terça-feira, 4 de junho de 2019

Black Mirror: Do pior ao melhor



Para celebrar a chegada da nova temporada de Black Mirror, resolvi fazer um ranking para identificar os piores e melhores episódios da série.

por Fernando Labanca

Criada por Charlie Booker, o show britânico foi transmitido pela primeira vez no Channel 4 em 2011 e, aos poucos, ganhou notoriedade. Foi necessário apenas duas temporadas para que conquistasse, de vez, o gosto popular. Eis que, em 2015, a Netflix encomendou uma nova temporada e, com seu sucesso absoluto, se manteve no ar até hoje. 

O fascínio da série vem por questionar diversos aspectos de nossa realidade, através de histórias independentes que usam da ficção científica para denunciar nosso modo de vida ou para nos fazer refletir sobre o rumo que estamos seguindo. Com tramas complexas e, por vezes, assustadoras, a tecnologia acaba sendo o elo principal entre elas - além dos amados easter eggs. Não é a toa que toda vez que nos deparamos com algo bizarro e "futurístico" o denominados de "muito Black Mirror". 

Nas rodas entre amigos, sempre vem aquela pergunta básica: qual o seu episódio favorito da série? Então, faço essa lista para tentar organizar minhas preferências, ainda que eu tenha muita dificuldade em decidir isso. Mas e você? Qual é seu momento favorito de Black Mirror?



23. Black Museum
S04E06
Acredito que seja o episódio que mais destoa do resto. E não é por isso que o considero o pior. A ideia até que é interessante, mas as soluções que o roteiro encontra são tão forçadas e involuntariamente cômicas, que se torna difícil embarcar em suas pirações.



22. Rachel, Jack and Ashley Too
S05E03
Trazendo algumas tecnologias já antes apresentadas no show, a trama coloca Miley Cyrus em um dos papéis principais e aproveita para dizer muito sobre essa crise de identidade existente no mundo pop e no controle ganancioso que existe por trás de uma carreira predeterminada. Se focasse mais nisso teria sido mais interessante, mas o episódio se perde em personagens tolos em uma aventura familiar com tons de sessão da tarde. Tem seus bons momentos, no entanto, é distante demais do que Black Mirror foi um dia.



21. Metalhead
S04E05
Talvez se fosse um filme, Metalhead tivesse dado mais certo. O curto tempo do episódio impediu sua trama de se estender e se tornar mais clara. Sem diálogos, foi complicado compreender ou se conectar com o universo distópico criado, onde cachorros robóticos aniquilam a humanidade. Ao menos a estética é belíssima. Um dos mais deslumbrantes de toda a série. 



20. Crocodile
S04E03
É difícil entender as motivações da protagonista que se revela uma psicopata ao decorrer da trama. As soluções do roteiro, que coloca uma mulher que faz absurdos para acobertar um crime, são pouco críveis e incomodam. Vale por ver a atriz Andrea Riseborough, que está fantástica no papel principal. Irreconhecível, só me toquei que era ela quando os créditos finais subiram. 



19. Ankangel
S04E02
A premissa desse episódio é ótima e se trata daquelas ideias mirabolantes que nos fazem refletir como agiríamos se acontecesse com a gente. A história da mãe que visualiza tudo o que a filha faz através de um aplicativo é assustadora e muito possível. Porém, nem tudo flui bem aqui e Arkangel termina como se não tivesse explorado ao máximo sua proposta. O fim é decepcionante e forçado.  




18. The Waldo Moment
S02E03
É, de fato, o episódio mais incompreendido de Black Mirror. Citado por muitos como o pior da série, The Waldo Moment pode não ter o brilhantismo da maioria das histórias, no entanto, consegue desenvolver uma trama absurdamente bizarra e atual, desconfortavelmente possível. Ainda mais para nós brasileiros que elegemos um palhaço tuitero como presidente. O personagem cômico que vai parar na política é intrigante e nos faz refletir muita coisa. Infelizmente, o curto tempo não foi o suficiente para desenvolver todas as suas ideias e termina sem grandes conclusões. 



