terça-feira, 7 de junho de 2011

Crítica: O Assassino em Mim (The Killer Inside Me, 2010)


Sempre achei que os psicopatas eram mostrados de uma forma muito restrita nos cinemas. Tiveram um trauma de infância, rostos desfigurados, eram rejeitados pela sociedade desde muito pequenos e passavam por cima de qualquer um para realizar suas vinganças. Muitos filmes usaram essa fórmula pré-estabelecida e se esqueceram de dar personalidade à essas personagens. Feiúra era sinônimo de psicopatia.

Sinceramente, não tenho medo de monstros mascarados, que não se cansam de morrer e ressuscitar para fazerem mais vítimas em sequências totalmente descartáveis (embora algumas sejam divertidas) e não faço a menor questão de me importar com espíritos vingativos provenientes do além. O que me intriga é o homem comum. Aparentemente comum.

Aí assisti Psicopata Americano (American Psycho, 2000) e fiquei totalmente estarrecida com uma personagem, como faço questão de ressaltar, aparentemente comum, que tem as ideias e os desejos mais perversos e maldosos que se poderia imaginar. Patrick Bateman (Christian Bale) é uma das personagens mais marcantes do cinema pra mim, simplesmente o mal escondido numa máscara de perfeição, prontinho para escapar. Patrick é fascinante por ter uma áurea de normalidade existente em qualquer ser humano, pelo menos à primeira vista. Ele poderia ser o vizinho, o colega de classe, o conhecido do trabalho, o namorado atencioso...quem sabe?

E agora, depois de assistir "O Assassino em Mim", adaptação do romance homônimo escrito por Jim Thompson em 1952 percebi que Patrick ganhou um coleguinha à altura na minha galeria de psicopatas fodões do cinema.E acreditem, comparado a ele, Patrick chega a ser um vilãozinho mequetrefe à lá "Saga Crepúsculo".


Por Bárbara




Lou Ford (Casey Affleck) é assistente do xerife Bob Maples (Tom Bower), na pequena Central City, Texas. Bonito, educado e culto, Lou é respeitado por todos na cidade, serve de exemplo para os mais jovens e namora Amy Stanton (Kate Hudson), uma moça de família. Sempre solícito, faz favores para todo mundo. Um dia, Chester Conway (Ned Beatty), um poderoso empresário local, pede a Lou que expulse a prostituta Joyce Lakeland (Jessica Alba) da cidade, pois ela se envolveu Elmer Conway (Jay R. Ferguson), filho de Chester.

Chegando na casa de Joyce, depois de um breve desentendimento, Lou se encanta por ela e os dois começam um tórrido caso. Porém, depois de saber de Joe Rothman (Elias Koteas), um sindicalista, que de alguma forma os Conway seriam responsáveis pela morte de seu irmão adotivo, ele planeja sua vingança. Mas um crime gera outro, e para apagar seus vestígios, Ford comete mais assassinatos, despertando a atenção do promotor público Howard Hendricks (Simon Baker), o único que acredita que Ford não é o santinho que aparenta.

Em uma interpretação fantástica de Casey Affleck (muito mais talentoso que seu irmão Ben, pelo menos na atuação), Lou não é um mero serial killer que mata desembestado por aí. Apesar de tudo parecer aleatório e sem sentido, eu pelo menos enxerguei uma cadeia lógica de eventos que levaram Lou a agir e pensar daquela forma, mas creio eu que isso depende muito da interpretação pessoal do filme. Em poucas palavras, Ford é inteligente, frio e calculista.
Infelizmente, ainda permanece o clichê dos "traumas de infância", mas nada que estrague o resultado final. Pelo contrário: revelando o passado de Lou em doses esporádicas só faz aumentar a curiosidade do espectador e permite que um leque de interpretações se abra ao final do filme.

O destaque do elenco é com certeza Casey Affleck. Apesar de não ter a mínima possibilidade de o espectador se simpatizar com Lou Ford, a interpretação de Casey faz com que ele não se torne um vilão estereotipado, somente mau. Ele é um cara que come, dorme, trabalha normalmente, mas que tem esse "lado negro da força" dentro dele, e que por não saber conviver com isso de uma forma que não machuque os outros, tem o sexo sadomasoquista como uma parcial válvula de escape.Lou poderia ser nosso vizinho ou colega de trabalho. Sua personalidade não fica apenas restrita na ficção. Kate Hudson também fez um excelente trabalho, principalmente numa cena crucial que emociona até o espectador mais resistente. Ned Beatty, Tom Bower, Jay R. Ferguson e Elias Koteas fizeram o trivial. Simon Baker infelizmente interpretou Patrick Jane, da série The Mentalist, só que com mais seriedade e menos cinismo.Bill Pullman faz uma pontinha de luxo no final do filme, como um advogado charlatão. Jessica Alba só embelezou o filme e nada mais. Justamente na cena em que é exigida uma maior carga dramática, ela decepciona. Havia mais opções de atrizes lindas e talentosas para o papel.

Enfim, para quem como eu acha que os ditos homens comuns são mais fascinantes do que monstros ressuscitados á seu bel-prazer, assistam "O Assassino em Mim", eu super recomendo!

Nota: 9

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