quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Crítica: Rock of Ages - O Filme (Rock of Ages, 2012)

Desde a estreia de "Moulin Rouge" em 2001, que marcou a retomada dos musicais, a indústria cinematográfica percebeu que ainda existia espaço para o gênero nas telas,. Desde então, os principais nomes da Broadway passaram a ter suas adaptações para o cinema. A adaptação da vez é "Rock of Ages", história contada através dos clássicos do rock da década de 80/90 que conta com a direção de Adam Shankman (Hairspray) e com grandes nomes no elenco como Tom Cruise e Catherine Zeta-Jones.

por Fernando Labanca

Através das canções de Journey, Guns n'Roses, Bon Jovi, entre outros, conhecemos a trajetória de Sherrie (Julianne Hough), a garota boba do interior, que saiu da cidade pequena em busca do grande estrelato. Seu sonho era ser cantora e por ironia do destino, acaba conhecendo Drew (Diego Boneta), que trabalha no bar de uma grande casa de shows de rock, que tem como dono Dennis Dupree (Alec Baldwin), que por sua vez, tem uma grande arma para o grande sucesso do local, as apresentações da banda Arsenal. Stacee Jaxx (Tom Cruise) é um mega astro do rock, vocalista da banda que pretende seguir carreira solo, mas tem em seu pé atrapalhando seus planos, seu próprio empresário, Paul (Paul Giamatti). É então que Drew decide colocar Sherrie para trabalhar no local, e juntos lutam em crescer, pois ambos almejam o mesmo destino, a música, no entanto, a vida não é nada justa e nada fácil e logo se veem caminhando caminhos totalmente opostos do que estavam planejando. Para piorar, a primeira dama da cidade, Patricia Withmore (Catherine Zeta-Jones) está decidida a acabar com a promiscuidade que o rock infestou pela cidade.

É preciso gostar e compreender o formato de um musical para apreciar o filme. Músicas que surgem do nada, personagens que começam a cantar no meio da rua como se fosse a coisa mais natural do mundo. Para muitos, isso ainda pode parecer estranho, entretanto, se admirar essas liberdades que o gênero permite, "Rock of Ages" se torna um programa bem interessante. Adam Shankman que já dirigiu "Hairspray- Em Busca da Fama", demonstra entender como os musicais funcionam e faz deste filme um grande espetáculo, seja visual ou sonoro. Por vezes parece que o foco do longa nem é seu roteiro, sua trama fica a todo instante no segundo plano, onde as canções cantadas por um elenco afiado é quem realmente brilha. Por um lado isso é ruim, temos a sensação de estarmos vendo uma maratona de clipes, onde a história pouco importa. Por outro lado, as cenas são tão bem feitas, as coreografias, as performances convincentes e geralmente divertidas dos atores e uma seleção rica de canções que provavelmente farão muita gente cantar junto, prendem a atenção e fazem o ingresso valer a pena. No fundo "Rock of Ages" é uma grande brincadeira, funciona quase como uma sátira dos musicais, abusa dos clichês e não tem vergonha em admiti-los, usa das músicas para compor grande parte das piadas, não destruindo a imagem do rock, muito menos a dos musicais. Uma brincadeira bem realizada, bem intencionada, que funciona grande parte do tempo.


É bom deixar claro que o filme não foi feito para quem curte rock, aliás, provavelmente, estes poderão sair até um pouco decepcionados. É uma versão bem mais limpinha e mais bonita, infelizmente, por vezes, parecendo algum episódio de "Glee". O filme tem atitude, as canções são boas e as adaptações e mash-ups ficaram interessantes, mas é nitidamente destinado a quem admira musicais e não para os que ouvem rock e se identificam com aquelas bandas. Grande parte disso ocorre por colocarem Julianne Hough e Diego Boneta como protagonistas. Ela, cantora country e atriz iniciante. Ele, ex-ator de Rebelde. Enfim, além de estragarem grande parte das cenas, não há nada que nos faça convencer que eles fazem parte daquele universo, não há química entre eles e os diálogos são bem fracos. São assim que os coadjuvantes surgem e fazem deste filme algo melhor. Tom Cruise é quem definitivamente mais se destaca, surpreende, eu diria. A trama acaba criando um certo suspense em torno do personagem, como se ele fosse algo grandioso, digno de muito respeito e, de fato, Cruise merece muito respeito ao interpretar Stacee Jaxx. Faz dele o que há de melhor em "Rock of Ages", convence e muito no palco, canta bem e rouba a cena. Catherine Zeta-Jones é outro ponto bem positivo, infelizmente, pouco aproveitada. Mary J.Blige canta maravilhosamente bem, mas sua personagem acaba tendo um destaque desnecessário, está ali para cantar mesmo. Russell Brand e Alec Baldwin fazem uma boa parceria, divertem e fazem alguns bons números musicais. Malin Akerman surge para algumas cenas mais ousadas e não decepciona ao soltar a voz. 

Se Julianne Hough não convence com sua personagem, pelo menos não atrapalha os números musicais. Tem espaço para ela no excelente mash-up "Just Like Paradise / Nothin' But a Good Time" e "Shadows of the Night". Boneta também não faz tão feio na boa introdução ao lado de Russell Brand e Baldwin em "Juke Box Hero / I Love Rock n' Roll". Tom Cruise surpreende em "Wanted Dead or Alive", de Bon Jovi e "Paradise City" do Guns. E Zeta Jones que surge encantadora e fatal em "Hit Me With Your Best Shot", de Pat Benatar e ao lado de Russell a ótima "We Built This City / We're Not Gonna Take It", dois dos melhores momentos do filme. Ainda temos outras excelentes performances como em "Here I Go Again" de Whitesnake e "Every Rose Has Its Thorn" do Poison. Enfim, música de qualidade não falta ao decorrer de "Rock of Ages" e a cada cena, uma nova boa surpresa, que dá aquela vontade de ter a trilha sonora e faz com que saímos da sala de cinema com um sorriso no rosto, cantando os refrões viciantes.

"Rock of Ages" tem lá seus defeitos e são bem nítidos. Seja pelos clichês, a falta de química do casal irritante principal, o humor, às vezes apelativo, a ausência de uma boa história para contar. No entanto, ainda assim, entra para a lista dos musicais que merecem ser vistos, como disse anteriormente, é uma grande brincadeira, que em nenhum momento tem a intenção de ser levado a sério. É no fundo, uma piada muito bem realizada, que funciona como cinema e não compreendo por ter sido tão ignorado aqui no Brasil. A história é boba, pequena, mas em nenhum momento cria um desinteresse. O filme segue por bons caminhos, agrada, diverte, e nos faz querer cantar, ou seja, tem tudo o que um bom musical tem. E de bônus, um grande elenco cantando excelentes canções. Recomendo. 

NOTA: 8



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