sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Crítica: O Golpista do Ano (I Love You Phillip Morris, 2009)

Dirigido pelos iniciantes John Requa e Glenn Ficarra, o filme conta com atuações de Jim Carrey, Ewan McGregor, Leslie Mann e Rodrigo Santoro.

por Fernando Labanca

O Golpista do Ano, é uma história absurda baseada em fatos reais. O filme que foi rodado em 2008, foi lançado no começo de 2009 no Festival de Sundance, que recolheu tantas críticas positivas quanto negativas. E aqui no Brasil, foi lançado oficialmente no semestre passado. Um longa um tanto quanto polêmico, acabou passando por vários problemas, por um longo tempo ficou sem distruibuidora e ainda teve algumas cenas refeitas para fazer do filme algo mais aceitável pelo público.

Na inusitada história, baseada na vida de Steven Russel, interpretado por Jim Carrey, um policial do Texas, que vive uma vida aparentemente feliz ao lado de sua esposa Debbie (Leslie Mann). Eis que sofre um acidente de carro e percebe que sua vida poderia ter terminado ali, naquele momento, e decide viver de outro jeito, ser quem realmente ele é, já mentiu para si mesmo por muito tempo e a vida é curta, não há mais tempo para encenações.

Steven se declara gay, sai de casa, larga o emprego e começa a viver de maneira completamente diferente. Entretanto, ele percebe que ser gay é muito caro, todo o glamour e luxo que todo homossexual anceia, é tudo muito distante de sua realidade. E para resolver esse "probleminha", Steven passa a viver de fraudes e trapaças, se tornando um "expert" no assunto, porém, mais uma vez a realidade vem a tona, e ele é preso. Na prisão, ele conhece Philip Morris (McGregor), um homem sensível e delicado, e rapidamente, os dois se apaixonam.

A partir de então, os dois vivem uma intensa paixão, e quando ambos saem da prisão, um relacionamento surge e o golpista profissional passa a dar a Philip Morris a vida que qualquer um deseja, mansões, dinheiro, viagens e tudo que ele faz passa a ter um outro propósito, um propósito muito maior, amor, sem se preocupar se seu amado um dia descobrirá, sem se preocupar com leis muito menos com as consequências.


O Golpista do Ano é um filme que pode espantar muita gente, logo que muitas vezes, é mais polêmico que "O Segredo de Brokeback Mountain", e trata a homossexualidade de uma maneira mais grosseira e até mais, impactante, digamos. Por outro lado, não é um filme ofensivo, o roteiro e os atores souberam trabalhar esse tema sem cair no clichê e nos estereótipos, e chega até ser original e interessante como os gays aqui aparecem, com um humor escrachado e algumas vezes com bastante delicadeza. Pode se dizer, então, que o grande triunfo do longa é colocar humor onde não se espera e sem fazer com tudo se torne banal.

O problema do longa fica na indecisão de se fazer uma comédia, drama ou romance. Esses gêneros podem ser trabalhados juntos e isso já deu grandes resultados, mas aqui, falha. Nunca sabemos realmente do que estamos diante, e isso foi um dos problemas pelo qual o filme não conseguia distruibuidora, é díficil ser vendido, para aqueles que esperam uma comédia, podem se decepcionar, para aqueles que esperam um drama ou um romance, também. E essa confusão gera desconforto, logo que o filme não é tão engraçado a ponto de ser denominado de "comédia" e nem emocionante o suficiente para ser chamada de "drama".

Jim Carrey está ótimo, mas já esteve melhor, até arrisco dizer, para aqueles que são muito fã do ator, não ter muita pressa em assistir o filme. Infelizmente, o ator está caricato demais, em outros papéis sua fórmula de humor funciona, mas na pele de alguém real, fica estranho, não tinha tanta liberdade em ser Jim Carrey, eis o problema, está Jim Carrey demais e menos Steven Russel. Diferente de Ewan McGregor que está fantástico, consegue ser super gay sem cair no estereótipo, dá uma sensibilidade intensa e muito verdadeira a seu personagem, nos emocionamos e divertimos com seu Philip Morris. Ainda vemos Leslie Mann, boa, mas com uma persongem incompreensível e Rodrigo Santoro como o primeiro amor de Steven, pequena participação, mas ainda sim, está ótimo.

Não assista "O Golpista do Ano" esperando muita coisa, o resultado por de ser decepcionante. A história é absurda, há coisas que vemos e nos perguntamos: isso realmente aconteceu? É tudo possível, mas muito fora do que taxamos de normal. É divertido, original, e algumas vezes, emocionante, para aqueles que curtem um filme diferente, alternativo, uma espécie de "dramédia", podem arriscar.

NOTA: 6.5



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