sexta-feira, 30 de abril de 2010

Crítica: Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010)


Tanto na literatura, na televisão ou no cinema, Alice, obra de Lewis Carroll, já foi alvo de milhares de adaptações. Em 2010, o visionário diretor Tim Burton lançou nos cinemas sua visão do conto, e levou tanto seus fãs quanto os fãs da história infantil, ao delírio. Entretanto, criaram tantas expectativas em cima deste longa, que o que restou no final do filme, foram apenas decepções!

por Fernando Labanca

Lewis Carroll escreveu dois livros sobre Alice, além de "No País das Maravilhas", o autor escreveu "Alice Através do Espelho", o que Tim Burton fez, foi uma mescla dessas duas obras, além do fato de renovar a história colocando Alice em seu mundo imaginário muitos anos depois. Foi algo como: "O que aconteceria se Alice voltasse ao país das maravilhas?", e Burton fez sua visão, contando um pouco do mesmo, além de criar muitos outros elementos, é mais do que apenas uma outra adaptação, é como se fosse uma nova sequência.

No filme, Alice, aos 17 anos, quase entrando na fase adulta nunca deixou seu lado infantil totalmente de lado, desde sempre teve uma visão um tanto quanto imatura sobre sua vida e quando estava prestes a se casar forçadamente com um estranho, ela encontra uma maneira de fugir, indo atrás de um coelho em plena festa de noivado. Um coelho misterioso e muito apressado, e a jovem, em sua busca acaba caindo em um buraco que a leva em um mundo cheio de maravilhas e encantos. 

Chegando no País das Maravilhas, Alice se depara com várias criaturas, animais que falam, gêmeos que vivem brigando e uma lagarta que sabe sobre tudo, e todos dizem uma única coisa: "Ela não é Alice". Confusa e completamente perdida, ela chega a conclusão de que há muitos anos atrás uma garota chamada Alice esteve por ali e desde então todas as criaturas esperavam seu retorno, mas acabaram pegando a jovem errada. A bela moça sempre se defende dizendo que não é o que eles procuram, principalmente quando lhe mostram um calendário que mostra o que vai acontecer nos próximos dias, e no último deles, há o "Gloria Day", onde Alice mataria uma criatura monstruosa que atormenta a todos. Esta criatura é comandado pela poderosa Rainha Vermelha, que o usou para tirar a coroa da Rainha Branca, o matando, o reino voltaria a ser de Rainha Branca e todos voltariam a ser felizes. Mas Alice nunca mataria alguém. Não era uma questão de destino, e sim, uma questão de escolha.

Até que ela conhece o Chapeleiro, uma criatura estranha e maluca e junto com ele, Alice vai descobrir o porquê de todos serem tão infelizes sob o governo de Rainha Vermelha e por que ela é tão importante naquele lugar, e sim, ela era a Alice que todos esperavam. A partir de então, surge uma aventura que salvaria a vida de todos, os libertariam, e quanto mais tempo a jovem passa naquele lugar, mas ela tem certeza de que tudo não passa de um sonho, o pior ou o melhor deles, e fica cada vez mais difícil se apegar aos novos amigos sabendo que uma hora iria acordar e se esqueceria de tudo.














Por mais que o cinema esteja avançando tanto devido a tantas tecnologias, a mente das pessoas também evolui e hoje, aqueles que assistem a um filme, esperam mais dele. Não adiante colocar batalhas diante de nossos olhos, queremos um bom motivo para estarmos vendo aquilo. Não adiante colocar tantos personagens na tela, esperamos ver histórias, conflitos interessantes para nos prender nela e mais do que isso, queremos o mais real possível, temos que sentir que aquelas personagens são reais mesmo que numa história de fantasia, queremos sentir que são seres que tem alma e sentem algo, que sejam humanos. E infelizmente, a tecnologia 3D faz com que inúmeros filmes sejam projetados para ficaram bonitos de se verem e assim ganharem público, mas aqueles que os fazem, simplesmente esquecem, que por trás de uma bela capa tem que haver uma bela história.

Tim Burton, diretor tão renomado se entregou a isso, fez um filme para ser bonito de se ver, para ser exibido em 3D e pronto, nada a mais. Um filme que é pura estética, e seu roteiro é falho. Um longa fraco, chato e muitas vezes entediante. Como eu disse anteriormente, hoje, esperamos muito mais de um filme, e Alice não surpreende em nenhum aspecto. Sou um admirador assumido dos filmes de Tim Burton, e digo com toda a certeza, é decepcionante saber que este longa agora faz parte de sua "brilhante" trajetória.

O filme começa, se desenvolve fracamente e termina...e pensamos: "Só isso??". Um filme sem pé nem cabeça, onde as atitudes das personagens são forçadas e completamente toscas. A história poderia até ser interessante se desenvolvida melhor, mas infelizmente, o diretor, se priva disso, e se esforça somente nos efeitos e na imagem do filme. Da metade para o final, o famoso conto de Alice some e o filme se transforma em um épico juvenil patético, deixando As Cronicas de Nárnia parecer genial.

A protagonista é ruim, Mia Wasikowska é completamente sem graça, não consegue expressar nenhum tipo de sentimento, deixando o filme mais vazio do que realmente é, a Alice de Tim Burton é chata e sua imaturidade é irritante. Johnny Depp mais uma vez fazendo o de sempre, o cara estranho e engraçadinho, é um ótimo ator e isso é inegável, mas chega uma hora que precisamos ver algo diferente, fez um mero coadjuvante que nada ajuda na trama. Anne Hathaway, simpática, como sempre, mas muito caricata, e sua personagem também é fraca. A salvação, não só das personagens, mas também de todo filme, foi colocar Helena Bonham Carter, a esposa de Burton, como a Rainha Vermelha, a única que se salva, uma vilã divertida e a única com alma no filme, vem dela os melhores diálogos e as melhores sequências, a atriz é incrível e impecável. Vale destacar as personagens secundárias, como o gato risonho, os gêmeos Tweedledee e Tweedledum e a lagarta, todos muito carismáticos e que ajudam em algumas cenas.


Vale a pena ver simplesmente pelas imagens, uma fotografia deslumbrante, cenários encantadores e tudo no mais perfeito estado, o figurino também chama a atenção. Os efeitos são maravilhosos, é de ficar de boca aberta com tudo o que vemos, na mais simples cena, a equipe parece acertar em tudo, um filme, esteticamente falando, irretocável. Além da trilha sonora de ninguém mais que Danny Elfman.


Não espere nada de Alice no País das Maravilhas, pois como eu disse o resultado será decepcionante. Um filme que vai encher o bolso de Tim Burton mais que nada irá acrescentar em sua carreira. Sinceramente sinto falta do diretor de A Noiva-Cádaver e Peixe Grande, pois desse grande diretor nada apareceu em Alice. Um filme que me assusta, pois me faz refletir sobre até que ponto a tecnologia pode estragar a sétima arte, ou o que um diretor capaz de fazer tantas coisas boas é capaz de fazer por dinheiro.

NOTA: 5









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