domingo, 30 de agosto de 2009

Crítica: Se Beber, Não Case (The Hangover, 2009)

A comédia mais surpreendente do ano, Se Beber, Não Case, é hoje um dos filmes mais vistos do gênero esse ano, e conquistou o público facilmente com atores desconhecidos e uma história extremamente sem noção, porém, extremamente engraçada.

por Fernando

Doug (Justin Bartha) está prestes a se casar, mas antes, ele, junto com seus amigos decide ir a Las Vegas curtir sua despedida de solteiro. Os amigos são: Phil (Bradley Cooper), uma pai de família, que mais parece um garoto de colegial, Stu (Ed Helms) um dentista que se diz doutor e que vive atormentado por seus amigos por ter sido traído por sua esposa num navio com um barmen enquanto estava bêbada. E o outro, é seu cunhado, o divertido Alan (Zack Galifianakis), um cara solitário que se empolga com a situação de estar no meio de três grandes amigos.

O plano é simples, curtir a noite, porém eles acabam indo longe demais, bebem tanto, e quando acordam não se lembram de mais nada, o problema é que o noivo desaparece, e Phil, Alan e Stu precisam imediatamente lembrar o que realmente aconteceu na noite anterior, para que assim, descubram aonde Doug está, logo que o casamento é no dia seguinte. A partir de então, os amigos partem para uma jornada de descobertas bizarras e surpreendentes, começam a juntar pistas e descobrem aos poucos passo a passo, as loucuras que fizeram em Las Vegas.

Essas loucuras incluem, uma ida ao hospital devido ao excesso de drogas, o casamento de Stu com uma stripper, a bela Jade (Heather Graham), e o mesmo se depara sem um dente e o motivo ninguém sabe, uma ida a mansão de Mike Tyson (??!!!) e o furto de seu tigre (??????????!!!!!!!!!!!). Além de se meterem com os piores mafiosos de Las Vegas, e devido a isso, eles começam a ser perseguidos constantemente sem saberem o porquê. Ainda se deparam com um bebê na porta do apartamento, e Alan acaba se apegando a ele, mas logo descobrem que era de Jade, a nova noiva de Stu. Em falar nisso, Stu precisa reverter essa situação, logo que é casado uma neurótica, além do fato dos seus cartões de crédito terem sumido, e além do fato deles terem sacado muitos dólares em seu nome. E tudo isso, acontece em um dia de muitas surpresas, o dia da ressaca, e quando tudo parecia estar perdido, tudo piorava, e quando achavam que já haviam visto de tudo, mais loucuras surgem.

Não há muito o que falar da história, ela é apenas isto, confusões em Las Vegas, mas a confusão é tanta, mas tanta, que nos perguntamos, aonde tudo isso var dar, como essa confusão toda vai terminar??!! O final não surpreendente, é simples, divertido como o filme todo, mas nada demais, mas mesmo assim, vale a pena ver o filme inteiro e se divertir com esse três caras completamente pirados, interpretados por atores extremamente cômicos, que fazem a público rir, mesmo quando não é a intenção. Um daqueles filme que nos perguntamos, quem teve essa bendita ideia??, um filme pirado, louco, em suma, uma filme "da hora", no linguajar mais popular possível, que aliás palavrão e coisas obscenas rolam soltas no longa, mas não perde o grande estilo, uma comédia popular que vai conquistar muito mais do que já conquistou.

É muito fácil se envolver com "Se Beber, Não Case", claro que as situações são impossíveis de acontecerem, mas é sempre colocado com tanta naturalidade que aceitamos os absurdos, além dos atores estarem tão a vontade em seus respectivos personagens, são naturais, engraçados, divertidos. Palmas para Bradley Cooper, Ed Helms e Zack Galifianakis, indiscutivelmente incríveis. Além dos atores desconhecidos, ainda vemos a pequena participação, mas que ainda tem seu destaque, a bela atriz Heather Graham, que depois de muitos anos, surge em uma comédia de grande sucesso.

Todd Phillips constrói um filme altamente divertido, dinâmico, cheio de piadas boas e cenas que já possuem um ar cômico e a piada vem livremente, as vezes até parecendo improviso. Além das ótimas localizações, e uma ótima trilha sonora.

