quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Crítica: Detona Ralph (Wreck-it Ralph, 2012)

Era disso que eu estava falando, uma animação capaz de agradar crianças e adultos, um filme que nos prende não apenas pelo seu visual, mas por sua história, extremamente criativa, repleta de detalhes bem pensados, um roteiro capaz de construir personagens fortes e conflitos que nos emocionam. É o retorno triunfal da Disney. "Detona Ralph", é sem sombra de dúvida, uma das melhores animações dos últimos anos.

por Fernando Labanca

Conheça o universo por trás dos video-games, quando um jogo termina um novo mundo se inicia, onde os avatares ganham vida e traçam suas próprias jornadas. É neste local que vive Ralph, do jogo de fliperama "Conserta Felix Jr.", ele é basicamente o vilão, tem a função de destruir tudo o que encontra para justamente o Felix Jr. consertar, até que Ralph se cansa dessa vida de sempre, de ser obrigado a realizar as mesmas coisas e nunca ser reconhecido por isso, de ser ignorado pelos demais simplesmente por ser o vilão. Até que decide provar para os habitantes do Conserta Felix seu devido valor e ao descobrir que em outro jogo, os personagens ganham medalhas por suas ações, decide roubá-la, por puro mérito seu. No entanto tudo dá errado e ele vai parar em Sugar Rush, um jogo de corrida cheio de cores e doces, é onde ele conhece Vanellope, uma garotinha que rouba sua medalha, pois somente assim, ela conseguiria correr, logo que possui uma deficiência e é menosprezada pelas demais jogadoras e nunca consegue participar como avatar. Para conseguir sua medalha de volta, Ralph passa a ajudá-la, mais aos poucos vai percebendo que sua relação com Vanellope é muito além de sua busca pela medalha, percebe que ambos possuem as mesmas dores, descobre nela uma amizade e a chance de ser um herói.


Assim como as animações clássicas, como "Toy Story" ou "Procurando Nemo", onde nos apresentaram um universo novo, descobrimos como é viver através de outra perspectiva, sendo um brinquedo ou bicho do mar. Uma das grandes graças de se ver um filme do gênero ao decorrer dos últimos anos foi justamente esta divertida transição que os bons roteiros conseguiram realizar, de nos mostrar como é determinada realidade, como seria se ela realmente existisse e trazendo grandes argumentos sempre é possível acreditar, mesmo que em poucos minutos. A Disney ressuscita em "Detona Ralph" o que houve de melhor nos últimos anos neste gênero, consegue através de seus grandes argumentos nos fazer acreditar nesta nova realidade, a vida por trás dos jogos. É simplesmente inacreditável como cada pequeno elemento ali em cena foi bem pensado, beira a genialidade toda a jornada no protagonista e toda a construção de seu universo. Resgatar os jogos de fliperama realmente foi uma grande sacada, não tem preço ver Sonic, Bowser do "Super Mario" ou Zangief e Bison do "Street Fighter", ou outros grandes nomes de nossa infância surgindo como meros figurantes ao fundo das cenas, em um grandioso prédio onde se tem acesso a todos os video-games, algo que me lembrou muito a fábrica de "Monstros S.A." Apesar de haver esses clássicos, o longa acaba dando destaque para novas criações, como o "Conserta Felix Jr." e "Sugar Rush", onde é neste segundo mundo, todo colorido, que quase toda a trama se desenrola, pode até incomodar de início, mas a história tão interessante nos faz querer viver tudo aquilo. O roteiro extremamente criativo, assinado por Phil Johnston e Jennifer Lee, ainda trás outras ideias inovadoras, como o soldado em "primeira pessoa" no moderno e realista jogo de tiro, a personagem Vanellope sendo um "bug", não podendo participar da mesma forma que não pode sair de seu "mundo", a inusitada reunião dos vilões numa espécie de encontro dos anônimos, ou o simples movimento robótico dos habitantes de Conserta Felix. Enfim, provam que a equipe pensou em cada pedaço do filme, onde pequenos detalhes deste universo são resgatados e muito bem inseridos durante toda a jornada.