17. Men Against Fire
S03E05
Esse episódio é interessante por nos fazer acreditar em algo até certa altura e, no fim, nos faz ver a trama com outros olhos, por uma nova perspectiva. Esse jogo funciona e consegue terminar de forma impactante, digna de um Black Mirror. Por outro lado, é cansativo e ainda que tenha uma ideia interessante pouco nos lembramos dele. É aquele capítulo ótimo mas que se não existisse não faria falta. 



16. Bandersnatch
S00E00
Ainda que seja considerado como filme, coloco ele na lista porque acredito que funcione mais como um episódio mesmo, principalmente porque nasceu como parte da quinta temporada, que estreia agora, e foi isolado posteriormente. É uma experiência única, isso é fato. Ao permitir que possamos escolher os caminhos percorridos pelos personagens, somos inseridos por completo na história e temos o poder de definir o destino de cada um. É bizarro e, por muitas vezes, assustador este dom que nos é atribuído como público. Mesmo que seja interessantíssimo como entretenimento e relevante como produto da Netflix, a trama cíclica cansa. Entendo as limitações do roteiro, no entanto, acaba sendo desgastante ter que percorrer pelos mesmos caminhos e sentir que a história nunca avança.



15. Striking Vipers
S05E01

O primeiro da quinta temporada revelou o novo tom da série. Mais descompromissado, sem a tensão que existia até então e sem a necessidade de criar um plot twist para causar algum baque final. O roteiro caminha lento mas é interessante. Ao narrar os encontros sexuais entre dois amigos héteros dentro de um jogo, a história sempre nos deixa com dúvidas sobre a verdade de cada personagem. É curioso, instigante e sua surpresa vem por essa dualidade que existe e que nos deixa pensativos ao final. 

14. Playtest
S03E02
Acredito que seja um dos momentos mais descontraídos de Black Mirror. Por mais que sua proposta seja bem atual e relevante, há um tom despretensioso que o torna divertido, um frescor necessário. A realidade aumentada é mostrada de forma interessante e envolvente, entretanto, acaba se distanciando da qualidade do restante do programa. 



13. Smithereens
S05E02

O episódio acaba trazendo uma reflexão muito presente na série: o que nossa obsessão por redes sociais tem nos transformado. A trama gira em torno do surto de um homem que, armado, acaba fazendo um jovem de refém para atrair a atenção do CEO de uma empresa de tecnologia . É tenso e caminha para um belo final, mas cansa por sua longa duração, que se perde em discussões nem sempre relevantes. Destaque para a atuação de Andrew Scott.   



12. Shut up and Dance
S03E03
Um dos maiores impactos oferecidos pelo show. Aquele episódio que não sabemos para onde vai até chegar o final e nos deixa devastados por sua grande revelação. A sacada é genial, porém, é nítido como eles repetiram a fórmula de "White Bear" para repetir o sucesso e chocar o público. É surpreendente, mas os recursos que eles usaram para causar impacto soam forçados e por isso diminuem o poder da história. 



11. The National Anthem
S01E01
O primeiro choque a gente nunca esquece. The National Anthem foi o responsável por ser o soco inicial e por isso ele é tão marcante. A trama que envolvia o primeiro-ministro britânico, sequestro e sexo com um porco é absurdamente insana. Se trata de um excelente começo e por mais que não seja tão fantástico quanto os episódios seguintes, conseguiu nos introduzir muito que bem ao universo Black Mirror.



10. USS Callister
S04E01

Esse episódio levou a série para outro patamar. Nos fez entender que o programa pode ir além e discutir temas até então não explorados. É descontraído, inteligente e ao nos levar para uma viagem estelar nos moldes de Star Trek, embarcamos em um universo interessantíssimo, repleto de boas ideias. 



09. Hated in Nation
S03E06
É o episódio que mais se assemelha a um filme. A forma como o roteiro é construído, as relações entre os personagens e como eles são desenvolvidos até o excelente final, muito nos lembra a um longa-metragem. Há várias idéias aqui, desde a extinção das abelhas e o efeito que isso se teve na sociedade e como as redes sociais se tornaram um ambiente hostil, capaz de destruir a carreira e a reputação de alguém. O texto é brilhante e termina com grandes reflexões. 



