domingo, 30 de outubro de 2011

Crítica: A Hora do Espanto (Fright Night, 2011)

Refilmagem do clássico de terror "A Hora do Espanto" dirigido por Tom Holland em 1985, que se tornou referência para muitas outras obras do gênero, este, realizado por Craig Gillespie (A Garota Ideal) faz uma repaginada, com bons sustos mas que nada inova no cinema.

por Fernando Labanca

Conhecemos Charley (Anton Yelchin), um jovem apaixonado por Amy (Imogen Poots), e que nunca conseguiu entender como conseguiu essa garota, simplesmente por ele não fazer o tipo que encanta as mais populares. Tem como melhor amigo, Ed (Christopher Mintz-Plasse), mas anda se desentendendo com ele, logo que este passou a agir de forma estranha depois que alguns de seus amigos passaram a desaparecer misteriosamente, acreditando que se tratava de ataques de vampiros e alerta Charley sobre seu novo vizinho, logo que não havia dúvida para ele, o estranho certamente era um vampiro.

Jerry (Colin Farrell) é o encantador novo vizinho de Charley e que chama muito a atenção de sua mãe, Jane (Toni Collette). Depois que Ed desaparece, o jovem passa a questionar sobre suas loucas teorias de que seu vizinho fosse realmente um vampiro, até que ao invadir sua casa, a verdade surge, por trás de todo aquele charme e mistério, havia uma criatura sedenta por sangue. A partir de então, Charley tenta fazer de tudo para salvar sua pele e das pessoas que ama, e para isso vai atrás de sua única salvação, Peter Vincent (David Tennant), um mágico que aparentemente entendia tudo sobre vampiros, eis que surge a oportunidade de provar seus conhecimentos, para sua infelicidade.


O filme começa perfeitamente bem, todo o clima, tem um estilo bem cool, desde a composição de seus personagens que são muito bem inseridos nas cenas, até a maneira descontraída como nos apresenta o terror. Há um suspense muito bem amarrado, desde o misterioso desaparecimento de algumas pessoas até o surgimento do vampiro Jerry, nos prende facilmente. Gosto do visual, dos cenários, da maquiagem e dos efeitos especiais, tudo bem trash, mas pra lá de estilosos (estragados em parte pelo 3D, mais uma vez, que escurece muitas cenas). O longa tem uma pegada bem jovem, passando pela ótima trilha sonora, até os bons personagens adolescentes que protagonizam a trama, que não são frágeis e vulneráveis, todos possuem personalidade e encaram o problema de frente, até mesmo a mocinha, não faz o estilo "tapada" dos filmes de terror.

Os atores estão muito bem em cena. Anton Yelchin cada vez mais vem surpreendendo e se mostra capaz de protagonizar um filme, tem carisma e convense como Charley. Imogen Poots também agrada, além de ser linda, soube aproveitar seu texto para mostrar seu talento, assim como Christopher Mintz-Plasse que surge num personagem bem diferente do que costuma fazer e não decepciona, mas também não surpreende. Colin Farrell convense como o vampiro sedutor, é bastante caricato, mas funciona no propósito do filme, assim como David Tennant, que rouba algumas cenas apesar de seu personagem ser bizarro. Toni Collette parece estar lá somente por diversão, é uma fantástica atriz e não vejo o porquê de estar neste filme, ainda que seja muito bom revê-la.

Perde muitos pontos por resolver o bom mistério logo no início do filme, depois que descobrimos a verdade, o filme parece escorregar num buraco sem fim, o roteiro não consegue manter o bom ritmo da primeira meia hora, e até seu final, vemos uma sequência de cenas com sustos, perseguições, sangue mas que não possuem força. O filme é curto mas parece durar uma eternidade, não inova em nada no gênero, só vem para provar a falta de criatividade daqueles que realizam filmes de terror, que resgatam algo do passado e nem ao menos conseguem trazer algo de novo na adaptação, é tudo muito fraco, não há motivos para tê-lo refeito, possui uma trama boba, imatura, com bons personagens e bons atores em cena mas a presença destes elementos não são o suficiente para impedir "A Hora do Espanto" do fiasco. Ainda assim, Craig Gillespie realiza algumas cenas boas, como a sinistra perseguição de Jerry no carro da família em alta velocidade, entre outras. Como entretenimento barato, funciona, mas é o típico filme que se esquece segundos depois de ter terminado.

NOTA: 5

OBS: 3D desnecessário e ótimos créditos finais!


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