quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Crítica: Um Sonho Possível (The Blind Side, 2009)

Vencedor do Oscar e Globo de Ouro de Melhor Atriz para Sandra Bullock este ano, Um Sonho Possível, marca um dos melhores momentos da atriz nas telonas.

por Fernando Labanca

Leigh Anne Tuohi, o nome é desconhecido para muitas pessoas, inclusive para mim que não tinha ouvido falar até assistir o filme. Uma mulher incrível que foi capaz de colocar um estranho dentro da própria casa, simplesmente porque acreditava em seu talento, sem se importar com todas as pessoas que passam a julgá-la.

Filme baseado no livro de Michael Lewis e dirigido por John Lee Hancock, conta a história de Michael Oher, um jovem negro, abandonado pelo pai e retirado de sua mãe, logo que ela era viciada e não tinha condições de cuidá-lo, vivia sem casa, sem família. Tinha um incrível dom em esportes e passa a frequentar uma escola de elite, ganha bolsa e entra no time de futebol. Entretanto, suas notas são péssimas e a instituição decide deixá-lo de fora do time enquanto ele não alcançar boas notas.

Até que Leigh Anne, mãe de um dos alunos da escola, se depara com o novo amigo de seu filho, Michael (Quinton Aaron) andando na chuva indo em direção ao estádio da escola para ter onde dormir, espantada, ela decide convidá-lo para passar uma noite na casa da família Tuohi. Entretanto, essa "única noite" se estende e Anne percebe que o jovem precisa muito de ajuda e que eles, felizmente, têm condições de ajudá-lo. Até que Michael se torna um novo membro da família, e Anne contrata uma professora particular para melhorar suas notas e passa a frequentar os treinos do futebol, onde ela percebe ser melhor que o próprio técnico para lhe ensinar boas jogadas. E assim vai, e fora e dentro do campo, a socialite tanto ensina quanto aprende com Michael, e descobre que ele tem muito mais a ensiná-la do que ela imaginava, ela passa a melhorar tanto como mãe e esposa quanto pessoa.

"The Blind Side", o título original, que muito tem a a ver com a história e seria um nome muito mais original e criativo que "Um Sonho Possível", traduzido para o português, ao invés de "O lado Cego". O lado cego, é um termo usado nos campos de futebol americano, onde a própria função de Michael era essa, defender o lado onde um determinado jogador não vê, cobri-lo para não ser atacado pelo time adversário. E esta é Leigh Anne, que defende o lado cego, o lado em que ninguém vê, aquele lado onde a sociedade tão acostumada a encarar que nem ao menos tenta ajudar, enfrenta a pobreza e a miséria como algo rotineiro. "Um Sonho Possível" não é sobre, simplesmente, ajudar o próximo e blá blá blá, é mais do que isso, é sobre proteção.

A direção de John Lee Hancock é eficiente, o filme é muito bem conduzido, se tornando algo sempre agradável. O problema do longa é o roteiro, onde não há conflitos, a história simplesmente acontece, começa e termina e nada de tão extraordinário surge, é tudo muito fácil, não há obstáculos, como se a vida fosse realmente assim, é tudo muito perfeitinho e isso soa artificial. A atitude da família em questão é bonita, mas obviamente não aconteceu dessa maneira e se aconteceu, acredito que o roteiro deveria ter "apimentado" um pouco a história, logo que nada tão diferente e ousado acontece, não chamando a atenção do público, simplesmente não há história para preencher as longas duas horas de filme.

Vale mesmo a pena por Sandra Bullock que está ótima, entretanto acredito que seu Oscar tenha sido algo como "respeitamos sua carreira", pois sua atuação é boa mas não o suficiente para um prêmio tão importante. Admito que adorei o fato dela ter ganhado e também acredito que foi uma das melhores performances da atriz em toda sua carreira, mas também admito que não foi tão grandiosa assim, já vi atuações femininas melhores. Sua personagem é incrível, divertida e guerreira e Sandra consegue transmitir seus sentimentos com muita verdade, sabe usar sua veia cômica de maneira correta logo que aqui é um filme de drama e não de comédia e nas cenas mais tensas a atriz também se sai maravilhosamente bem.

Em suma, não espere muita coisa, um filme básico, não me espantaria vê-lo daqui uns anos na "sessão da tarde". E sua indicação de Melhor Filme no Oscar este ano também foi um exagero, Invictus de Clint Eastwood, por exemplo, ficou fora dos indicados, sendo que merecia muito mais. Um filme bonitinho, mas muito correto, e que pelo menos uma vez na vida...deve ser assistido.

NOTA: 6

2 comentários:

  1. É, já ouvi falar que esse filme não é lá essas coisas...mas deve ser no mínimo interessante..vou ver pela Sandra, adoro ela!

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  2. Ah sim, claro! Não chega a ser ruim, longe disso! É até que bastante assistível...vale a pena sim, principalmente por Sandra Bullock!!

    Só não esperando mta coisa, pois só assim que vc num vai se decepcionar tanto!!

    valeu por comentar!!

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