Confesso, existem comédias melhores, inclusive comédias que foram lançadas esse ano, perde, talvez, a nomeação de melhor comédia do ano, por utilizar uma história, muito engraçada, porém fraca, sem um grande momento, um clímax, um momento em que sentimos que realmente valeu a pena, um momento em que vemos que o filme teve um propósito maior, mas não teve, a verdade é que Todd Phillips queria mesmo só divertir, e consegue, e com muito êxito. A comédia é um gênero que está passando por uma boa fase, e Se Beber, Não Case, futuramente pode ser lembrado por contribuir por essa passagem. Assista, mas tenha certeza que vai se deparar com situações absurdas, mas a risada vai vir facilmente, pois se trata de um filmes hilário, absurdamente hilário!!

NOTA: 8,5

Crítica: O Contador de Histórias (2009)


Filme nacional que mescla fantasia com realidade, traz aos cinemas a vida de Roberto Carlos Ramos, que como diz no cartaz, ele escreveu sua história contando muitas outras.


por Fernando

Roberto Carlos hoje é um contador de histórias formado em pedagogia, mas até chegar aonde chegou muitas coisas aconteceram. Quando criança, morava com sua família numa favela em Minas Gerais, com sua mãe e seus mais nove irmãos. Sua mãe sonhava em proporcionar uma vida melhor a seus filhos, mas não podia, eram pobres e mal conseguia pagar a comida, até que o governo lança na TV (a mesma que assistiam uma vez por semana na casa de um vizinho) um projeto que mudaria a vida dos jovens, a FEBEM, um instituto que permitiria que garotos futuramente se tornassem doutores, médicos, engenheiros. Com isso, a mãe decide levar o caçula e assim, mudar o rumo de sua vida, Roberto Carlos é o escolhido e vai tal instituto, acreditando que seria um paraíso, assim como via em sua imaginação, como se fosse um circo com trapezistas e palhaços, mas não era bem assim. Na Febem, ele tanta se adaptar a nova vida, longe da família, sofre com a separação, mas percebe que aquela era sua vida a partir daquele momento, gostando ou não, e tenta com sua criativa imaginação viver a realidade, assim como via sua professora de educação física como sendo um hipopótamo. As coisas pioram quando completa sete anos e é levado para viver junto com os maiores, é espancado, violentado, e a partir de então, participa de mais de cem fugas e entra para o mundo em que sua mãe tentava impedir, um mundo que envolvia policia, furtos e violência. Roberto Carlos cresce, se torna um garoto, assim como diziam, irrecuperável.

Sua vida muda quando conhece Margherit, uma pedagoga francesa que viajava temporariamente no Brasil para fazer uma pesquisa, conhecer o nossa cultura, o nosso estilo de vida, a nossa língua, ela já vivia aqui por um longo período, até que sua grande chance surge, se depara com o rebelde quando visitava a Febem, decide conversar com ele e conhecer a sua história, é quando ele decide colocar sua imaginação em prática, e começa a contar sua vida de um modo que só ele sabia contar, um jeito próprio, sob um ponto de vista criativo sobre tudo o que havia vivido, mas ele precisava ir e não termina sua história. Empolgada com a situação, Margherit vai atrás do garoto, ele estranha tal perseguição e percebe que é sua chance de "se dar bem", vai até sua casa e a rouba, a deixando espantada, mas descrente de que ele fosse realmente irrecuperável.

Roberto vai embora da Febem e percebe que o mundo que lhe esperava não havia mais espaço para imaginação, um mundo cruel, não tinha mais oportunidades, o mundo fechou para ele, sua única opção é a criminalidade, até que decide roubar, mas é abusado sexualmente, até que decide morrer, mas falha, até que decide ir atrás da única pessoa que havia lhe dito "obrigado" e "por favor", a única pessoa que abriu a porta da prórpia casa, Margherit.

A pedagoda lhe dá outra chance, lhe dá conforto e comida, temporariamente, até ele arranjar um lugar para ficar, em troca, ele conta sua história e consequentemente, aprende com ela, o francês. Juntos, eles descobrem uma improvável amizade, enquanto ele percebe que ela é um milagre que ocorreu com ele, a probabilidade de alguém salvar outra pessoa e dar todas as oportunidades que ela lhe dá, são mínimas.

