Mostrando postagens com marcador Matthew Lillard. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Matthew Lillard. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Crítica: Curvas da Vida (Trouble With the Curve, 2012)

Fugindo um pouco a regra, Clint Eastwood, depois de muitos anos, surge nos cinemas como protagonista de um filme no qual não dirige. Comandado por Robert Lorenz, que por sua vez, foi diretor assistente de alguns filmes de Clint, como "Menina de Ouro" e "Sobre Meninos e Lobos", aparece interpretando o papel que sabe fazer de melhor, o velho durão e ranzinza, ao lado da sempre adorável Amy Adams e do promissor Justin Timberlake.

por Fernando Labanca

Eastwood interpreta Gus Lobel, um veterano olheiro do baseball, que trabalha para um importante time buscando novos talentos, mas se recusa a se inserir nas novas tendências de mercado, onde um computador é capaz de realizar seu trabalho, ele ainda aposta em seu feeling, o que acaba incomodando algumas pessoas com quem trabalha. Para piorar, começa a ter problemas com sua visão, mas é incapaz de abandonar seu posto, jamais aceitando que a idade chegou. Para impedir que Gus seja descartado, Pete (John Goodman), um antigo amigo, pede ajuda de Mickey (Amy Adams), filha do veterano. Mickey, porém, é uma advogada de sucesso prestes a dar um grandioso passo em sua carreira, mas decide abandonar tudo para reencontrar seu pai, a fim de preencher o abismo existente entre eles, mais do que ajudá-lo, queria enfim compreender o porquê de ter sido abandonada. 


"Curvas da Vida", por certas vezes, até parece um filme dirigido pelo próprio Clint. Claro que vê-lo em cena por si só, já dá esta sensação, entretanto, é nítido que Lorenz aprendeu e muito com o veterano. A fotografia também ajuda, as imagens que vemos é puramente "eastwood" e o ator, por sua vez, parece reviver seu papel de Gran Torino, por, obviamente se sentir a vontade neste tipo de interpretação, mas também pela falta de inovação em sua performance. No entanto, este longa, ainda assim, é um projeto menor, de pequenas ideias, tem história fácil, onde tudo é muito correto, bem desenvolvido, mas é tudo muito previsível. O roteiro assinado pelo novato Randy Brown erra ao caminhar por caminhos já percorridos, criando personagens já escritos e finalizando sua trama de forma já concluída. No entanto, é válido citar que ainda há seus acertos, como alguns diálogos que divertem pelo humor sutil, mas eficiente e também por aqueles momentos de emoção fácil, tudo, é claro, ajudado pelo grande elenco que faz desta obra um projeto muito maior do que deveria ser.

A previsibilidade da obra tem grande culpa pelo tanto de estereótipos que o roteiro insiste em personificar. O veterano durão e teimoso, que sempre opta pelos velhos modos, onde parece não haver oscilações em sua personalidade, ele é isso e ponto. E quando já conhecemos nosso "herói" toda a trama só poderia caminhar por um caminho e é exatamente isso o que acontece, seu reencontro com a filha diverte e por vezes, emociona, mas é tudo muito previsível, quando já no início sabemos como este conflito se resolveria. A presença de Johnny, interpretado por Justin Timberlake, trás bons momentos e sua relação com Mickey também é bastante óbvia, apesar de adorável. O estereótipo continua com o personagem secundário Bo Gentry, um jogador de baseball, metido a machão, onde o roteiro parece querer ter a certeza que nós, como público, vamos odiá-lo, não há nada de bom em sua personalidade, tudo porque para se ter um final feliz ele teria que ser insuportável, mas acabam criando um personagem patético e totalmente fora da realidade e com todo o seu desenvolvimento, o roteiro prova sua fragilidade e imaturidade também, assim como a presença de Matthew Lillard, feito para torcemos contra. 

