sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Crítica: O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, 2010)

Primeiro longa adaptado do diretor M.Night Shyamalan, o filme baseado no desenho norte-americano, com forte influência dos animes orientais, Avatar (que aliás, perdeu o direito do nome para James Cameron), traz uma forte mudança no gênero "blockbusters" aos cinemas, e mais do que isso, um trabalho de um diretor tentando retormar seu espaço perdido.

por Fernando Labanca

M.Night Shyamalan que sempre escreveu seus próprios filmes, resolveu inovar e tentar, apelar, talvez, para algo mais popular, e durante dois anos, o roteirista tentou escrever uma adaptação justa ao desenho Avatar, sucesso garantido, inclusive aqui no Brasil, que reune milhares de fãs. Infelizmente, não tive a oportunidade de assistir o desenho inteiro e acompanhar a história do início ao fim, portanto como adaptação não terei nem o direito de opinar muito, vi O Último Mestre do Ar, não como fã da animação, mas sim, como admirador do diretor/roteirsta.

A história é básica. Durante anos, quatro reinos viviam em paz, o reino da Água, da Terra, do Ar e do Fogo. E para que esses mundos tão distintos vivessem em paz, sempre teve a existência do Avatar, ser que tem o poder de se comunicar com o mundo espiritual e assim manter o equilíbrio dos reinos. Eis que o Reino do Fogo, possuído pelo desejo do poder e ser a nação mais forte, que oprime as demais, inicia uma guerra. No sul do Reino da Água, dois jovens, Sokka (Jackson Rathbone) e Katara (Nicola Peltz) que tem o dom de manipular a água, encontram um jovem perdido, Aang (Noah Ringer) e seu bizão, e logo descobrem que ele nada mais é que o último Avatar, simplesmente por ter o dom de dominar o ar, o último mestre do ar. Há anos ele fugiu de sua comunidade, após saber seu destino como Avatar, e congelado, pára no tempo, e acorda, ainda jovem, muitos anos depois, e disposto a aceitar seu caminho e trazer a paz e o equilíbrio de volta.

E para isso, ele começa a ter treinos e a aprender a dominar todos os elementos. Enquanto isso, sabendo da volta do Avatar, o Reino do Fogo traça uma busca do garoto, como a última forma de conseguirem o poder total. E nesta busca, há Zuko (Dev Patel), que mais do que trazer o poder ao seu reino, ele deseja a atenção de seu pai. E num mundo onde tudo parecia estar perdido, Aang trás a esperança a todos os povos e luta ao lado de seus amigos para finalmente alcançarem a paz.


Como eu havia dito anteriormente, M.Night Shyamalan inova no que conhecemos por "blockbuster". Avatar tem tudo para ser um, a história, os elementos fantásticos, efeitos de ótima qualidade, mas o diretor coloca na tela, aquilo já esteve bastante presente em sua carreira, o espiritualismo, tudo ocorre de uma forma mais "zen", mais pacífica, sem explosões e barulhos desnecessários.

Como roteiro adaptado, o considero bom, sem mesmo ter assistido o desenho, M.Night consegue em menos de duas horas preencher de forma conveniente todos os minutos, todo ocorre no tempo certo, e este é o maior triunfo do filme, não acelera em diálogos que para muitos seria inútil, para deixar mais tempo nas batalhas finais, aqui ele sabe maravilhosamente utilizar seu tempo, as lutas, sem exagero, não cansa, até mesmo o humor entra em hora devida. Tudo no momento e dose certa.

Os efeitos são ótimos, assim como a incrível fotografia, aqui o trabalho de M.Night como diretor cresce, seu primeiro com tantos efeitos e mesmo assim, ele soube administrá-los de forma correta. Mas quem fica responsável por tirar o fôlego, foi James Newton Howard, o veterano compositor responsável pela trilha sonora de alguns filmes do diretor, ele mostra seu incrível talento mais uma vez, a trilha é fantástica e nos hipnotiza em determinadas cenas.

Os atores não são tão ruins, até que se esforçam, Noah Ringer, infelizmente, não tem o carisma necessário para um protagonista, o melhor do elenco é mesmo Dev Patel, de "Quem Quer Ser um Milionário", no papel do filho incompreendido. Mas o defeito mesmo do longa é tentar explicar demais, todas as cenas o roteiro nos revela informações importantes, detalhes, histórias passadas, enfim, não descansamos nunca, a todo tempo, ele tenta nos fazer entender algo, haja cérebro para armazenar tanta informação.

Como comparação ao original, infelizmente, não sei dizer, mas como filme em si, O Último Mestre do Ar funciona bem, não é melhor desempenho de M.Night, mas também não é o pior. Com tantas explicações no longa, acredito que o roteirista tentava chamar a atenção de pessoas que não o acompanhavam na TV, e ao meu ver, conseguiu, pelo menos, me senti extremamente atraído por este longa, que apesar dos defeitos, é um deleite aos olhos, há beleza não só nas imagens como nos diálogos, e ainda, o filme nos dá a entender que terá uma continuação, e finalmente quando o filme acaba, diferente de todos os blockbusters, sentimos...paz! Recomendo.

NOTA:8,5



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