando, o reino voltaria a ser de Rainha Branca e todos voltariam a ser felizes. Mas Alice nunca mataria alguém. Não era uma questão de destino, e sim, uma questão de escolha.

Até que ela conhece o Chapeleiro, uma criatura estranha e maluca e junto com ele, Alice vai descobrir o porquê de todos serem tão infelizes sob o governo de Rainha Vermelha e por que ela é tão importante naquele lugar, e sim, ela era a Alice que todos esperavam. A partir de então, surge uma aventura que salvaria a vida de todos, os libertariam, e quanto mais tempo a jovem passa naquele lugar, mas ela tem certeza de que tudo não passa de um sonho, o pior ou o melhor deles, e fica cada vez mais difícil se apegar aos novos amigos sabendo que uma hora iria acordar e se esqueceria de tudo.














Por mais que o cinema esteja avançando tanto devido a tantas tecnologias, a mente das pessoas também evolui e hoje, aqueles que assistem a um filme, esperam mais dele. Não adiante colocar batalhas diante de nossos olhos, queremos um bom motivo para estarmos vendo aquilo. Não adiante colocar tantos personagens na tela, esperamos ver histórias, conflitos interessantes para nos prender nela e mais do que isso, queremos o mais real possível, temos que sentir que aquelas personagens são reais mesmo que numa história de fantasia, queremos sentir que são seres que tem alma e sentem algo, que sejam humanos. E infelizmente, a tecnologia 3D faz com que inúmeros filmes sejam projetados para ficaram bonitos de se verem e assim ganharem público, mas aqueles que os fazem, simplesmente esquecem, que por trás de uma bela capa tem que haver uma bela história.

Tim Burton, diretor tão renomado se entregou a isso, fez um filme para ser bonito de se ver, para ser exibido em 3D e pronto, nada a mais. Um filme que é pura estética, e seu roteiro é falho. Um longa fraco, chato e muitas vezes entediante. Como eu disse anteriormente, hoje, esperamos muito mais de um filme, e Alice não surpreende em nenhum aspecto. Sou um admirador assumido dos filmes de Tim Burton, e digo com toda a certeza, é decepcionante saber que este longa agora faz parte de sua "brilhante" trajetória.

O filme começa, se desenvolve fracamente e termina...e pensamos: "Só isso??". Um filme sem pé nem cabeça, onde as atitudes das personagens são forçadas e completamente toscas. A história poderia até ser interessante se desenvolvida melhor, mas infelizmente, o diretor, se priva disso, e se esforça somente nos efeitos e na imagem do filme. Da metade para o final, o famoso conto de Alice some e o filme se transforma em um épico juvenil patético, deixando As Cronicas de Nárnia parecer genial.

A protagonista é ruim, Mia Wasikowska é completamente sem graça, não consegue expressar nenhum tipo de sentimento, deixando o filme mais vazio do que realmente é, a Alice de Tim Burton é chata e sua imaturidade é irritante. Johnny Depp mais uma vez fazendo o de sempre, o cara estranho e engraçadinho, é um ótimo ator e isso é inegável, mas chega uma hora que precisamos ver algo diferente, fez um mero coadjuvante que nada ajuda na trama. Anne Hathaway, simpática, como sempre, mas muito caricata, e sua personagem também é fraca. A salvação, não só das personagens, mas também de todo filme, foi colocar Helena Bonham Carter, a esposa de Burton, como a Rainha Vermelha, a única que se salva, uma vilã divertida e a única com alma no filme, vem dela os melhores diálogos e as melhores sequências, a atriz é incrível e impecável. Vale destacar as personagens secundárias, como o gato risonho, os gêmeos Tweedledee e Tweedledum e a lagarta, todos muito carismáticos e que ajudam em algumas cenas.


Vale a pena ver simplesmente pelas imagens, uma fotografia deslumbrante, cenários encantadores e tudo no mais perfeito estado, o figurino também chama a atenção. Os efeitos são maravilhosos, é de ficar de boca aberta com tudo o que vemos, na mais simples cena, a equipe parece acertar em tudo, um filme, esteticamente falando, irretocável. Além da trilha sonora de ninguém mais que Danny Elfman.


Não espere nada de Alice no País das Maravilhas, pois como eu disse o resultado será decepcionante. Um filme que vai encher o bolso de Tim Burton mais que nada irá acrescentar em sua carreira. Sinceramente sinto falta do diretor de A Noiva-Cádaver e Peixe Grande, pois desse grande diretor nada apareceu em Alice. Um filme que me assusta, pois me faz refletir sobre até que ponto a tecnologia pode estragar a sétima arte, ou o que um diretor capaz de fazer tantas coisas boas é capaz de fazer por dinheiro.

NOTA: 5









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