No entanto, no meio de tantos erros, nos afeiçoamos a este trio de protagonistas. Apesar de previsível, a relação entre pai e filha é bem trabalhada. Fantasmas do passado que aos poucos vão sendo revelados, sentimentos presos durante anos que aos poucos vão sendo explorados. Em pequenos detalhes, ainda é possível enxergar alguma riqueza nesses dois personagens. Mickey que abandona todo seu sucesso para reviver o passado, compreendendo que seu futuro nada valeria sem descobrir as incógnitas daquilo que ficou para trás. É belo quando percebemos que o destino dos dois foi traçado por aquilo que ocorreu no passado, ou devido aquilo que não ocorreu. Mickey que sempre lutou para ser a melhor em sua profissão, tentando provar para o pai que ela poderia ser incrível e que ele estava errado em abandoná-la. E Gus que preferiu abandonar sua filha ao perceber que nunca seria capaz de protegê-la. E no meio disto, surge Johnny, que devido a um problema nos braços, precisou abandonar sua carreira e por pura ironia do destino precisou traçar um outro plano, diferente daquilo que ele realmente desejava. São nessas reflexões que compreendo o título do filme, que para muitos é ruim, no entanto eu vejo um sentido. As curvas da vida, aquela manobra que o destino dá, sem aviso prévio, e que faz nossas vidas mudarem completamente. O que teria sido de Johnny se tivesse uma saúde perfeita? Teria ele realizado seu sonho? O que teria sido de Mickey se tivesse sido amada pelo próprio pai, logo que este desafeto a guiou para todas as suas realizações? O que teria sido dos dois sem aquele incidente do passado? Teriam sido felizes? Respostas que o tempo jamais responderá, problemas que surgiram destas curvas e tiveram que aceitar.

"Curvas da Vida" tem em seu elenco seu grande mérito. Clint Eastwood que apesar de já ter feito este papel, temos que admitir que ele faz muito bem, convence e sabe emocionar quando precisa. Justin Timberlake, como disse anteriormente, é um ator promissor, por mais difícil que seja confessar isso, o cara tem talento, tem carisma e ao lado de Adams, com quem tem uma deliciosa química, realiza cenas adoráveis, apaixonantes e salvam grande parte do filme. Já Amy Adams é quem realmente rouba a cena, é muito fácil dizer que este filme não seria nada sem esta grande atriz, ela brilha, encanta, tem carisma de sobra, seu sorriso parece nos fazer esquecer de tudo e quando encara uma cena dramática prova toda sua potência, dá o melhor de si, é belíssimo o que Adam realiza aqui, é definitivamente o grande destaque da obra e é por ela que tudo isso vale a pena. Ainda temos John Goodman, sempre ótimo.

Um filme pequeno, de poucas ideias e quase nada de inovação, mas que se salva por seus atores. No entanto, apesar de seus inúmeros clichês e estereótipos, "Curvas da Vida" é um filme que merece ser visto, jamais descartado, tem boas intenções, há boas cenas, bons diálogos e um trio de protagonistas que nos envolvem por mais que já conhecemos suas respectivas jornadas. Da comédia sutil, do romance ao drama familiar, tudo é bastante adorável, diverte como deve divertir e emociona na dose certa, sem apelações. Claro que é um filme de atuações, seu elenco é maior que o próprio projeto e já me utilizando de um antigo clichê, "dentro de sua proposta funciona", e posso dizer, que funciona muito bem. Para sair da sala de cinema com um sorriso no rosto e bem consigo mesmo. Tem seus erros, mas se mantém a todo tempo acima da média. Recomendo, mas não crie grandes expectativas.

NOTA: 7,5





quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Crítica: Os Descendentes (The Descendants, 2012)

Vencedor do prêmio de Melhor Filme - Drama e Melhor Ator (George Clooney) no último Globo de Ouro, vencendo também, neste último domingo, o prêmio do Sindicato dos Roteiristas, como Melhor Roteiro Adaptado, o novo filme do conceituado Alexander Payne é um dos favoritos ao Oscar 2012. Tendo o Havaí como cenário, o longa mostra com delicadeza a relação de uma família e a dificuldade de enfrentar a morte de alguém que se ama. Com características indies, o filme inova em absolutamente nada, sendo assim, um dos mais fracos a ter sido indicado ao Oscar este ano.

por Fernando Labanca

George Clooney interpreta Matt King, mora numa ilha no Havaí, é um pai e marido ausente que só pensa no trabalho. Até que recebe a notícia de que sua esposa sofreu um acidente de barco e está em coma, respirando por máquinas, mas que infelizmente não haveria salvação, estava a caminho certo da morte. É então que ele vai atrás de suas filhas, a pequena Scottie (Amara Miller) e Alexandra (Shailene Woodley), a mais velha, que estudava fora e passa a acompanhar o pai numa missão nada confortável, visitar todos os parentes e revelar a difícil situação de sua mãe, para que todos pudessem se despedir. E nessa jornada, Matt precisa a reaprender a ser pai, mas tudo piora, quando Alexandra revela que sua mãe o estava traindo. Enquanto avisava os parentes, ele, então, passa a pesquisar sobre quem era este amante, além de ter que lidar com uma outra grande responsabilidade, vender ou não um grande terreno da família. 


