quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Crítica: Argo (Argo, 2012)

Indicado ao Oscar 2013 de Melhor Filme, "Argo" foi uma das grandes surpresas do cinema ano passado, com roteiro ágil e inteligente, o longa é apenas o terceiro filme de Ben Affleck atrás das câmeras e marca a curta e já bem sucedida carreira como diretor, realizando não apenas seu melhor trabalho, como também um dos melhores filmes de 2012.

por Fernando Labanca

Década de 70. Somos apresentados a nova realidade do Irã, quando a população decide fazer um grande protesto contra os norte-americanos, mais precisamente no alvo mais vulnerável, a embaixada dos Estados Unidos, ameaçando invadi-la. Tudo isso porque o país apoiava o governo de opressão do antigo líder iraniano, e o protegeu quando este foi deposto, impedindo assim, que a população fizesse a justiça que desejava. É então que invadem a embaixada e apenas seis diplomatas conseguem escapar. "Argo" é sobre a incrível ideia da CIA, plano escondido há anos, de como eles planejaram a fuga dessas seis pessoas do país, sem que elas fossem percebidas na fronteira. 

Ben Affleck interpreta Tony Mendez, especialista em exfiltrações, que após ouvir ideias bizarras sobre como salvá-los, desenvolve seu próprio plano, não menos bizarro que as outras e muito mais complicada que todas elas. Usar uma produção hollywoodiana como fachada, contratando toda uma equipe, diretor, maquiador, e fazendo assim, os seis norte-americanos se passarem por membros deste grupo, se utilizando de um roteiro ignorado, para um filme chamado "Argo", uma ficção científica que tem como cenário o Oriente Médio.


O filme já começa com uma introdução bastante interessante, uma narração que explica o que precisávamos entender sobre aquela época, sobre aquele país. É neste momento que "Argo" já nos revela dois pontos cruciais, a seriedade com que trata suas ideias e seu tom crítico ao falar sobre política. Nos próximos minutos até seu final somos inseridos dentro da trama, não conseguimos mais escapar. O roteiro faz com que tudo ali mostrado seja de nosso interesse, ficamos curiosos a cada passo, a câmera parece situar-se nos locais ideias para nos colocar a frente de todas as ações. Chega a ser chocante seu início e a bela sequência da invasão à embaixada e já neste ponto percebemos que "Argo" está sob o comando de uma grandioso diretor. Ben Affleck. É tudo muito real, chocante e acima de tudo, prazeroso, que funciona não só como um relato histórico, mas como um cinema de extrema qualidade. O filme cresce a cada instante e aos poucos vamos sendo apresentados a esta louca história real, quase que impossível de acreditar. Uma trama absurda, de eventos absurdos, que nos faz ter uma única certeza...precisava ser feito.

É definitivamente muito bizarro todo o esquema da CIA e Tony Mendez e a graça do filme vem exatamente disso. E o bom é que mesmo se tratando de uma obra tão séria, o filme ainda consegue enxergar a comicidade desta situação, nos fazendo rir diante do inusitado. É brilhante como o roteiro consegue inserir comédia nos diálogos, através de seu humor sarcástico, fazendo piada de si mesmo, fazendo piada de Hollywood e política. Aliás, os coloca no mesmo patamar, provando que no fundo é tudo ficção mesmo. Assinado por Chris Terrio, o excelente roteiro nos fisga no instante em que começa até seu término. É tudo tão interessante, a fuga dos diplomatas, a criação do filme fake, a relação de Tony com tudo isso, o como de repente ele se tornou o herói de uma história que jamais poderia ser publicada, uma luta delicada, sofrida, porém silenciosa. E mesmo relatando de forma tão séria, "Argo" em nenhum momento deixa de ser um entretenimento agradável. Ben Affleck consegue este feito ao construir sequências memoráveis, trabalhando com competência todas as nuances deste fantástico roteiro, que transita facilmente entre um filme político denso, com discursos convincentes e críticos, chegando a ser ousado principalmente ao citar o intervencionismo norte-americano, ponto que nem sempre é discutido, e diferente de outros títulos não pretende rotular as nações entre heróis e mocinhos. Sendo ainda um potente filme dramático, humanizando seus personagens, nos fazendo torcer por eles. Ainda encontramos ação e suspense, com direito a cenas eletrizantes como a fuga final que é simplesmente de tirar o fôlego e como disse anteriormente, a comédia, que surge de forma imprevisível, mas seu humor é bom e por isso é sempre bem-vindo. 

Outro ponto positivo é seu elenco. Mas é válido citar...é um filme de coadjuvantes. Ben Affleck atuando ainda é um ótimo diretor, faltou um protagonista mais forte e mesmo com uma aparência bastante diferente, o ator surge bem morno a frente das câmeras, o lado bom é que ele ainda não prejudica o resultado final, até porque os coadjuvantes fazem um excelente trabalho e em quesito de atuação não há do que reclamar. Mesmo Bryan Cranston roubando a cena em todos os episódios da série "Breaking Bad", ele ainda consegue surpreender aqui, assim como John Goodman que aparece mais uma vez fantástico. Alan Arkin fazendo o que já fez antes, mas ainda faz bem e sua participação é ótima. Ainda vemos nomes como o carismático Tate Donovan, Chris Messina, Kyle Chandler e a ótima Clea DuVall.

"Argo" já é um marco. Raras vezes nos deparamos com obras tão completas como esta. Daqueles filmes que terminam e não há o que mudar, pois tudo surge em perfeito estado. Do inteligente e ousado roteiro, da direção impecável de Ben Affleck, da trilha sonora assinada pelo francês Alexandre Desplat, além da ótima seleção de músicas de época que embalam esta inusitada jornada. O filme ainda nos revela uma excelente fotografia e belíssimos figurinos. Enfim, foram poucas as vezes em 2012 que saí tão satisfeito de uma sala de cinema. Um filme completo, realista, que hipnotiza, que emociona, que faz rir e ainda em seu final faz o coração parar. Um filme obrigatório. Uma obra-prima.

NOTA: 10

4 comentários:

  1. Não consigo encontrar palavras para descrever o quanto esse filme é fantástico!
    Você disse tudo Fer: " um filme completo, realista, que hipnotiza, que emociona, que faz rir e ainda em seu final faz o coração parar. Um filme obrigatório. Uma obra-prima."
    Obrigada por me fazer assisti-lo!

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  2. Valeu pelo comentário, Dri! Q bom q gostou do filme. E vou continuar no seu pé, obrigando vc a assistir esses filmes...huahauhauahua! Sou chato msm!

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  3. Concordo plenamente com você Fernando. "Roteiro ágil e inteligente (...) marca a curta e já bem sucedida carreira como diretor, realizando não apenas seu melhor trabalho, como também um dos melhores filmes de 2012.".

    "Affleck como diretor, produtor e ator e Clooney como produtor, produziram um dos maiores papa prêmios dos últimos anos. 'Argo' sagrou-se vencedor em todas as cerimônias pré Oscar. Se o curso da história não for mudado e o filme for consagrado na noite de amanhã, ‘Argo’ repetirá o feito de ‘Quem Quer Ser um Milionário’ em 2009. Nada mal para alguém que já passou vergonha em uma fantasia de couro vermelho com chifre."
    Crítica completa no link: http://amahet.blogspot.com/2013/02/argo-argo-2013.html?spref=fb

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  4. A verdade é que o interesse gerado no assunto discutido, mas para ser honesto, eu sinto um pouco elitista, porque nem todo mundo entende. Definitivamente vale a pena assistir Argo é um filme contou com inteligência, bom ritmo e um elenco muito atraente.

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