O Contador de Histórias nos trás talvez um tema batido, a pobreza, a vida nas favelas, a criminalidade nas ruas, mas ele inova esses temas, os colocando na tela, com maior leveza, sem apelar para a violência, em alguns momentos, é forte, mas nunca é mostrado com tanta crueldade como é sempre mostrado nos filmes nacionais. A pobreza está lá, marcando presença, mas a vida nas favelas nunca foi mostrada com tanta beleza, tranquilidade, sofrimento também existe, mas também há um toque de felicidade. E está aí, o grande mérito do filme.

Além do fato, de juntar realidade com a imaginação fértil do garoto, dando maior sensibilidade ao longa. As cenas em que ele coloca suas histórias da maneira como ele quer acreditar, são perfeitas, assim como a cena do circo, a maneira como ele acreditava que era a Febem, no maior estilo de Em Busca da Terra do Nunca de Marc Forster, ou como quando ele colocava o seu ato de roubar ao lado de seus amigos como sendo uma partida de futebol, ou como quando vê o maior bandido da favela, seu ídolo, como sendo um rei, descendo as escadarias da igreja, simplesmente incrível. O filme ainda utiliza de efeitos visuais para reproduzir uma de suas imaginações. E esses momentos, sem sombra de dúvida, são os melhores do filme.

O diretor Luiz Villaça é competente, reproduz a incrível jornada de Roberto Carlos com muita leveza e descontração, emocionante em algumas passagens, e divertida em outras. O drama é bem colocado, sem cair no dramalhão, apesar de algumas cenas exigirem mais carga dramática do que realmente é exposto. A comédia é outro ponto positivo, o filme, mesmo se tratando de um drama, não perde a piada e nem o estilo, sempre dando espaço, principalmente, na primeira parte do longa, para boas cenas cômicas.

Atuação não é o forte do filme, onde alguns atores deixam a desejar, o destaque fica para Maria de Medeiros, que interpreta Margherit, dando a personagem extrema delicadeza e carisma. Facilmente conquista o público, é meiga e trás uma mensagem interessante, um exemplo de ser humano.

O Contador de Histórias chega aos cinemas, mesmo quando se tratando de cinema nacional, a preferência do público é comédia. Mas o filme tem seus méritos, merece ser visto, assim como muitos filmes nacionais que ainda enfrentam certo preconceito. E mesmo com a chuva de filmes Hollywoodianos chegando constantemente, o filme tem seu destaque. Não é o melhor filme nacional de todos os tempos, mas é melhor que muitos que vi ultimamente. Não o veja achando que vai ser mais um drama nacional sobre preconceitos, pobreza, criminalidade, é sobre a vida de um homem que enfrentou todas as dificuldades, e que para isso, ele precisou de uma mão amiga, e é isso o que as pessoas precisam, de um apoio, de que outras pessoas acreditem nelas, é sobre integração social, é sobre dar uma segunda chance para aqueles que veem diariamente todas as portas se fechando, pois todos merecem uma vida mais digna.

NOTA: 7

domingo, 16 de agosto de 2009

Crítica: O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married, 2008)


O Casamento de Rachel é um dos filmes mais interessantes que chegou na locadora recentemente, mais do que isso, um dos melhores filmes do ano, surpreendentemente emocionante, uma experiência única e inovadora.


por Fernando.

O filme, dirigido por Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes) conta uma história ocorrida em um final de semana, era para ser um final de semana belo e cheio de boas surpresas, até a chegada do elemento principal que destruiria toda a harmonia. É o casamento de Rachel (Rosemarie DeWitt), e para isso, ela convida toda os parentes para celebrar o dia mais perfeito de sua vida, todos se reunem na casa da família, grande e com um belo jardim, que seria palco da união. Porém, chamar toda a família, inclui em chamar Kym (Anne Hathaway), sua irmã, que tira uma folga da clínica de reabilitação para participar do casamento. Kym é símbolo de problemas, usava drogas e se embebedava na adolescência cheia de conflitos, hoje, tenta se recuperar nessa clínica.