"Detona Ralph" também não escapa dos clichês. Uma trama sob o ponto de vista do vilão, que acaba amolecendo o coração e descobrindo como é ser herói já foi trabalhada outras vezes e nem faz tanto tempo assim, como nas animações "Meu Malvado Favorito" e "Megamente". Claro que as histórias são completamente diferentes, mas a essência é a mesma. No entanto, mesmo com essas repetições, o longa acaba se destacando é por sua originalidade, até porque os clichês são muito bem aproveitados aqui, não sendo assim, um defeito. A trajetória de Ralf também é repleta de questões existencialistas, e por mais que isso também não seja novidade em animações, aqui o roteiro faz bom proveito de seus dramas particulares, construindo ótimos conflitos, como ver nosso protagonista cansado de sua vidinha de sempre, vivendo no automatico, sem ser livre e sem ter escolhas, ou também os que ele vive ao lado de Vanellope. É realmente emocionante vê-lo ajudando a garotinha a vencer a corrida, já não mais sendo por sua medalha, mas por simplesmente vê-la vencer. A relação entre os dois é ao mesmo tempo divertida e bela, uma amizade que vai sendo construída aos poucos e logo nos afeiçoamos a estes incríveis personagens e nos vemos torcendo por eles, logo que o roteiro em nenhum momento facilita a jornada dos dois, e este é um dos grandes méritos do longa, mesmo sendo destinado ao público infantil, não perde tempo com tramas fáceis e conflitos resolvidos rapidamente, colocando seus personagens a enfrentar um grande vilão, muito bem construído, aliás, além dos dilemas que precisam encarar. Ou seja, tem grandes chances de conquistar os adultos também, não só porque a infância dos já crescidos de hoje está na tela, mas porque diferente das últimas animações lançadas, este nos faz pensar e refletir, além de nos fazer rir bastante e nos emocionar de verdade, elementos básicos que infelizmente se tornaram raros neste gênero. 

Seu visual, claro, também não decepciona. Aliás, grande parte de sua originalidade e genialidade está em seu visual, desde a criação dos cenários, ambientações, personagens, se utilizando sempre de boas referências, muitas delas vindas de nossa infância e por isso se torna um filme tão prazeroso de se ver. "Detona Ralph", aliás, nada mais é que um ode à infância, parece que nos faz voltar no tempo e nos faz sentir novamente como crianças. Rimos de coisas bobas e nos divertimos com coisas simples. Pouquíssimos filmes conseguem este tipo de milagre, por isso o considero, sem pensar duas vezes, é uma das melhores animações dos últimos anos. É a prova do quanto a junção com a Pixar fez bem para a Disney, um filme que se preocupa e muito com seu visual, mas não mais que suas ideias, que seus argumentos. Até que enfim, uma animação inteligente, ousada, original e extremamente criativa. Recomendo!

NOTA: 9

Obs: Destaque positivo para a dublagem nacional, que confesso, me surpreendeu bastante pela qualidade, pois nem sempre dublagem com "famosos" dão bons resultados, com o ator Tiago Abravanel, a VJ MariMoon e o "repórter" Rafael Cortez, dublando os personagens principais. 





4 comentários:

  1. Aeee Fer!!!
    Adorei muito sua crítica. Sábias observações e uma opinião completa! A animação, sem dúvidas, é encantadora e inovadora! :D

    ResponderExcluir
  2. Aee Dri...Valeu pelo comentário!! Q bom q curtiu!

    ResponderExcluir
  3. Também adorei o filme e também daria nota 9, no meu caso por causa do enredo clichê que o Fer descreveu, mas que não deixa o filme menos adorável, divertido e nostálgico. Eu pago pau pra essa turma criadora das animações da Disney, da Pixar também, porque eles têm criatividade infinita, acham cenários e personagens e situações pras suas histórias em tudo quanto é canto (fundo do mar, games, brinquedos, robôs do futuro) e fazem do clichê algo que te entretem e te emociona. Bjo, Fer :)

    ResponderExcluir
  4. Otimoooo amei o filme... Mostra que pra ser Heroi nao precisa ser o bonzinho da historia... hehehe

    ResponderExcluir

Deixe um comentário #NuncaTePediNada