quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O Mágico (L'Illusionniste, 2011)

Do diretor Sylvain Chomet, o mesmo do aclamado "As Bicicletas de Belleville". A animação francesa que ganhou notoriedade após sua indicação ao Globo de Ouro de Melhor Animação este ano, o que posteriormente voltou a acontecer no Oscar.

por Fernando Labanca

O filme é baseado numa história de um elogiado diretor francês, que morreu na década de 80, Jacques Tati. Aproveitando isso, Chomet realizou uma espécie de homenagem a seu cinema, seu estilo, relembrando elementos que constantemente estavam em seus filmes. "O Mágico" além de ser um filme praticamente mudo, nos trás um cinema nostálgico, antigo, e conta a trajetória de um mágico em decadência e sua busca infinita em apresentar seus shows mesmo quando percebe que ninguém mais dá valor para seu trabalho.

Disputando com bandas de rock adoradas pela juventude, sua derrota é certa, não havia mais platéia para ver ele tirando um coelho de seu chapéu, e devido a isso, passa a realizar diversas viagens a procura de espaço, mas cada vez mais, se depara com lugares que ninguém compreende seu talento, num mundo onde não há mais olhos para ele. Em uma das viagens acaba conhecendo Alice, uma jovem arrumadeira de um hotel, que logo desperta curiosidade no trabalho do senhor, e sem mais a perder decide acompanhá-lo de perto, e ela passa a ser sua única companhia. Alice passa a cozinhar para ele e arrumar sua coisas, sendo de grande ajuda.

É quando ele decide retribuir seus favores através daquilo que ela tanto sonhava, roupas de marca. E conforme os dias vão passando, ele descobre que ir atrás de seus sonhos já não adiantava mais, era tarde demais, não havia mais espaço, então passa a alimentar o sonho de Alice, fazendo bicos e tentando provar para ela que ele ainda é capaz e que está tudo bem, nisso a personalidade da jovem se altera, e mostra intenções bem diferentes que no ínicio desta relação.

"O Mágico" é uma obra bem pessimista, nos mostra aquela idéia de que não há mais espaço para os mais velhos, seus talentos são ignorados, e faz uma forte crítica em relação a isso, principalmente quando no desenvolver do longa, o roteiro nos apresenta outros artistas velhos que no ápice do desespero chegam até tentar suicídio. Além de uma crítica a sociedade do consumo.

É interessante assistí-lo, e ver um filme bem diferente das animações que chagam, daquelas que temos maior acesso, feitas por grandes estúdios. Aqui, tudo é mais sutil e a técnica é aquela 2D, com traçõs simples, mas ainda assim, uma animação aprimorada, com técnicas fantásticas e com um visual excepcional.

Como homenagem a Tati, pode até funcionar, como muitos que acompanharam a carreira do diretor afirmam, no meu caso, nunca assisti a nenhuma obra de Jacques e sinceramente me senti perdido na trama, onde nenhuma referência me fez algum sentido. Ignorância minha, admito, pois há beleza e isto é fato. Por outro lado, analisando-o, retirando as referências, não lhe sobra nada, um filme vazio, que tem uma idéia sólida mas não consegue em nenhum momento transmitir algum tipo de sentimento. Um filme linear, que simplesmente acontece, sem nenhuma surpresa ou reviravolta, começa e termina no mesmo lugar. O que é uma pena, pois com esta técnica de animação e este diretor competente, poderia ter saído uma obra bem mais completa, mas infelizmente, "O Mágico" tenta, mas não chega a lugar algum. De longe, muito inferior a seus concorrentes no Oscar, e filmes melhores como "Meu Malvado Favorito" e "Enrolados" ficaram de fora, perdendo para um filme que só apresenta técnica, mas visual não é tudo.

NOTA: 4


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