terça-feira, 28 de junho de 2016

Crítica: Invocação do Mal 2 (The Conjuring 2, 2016)

Grande sucesso de 2013, "Invocação do Mal" era visto na época como um dos melhores títulos de terror que o cinema havia lançado desde muito tempo. Era certo que uma continuação viria. O que não era muito certo, porém, é que conseguiriam o feito de manter o alto nível do primeiro, entregando não somente uma sequência que vale uma conferida, o que já é muito raro, mas também, uma trama envolvente e uma direção ainda muito notável de James Wan.

por Fernando Labanca

"Invocação do Mal 2" relata o caso real conhecido como Enfield Poltergeist, registrado no final da década de 70, na Inglaterra. No filme, acompanhamos uma família bastante fragilizada, tanto pelas condições financeiras quanto pelo abandono do pai. Eis que estranhos acontecimentos começam a assombrá-los e logo percebem que não estão sozinhos na casa, chegando ao ápice quando ocorre uma manifestação poltergeist na jovem Janet (Madison Wolfe). É então que o casal Ed (Patrick Wilson) e Lorraine Warren (Vera Farmiga), que planejavam parar com as investigações paranormais, viajam para passarem alguns dias no local, observando de perto a família e certificando a veracidade dos fatos.




Penso que para os amantes do terror, "Invocação do Mal 2" é um prato cheio, e dos mais saborosos. É uma fala batida, mas infelizmente não é sempre que somos presenteados com boas obras do gênero. O diretor James Wan, que já havia acertado e muito no primeiro, encontra o tom certo mais uma vez e entrega um produto requintado, que vai além do que estamos acostumados a ver, ele compreende seu público e tem em suas mãos toda a artimanha para acreditarmos em tudo aquilo que ele constrói. Logo em seu início somos facilmente fisgados pela produção, existe tensão em sua atmosfera e o mais importante, existe verdade em seus argumentos, acreditamos em seu universo e em todas as possibilidades que ele nos oferece. É brilhante a forma como o diretor trabalha com o medo, seus jogos de câmera, sua edição e principalmente o som nos deixa completamente imersos em sua proposta, presos na poltrona, prontos para sermos enganados. Interessante o fato da obra conseguir fugir daqueles sustos gratuitos tão comuns no gênero. Sim, há muito o que temer neste filme, muito o que se amedrontar e, felizmente, o longa vai além da simples sugestão, o terror existe e ele é palpável, o que é para ser visto não é evitado, não há enrolação e nem receio de afetar os corações mais fracos.

Uma raridade poder ver uma obra de terror mais comercial que se atenta com todos os detalhes. Existe uma nítida preocupação com o roteiro, em como tudo aquilo será contado, onde as ações de seus personagens são críveis, longe da superficialidade. O ótimo texto opta sempre por reforçar os laços afetivos entre os protagonistas, porque eles são mais do que peças prontas para serem aterrorizadas e o grande trunfo do filme foi justamente ter compreendido isso, ter encontrado alma nos indivíduos retratados, pois não seríamos capazes de sentir o medo que era viver ali sem antes compreendermos o quanto um importava para o outro, o quanto tudo aquilo os afetava. Inesperadamente, o roteiro ainda encontra alguns alívios eficientes, como o romance entre Ed e Lorraine, que surpreendentemente não soa forçado dentro daquele ambiente tão denso. Vera Farmiga é uma atriz fantástica e sua parceria com Patrick Wilson funciona novamente, aliás o ator encara uma inusitada sequência musical que merece atenção. A jovem Madison Wolfe entrega uma performance assustadoramente incrível e a sumida Frances O'Connor retorna em boa forma, se destacando em cena.

Outro grande acerto da produção foi esse resgate dos anos 70, é fascinante cada detalhe, os figurinos, a deliciosa trilha musical e principalmente os objetos de cena que nos transportam para aqueles anos e transformam a trama em um evento ainda mais instigante. O pecado da obra, porém, está no exagero, existem fantasmas, a freira, o homem torto e até possessão demoníaca e esse excesso de criações passa a sensação de que o receio de fracassar era tanto que resolveram atirar para todos os lados, atingindo todos os públicos e gostos, e infelizmente, nem tudo flui bem na tela, onde acaba por alcançar alguns momentos extremamente fakes e fantasiosos, fugindo da ótima proposta inicial. Entretanto, no geral, "Invocação do Mal 2" é um excelente entretenimento, que não necessariamente foge de todos os clichês, mas consegue usá-los sempre a seu favor, jamais subestimando seu público, entregando um filme muito acima do que o gênero costuma entregar. Assustador e tenso, o longa confirma a teoria de que James Wan é, definitivamente, o novo mestre do terror.

NOTA: 8,5




País de origem: EUA
Duração: 133 minutos
Distribuidor: Warner Bros.
Diretor: James Wan
Roteiro: Carey Hayes, Chad Hayes, David Johnson, James Wan
Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Madison Wolfe, Frances O'Connor, Simon McBurney, Franka Potente

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