sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Crítica: A Rede Social (The Social Network, 2010)

Um dos filmes mais comentados dos últimos meses e vencedor de prêmios importantes na Associação Nacional de Críticos de Cinema dos Estados Unidos, incluindo Melhor Filme e Diretor, e citado como um dos favoritos para o Oscar 2011. "A Rede Social" tem a direção do aclamado David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Button) e conta com atuações marcantes de Jesse Eisenberg e Andrew Garfield.

por Fernando Labanca

O filme mostra a criação do Facebook, uma das redes sociais mais populares da internet, e mais do que isso, nos mostra como esses jovens por trás desse projeto se tornaram milionários tão cedo. Primeiramente, conhecemos os jovens intelectuais afim de muita badalação nos corredores de Harvard, dentre eles, está Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), mimado, folgado, grosseiro, inteligente e ao mesmo tempo, um verdadeiro babaca. É apaixonado por Erica (Rooney Mara), sua namorada, até que um dia ela resolve abandoná-lo, logo que percebeu o quão idiota ele é. Decepcionado com a situação, e ao mesmo tempo querendo levar a melhor, achando que estaria "virando o jogo" começa a humilhá-la em seu blog. Não suficiente, com a ajuda de seus amigos, inclusive de Eduardo Saverin (Andrew Garfield), seu colega de quarto, utilizando seus conhecimentos em criação de programas, cria na mesma hora um, onde buscando imagens das garotas da faculdade em redes sociais e hackeando a segurança de Harvard, tem o intuito de criar uma espécie de duelo entre desconhecidas, e os internautas escolheriam quais eram as melhores, o "facemash".


Com isso, Mark ganha notoriedade, principalmente da parte de três jovens, Tyler e Cameron Winklevoss (Armie Hammer) e Divya (Max Minghella) que buscavam conhecimento para criarem um grandioso projeto na internet e vão atrás do expert, que aceita o convite. Enquanto isso, Eduardo se vê envolvido com alguns grupos importantes da faculdade, coisa de Mark sempre quis, mas nunca conseguiu, e para resolver este problema se envolve neste projeto, acreditando se tornar um milionário e ser reconhecido pelos seus conhecimentos. Entretanto, ele não participa das reuniões da criação, e sem que os estudantes percebessem, Mark "rouba" as idéias deles e cria o "thefacebook".

Sem se importar com as consequências de seu ato, Mark acaba parando na justiça, acreditando que realmente não está errado, sem se importar com qualquer outro depoimento que não seja o seu. No presente, Eduardo leva Mark para a justiça para ter o que lhe é de direito sobre a criação do facebook, e para compreender como os dois amigos foram parar ali naquela discussão, o filme vai nos mostrando fatos do passado que os levaram até ali, desde a criação do projeto, as primeiras desavenças, até a chegada de Sean Parker (Justin Timberlake), um empreendedor sacana que vendo um futuro brilhante para o "facebook" começa a participar do projeto, influenciando diretamente nas escolhas de Mark.

"A Rede Social" é muito mais do que apenas a criação do facebook, é um retrato fial a juventude 2.0, aos novos tempos, os novos caminhos que a nova geração seguiu devido a tecnologia. Onde as relações se limitam a sites de relacionamento e quando os conflitos tem que ser resolvidos cara a cara, o ser humano falha, é quando vemos, então, a falta de caráter dos mesmos. O que mais impressiona nessa nova sociedade mostrada no filme, não é apenas a fragilidade das relações, mas o quão longe o homem vai para conquistar seus objetivos, indo contra seus próprios valores, valores como família, amizade, bondade, enfim, tudo o que denominamos de correto, são completamente ignorados. Os valores mudaram, e são assustadores, fama, dinheiro, nem que para tê-los seja preciso roubar, trair, mentir.

David Fincher acerta mais uma vez, construindo uma filmografia invejável. Há uma certa badalação em cima de seu nome recentemente, como provável indicado e quem sabe vencedor do Oscar no ano que vem. Não concordo com essas afirmações, "A Rede Social" definitivamente é um filme incrível, mas ao meu ver, diante das maravilhas que Fincher já realizou, este é o mais fraco. Se era para ter prêmios importantes em sua prateleira, deveria ter sido por outros trabalhos, e não por este, que ainda sim é ótimo, mas não inova em muitas coisas. O roteiro é simples, ajudado pelo fato de ser editado de forma não linear, onde os fatos do passado e presente são mesclados, enriquecendo o filme, e não permitindo que ele escorregue, se tornando algo atrativo e nos prende pela curiosidade de compreender o que realmente aconteceu.

O elenco ajuda ainda mais. Jesse Eisenberg está muito interessante na pele de Mark Zuckerberg, com trejeitos novos e bem diferentes de seus outros papéis, por outro lado, cria uma forma de falar bem complicada para aqueles que acompanham o filme com a legenda, extremamente rápida, comendo sílabas e principalmente vírgulas. Outro destaque é Andrew Garfield, que futuramente estará nos cinemas na pele do Homem Aranha, realiza um trabalho notável e seu personagem é de longe o mais interessante do filme e é por ele que torcemos e sofremos. Ainda temos Justin Timberlake, muito bem em cena, mais uma vez, Armie Hammer interpretando dois personagens, os gêmios, onde acreditamos facilmente que são dois atores diferentes, e participações de belas mulheres, como Rooney Mara, bastante interessante e Rashida Jones (ex- "The Office").

Um filme excelente, não tão bom quanto a mídia está citando. O fato de ter sido estreiado nesta época do ano favorece na seleção de prêmios por ser mais lembrado, se tivesse sido lançado no meio do ano, talvez teria sido ignorado, assim como os próprios criadores do "facebook" acreditavam. Um projeto muito bem realizado, com diálogos interessantes, sequências bem elaboradas e atuações notáveis, um filme acima de tudo, inteligente e marcante e nas mãos do diretor certo. Pode sim ser considerado "um dos" melhores do ano, mas não "o".

NOTA: 8.5

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