domingo, 28 de outubro de 2012

Crítica: Hotel Transilvânia (Hotel Transylvania, 2012)

Foi-se o tempo em que filmes de animação tinham um bom roteiro como sua principal arma, onde os estúdios não só se preocupavam com as novas técnicas, havia por trás de tudo, uma grande ideia. "Hotel Transilvânia" vem, assim como as outras animações mais recentes, ilustrar este novo cenário do gênero, excelente no visual, fraco de história.

por Fernando Labanca

Conhecemos este tal de Hotel Transilvânia, onde os monstros curtem suas férias longe dos humanos, seres que os tem perseguido durante séculos. Comandado pelo Conde Drácula, que usa aquele mesmo lugar para cuidar de sua filha, Mavis, no qual está prestes a completar 118 anos. Perdeu sua esposa há muito tempo e desde então, a protege da crueldade do mundo além daqueles portões, no entanto, Mavis sonha em conhecer o mundo. Para completar os 118 anos dela, Drácula conta com a ajuda de seus antigos companheiros, Frankenstein, a Múmia, Homem Invisível, entre outros, para mais uma tradicional e entediante festa. Seus planos mudam por completo, quando um mochileiro pirado, Wayne, vai parar no Hotel acreditando ser uma festa a fantasia, para não por tudo a perder, Conde o faz agir como um monstro também, porém, ele acaba conhecendo Mavis, com quem acaba se apaixonando.


De início a ideia até parece boa, mas não demora muito até tudo se tornar assustadoramente ruim. A premissa é interessante, não há como negar, a história do Conde Drácula como pai superprotetor, as mentiras que ele conta para proteger sua filha, a vontade de Mavis em conhecer o mundo, a relação dela com aquilo que mais desejava conhecer, um humano, sem saber, pois este se faz de monstro, o fato de existir um local onde esses monstros se escondem, enfim, há um roteiro preocupado em detalhes e com essas e outras grandes sacadas o filme nos apresenta uma boa introdução. Eis que a cada cena, a cada nova situação, o roteiro vai mostrando sua fragilidade e o quanto sua boa premissa é desperdiçada, personagens fracos e diálogos que insistem num humor pobre, com direito a piadas relacionadas a arrotos e similares que há anos não fazem mais graça e para piorar às vezes perdem tempo com sátiras que carecem de originalidade, como a cena mostrada de "Crepúsculo", como se nenhum outro filme tivesse feito esta mesma piada. 

Para piorar, temos no comando da animação, Genndy Tartakovsky, o criador de alguns dos maiores sucessos em séries animadas, como "As Meninas Super Poderosas" e "O Laboratório de Dexter". É um cara talentoso, caso contrário, não teria em seu currículo tantos acertos, no entanto, ao se colocar no comando de um longa-metragem, parece esquecer que o contexto é outro, as necessidades são outras. Assim, "Hotel Transilvânia" é guiado de forma frenética, sem pausas nem vírgulas, onde um amontoado de personagens e situações são jogadas na tela, seguindo exatamente o mesmo dinamismo de um episódio de desenho animado, logo seu ritmo cansa, ainda mais quando percebemos que nada de fato está sendo contado, entra e sai de personagens, de piadas mal elaboradas, onde cenários e locações são pouco explorados, por exemplo, o grandioso Hotel não passa de dois cômodos, o quarto de Mavis e o salão principal, muito pequeno para o gênero, não funciona, há todo instante temos o sentimento de que falta algo. O filme então, acaba não indo além de um pobre desenho animado divertido que passa na televisão em um sábado qualquer, em uma emissora qualquer, facilmente esquecido. 

Ainda há uma grande chance de conquistar as crianças, é claro. Piadas fáceis e história redondinha com direito a romance e número musical no final, nada que não tenha dado certo antes. Como cinema, infelizmente, é um grande equívoco, apesar do belo visual tem uma mistura de clichês mal inseridos e personagens extremamente caricatos.

NOTA: 4




2 comentários:

  1. EU AMEI ESTE FILME DESENHO ... NÃO ACHEI FRACO COMO O COMENTÁTIO DO "CRITICO ACIMA". EXISTEM VALORES, QUE AS CRIANÇAS PRECISAM CAPTAR NESSES DESENHOS .. PAI PROTETOR .. AMIGOS , AMOR ... AMEI A HISTÓRIA DO FILME. COMO BRASILEIRA, COM UMA INDUSTRIA DE FILMES ABORDANDO SÓ SACANAGEM E SEXO , QUALQUER "BOSTA" PASSA A SER EXELENTE ...

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  2. Obrigado pelo comentário, Marcia! Apesar de ter sido contra aos meus comentários, respeito sua opinião. Até pq foi um filme de grande sucesso, sinal que mta gente aprovou.

    Concordo com vc sobre este "filme desenho" ter mostrado alguns valores importantes para a formação de uma criança, no entanto, ainda acho que é possível se criar um filme que passe boas mensagens e ainda seja bem feito, com bom roteiro e uma história mais interessante e melhor elaborada, como é o caso dos recentes "Detona Ralph" e "A Origem dos Guardiões". São filmes que passam valores e ainda não subestimam a inteligência de ninguém.

    E é bom deixar claro também que "acima" não há nenhum comentário de crítico. Sou uma pessoa comum que gosta de cinema e tenho um blog, apenas, só comento e isso não faz de mim um crítico profissional. E como bom brasileiro, admiro e mto a industria de filmes nacionais que abordam diversos temas não apenas sacanagem e sexo, é uma pena ter gente que ainda pensa desta forma!

    Mas...agradeço mais uma vez seu comentário!

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