Kym é hospedada na própria casa, com o maior desprezo da parte dos familiares, que praticamente ignoram sua chegada. Seu pai, Paul (Bill Irwin), extremamente atencioso, não tira os olhos dela, com medo de aprontar alguma na tão esperada festa. Seus pais são separados, e sua mãe, como sempre, atrasada. Reencontra com Rachel, e as duas tentam esquecer, ou fingir que esqueceram os problemas do passado, entretanto, evitar que brigas acontecem vai ser uma tarefa bem mais difícil que Kym imaginava, logo que se depara com sua prima mais detestável como sendo a madrinha do casamento. Briguinhas a parte, vamos ao casamento. Primos, primas, tios, tias de toda a parte, e a chegada do noivo só complementa essa diversão, trazendo toda sua família, fazendo não só a união com Rachel, mas prestigiando a celebração da união das famílias, além disso, comida a vontade e música ao vivo.

Porém, nada vai ser tão perfeito, Kym não perde a oportunidade, e com suas ironias e seu sarcasmo, sempre encontra um espaço para reviver as mágoas do passado e consequentemente, trazer a tona todas as fraquezas e manchas do passado que deveriam ter sido apagadas. Pais separados, nunca foi fácil para as irmãs aceitar isso, Kym se embriagava, porém elas tinham um irmão mais novo, e pela falta de responsabilidade de Kym, ele acaba morrendo em um acidente de carro, controlado por ela, e isso, a família nunca esquece. E a cada discussão que surge, sua morte sempre aparece, apontando Kym como a causadora de todos os problemas familiares. E como ela mesma diz na festa, ela já teve que pedir desculpas para tanta gente fora de casa, pessoas que foram afetadas pela sua má conduta, e precisava desse final de semana para pedir perdão para aquelas pessoas que realmente importam na sua vida, mas o modo como pretende fazer isso é que dificulta, optando sempre pelo sarcasmo, ela acaba fazendo não só uma tentativa de ser perdoada, mas revitalizar não só os seus erros, mas os erros de todos da família, tenta provar que ela não pode ser culpada por todos os problemas, pois todos erram, todos falham, e mostra para todos o quanto sofre por ter matado alguém, e que precisa do perdão para seguir em frente. E Rachel sempre vê sua postura como sendo uma tentativa de criar um campo de batalha, destruindo seu final de semana que deveria ter sido perfeito, tentando destruir o brilho e atenção que deveria ter sido toda sua nesses dias. Agora, Kym e Rachel terão que acertar as contas do passado, para manterem a harmonia do casamento, e mais além, se aceitarem como membros da mesma família, uma família como todas as outras, cheias de fraquezas, mágoas e medos, uma família que é capaz de perdoar não só para manter a postura, mas também para conseguirem seguir em frente, apagando de vez o passado, mesmo que cada um siga seu canto, mas pelo menos se amarão, mesmo distantes.


Jonathan Demme é incrível como diretor, conduz o filme com tanta delicadeza, sensibilidade, e ao mesmo tempo, com intensidade, é forte, maduro. Constrói um belo filme através do ótimo roteiro, assinado por Jenny Lumet, uma história inteligente que se fortalece pela maneira como é reproduzida. E esse é o diferencial do filme, como ele é conduzido, do início ao fim, uma camêra na mão, uma espécie de video caseiro, o que se encaixa perfeitamente no contexto, dando mais realidade na trama, intensificando cada cena, entrando no particular de cada indivíduo, penetrando a alma da cada um, e isso ocorre também, graças a ótima e surpreendente atuação de todos, sim, isso mesmo, de todos em cena, sem exceção, não só pela maravilhosa atuação da protagonista, mas os coadjuvantes estão perfeitos também, estão extremamente naturais. E por esses pontos que fazem O Casamento de Rachel ser tão natural e real, nos coloca dentro da história, participamos de cada conflito, e nesses minutos de projeção, é como se fizéssemos parte da família mostrada.


Anne Hathaway merece um parágrafo inteiro. Sua atuação é surreal, esqueça a garota bobinha de Diário de uma Princesa, agora a menina cresceu, evidentemente se tornando uma excelente e grandiosa atriz. Teve uma ótima performance em O Diabo Veste Prada, seu melhor trabalho até então, mas ela conseguiu evoluir mais, chegando ao ápice, daqui para frente, já não sei que caminho a atriz irá seguir, mas O Casamento de Rachel, registra sua mais incrível aparição na tela. Hathaway eleva o nível do filme, a cada momento em que surge, surpreende, quando está em cena, o filme se torna hipnotizante, empolga em cada fala, é carismática, e até mesmo engraçada, assim como revelou seu lado cômico em seus trabalhos anteriores, mas aqui prevalece seu lado mais dramático, é tão verdadeira, intensa, sensível,sincera, cada palavra que pronuncia, é um sentimento novo que produz, ela sente cada dor de Kym, dando a personagem, uma realidade inquestionável. A atriz consegue oscilar com facilidade, entre o drama e o cômico, entre a tristeza e sua felicidade sarcástica, entre a alegria e a angústia, entre a vitalidade e a melancolia.


