William Friedkin é um nome de peso na história do cinema, foi o responsável por dirigir o clássico “O Exorcista” e desde então, porém, escolheu por trilhar um caminho não tão óbvio em Hollywood, esteve sempre distante dos holofotes, realizando alguns projetos bastante desconhecidos do grande público, tendo até uma filmografia curta pela longa carreira que tem. Eis que ele retorna, aos 77 anos de idade, provando que ganhou muita experiência ao longo dessas décadas e é ainda capaz, mesmo que num filme tão simples, provar seu potencial em construir uma obra memorável, provar sua força, genialidade e ousadia como diretor.
Por Fernando Labanca
Baseado na peça de teatro de Tracy Letts, que também assina o roteiro, o filme gira em torno de uma família disfuncional e a estranha relação que ela passa a ter com um matador de aluguel. Tudo se inicia com um plano bizarro de Chris (Emile Hirsch), o filho mais velho, que devendo para traficantes perigosos chega a conclusão de que o único modo de conseguir dinheiro e quitar suas dívidas é recebendo a apólice de seguro de sua mãe, neste caso, só acontecendo com ela morta. Para isso, ele, ao lado do pai (Thomas Haden Church) e da madrasta (Gina Gershon), decide contratar Joe Cooper (Matthew McConaughey), um detetive que é assassino nas horas vagas, para mata-la. Com o dinheiro em mãos, o plano era pagar a metade para Joe, e o resto dividir entre os membros da família, inclusive para a filha mais nova, a inocente Dottie (Juno Temple). Os piores conflitos surgem quando, ao não receber o pagamento adiantado, assim como o de costume, Joe exige uma garantia: Dottie, o que causa a fúria em Chris, que coloca a proteção de sua irmã acima de qualquer coisa.
