quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Crítica: Comer, Rezar, Amar (Eat Pray Love, 2010)

Criador de uma das séries mais comentadas da atualidade, "Glee", Ryan Murphy, elogiado por sua criação, foi para o cinema, afim de transpor para as telas o best seller "Comer, Rezar, Amar" de Elizabeth Gilbert. Com Julia Roberts no papel principal, o filme nos guia a uma incrível viagem de descobertas para a personagem, mas quem sai ganhando, definitivamente, é o público!

por Fernando Labanca

Elizabeth (Roberts) é uma escritora, com um trabalho promissor, dinheiro, um marido que a ama num relacionamento estável, enfim, tinha em suas mãos tudo o que muitas mulheres anceiam. Até que chega um momento em sua vida que começa a questionar tudo ao seu redor, se é isso que a faz feliz, que precisa para continuar vivendo. Percebendo que não ama mais seu marido, Steven (Billy Crudup), tem um surto, pede o divórcio, e numa tentativa de reconstruir sua vida, começa a se relacionar com um ator, um homem bem mais novo que ela, o sensível e intelectual, David (James Franco). Porém, esta união não é o suficiente para satisfazê-la como pessoa e percebe que precisa mais, não de um novo homem, não de outro emprego, mas precisa se encontrar no mundo, descobrir quem realmente é e do que realmente precisa para viver.

Ela decide abandonar tudo e todos, faz as malas, e faz um roteiro de viagem, três lugares, Itália, Índia e por último, o lugar onde a faz questionar tudo isso, Bali, na Indonésia, onde, numa viagem a trabalho havia conhecido um guru cheio de sabedoria que a fez acreditar que um dia abandonaria tudo e retornaria para o local. Na Itália, conhece a gastronomia mais requintada do mundo, belos pratos e muito sabor, faz alguns amigos, começa a aprender italiano, descobre as curiosidades sobre a cultura local. Na Índia, decide entrar em maior contato com a religião, começa a frequentar alguns templos, é onde conhece Richard (Richard Jenkins), um homem, a princípio irritante, mas depois, ela descobre seu passado, e numa intensa conversa com ele, Elizabeth começa a refletir sobre sua vida, principalmente sobre o homem que a amava de verdade e ela o abandonou, e por isso se sentia tão presa, por não ter se perdoado pelo ato. Ainda no país, conhece uma jovem indiana que pela tradição, é obrigada a se casar com um desconhecido. Em Bali, Elizabeth pretende encontrar o equilíbrio, encontrar, enfim, a paz, e lá conhece o brasileiro Felipe (Javier Bardem), e acaba encontrando o que não estava em seus planos, o amor.











Quem nunca pensou em desistir de tudo? E desistir, não significa cortar os pulsos, mas sim, abandonar a rotina, conhecer novos lugares, respirar novos ares. Quem nunca acordou diferente do "ontem" e começa a querer novas coisas e percebe que tudo o que tem, na verdade, não é o que precisa, a instabilidade e a complexidade do ser humano. "Comer, Rezar, Amar" nos coloca na vida de Elizabeth, uma mulher, assim como muitas pessoas, cansa da vida que leva, e num ato de desespero, talvez, mas também de muita coragem, embarca numa viagem de auto-descobertas. O público é mais feminino, mas não significa que os homens não o aprovem, muitos poderão se identificar com as crises de Elizabeth e se envolver facilmente com essa bela trajetória, de comida, de religião e amor, três dos elementos que muitos procuram para viver.

Muito criticado, "Comer, Rezar, Amar", ao meu ver, é delicioso. Não só pelos pratos italianos, mas principalmente pelo conteúdo. A jornada exposta é incrível, e Ryan Murphy, como diretor, acerta em cheio, ele consegue guiar essa viagem brilhantemente, seja pela trilha sonora, pelas ótimas locações e fotografia. O filme é longo, 2 horas e meia, tempo suficiente para colocar as tramas de forma tranquila, sem correr, dando espaço devido para cada situação e personagem, tudo na dosagem certa.

Julia Roberts está linda, convence em tudo, tanto nos momentos de crise de Elizabeth, quanto nos momentos de maior descontração. Os coadjuvantes acertam também, principalmente Richard Jenkins e James Franco, em cenas memoráveis, ambos contróem personagens belos e com muita comoção, e são por eles feitos, alguns dos melhores diálogos do filme. Billy Crudup, carismático e correto. Viola Davis aparece como melhor amiga de Elizabeth, e até hoje não consigo enxergar na atriz tal posição, como se ela fosse boa demais para isso, para uma simples coadjuvante-confidente, papel que exerceu também em "Noites de Tormenta". Javier Bardem, ator espanhol e experiente, fica com o pior desempenho no filme, totalmente deslocado na trama, ele não convence nenhum um pouco como brasileiro, desde seu sotaque até suas atitudes.

Sim, o longa tem seus defeitos, Javier Bardem é um deles, por incrível que pareça, também algumas músicas se repetem e isso chega a incomodar. Além, disso, há alguns detalhes da cultura brasileira totalmente erradas, como o beijo na boa dos filhos (What???), e também acredito que acabou se tornando um defeito, o fato da passagem pela Itália, a primeira, ter sido a melhor de todas, tanto pelos personagens, pelas situações, e principalmente pelo ótimo rítimo dado ao capítulo, que infelizmente se perde no decorrer do filme. Mas isso, não chega a estragar, aliás, seria preciso muito mais para fazer deste filme algo ruim, "Comer, Rezar, Amar" está acima da média, e vai além, um filme delicioso, divertido e emocionante, tudo é feito para fazer o público refletir, nada vem de graça no longa, cada diálogo, cada cena, tem um propósito, e acredito que o filme tenha consigido alcançar seu objetivo. Um longa cheio de vida, cheio de lições com frases de efeitos, cenas belamente construídas, tudo em perfeita harmonia.

NOTA: 9

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