"O Casamento de Rachel" é um filme surpreendentemente agradável. Maravilhoso, emocionante, incrível. Anne Hathaway melhor do que nunca, além de coadjuvantes de peso, como Rachel, interpretada verdadeiramente por Rosemarie DeWitt, além de todo o fortíssimo e desconhecido elenco. Um filme inovador, criativo, inteligente, hipnotizante, cheio de surpresas, tanto na história quanto na produção. Uma bela fotografia e uma ótima trilha sonora embalada pelas músicas tocadas no casamento, tudo muito real. Pode ser um filme chato para quem não curte dramas familiares, mas o diretor não exagera no dramalhão e não se rende aos clichês, construindo um verdadeiro e sincero filme sobre família e as dificuldades em manter relações com as outras pessoas, aceitar cada erro, perdoar o próximo, amar e ser amado.


NOTA: 9,5

domingo, 9 de agosto de 2009

Crítica: Pagando Bem, Que Mal Tem? (Zack and Miri Make a Porno, 2008)


O polêmico diretor Kevin Smith volta com um filme que nos mostra um assunto sempre evitado, para gerar polêmica, talvez, mas acima de tudo, para divertir o público e quebrar certas barreiras que existem entre a sociedade e sexo.


por Fernando

Miri (Elizabeth Banks) e Zack (Seth Rogen) são dois amigos de infância que dividem um apartemento, e consequentemente, as dívidas e até mesmo suas confidências. Resumindo, são melhores amigos e estão juntos nos melhores e piores momentos, nesse caso, mais nos piores, logo que as dívidas começam a aumentar, até porque eles preferem gastar dinheiro em objetos sexuais na internet, do que abrirem os olhos e perceberem que já são adultos e agora eles têm maiores responsabilidades, porém entrar nessa fase não é nada fácil para os dois, principalmente quando percebem que só estão afundando e não realizaram nada de muito importante em suas vidas, não conquistaram nada o que desejaram.

Até que cortam a água, a luz e enfim eles percebem que precisam reagir o mais rápido possível, já que o salário da lanchonete onde trabalham não é nada muito eficiente. E depois de muitas discussões, descobrem que há um jeito de ganhar muito dinheiro, sem grandes esforços e que ainda lhes trará prazer, entrar no ramo da pornografia, fazer filmes caseiros e publicá-los e rapidamente seriam um sucesso e ganhariam dinheiro fácil. Porém são melhores amigos e percebem que não será nada legal ver o outro dentro de um filme pornô, mas esquecem a ética da amizade, esquecem o quanto será estranho ver o outro transando com um estranho e mais do que isso, enfrentar a tensão e o medo de transar com um estranho e pior, com uma câmera na frente filmando tudo.

A partir de então encontram um salão abandonado, começam a fazer testes na cidade para encontrar novos e antigos talentos da pornografia, criam os figurinos e escrevem um incrivel roteiro se baseando nas história de Star Wars (hilário!!). Porém quando tudo estava indo perfeitamente bem, o salão é destruído para uma nova construção e perdem todo o figurino e todo o cenário, sendo forçados a começarem tudo de novo. Até que Zack tem a brilhante idéia de utilizar seu próprio ambiente de trabalho para fazer o filme pornô, fácil e simples, o cenário já está pronto e o figurino não precisa ser nada de especial, serão só pessoas que frenquentam um Café e transam com as garçonetes, e com a ajuda de alguns desconhecidos e de alguns amigos, eles começam a rodar o filme. Mas antes de tudo, Zack e Miri fazem uma espécie de trato, onde nada do que acontecer nas filmagens iria estrangar a amizade entre eles, mas o que eles não esperavam, é que as coisas começam a ficar cada vez mais "quentes" envolvendo cada vez mais os que participam do filme, inclusive eles, onde a amizade começa a ficar cada vez mais abalada, criando situações embaraçosas e consequentemente, briguinhas de ciúmes, e a cada dia, Zack e Miri percebem que há mais entre eles do que uma simples amizade, e mesmo em um ambiente tão pervertido, fica cada vez mais difícil esconder o que um sente pelo outro.