08. Fifteen Million Merits
S01E02
Amado por uns, odiado por outros. Um dos mais controversos da série, Fifteen Million Merits traz uma potente atuação de Daniel Kaluuya, onde seu protagonista precisa produzir energia enquanto batalha para ser aprovado em um show de talentos e subir na vida. É uma ideia bizarra e é brilhante em como dá tudo tão certo. Reflexivo, o roteiro consegue desenvolver um universo complexo que facilmente poderia se estender para um longa-metragem. O final é impactante!



07. Hang the DJ
S04E04
A quarta temporada foi uma das mais fracas da série. Eis que estava lá, no meio dela, esta preciosidade. Aplicativos, relacionamentos modernos e os receios de viver ao lado de alguém. É um momento inventivo e apaixonante de Black Mirror. No meio de tanta tensão que existe no programa, Hang the DJ foi um doce alívio. O final buga um pouco o cérebro, mas tudo bem, afinal é desses finais que a gente gosta. 



06. White Christmas
S00E00
Como toda série britânica que se preze, esta também teve um especial de Natal. Dividido em três partes, o episódio é tão completo que funciona quase como uma temporada inteira. Com um roteiro bem amarrado e extremamente inteligente, nos choca por cada saída que encontra. O final, mais uma vez, é brilhante.



05. Nosedive
S03E01
Nosedive é aquele episódio que choca porque é extremamente próximo da realidade em que vivemos hoje. O aplicativo que permite que cada indivíduo tenha uma nota é assustador pois é algo que existe em nossa sociedade, mesmo que de forma não explícita. Bryce Dallas Howard está fantástica na pele da protagonista, que recebe a direção de Joe Wright, onde entrega um dos visuais mais incríveis de toda a série. Profundo, reflexivo, o capítulo que reinventou o que é ser "muuuuito Black Mirror".  A cena final alcança a perfeição. 



04. White Bear
S02E02
Um inesquecível soco do alma. White Bear é a grande prova do quão brilhante Black Mirror consegue ser. É interessante todo o desenvolvimento da trama, que seguimos sem entender nada e no fim, com a surpreendente revelação, tudo faz sentido e nos destrói. Nos esmaga com sua poderosa encenação do quão cruel o ser humano pode ser, do quanto a sociedade, nos tempos da liberdade nas redes sociais, se torna dona da justiça, onde o julgamento é feito por indivíduos sem rostos, livres de qualquer punição ou arrependimento. 



03. The Entire History of You
S01E03
Quem nunca quis ter acesso às próprias lembranças? Essa pergunta é o que guia o episódio, que nos faz questionar, constantemente, o que faríamos diante desta possibilidade. Com texto inteligente, compreendemos a loucura do protagonista e a paranoia que ele passa a ter diante de uma possível traição. Black Mirror encontra na tensão que existe entre um casal em crise o cenário perfeito para discutir o quanto somos enganados por nossas memórias ou que talvez o esquecimento seja uma dádiva subestimada por nós. 



02. Be Right Back
S02E01
Um dos episódios mais subestimados de toda a série, Be Right Back constrói, em poucos minutos, uma trama densa e surpreendentemente emocionante. É o momento mais comovente do show, não apenas por falar do luto com extrema sensibilidade mas por nos colocar dentro de sua história e nos fazer questionar o que faríamos se tivéssemos a chance de trazer de volta alguém que já se foi. Hayley Atwell está brilhante no papel da esposa e nos carrega ao lado de sua dor até o belíssimo ápice.



01. San Junipero
S03E04

Diante do caos provocado por todas as histórias, chegar até San Junipero é como desembrulhar um presente especial. Nenhum outro conto, até então, tinha revelado uma história feliz e eis que somos surpreendidos por uma história gostosa de se ver, que encanta por cada criação, por todas as cores e personagens. Com uma vibe nostálgica dos anos 80, embarcamos em uma trama fascinante sobre duas mulheres que se reencontram em diferentes fases da vida até a revelação brilhante do final. Quando não esperávamos, diante de um desfecho capaz de bugar o cérebro, estávamos vendo uma ficção científica mirabolante, criativa e apaixonante. Foi lindo de ver. A química entre as atrizes Mackenzie Davis e Gugu Mbatha-Raw é, também, um dos fatores do sucesso do episódio. 


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