segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Crítica: Minhas Mães e Meu Pai (The Kids Are All Right, 2010)

Comédia Dramática dirigida por Lisa Cholodenko e com atuações brilhantes de Julianne Moore, Annette Bening e Mark Ruffalo. Filme que há pouco tempo estava em cartaz nos cinemas, trouxe às telas a vida de uma família nada convencional, no melhor do estilo "indie".

por Fernando Labanca

Bem recebido em festivais de Cinema como o Sundance e o de Berlim, é a mais nova pérola do circuito independente. O longa nos mostra a vida de uma família bem fora dos padrões, Laser (Josh Hutcherson) e Joni (Mia Wasikowska) chegaram ao mundo por inseminação artificial, atualmente com 16 e 17 anos, respectivamente, vivem bem ao lado das mães Jules (Moore) e Nic (Bening), um casal homossexual que para terem filhos resolveram opitar pela inseminação. Há anos vivendo como família, os quatro já não vivem como se fossem uma minoria, uma raridade e juntos contruiram uma família de verdade.

Até que, Joni, prestes a completar 18 anos, decide realizar um pedido de seu irmão, ir atrás do "pai", ou melhor, o doador de espermas. Ela consegue contato com ele e junto com Laser, marcam um encontro e finalmente conhecem aquele que os concebeu ao mundo, Paul (Ruffalo), um cara sem muitas responsabilidades, sem família, é dono de um restaurante e não se prende emocionalmente a ninguém. Jules e Nic, ao descobrirem o ocorrido, decidem trazê-lo para um almoço em família e conhecê-lo, antes que cresça uma união entre o estranho e os filhos sem seus conhecimentos. Nic, é uma médica e profissionalmente bem resolvida e é quem realmente sustenta a todos, enquanto Jules não consegue encontrar sua função e se perde em vários "bicos", e o da vez é como paisagista, eis que Paul, pede para ela o ajudar na elaboração de um jardim no fundo de sua casa. Se sentindo , enfim, como alguém importante, decide ajudá-lo, é quando por trás de sua família, começa a ter um caso com ele, e aos poucos, a entrada do desconhecido na vida dessas pessoas, começa a desestruturar toda a base sólida que eles construíram.



Com título original "The Kids Are All Right", o filme nos mostra que realmente os filhos estão bem. Remetendo a idéia de que muitos acreditam que uma união entre homossexuais pode abalar a estrutura de uma família, e o longa nos dá um outro ponto de vista, onde os problemas está nos adultos, por mais que os jovens tenham lá seus problemas, como qualquer outro, nada tem a ver com a relação dos pais, mas sim com suas vidas pessoais fora de casa. O que abala a estrutura são as escolhas mal feitas pelo casal, pelos erros cometidos, e não por serem homossexuais, mas por serem humanos, erros que qualquer um comete, falhas que podem exitir em qualquer outra família. Já o título nacional, bom, enfim, acho que não precisamos nem comentar, só mais uma pérola de criatividade daqueles que criam esses nomes!!

"Minhas Mães e Meu Pai" é interessante exatamente por isso, por mostrar conflitos bastante comuns, mas não como clichê ou falta de criatividade do roteiro, mas como forma de dizer: "Vejam, eles são normais!". Outro lado positivo é o fato de não ser mais um filme independente, aqueles com o carimbo "Sundance" e que não fogem da zona de conforto, geralmente comédias dramáticas, aclamadas por filme como "Pequena Miss Sunchine" e "Juno" e só por esses terem feito sucesso, os realizadores desse estilo, acharam a fórmula certa e não fogem dela. "Minhas Mães e Meu Pai", enfim, foge, dessa área de conforto, bebe em outra fonte, com um roteiro mais ousado e cenas, digamos, mais picantes, e atuações memoráveis. Claro, não chega a ser o novo "Miss Sunshine", mas é uma outra pérola do gênero, também digna de elogios.

O que mais marca no filme são definitivamente as atuações. Annette Bening retorna numa boa personagem, que adimito, não vi mais nada de sua carreira desde "Beleza Americana", e mais uma vez ela surpreende, com uma atuação notável e está sendo vista como possível indicada ao Oscar. Apesar do foco da mídia ter virado mais para Bening, ao meu ver, o destaque do longa fica para Julianne Moore, em mais uma atuação memorável da atriz, uma das mais competentes de sua geração, devido a ela, vemos cenas belíssimas e muito comoventes. Mark Ruffalo, impecável, uma de sua melhores performances. Mia Wasikowska, muito superior ao seu desempenho em Alice no País das Maravilhas, aqui ela reage as situações, consegue demostrar sentimentos e se sai muito bem, assim como Josh Hutcherson.

Um filme divertido, com um humor bastente sutil, mas que funciona, e um drama bem guiado pelas mãos de Lisa Cholodenko, comovente e emocionante em determinadas cenas. Vale mesmo pelas atuações, que foram uma das melhores esse ano, pela ótima química entre Julianne Moore e Annette Bening, que brilham na tela, num roteiro simples, mas que consegue passar sua mensagem. Recomendo.


NOTA: 9


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