Pagando Bem, Que Mal Tem?, já o nome sugere algo não muito família, isso porque aqui no Brasil decidiram deixar o título não muito explícito assim como no país de origem, "Zack and Miri Make a Porno". Já está estampado no título, o filme não é para a família, mesmo se tratando de uma comédia não arrisque colocar seu pai ou sua mãe todos juntos para um programa de domingo, vai ser constrangedor. Isso ocorre pois o filme utiliza, talvez não para chamar a atenção ou apelar mesmo para conquistar mais público, mas porque se trata, dentro do contexto, de um filme pornô, portanto nada mais lógico que haver cenas para maiores. Talvez algumas pessoas se sintam ofendidas pelas cenas de sexo, por mais que sejam cômicas, ainda é sexo, mas não venha dizer que não esperava por elas, uma hora ou outra elas iriam aparecer. Por outro lado, algumas passagens, a nudez surge desnecessariamente, causando uma certa estranhesa no longa, estando aí, seu pior defeito. Sim, nesses momentos, podemos chamar de apelação.

Porém, estamos falando de um filme de Kevin Smith, um diretor ousado, original e polêmico e nesse filme, ele reúne características que fizeram ele ser o que é hoje, a ousadia no roteiro, sem medo de ofender os mais conservadores (Dogma, 1999), o humor escrachado ( do engraçado e nonsense "impérios do besterol Contra Ataca", 2001) e claro, mesmo no meio do humor, o diretor e também roteirista, sempre arranja um espaço para emoção, para criar não só o clímax da projeção, mas também criar um propósito maior, nesse caso,vemos mais do que comédia e sexo, vemos dois amigos se descobrindo com um casal (assim como o comovente "Menina dos Olhos", 2004), além do romance em cena que o consagrou em "Procura-se Amy", em 1997.

Na parte técnica, o filme não é fraco, mas é longe de ser grandioso. Apesar da boa trilha sonora, Kevin Smith, que também assina o roteiro e a edição do longa, economiza em todos os detalhes, contruindo uma história que tem como pano de fundo cenários simples e pequenos, com poucas locações, fazendo um filme um tanto quanto pobre, que apenas se fortalece no elenco e na história.

Em Pagando Bem, Que Mal Tem? não vemos sua trupe formada por Ben Affleck, Matt Damon e Jason Biggs, além dos personagens Jay e Silent Bob, mas vemos dois atores incríveis em cena, surpreendendo a cada momento do filme. Estou falando de Seth Rogen, o sempre engraçado ator de Ligeiramente Grávidos, O Virgem de 40 Anos e SuperBad. Rogen é hilário, e faz de Zack uma personagem divertida e carismática. Mas destaco principalmente a bela Elizabeth Banks, que talvez nunca tenha tido, infelizmente, tanto destaque em um filme, e depois de três episódios, praticamente figurando na saga do Homem Aranha, a atriz fez por merecer estar protagonizando um filme de Kevin Smith. Depois de sua bela performance em Três Vezes Amor (2008), ao lado de Ryan Reynolds, mostrando seu lado mais dramático e romântico, neste filme, ela nos mostra sua descontraída versão mais cômica, natural e carismática a cada instante, nunca esteve tão engraçada e tão bela em cena.

O longa de Smith nada mais é do que uma sátira dos filmes pronográficos, que nos choca por estampar em nossa cara algo que não é tão discutido e pouco mostrado no cinema Hollywoodiano, talvez por medo da rejeição dos mais conservados, talvez por puro preconceito contra aqueles que trabalham neste ramo. Mas o filme não deixa de ser descontraído, é ousado, mas não tem o intuito de assustar ninguém, muito pelo contrário, é pura comédia, comédia boa, com piadas originais e inteligentes referentes não só ao mundo pornô mas também a cultura pop. O filme nos reserva boas tiradas, mas também uma sensível e sutil história de amor entre duas pessoas que se conhecem tanto, mas como no próprio filme é dito, que ás vezes não enchergamos o que está na nossa frente e no caso deles, não enchergavam o amor que estava ali, a todo momento. Eles só precisaram de uma camêra, um bando de desconhecidos fazendo sexo para perceberem o quanto se amavam.

NOTA: 7