quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Crítica: Gato de Botas (Puss in Boots, 2011)

A franquia "Shrek", sucesso nesta última década trouxe não só uma trama inteligente como também nos apresentou personagens fantásticos, e com eles, coadjuvantes de peso. Gato de Botas foi um deles, ganhou vida no segundo filme e fez tanto sucesso que ganhou sua própria aventura. Chris Miller que dirigiu a terceira parte, comanda a direção deste, que ainda conta com a ilustre participação de Guillermo Del Toro como produtor executivo. "Gato de Botas" possui personagens bem escritos...história, porém, nem tanto!

por Fernando Labanca


Com fama de fora-da-lei, na pequena cidade de San Ricardo, o Gato de Botas decide encontrar os feijões mágicos, pois acredita que estes trariam sua boa reputação de volta e reconquistaria sua honra. Porém, em sua busca, ele percebe que há mais gente atrás deles, Kitty Pata-Mansa, uma gata muito sensual e misteriosa é uma delas, mas logo descobre que ela está a mando de Humpy Dumpty, o ovo, que por sua vez, fora um grande amigo de infãncia de Gato, quando ainda vivia num orfanato, local onde Humpty lhe revelou seu maior desejo, encontrar os feijões mágicos e convense seu amigo a tentar encontrar também. Mas depois de algumas traições, cada um seguiu seu lado, é quando depois de muitos anos, Humpty retorna e tenta convenser mais uma vez, Gato de Botas a seguir seus planos. 

A partir de então, Humpty, Kitty e o Gato de Botas embarcam numa aventura em busca dos tais feijões, mas para isso precisam enfrentar a fúrias de dois vilões, Jack e Jill, aqueles que os possuem. E nesta jornada por sua honra, Gato acaba sendo seduzido por Kitty, no mesmo instante em que tenta recuparar a confiança que tinha em seu melhor amigo, esquecendo os erros do passado, lhe dando uma segunda chance. 

"O Gato de Botas" segue seu próprio caminho. Apesar de ter nomes na produção do filme grande parte da equipe que esteve em Shrek, o longa de Chris Miller cria uma aventura completamente nova, repaginada. Desde a direção, a ambientação da história, até seu humor, pouco se lembra da saga do ogro. Por um lado isto é bom, vemos algo novo na tela, personagens, tramas, conflitos, até mesmo o olhar grande e dócio do animal é pouco explorado (o que é uma pena), a intenção aqui é deixar que o personagem crie sua própria jornada, o que de fato, conseguiram. O lado ruim de pouco se parecer com "Shrek", é que existe uma chance do público que o aprovou pode não aprovar a aventura solo do Gato, o que, digamos aconteceu comigo. Muito se perde, a qualidade dos filmes do ogro não são aproveitadas, e o que se cria aqui de novo, não é nada tão criativo assim, pelo contrário, colocar a velha história dos feijões mágicos como centro da história não me pareceu uma boa idéia, soa repetitivo, como a árvore gigante que cresce do nada e os leva para um reino além do céu, nos mostra algo que já vimos antes e já perdeu a graça, ou seja, eles se afastam de "Shrek", mas também perdem a chance de criarem algo completamente novo, traçando, assim, uma trama já trilhada, desde os feijões, ovos de ouro, vilões caricatos e por aí vai.

A direção de Chris Miller, por sua vez, se mostrou muito mais madura. Cria cenas bastante inovadoras para o gênero animação, seja pelo bom uso da câmera lenta até as imagens divididas na tela, o deixando mais estiloso a ainda colaborando com algumas piadas. O diretor também consegue criar um ambiente bastante propício para trama, de referências do western até o gingado latino, tudo perfeitamente arquitetado. O roteiro se salva pela criação das personagens, que são bastante ricas, com uma certa profundidade psicológica, muitas vezes, pouco exploradas em filmes de animação. Kitty Pata Mansa é simplesmente adorável, conquista fácil, o Gato de Botas que nos apresenta aqui seu passado, sua infância, nos faz criar um elo forte com ele, nos afeiçoamos a sua trajetória e Humpty Dumpty, o melhor desenvolvido na trama, é bastante complexo e surpreende em diversas passagens, pena que...

As personagens, por mais que sejam bem escritas e bem desenvolvidas, me deixaram um tanto quanto incomodado na maior parte do tempo. Os vilões caricatos, são chatos e infelizmente possuem mais destaque do que precisavam, mas o pior de todos, foi ver um personagem de destaque sendo um ovo, foi realmente muito difícil levar sua história a sério, por mais bem escrita e desenvolvida que tenha sido, ele é um ovo. Aceitamos, ogros, burros, gatos, peixes, o que for no universo infantil, mas um ovo foi demais. Não, ele não foi criado aqui, é um personagem antigo de cantigas norte-americanas, mas vejo como um grande erro revivê-lo aqui, não consegui ver suas cenas sem ficar com a expressão "what the hell?", era um ovo com passado, pouco caráter e com problemas psicológicos, fiquei sem entender. Somado a isto, história fraca, sem grandes inovações, que não possui grandes diálogos muito menos cenas tão boas que consigam prender a atenção,  tudo me pareceu extremamente arrastado, cansativo. Salvo por alguns personagens, o carisma do Gato e de Kitty e pelo seu bom humor. 

NOTA: 6


2 comentários:

  1. Engraçado é aquele gato bohemico, que faz: "-Uhhhh" com aqueles olhos cômicos!

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  2. hauhauhahau...vdd!!! É que não sabia como descrever ele na resenha. Mas "gato bohemico que faz "uuuhl" com olhos cômicos" é uma boa...huahuahua...

    Definitivamente...o melhor de todo o filme!!!
    às vezes tenho vontade d fazer a cara dele, mas ninguém entederia a piada...kkkk

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