Consagrado por filmes como "As Confissões de Schimdt" e "Sideways- Entre Uma e Outras", Alexander Payne realiza seu trabalho mais fraco com "Os Descendentes". Baseado no livro de Kaui Hart Hemmings, o filme vem recebendo várias premiações por seu roteiro e fiquei me perguntando o porquê. Não há nada que apareça neste filme que já não tenha aparecido em outro e de forma mais interessante, o roteiro abusa de clichês, não inova. A velha história do pai ausente, e o pior que em nenhum momento isso é provado, só que vimos é um pai que faz de tudo por suas filhas, mas é muito mais bonito falar que ele era ausente para o público se emocionar, mas não funciona, não há como nos comover ao ver a aproximação desta família se nunca sentimos o quanto o afastamento os afetava. A história da revelação de uma traição após a morte também não é nova, e aqui acontece de forma fria e a busca de Matt por descobrir quem é o amante gera momentos de humor forçado. Também temos a antiga história daquele homem que precisa decidir se vende as terras da família mas a consciência pesa ao perceber que aquilo era uma grande herança. Não preciso revelar qual foi a decisão dele ao final do filme. Todo o roteiro é extremamente previsível, nada que surge na tela nos surpreende e nada justifica a sua realização. 

"Os Descendentes" é uma obra sutil, simples, sem nenhum grande momento, nada que fique na memória após seu término. E ao utilizar de fórmulas já muito usadas no cinema se torna uma obra ainda mais dispensável. Além dos já citados clichês, o filme ainda utiliza meios um tanto quanto patéticos para arrancar risos de seu público, como a inserção de um tal de Sid (Nick Krause) na história, melhor amigo de Alexandra que acompanha a família em sua jornada, o problema que ele é aquele jovem padrão de filmes para adolescentes norte-americanos, forte e bobão, colocando em risco a maturidade com que a obra "pretende" passar. Algumas atitudes de Matt beiram ao ridículo como a corridinha que ele faz para investigar sobre o caso de sua esposa com outro homem, mais uma vez, forçando o humor, ou como quando ele se esconde atrás de arbustos para este tal amante não vê-lo, de forma infantil, que me fez questionar qual era a real intenção desses roteiristas. O filme parece ser maduro, mas nunca alcança um nível aceitável de maturidade, parece querer ser indie, mas a base de um filme desses, é ser original, e em nenhum momento este é. Também não diverte como pretende, muito menos emociona como pretende. Um filme que literalmente morre na praia.

Como roteiro, o longa decepciona, a direção de Alexander Payne não inova em nada também, não fazendo sentido sua indicação ao Oscar. Outra nomeação que me pareceu um pouco injusta foi a categoria Melhor Ator para George Clooney. E assim como todo filme que ele faz o vendem como "a melhor atuação de sua carreira", mas não, não é. Fez trabalho infinitamente superior em "Amor Sem Escalas" de 2009, aqui, o ator faz um pouco de si mesmo com um pouco de alguns outros papéis que já interpretou, por vezes, realiza cenas lamentáveis como a já citada "corridinha com chinelos", é péssimo quando tenta forçar humor. Por outro lado, há boas cenas como quando ele se despede de sua esposa, um dos melhores momentos do filme. Do restante do elenco, nomes como Judy Greer e Matthew Lillard, todos corretos, mas quem realmente se destaca é a jovem Shailene Woodley, que faz um trabalho notável, realizando algumas das melhores cenas.

Há um pouco de Cameron Crowe em algumas sequências, como as cenas de família, as conversas paralelas ou quando Matt observava os quadros nas paredes enquanto histórias dos ancestrais eram contadas (todas inúteis e insistentes, aliás), remetendo "Vanilla Sky" e "Elizabethtown", mas de forma menos interessante. É isso o que Alexander Payne faz, reutiliza fórmulas e realiza uma obra vazia e sem nenhuma criatividade, num roteiro mal desenvolvido e de pouca profundidade, até mesmo a narração em off está lá, a personagem principal narrando a própria vida, impedindo o público de fazer suas próprias conclusões. Por fim, "Os Descendentes" acaba valendo a pena por algumas cenas, pelas boas locações que criam um clima bem único para o filme auxiliado pela trilha sonora havaiana e pela boas e sinceras atuações e Shailene Woodley, acredito que tenha sido a melhor coisa do filme. Se tivesse sido lançado no meio do ano, não há dúvidas de que teria sido ignorado pelas premiações, provando estar entre os indicados só para realmente preencher a cota de filmes indie do ano, mas infelizmente esteve longe de alcançar o primor de obras deste "sub-gênero", como inclusive "Sideways" do próprio Alexander. Vale a pena arriscar, mas não crie muitas expectativas.


NOTA: 5


Outras notícias